Mostrando postagens com marcador nem sobre ironman. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador nem sobre ironman. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Não conto

Você procurou por "ironman" no Google? Desculpe, foi engano. Talvez tenha dado uma busca por "triathlon", ou, quem sabe, "treinos"? Lamento informar, mas hoje esses assuntos estão temporariamente fora do ar. Do mar, do chão e das rodas. Fica pra próxima, tá?
Não vou contar nada de triathlon. Nem de treinos. Esquece. Não tem utilidade. É perda de tempo você insistir.  Está achando que vou contar alguma coisa sobre corrida? Relatar alguma prova, dar alguma dica, compartilhar alguma sensação? Errou.
Não conto nada. Me recuso a contar a falta que faz entrar naquele transe de uma corrida longa e lenta, onde cada passo combina com a respiração, como o baixo e a bateria numa balada de soul music.
Não conto nada também da sensação de correr até o coração sair pela boca. Não gosto mesmo.  Detesto correr até o coração sair pela boca. É horrível aquela pulsação tão forte, tão rápida, tão techno. Aquele suor pingando, aquele cansaço. Ninguém vai me convencer a contar nada disso.
Não conto nada sobre correr falando sobre nada com os amigos, e rir. 
Mas o que você pensa que está fazendo? Eu avisei que não iria falar de triathlon. Você está aqui ainda? Não falei de corrida e também não vou contar nada sobre ciclismo. Desista.
Recuso-me a contar sobre a vontade que estou de sentir um ventinho no rosto. Muito menos a discorrer sobre um pelotão desorganizado, que não tem ninguém pra puxar ou aquele que quem puxa não respeita o ritmo e larga os outros pra traz e não avisa os buracos... e que a gente depois passa horas reclamando desse tal pelotão como se fosse a coisa mais séria e importante do mundo. E quem foi que disse  que vou  contar sobre o pelotão mais organizado de todos, comandado pelas mulheres, que revezam, mantém o ritmo proposto, dão dura nos marmanjos e ainda conseguem trocar confidências quando não falta o fôlego? Não conto.
Leu até agora por que? Você é persistente, hein? Natação, nem pensar.
Não tenho nada a declarar sobre a modalidade. Tem cabimento  contar sobre o paradoxo que é treinar sozinha, numa água transparente, quente, sem roupa de borracha, com uma trilha a ser seguida bem ao alcance dos olhos, uma borda para apoiar a cada 25 metros para depois nadar em águas abertas, frias, sem direção exata, levando tapas e pontapés, de roupa de borracha e sem lugar algum pra descansar? Nunca. Jamais vou contar sobre essa insanidade.
Nem tampouco sobre a insanidade que é acordar num domingo às 6 da manhã pra nadar na raia gelada da USP, ou às 5 e descer a serra pra pedalar numa avenida esburacada como a Portuária ou ainda, pegar um avião pra Penha! Sabe onde é Penha? Não conto. Não conto que é em Santa Catarina e que tem meia dúzia de quatro hotéis de meia estrela e que a gente vai pra lá e acha o máximo.
E pra que vou contar que a gente organiza a vida em função de treinos e de provas? E que incluimos no vocabulário palavras estranhas como cateye, volantão, 404, clincher, clipe, endurox R4, accel e bento box? Imagina se vou contar que são equipamentos, alimentos e outras frescurar dos triatletas. Não interessa.

Você ficou maluco? O que há com você?  Acho que tem algum problema. Um problema sério. Você é obsessivo. Não desiste nunca. Vai até o limite. Até o fim. É insano. Será que você é o que estou pensando?