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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Dean Karnazes - noite de autógrafos

Valeu a pena esperar. Foram quase duas horas até chegar nossa vez. Mas o sorriso, as palavras e as dedicatórias foram à altura de toda a jornada. A primeira coisa que ele pediu foi que agradecesse aos meninos por terem tido a paciência de esperar todo aquele tempo. Depois, ao ver a minha pilha de livros para que autografasse, comentou que sou muito atenciosa com meus amigos. Agradeceu - de novo - a participação da gente no Desafio 24 horas, disse que tenho uma linda família e, por último, me convidou a ir correr com ele nos Estados Unidos.


Podem escrever: eu vou. Não sei quando, mas juro que vou.



segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Uma jornada com Dean - Parte 1

Minhas expectativas eram altas o que é sempre perigoso, pois aumenta a chance de frustração. Isso não aconteceu. O Desafio 24 horas com Dean Karnazes já está entre os Top Hits da minha vida. Não só da vida de esportista, mas da vida.
Vamos fatos.
Acordei antes de o despertador tocar, pois o dia já raiava. Como estou acostumada a acordar antes de clarear, é só o sol botar a cara pra fora e acordo achando que estou atrasada.
Chamei o Martim (filho nº2, 9 anos), que iria acompanhar a jornada desde o começo. Tomamos um lanche rápido. E o Vagner chegou. Abro parênteses para falar do Vagner.
Mais do que meu piloto, o Vagner se tornou um amigo e um dos meus anjos da guarda (tenho mais dois, ou melhor, duas). Durante a semana ele me atende como motorista na empresa em que trabalho e, de vez em quando, faz uns bicos nos fins-de-semana. Dessa vez ele se ofereceu para fazer um apoio particular e, principalmente, fotografar o Desafio. (Esta bela foto foi ele que tirou). E ele foi fundamental para que tudo corresse do jeito que correu.
Fomos para Paulista, no ponto de encontro. Vagner e eu pedimos a para ver o percurso exato no mapa, para que meu apoio particular pudesse seguir ou encontrar o comboio. Vi que passaríamos pela Avenida Corifeu de Azevedo Marques e não me contive: “Por que vocês vão fazer isso com ele? Que sacanagem! Um lugar feio, sujo e poluído!”. O rapaz que estava com o mapa deu de ombros.
Dean estava em algum canto descansando um pouquinho antes da próxima largada. O pessoal da organização emprestou o megafone para o Martim dar um “bom dia”. Ele aproveitou e emendou um “Good morning, Dean!”
Logo Karno apareceu, demonstrando um pouco de cansaço, mas esbanjando simpatia. Autografou minha regata e a de outros tantos e posou para várias fotos sempre, sempre sorrindo.
Saímos Paulista afora (uma pena, deveríamos ter ido um pouco mais!), descemos Pamplona, pegamos a Nove de Julho e fomos embora. Logo consegui me posicionar ao lado dele. E fui direto ao assunto. Disse que estava muito feliz de poder correr ao seu lado, que tinha lido o livro e adorado e contado para todo mundo sobre ele e que mal pude acreditar quando soube que ele vinha pro Brasil. Ele agradeceu com um sorriso sincero, quase tímido.
Fiz algumas perguntas pra ele sobre a ida ao Rio de Janeiro (ele vai surfar por lá), comentei um pouco sobre o percurso que iríamos fazer (aproveitei pra avisar que passaríamos por uma região muito feia). Conversinhas amenas, como a brisinha que soprava na Nove de Julho.
Depois, recuei um pouquinho, pra dar chance de outras pessoas ficarem com ele.
Conheci muita gente legal durante o percurso e nas paradas.
Eduardo, triatleta e blogueiro do tr3s meios, com quem conversei um bom trecho sobre a vida de esportista amador; o Marcelo, cinegrafista e editor, que havia conhecido em Penha e com quem tive uma liga imediata; Harry, blogueiro do site webrun e escreveu um post muito legal sobre a gente; Lenícia, nutricionista, que disse que iria rasgar o diploma depois de ver como o Dean se alimentava; Natale, que estava no apoio, é capitão da polícia e professor de educação física e me contou sua vida enquanto o Dean fazia xixi num posto; Rodrigo, também triatleta; João, ultramaratonista, que foi pacer de um amigo em Badwater este ano; Antônio, jornalista da Runners, para quem eu prometi que iria escrever meus comentários sobre a publicação e enviar ao chefe de redação; o Pinguim que sprintava na frente do Dean, para fotografá-lo e treina subida lá na Vila Formosa; Karin, barriga-verde que vai correr Berlin junto com o marido; Cecília que ia correr no Ibirapuera com o marido, mas encontrou a trupe no meio do caminho e acabou aderindo. Todo mundo estava no mesmo pace, na mesma, e gostosa, vibração.
Pegamos a Faria Lima inteira, seguimos pela Pedroso, passamos a Panamericana e entramos no Parque Villa Lobos. Enquanto isso, Vagner foi com o Martim até em casa, buscar os dois pequenos e mais duas acompanhantes.
Quando saímos do Parque, a minha turma estava toda lá tomando sorvete. Foi perfeito. Porque demos uma paradinha para hidratar e alimentar. Aproveitei para oferecer as minhas bananinhas para todo mundo. Sucesso! Todo mundo comeu. Pena que o Dean não quis.
Martim quis correr um pouquinho. Fez uns 4 ou 5 kms! No maior pique. Correu ao meu lado, ao lado do Dean, sempre com uma sorrisão na cara. Quando chegamos na Corifeu, o sol rachando e aquela paisagem deprimente, Martim quis parar. E o Dean também! Ele não gostou nada daquilo. Ainda por cima, teve subida.

Uma jornada com Dean - Parte 2

Demos uma parada num posto. Aí foi a vez do Ian correr conosco. Não agüentou tanto quanto o Martim, mas não fez feio. De calça comprida, naquele calor, também foi ao lado do ultramaratonista até não agüentar mais. De novo, super Vagner o resgatou.
Passando o túnel do Jóquei, foi a vez do Félix. Ele estava com um calção de futebol muito largo e teve de correr segurando pra não cair. Muito engraçado. Mas pensa que ele desistiu fácil? Também não! Foi pro lado do Dean, pedir a benção (a cada um que aparecia ele dizia “Champion!”) e só parou depois que chegamos num ponto determinado.
E pronto! Chegamos ao Alfredo Volpi. Quase 26 kms tinham se passado e eu nem senti! A Gra estava me esperando com o Junior e a Minnie e foi muito legal ter uma cara querida e conhecida para festejar este momento.
Era pouco. Eu queria mais. E eu estava bem. Quando uma oportunidade dessas vai aparecer outra vez? Conversei com o Vagner, perguntei se ele topava acompanhar mais um pouco. Olhamos o percurso, combinamos um novo ponto. Ele iria até em casa levar a Sandra e a Laís (que também estavam no apoio familiar)e buscar o Theo pra correr um pouquinho.
A transição durou uns 45 minutos. Nem sentei. Bebi, comi. Comi um Mac Chicken!! Coisa que eu nuuuuunca faço! Muito menos num treino ou corrida. Eu tinha certeza de que não iria fazer mal. Como não fez. Tomei Redbull (outra coisa que nunca faço), comi maçãs e bananas.
Largamos de novo. Mas o Dean pediu que fizéssemos um percurso sem avenidas movimentadas, feias e poluídas como a que havíamos passado (eu não disse?! eu não disse?!), então ficamos dando voltas e mais voltas pelas ruas do Morumbi, mais exatamente, no Jardim Guedala: passamos umas cinco vezes na alameda das Jabuticabeiras, na das Acácias e na dos Manacás. Mesmo andando em círculos (em oitos, em espiral, em elipses e outras formas do gênero) e fazendo subidas, estava uma delícia. O único problema é que o Vagner não conseguia nos localizar.

Uma jornada com Dean - parte 3

Parada estratégica. Nós todos nos hidratamos

Chegando ao Clube Paineiras, nos encontramos. Martim e Theo desceram pra correr conosco. Apresentei meu number 1 pro Dean, que ficou ainda mais espantado com meu time. Martim puxou o pelotão junto com um corredor de elite, que dava dicas para ele. Tivemos que diminuir o ritmo, pois nosso atleta estava bem cansado. Paramos numa pracinha. Dean abriu um potinho de balas para o qual os meninos lançarm olhares cúpidos e mãos ávidas. Antes que eu os impedisse, ele sorriu e ofereceu as balas!
A essas alturas eu já havia feito 41km. Decidi completar a maratona. Eu, que nunca havia corrido mais de 25 km na vida.
E fomos todos com ele. Theo, Martim, Ian e Félix segurando o calção. Eles foram a atração. Corremos mais uns 3 kms. Os meninos não queriam parar embora estivessem cansados. Eu também não queria parar. Minha vontade era ir até o fim, até a chegada. Mas o bom senso que me restava falou mais alto. Era tarde, as crianças estavam cansadas e com fome, meus tendões estavam apitando fazia algum tempo. Eu que nem dei bola pra eles.
Aproveitei quando Dean diminuiu o ritmo numa ladeira e fomos nós cinco agradecer e nos despedir. Ele agradeceu a cada um de nós, com um Thank you olhado nos olhos. Foi emocionante.
Saímos plenos. Mais do que testemunhar, meus filhos puderam captar a essência dessa experiência e senti-la na própria pele, nos músculos, no coração.
Inesquecível para todos nós.

sábado, 12 de setembro de 2009

Team Dean e os caras

O cara é realmente especial. Acabamos de ir à Frutaria São Paulo onde uma elite de corredores (não corredores de elite) aguardava o início do Desafio 24 horas. TVs, jornalistas, muitas câmeras com flashes acuavam o atleta num canto da Frutaria. Mas ele não se fez de rogado. Atendeu a todos com extrema simpatia.
Fiquei deseperada pois levei a câmera do meu filho Theo e nao sabia onde diabos ligava o flash. Que nervoso!!! O Dean fazendo pose com os meninos e eu sem ligar a droga do flash. Patético. E era só levantar uma tampinha na parte de cima. Estava tão ansiosa pra fotografá-lo que demorei muito mais do que seria normal pra achar o flash.
Minha sorte é que ele é gentil, solícito e tem uma paciência de Jó. Então, pouco antes da largada, posou mais uma vez com eles.
O clima era festivo. Gente com cara de corredor experiente. E uma senhora, Dona Lucina (acho), de mais de 60 anos que promete fazer as 24horas com ele. Fiquei até com vontade. Mas não seria prudente.
O dia de amanhã será especial.
Vou descansar. Quero estar bem para não fazer feio.

domingo, 6 de setembro de 2009

Team Dean


Acabei de ler “O Ultramaratonista” (ou, em inglês, “Ultramarathon man: confessions of an all-night runner”, de Dean Karnazes. Foi o Borejo que me emprestou (aquele colega de treino que me emprestou o “Becoming an Ironman”).

Comecei ler uns dias antes de ir para Penha e o livro acabou sendo uma ótima pedida para antes da prova. Inspirador. Karno, como é chamado pelos amigos, é um corredor obsessivo e um bom contador de histórias. Somos convidados a acompanhá-lo em suas incríveis façanhas: correr a noite inteira sem parar (e pedir uma pizza para ser entregue no meio do caminho), correr por cem milhas subindo e descendo montanhas de até 3 mil metros em menos de 24 horas ou terminar uma maratona em pleno pólo sul. Nos detalhes de seus relatos quase sentimos a exaustão. Muitos perguntam: por que você faz isso? Pergunta essa que muitos de nós, triatletas amadores, ouvimos. A resposta não é simples nem direta e ele a responde de muitas maneiras em diferentes trechos do livro.

Também como nós, amadores, Karno tinha (pelo menos ao escrever este primeiro livro) seu trabalho das 9h às 17h, mulher e filhos pequenos. E ele é muito franco quando fala do delicado equilíbrio necessário para compor todas essas dimensões da vida, das renúncias e sacrifícios e de certa dose de egoísmo que existe em quem treina com tanto afinco. É bom a gente perceber que não esta sozinho nas loucuras!

Bem... estava eu, semana passada, totalmente apaixonada pelo livro e seu autor, comentando com Deus e o mundo quando recebo um email do site ativo.com com os seguintes dizeres:
Desafio 24 horas – com Dean Karnazes.

Resumo da ópera: o ultramaraonista estará em São Paulo nos próximos das 12 e 13 de setembro para lançar seu novo livro (“50 maratonas em 50 dias”). Para isso, fará uma corrida de 24 horas por 116 km em ruas e parques de São Paulo. A loja The North Face fez a seguinte promoção: os autores das 100 melhores frases respondendo “porque devo correr com Dean Karnazes” poderão estar com ele na largada e na chegada do Desafio e, o melhor, poderão escolher um trecho de 21 kms para correr com ele.

Na mesma hora, entrei no site, fiz o cadastro e respondi a tal pergunta. Pra dizer a verdade, achei que era por sorteio ou por ordem de inscrição e nem me preocupei em escrever uma frase muito inspirada. Só depois é que fui ver que seriam selecionadas as cem melhores respostas. Aí fiquei desapontada, porque poderia ter escrito algo melhor.

Mas eis que na sexta-feira, antes de dormir, recebo um email com os seguintes dizeres: “Parabéns! Sua frase foi escolhida e você participará do desafio 24 horas com Dean Karnazes”.
Fiquei saltitante feito uma pipoca na panela. Nem dormi direito. Não sei ainda como vai ser esta história, mas, pelo que entendi, serão poucas pessoas por vez que correrão cada trecho. Escolhi o trecho que começa na Avenida Paulista, às 4h30. Quero ver o sol raiar na cidade adormecida, correndo ao lado de uma das figuras mais interessantes, inspiradoras e influentes do mundo dos esportes.

Prometo contar cada detalhe.