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sábado, 30 de outubro de 2010

Dois trios, três duplas - Revezamento Bertioga-Maresias

Pelo quarto ano consecutivo faço essa prova. No primeiro ano participei apenas como torcida, já que estava de patinha quebrada. mesmo assim, me senti parte da equipe.
Neste último sábado, porém, em vez de irmos em sexteto como nas edições anteriores, montamos dois trios: um feminino o outro masculino. Foi muito divertido.

Nosso esquema para a prova, made by Roi
 Uma parte da graça dessa prova é organizar a logística: carros de apoio, quem leva quem aonde e que horas. Tínhamos uma boa equação: dois trios de corredores (Julinha, Mari e eu/ Roi, meu marido + David e Zé), um carro de apoio com motorista (Tamara, esposa do Zé), um carro sem motorista, nove trechos a serem percorridos.
O Roi pode não ser bom em encontrar as coisas mas é perito em montar planilhas, esquematizar informações e colocar no papel. Portanto, mais uma vez, a logística da prova ficou por sua conta.
Viajamos na sexta à noite, no Doblo: David, Mari, Julinha, Roi e eu. Paramos num posto e comemos uns sanduíches de pão borrachento com queijo gosduroso e mal derretido. Ninguém nem ligou. Lembrei de tantas vezes que desci pro litoral e parei neste mesmo posto, louca pra chegar na praia, tomar cerveja, umas vodcas, ficar na farra até altas da madrugada e acordar tarde e com dor de cabeça no dia seguinte. A parte boa era conviver com os amigos, dar risadas, falar besteira. Então alguns anos depois, estou indo novamente pra praia com amigos e marido, rindo e falando besteira. Só que sem a ressaca do dia seguinte. provas de corrida podem sem uma coisa ótima!
Chegamos à nossa Pousada, simples mas limpa e ao lado do PC1 - largada do segundo trecho. Ficamos num "chalé triplex" que não era um chalé nem aqui nem na China e sim um apartamentinho de dois andares, com várias camas, cozinha e dois banheiros.
Aprontamos as coisas pro dia seguinte - principalmente eu, que seria a primeira a correr - e nos jogamos nas camas.
A noite não foi das melhores. Gente batendo papo, crianças gritando, barulhos em geral. Mas, se o desempenho das provas dependesse das noites da véspera, eu teria sempre um péssimo resultado. É raro dormir bem.
Na manhã seguinte, Mari acordou queixando de dor de garganta. Tossiu a noite inteira. Sorte que a Julinha dorme como uma pedra, nem escutou.
Tamara e Zé passaram pra me pegar. Nós dois faríamos uma dupla, pois correríamos os mesmos trechos: 1, 4 e 7.  Chegamos a cinco minutos da largada. Não deu nem pra alongar. E, confesso, não deu também aquela emoção que costumava me dar antes do início de uma competição. Seria um longo dia e eu estava tranquila.
Fomos juntos, num ritmo mais lento do que a maioria dos corredores mas, pouco a pouco, fomos apertando o passo. Falei pro Zé que ele poderia ir, sem se preocupar comigo. Ele foi, mas logo emparelhei. A areia dura, o tempo fechado, o espaço aberto e a musiquinha no Ipod nos empolgaram e chegamos ao final do trecho 1 bem acelerados. Lá, nos esperava a segunda dupla: Mari e David, além da Tamara que nos levou até nosso próxima largada.
Fiquei muito contente com meu desempenho. Tenho treinado corrida bem mais ou menos portanto, estava temerosa. Os joelhos estavam ótimos, mas fiz um gelinho assim mesmo.
Nem deu muito tempo de descansar, já era hora do nosso segundo trecho, que saia de Guaratuba e também vai pela praia quase todo o tempo. Como o Roi chegou um pouco antes, Zé largou na frente e passei metade da corrida tentando alcançá-lo. Enquanto esperávamos nossa saída ele veio com aquela conversa de que não aguentaria manter o mesmo ritmo tal e coisa. Ba-le-la. Saiu queimando o chão e eu me esbafori pra chegar nele. Resultado, no final o joelho começou a pegar. Não o que estava doendo ultimamente. O outro. O esquerdo, que  foi o primeiro a começar a doer logo depois do Iron, então passou pro direito.  Caprichei nos cuidados com o direito. O esquerdo ficou invejoso e resolveu doer no final da nossa segunda perna.
Zé terminou um pouquinho na minha frente mas, não adiantou nada. A Mari tinha pifado e, para não perdermos a viagem, o David esperou eu chegar para levar nosso chip até o o trecho em que a Julinha assumiria.
Tomei um advil, fiz gelo e rezei. O trecho 7,  Juréia - Juqueí, era o meu último, porém o mais difícil. Mais uma vez, nossa espera foi curta. Julinha e Roi vieram voando.
Zé também estava cansado e foi mais devagar. Logo de saída vi que meu joelho não iria dar trégua. O piso, pra complicar ainda mais a situação, é muito irregular: estrada de terra toda esburacada, pedregulhos, serrinha, areia dura e, no finzinho, areia fofa pra acabar com a gente de vez.
Quase desisti. Mas, quando se está em equipe, a responsabilidade é maior. Depois, esse negócio no joelho é só chato e doloroso, mas não é grave. Correr com o joelho assim não vai arrebentar meu tendão, quebrar minha patela ou me aleijar de qualquer modo. Respirei fundo, tente me distanciar da dor e, no final, consegui até apertar um pouco mais o passo. Sobrevivi, terminei com o joelho inchado mas, como diz o ditado, ajoelhou, tem de rezar ou, no caso - correr.
David levou os dois chips novamente. Entregou para Roi e Julinha e, até sair o resultado da prova não sabíamos se ele tinha entregado o chip certo.
Os dois fizeram o trecho final. Fui no carro com o Zé e Tamara, enfiada no teto solar, mexendo com os corredores. Festeja e aplaudia os "solo" e as pessoas que conhecia.  Às vezes os corredores que estavam próximos ficam esperando que eu dissesse alguma coisa, mas eu brincava "ah, não, você não é solo, tá fazendo só este trechinho, não merece aplauso".  Avistamos a Julinha descendo a ladeira sem freio algum e, até estacionar o carro, Roi e ela já tinham chegado. Uma pena. É muito legal todo mundo estar junto na reta final.
Nem esperamos o resultado. Afinal, sabíamos que não seria justo levarmos troféu e subirmos no pódio, já que nossa equipe teve de fazer uma gambiarra pra não sair da prova. Outra pena. Ficamos em terceiro no trio feminino e, tenho certeza, de que teríamos ficado em terceiro se a Mari tivesse corrido porque além de ela ter acompanhado bem o David em seu primeiro trecho, ficamos uns 30 minutos na frente das quartas colocadas.  Acontece.
Mari e David conseguiram carona pra São Paulo e subiram assim que terminamos. Nós cinco fomos almoçar num delicioso restaurante italiano lá em Maresias. Tomamos vinho, comemos bem e falamos de tudo um pouco. E começamos a planejar o próximo ano.
Mais uma vez, foi ótimo. Nada como uma corrida pra gente se divertir com os amigos.

sábado, 14 de agosto de 2010

Cirurgia e cuidados

De volta à casa, com o braço na tipóia, teclando só com a mão direita.
Conforme escrevi há uns dias, fiz a tal da artroscopia.

Véspera
Mal tive tempo de me preocupar com esse negócio. Trabalho de uma semana acumulado em três dias, encanamento da pia quebrado, mais um par de problemas bancários e outros tantos domésticos - não sobrou tempo para gerar tensões ou sofrer por antecipação. Ainda bem.
Na quarta à noite recebi telefonema do Alexandre, o anestesista que iria me derrubar pro procedimento. Ele me avisou que o horário da cirurgia mudara e então eu, uau, poderia chegar às 5h45 e não às 5h. Quase que dava tempo de dar uma pedaladinha na USP. Também aproveitou pra me falar do jejum, da água e um pouquinho sobre como seria meu dia seguinte. Quando ele disse que iria me dar um Dormonid no quarto e eu chegaria dormindo ao centro cirúrgico eu, bocuda, disse: olha que eu sou dura na queda! E ele, de bate-pronto "E olha que eu sou bom no que faço!"
Ele também me disse que eu poderia beber água até as 3 da manhã.  "Que programão!", pensei. Mas mesmo assim levei um copo d'água pra dormir ao meu lado no criado-mudo. Obviamente não tomei nem um gole.
Sonhei que eu chegava ao hospital e levava uma dura do anestesista por não ter me hidratado. Ele dizia que iria atrapalhar o procedimento, que as coisas poderiam não sair bem por causa disso. Como numa prova de triathlon.

Internação
Chegamos ao Einstein, minha mãe, meu marido e eu, pontualmente às 5h45. Parecia checkin no aeroporto em véspera de feriado. Levamos mais de uma hora pra chegar ao quarto. Mandei um torpedo ao Alexandre, avisando que já estava na fila de embarque. Imediatamente ele respondeu que monitorava minha internçao e, quando fazia mais de uma hora que estávamos ali, ele ligou avisando que pedira pressa ao hospital. No mesmo instante fomos levados ao quarto pré-operatório.
Não era nenhuma Brastemp. Só uma cama sem travesseiro, meia cadeira e nenhum chuveiro. Se fosse um hotel, eu teria pedido pra trocar de quarto.
Naquela hora me deu um pouco de dor de barriga, confesso. Fui ao banheiro e logo todos chegaram: duas enfermeira e o anestesista. Minha mãe ficou me apressando, como se eu estivesse fazendo a maquiagem ou secando os cabelos. E o pessoal perguntou se eu estava escondida ou querendo fugir.

Aula
Saí do meu esconderijo e conheci Alexandre, o anestesista, que tem o sugestivo sobrenome de Casanova. E não o desmerece.
Quando ele me pergunta como passei a noite, conto meu sonho.
Ganho uma pulseirinha colorida que, no meu caso, lembra a do Iron. Para outros, remete às áreas VIPs, das baladas. Tem algo a ver com alertar as pessoas sobre o (meu) risco de queda.
Ele então nos fez uma completa preleção sobre todos os fundamentos e etapas da anestesia. Foi claro, coerente, detalhista sem ser pedante, de modo que meu leve nervosismo, foi se atenuando. Ao final, quando ele terminou sua explanação e perguntou se eu tinha alguma dúvida, fui direta "tem algum risco de eu morrer?" e ele, foi sincero "tem". Mas aí emendou explicando como eles fazem pra diminuir as chances de problemas graves. Por exemplo, ao me ver e conversar comigo, ele observa que minha boca tem uma boa abertura (vantagem em ser bocuda, já pensou!?) e que, pra me entubar, vai usar tamanho infantil, entre outras coisas.
Prevejo que vou acordar com vontade de café e pão de queijo. Ele aposta que vou ter apenas sede.
Casanova nos deixa com  a enfermagem e sobe ao centro cirúrgico. Pergunto à minha mãe se em algumas das várias cirurgias que ela fez na vida o anestesista teve este mesmo cuidado e atenção com ela. Ela responde balançando a cabeça negativamente. Viva a nova geração de médicos.
Flávia e Nathalie tiram minha pressão, medem os batimentos, que ainda estão surpreendentemente baixos, e ministram o Dormonid.
Sinto o sono se aproximar mas deito na maca sem ajuda. A próxima lembrança é o Gustavo já em trajes de cirurgião e um relógio que marca nove horas. "Nove horas?! Já?!" não sei se falei ou pensei.

De volta
A próxima lembrança é a voz de Casanova me chamando. Já terminou. Acordo lúcida. Apenas o braço dorme. Ao me lado, uma mulher geme sem parar. À minha frente, num balcão, uma mocinha tenta negociar um apartamento pra mim. Percebo que houve alguma confusão e sou a última a ser levada da sala de recuperação.
Roi e minha mãe me aguardam logo na saída. Sorrio pra eles e digo que estou com vontade de um café com pão de queijo.
Meu estado geral é ótimo. A única coisa que incomoda é o braço estar completamente morto.  Torço para que o efeito da anestesia passe mas logo vou me arrepender deste desejo.


No quarto
Não sinto a garganta arranhada, nem sede. Tomo o café e copo dois pães de queijo com gosto.
É hora de levantar para um xixi. Por prudência, toco a campainha da enfermagem pra que alguém me acompanhe na minha primeira incursão à posição vertical.
Para minha surpresa, quem aparece é o William, um belo afrodescendente. Ele se apresenta, pergunta de que preciso. "Acho que você não serve pra me levar pra um xixi. Quem sabe, pra um samba, daqui a alguns dias". Ele sorri e chama outra enfermeira.
Minha mãe vai embora e ficamos Roi, seu notebook e eu. Pergunto se ele comunicou meus amigos que correu tudo bem. Ele diz que sim e que vários responderam e lê pra mim as mensagens.
Descanso um pouco, mas não durmo. Uma mão estranha roça minhas coxas de vez em quando. Levo um susto. É a minha própria, completamente adormecida.
Por volta das quatro da tarde, Gustavo a aparece. Diz que tudo correu bem. O osso foi furado e duas âncoras biodegradáveis foram colocadas, prendendo o labrum e o tendão do bíceps. Poderei competir um meio Iron no fim de novembro? Sim, desde que passeie na natação.
Pergunto se posso fazer algo pra acelerar a passagem do efeito da anestesia: tomar mais água, dar uma corridinha. Nada. Vou me arrepender disso muito em breve.
Roi vai embora, Gustavo vai embora. Fico só com Jane Austen. Uso a minha própria mão esquerda pra manter as páginas do livro abertas. É muito esquisito sentir o peso morto do braço.
As enfermeiras vem me medicar. O telefone toca, peço a uma delas que atenda. Ela atende. A pessoa no outro lado da linha pergunta algo. Ela se volta pra mim meio sem jeito e pergunta: "você é a ombreta?" Caio na gargalhada. É a engraçadinha da Thelma.

Amigas
Por volta das 18h30 as amigas chegam. Gra, Thelma e Julinha. Ganho presentes e conforto no coração.
Conversamos, damos risadas. Gesticulo em dobro com o braço direito, já que o esquerdo está imóvel.
A mocinha da copa traz um chá, pergunto a ela se não pode nos trazer um vinho para receber minhas amigas. Afinal estou tomando tantas drogas... Que mal poderia haver em tomar uma tacinha?
Lá pelas 20h, meus dedos começam a dar sinais de vida. Consigo comandá-los, mas não senti-los. É como se o impulso nervoso fosse do cérebro para os dedos mas não fazem o caminho reverso. Output sem input.
Gra vai embora. Sugiro que Thelma e Juju desçam para jantar. Fico na companhia do Nadal e de uma Nha Benta que desaparece em poucos segundos. "Onde está a Nha Benta que estava aqui?" Sumiu. Só fiquei com o Nadal. E com o Leandro, colega de treino, que liga pra desejar uma pronta recuperação.
Elas voltam, Juju vai embora.
Thelma me ajuda a vestir o pijama. É uma delicada operação.
Ficamos conversando. De nada adiantaria dormir antes já que à meia noite preciso tomar uma medicação intravenosa.
Casanova telefona. Brinco com ele: "Você é bom mesmo no que faz, hein?" Cada uma das etapas da anestesia que ele profetizou, se cumprem.


Noite 
A enfermeira não consegue fazer o soro gotejar. Faz tanta pressão que acaba espirrando soro pra todo lado. De tanto eu gesticular, o acesso dentro da veia ficou dobrado. E ela precisa desdobrar. É aflitivo.
O bloqueio no plexo braquial - nome técnico da anestesia local, passou completamente e, assim,  recupero minha mão mas, em troca, ganho uma bela dor no ombro. É idêntica à dor de antes da cirurgia, só que elevada à décima potência.
Não acho posição pra dormir. Não durmo. Às cinco a dor é muito forte. Reluto em chamar a enfermagem, porque vou acordar a Thelma. Espero 40 minutos e então chamo.
Sou medicada, começo a melhorar. No quarto escuro, recomeçamos a conversa interrompida à meia-noite. Conversas no escuro me lembram infância. Irmãs, amigas. Confissões, segredos e risadas, com os olhos perdidos na penumbra. É reconfortante.
Vemos o dia amanhecer.

Dor e café da manhã
Depois do tylex, meu humor melhora e esqueço um pouco a dor. Mas preciso ficar com o braço o mais imóvel possível .
Finalmente meu café da manhã chega e, com ele, Richard, amigo e companheiro de trabalho. Ele corta o pão, passa a manteiga, pica o mamão. Brinco, dizendo que é bom se acostumar pois, provavelmente, ele vai cuidar das minhas refeições durante a semana. Ele se vai, com a promessa de me mandar umas lajotinhas da Kopenhagen. Hummmm. Acho que vou virar uma bola nas próximas semanas.
Chamo a enfermagem para me auxiliarem no banho. De novo é o William que se apresenta e, de novo, digo a ele que prefiro a companhia dele pra um programa dançante.
Jucineide e Josicleide não são gêmeas nem tampouco uma dupla caipira. São as enfermeiras que vem me ajudar com o banho.
Tirar a roupa é muito ruim. Depois de colocar o braço numa tipóia de plástico, tomo um banho quase normal. Preciso só de uma mão extra pra despejar o xampu na palma da outra mão. Enxugar o corpo é uma operação feita em equipe, com todo o cuidado. Vestir é doloroso.
Minha irmã Thelma seca meus cabelos.

Alta
Meu pai chega para me pegar.
Casanova e Gustavo aparecem pra me dar alta e fazer todas as recomendações. Julinha chega com os três pequenos que logo se encarregam de quebrar a máquina de doces e tranqueiras colocando quarters nela.
Depois de quase uma hora de espera na garagem do hospital {perderam o carro!}, vamos embora.

Tenho dor mas me sinto cuidada, querida, acolhida. O coração está quentinho. Daqui a pouco, a dor passa, os pontos caem, a vida volta ao normal. E o que vou lembrar disso será da visita das amigas e do amigo, dos torpedos e telefonemas carinhosos e das conversas com minha amiga irmã,  noite adentro e noite afora.


segunda-feira, 26 de julho de 2010

Botucatu

Mais uma vez, consegui o privilégio de unir trabalho e diversão ou, melhor dizendo, trabalho e treino. Ano passado, nessa mesma época, e no início deste ano, tive de ir trabalhar Águas de Lindóia, levei meus equipamentos e acabei fazendo ótimos treinos por lá.
Esta semana fui a Botucatu e depois a Itu. E, melhor do que o treino em si, foram as companhias.
Chegamos na 4ª feira na hora do almoço,  eu e Devanil - um cara muito legal e não atleta que trabalha comigo. A Nilma, minha querida ironfriend que é de lá,  antes mesmo que eu ligasse, mandou a dica pelo torpedo "almoce na Camponesa, km 198. Tem a melhor parmegiana de São Paulo".
Nem titubeamos. Meio dia e meia estávamos passando ali. Hora certa. Almoço certo. Melhor batata frita que já comi. Vou ter de voltar a Botucatu, pedalar uns 150 km só pra poder uma porção inteira da batatinha da Camponesa sem culpa alguma.
À tarde, trabalho. Mas num lugar lindo: Fazenda Lageado, no Campus da UNESP  do mesmo nome. É uma antiga fazenda de café onde funciona um pequeno museu que é parceiro nosso num dos programas que toco no horário comercial,  em que sou sra Diretora.
Ao final da visita e da conversa com o diretor do museu, a Nilma chegou e logo foi reconhecida por ele como "a garota que fez o Iron".
Devanil, eu e ela fomos então conhecer lugares mais distantes da sede da fazenda, mas que ainda fazem parte do Campus. A Nilma nos mostrou os lugares por onde corre e fiquei morrendo de inveja.
Nilma e eu no fim de tarde da Fazenda Lageado
De lá ainda demos uma voltinha na trilha das borboletas, passamos pelo maior eucalipto do Brasil - 50 metros de altura por 9 metros de diâmetro e nos apressamos pois só já descia e corríamos o risco de sermos pegos pela escuridão no meio do mato.
À noite fomos com Nilma e Neto na melhor pizzaria da cidade que bombava de animação. Pizza deliciosa, chope bem tirado e o papo melhor ainda. E os dois - Neto e Nilma - são conhecidos de toooodo mundo ma cidade.
Combinamos um pedal cedo na manhã seguinte. Mas fui dormir mais de meia noite, coisa rara.
Amanheceu um dia tão radiante que foi fácil pular da cama pra pedalar. Nilma passou no hotel, deixamos o carro na casa dela e fomos encontrar Cal, o bombeiro, que nos acompanharia no treino.
Na castelinho, com Cal, foto da Nilma
Saímos com o dia fresquinho, recém nascido rumo a estrada.
Foi um pedal curto, mas muito curtido. A Nilma é uma companhia que aprecio muito mesmo. E o Cal, que eu conhecia só de vista, foi uma grata surpresa. Logo que passamos o trecho mais tenso da estrada - entradas e saídas de outras vias - engatamos numa conversa fácil.  O cara é bombeiro. Bombeiro mesmo, de verdade, daqueles que usam capacete, uniforme cinza, com machado preso no cinturão de utilidades e, pra completar, ainda andam naqueles maravilhosos carros vermelho-reluzentes.  Sempre tive apreço e admiração pelos bombeiros. Penso basicamente assim: se é bombeiro, é do bem. É herói. Pode ser ingenuidade minha e foi apenas recentemente que conheci um bombeiro de verdade. O Vilela, que é figurinha carimbada no triatlon brasileiro, deca ironman, gente finíssima... mas nunca conversamos sobre o trabalho dele.
O Cal não estava a caráter, mas o encontramos lá na frente da garagem dos caminhões vermelho-reluzentes e, no caminho, ele foi contando causos de seu trabalho.
A estrada estava movimentada, o acostamento um tanto sujo e, na volta, o vento soprou forte no sentido oposto.  Ainda assim,  em boa companhia e com aquele visual em volta, o treino passou rápido demais. Nilma me garantiu que a estrada estava com mais tráfego do que o normal. Quase se desculpou pelas condições daquele dia, como se fosse responsabilidade dela! Bobagem dela. Fiquei com muita vontade de continuar pedalando. E, de novo, bateu aquela invejinha...
Eu, Cal e Nilma e os reluzentes caminhões vermelhos
Terminamos fechando míseros 30km, mas todos tínhamos horário.

Nos despedimos de Cal e fomos tomar café da manhã juntas no hotel. Dali, segui para uma visita de trabalho ao jardim Botânico enquanto ela foi para seu trabalho.
Mais tarde nos encontramos e fomos ao curioso e afastado bairro Demétria para almoçar.
E, lamentavelmente, tive de ir embora.
Não canso de dizer e escrever que o triathlon me trouxe e continua me trazendo, uma das coisas mais preciosas desta vida: amigos.
Toda vez que encontro com a Nilma ficou triste de ela morar tão longe, de a gente se ver tão pouco. Desta vez, como fui na terra dela, fiquei sim com inveja da vida (muito mais) tranquila (que a minha) que ela leva. Por ela ter uma estrada pra pedalar na porta da sua casa, por ter um Campus que é uma fazenda onde ela pode correr tanto no asfalto quanto numa rua arborizada e calma, por poder ir na academia nadar na hora do almoço e ainda almoçar em casa, por respirar um ar perfumado e leve, por ter um extenso horizonte á sua frente e não uma parede de edifícios.    Por outro lado,  pude me sentir em casa num lugar completamente diferente da minha casa. E me senti assim tão acolhida e à vontade porque ali tinha a Nilma e o Neto. De quebra, ganhei um novo amigo que ainda por cima é bombeiro!
Também percebi que Botucatu nem é tão longe, que posso voltar e que isso vai ser bom. E que vou sim unir trabalho, treino e amizades e visitar outros lugares de São Paulo. Quem sabe não vou encontrar alguns leitores deste blog em suas cidades?

terça-feira, 1 de junho de 2010

Agradecimentos

O Ironman é um esporte coletivo. Não teria sido possível e nem tão legal completá-lo se não fosse o apoio, acompanhamento, parceria e participação de muita gente, muita gente muito legal. Antes de contar como foi, preciso fazer um post só para agradecer.




Família

Ao Roger, meu marido, por todas as noites em que ele dormiu no quarto dos meninos para não fazer barulho e não me acordar, por todos os dias que ele segurou a peteca sozinho e, principalmente, por ter estado lá, de corpo e alma, torcendo, vibrando, me incentivando a cada volta.

Aos meus quatro filhos: Theo, Martim, Félix e Ian, por todos os sábados e domingos que mal consegui conversar de tão cansada, pelos programas que deixei de fazer com vocês mas, principalmente, por estarem ali comigo, uniformizados, para cruzar a linha de chegada como um bandinho de loucos, festejando como quem faz o gol da vitória aos 45 do segundo tempo!

Aos meus pais, Lidia e Paulo que, como sempre, me apoiaram em todos os momentos - importantes ou banais - da minha vida. Desta vez, vocês se superaram. Não deixaram ninguém perder o foco: estavam ali pra tornar a experiência a melhor possível para mim! Ao mesmo tempo, se deixaram tomar pelo espírito do evento, se envolveram, aprenderam tudo sobre triathlon, conheceram e conversaram com meus amigos, com atletas e familiares, participaram. Não apenas vestiram, como FIZERAM a camisa!

Aos meus sogros, Irene e Wolf, que mais uma vez, acolheram esta minha insanidade de braços abertos do mesmo modo carinhoso como fizeram quando entrei repentinamente na vida deles há 11 anos. A emoção e a empolgação deles foi contagiante! Tenho certeza de que eles voltarão a Floripa quando seu filho for estrear no Iron!

À Dilma, que cuida da casa, das crianças e de mim e que já faz parte da família. Sem ela, não teria sido possível treinar.

À minha tia Lia e à minha prima Marília, que acompanharam minha saga pelo blog sempre com espanto e admiração.

Aos meus irmãos cunhados, primos e tios que compreenderam minhas ausências e participações pífias nas festas de família e que me mandaram palavras de incentivo e torcida.

À minha vó Anita, uma verdadeira Ironlady, firme, forte e lúcida em seus 93 anos de idade.



Amigos (tri)atletas

Nossa. Essa lista é IMENSA! Uma das melhores coisas que o triathlon me trouxe. Espero não cometer nenhum injustiça.

Às minha Ironmadrinhas, Gra e Thelma, absolutamente essenciais em todo o processo.

Gra, com sua calma e tranquilidade, me tirou da crise que tive às vésperas de ir pra Florianópolis, me ajudou a tomar as últimas decisões na hora de arrumar as sacolas, foi na madrugada me acompanhar e estava lá como um special gift, na hora das special needs.

Thelma com sua firmeza e recém adquirida doçura, me emprestou todas as suas listas, me deu dicas preciosas sobre a roupa a ser usada e, sobretudo, encheu meu coração de força e alegria com o belo post que escreveu às vésperas da minha ida. Ela não estava lá, mas senti a sua presença me acompanhando o tempo todo.

Às minhas filhas "adotadas": Tarsila, Daniela, Mariana, Paula e Julia que treinaram comigo, curtiram, incentivaram, torceram e, como legítimas filhas, cuidaram de mim. Jamais vou esquecer o presente de dia das mães que me revigorou após meu último treino forte. A caçulinha, merece uma menção especial: aquelas corridas pós pedal foram fundamentais para aprender a forçar a barra e eu não teria treinado tão bem se ela não fosse quase me arrastando. Ter você lá na prova foi muito, mas muito bom mesmo! A família ficou quase completa!

À Mariana Almeida Prado que deveria ter estado lá comigo mas, como não pode, acompanhou todos os momentos, da inscrição ao pós prova, sempre com palavras animadoras e de alto astral.

Ao Zé Matos, por transformar os longões com morro em batepapos animados pelo bairro da Aclimação. Eu não teria subido Canasvieiras tão rápido sem esses treinos.

Ao Lester, pela rodinha e palavras de ânimo nos momentos mais difíceis dos treinos de pedal.

Ao Ricardinho, Cachorro Louco, por tornar os treinos divertidos e o café na padoca melhor ainda.

Ao Marcos Vilas Boas pela torcida, apoio e companhia. Ao Alcy Vilas Bôas, não só por acompanhar o blog mas por ter me socorrido quando a ombrite apertou. Ver os dois lá na véspera e no dia, foi ótimo!

E mais os amigos e companheiros de treino:

André Rapapport, Beto Bianchi, Leandro Hernandez, Marquinhos Pereira, Patê Bertolucci, Rodrigo Esper, Victor Nicolau, Cris Dresbach, Flavio Souza Ramos são alguns dos que estiveram próximos de mim nesta jornada.

E mais os corredores e triatletas Fabiana Guerra, Andrea Rizzo, Paéco, Marcinha Oka e Marcelo, Deise Jancar, Graciema Bertoletti, João Paulo Conrado, Kiki Ferreira, Priscila Machado, Monica Bolognani, Marcelo Malavolta, Nickolas Suzuki e, puxa, com certeza está faltando alguém! Sinta-se incluído, por favor!

Ao Portelinha, o primeiro Ironman que conheci e que me desafiou dizendo que eu não seria uma verdadeira triatleta enquanto não completasse um Iron.



Companheiros de aventura

Nilma Machado – mais uma vez, infalível, bem humorada e, desta vez, experiente! Nossos encontros são poucos, mas sempre intensos! Menção honrosa pro Neto, namorado dela, que aguenta tudo sem se estressar!

Pedro Fernandes – desde Penha que venho acompanhando de longe este menino que vai longe. Já já ele chega ao Hawaii! Foram muito legais estes dias de convívio, troca de experiências e muitas, muitas conversas intermináveis sobre nosso assunto predileto.

Evandro Lopes – parceiro dos treinos mais difíceis de pedal. Sofreu, sofreu mas chegou ao fim e quer maisssss!

Diglu – parceiro num treino longo de pedal, na viagem de ida pra Flops – na qual pude aprender um monte de coisas e, puxa, como foi bom ver e ouvir você naquele obscuro trecho da maratona!

E o casal Simone e André de Jau e Kim Cordeiro, da BK; Rodrigo Zerlotti e Valéria Rosato – concorrente leal e forte, ambos da Ironminds, o Velho Ligeiro, Jefferson Vilela e toda a sua animada turma; Maurício “Cachaça”, seguidor deste blog; Eduardo Sarhan; Felipe, Armandinho Bassani, Anderson Atizzano e a esposa Ligia, Clebert Duarte e toda a turma da MPR – e, em especial, o Wagner Spadotto, que sempre tinha uma palavra firme e sábia para mim, que soube me deixar confiante.



Amigos blogueiros e blogueiros amigos, seguidores e seguidoras, leitores e leitoras

Daniel Blois que saiu do mundo virtual para se tornar um amigo real, com quem, em pouco tempo, já tenho afinidade, assunto e parceria para muitos treinos, debaixo de sol ou de chuva.

Rodrigo Sales, meu querido triatleta pianista, com quem compartilhei o treino mais importante de corrida: os famosos 30 e que também me acompanha com entusiasmo.

Rafael Pina, blogueiro, parceiro de treino da Ironminds, o “Homem do tempo” que compartilhou comigo toda a ansiedade da metereologia enlouquecida desta semana pré Iron.

E mais: Eduardo do Três Meios, Xampa, Corredor, Arthur Araújo (que conheci pessoalmente no meu último treino antes do Iron!), Teddy Jones, XFranzX, Carol Merlino, Rafael Farnezi, Vagner Bessa, Carlos Lopes, de Portugal, Egas Zandoni, , Marcos Apene do Amaral; Alexei Caio e Kener Assis dos “doces” e todos os leitores anônimos e “nônimos” que me acompanharam e comentaram este blog. Senti-me acompanhada de vocês!



Equipe técnica

Ao Emerson Gomes, meu técnico e grande incentivador desta aventura. Não deixou que eu me arriscasse em 2009 e me deu a maior confiança em 2010. Segui a planilha à risca, quando tinha que alterar alguma coisa, negociava com ele. Teve o bom senso de me poupar alguns domingos, considerando a minha situação familiar. Estava lá domingo, me elogiando publicamente e seus elogios funcionaram de combustível. Ah, e claro, ao próprio MPR, principalmente pelos berros que deu durante as minhas passagens por ele na corrida!

À Mariana Klopfer, nutriocionista da Nutricius, e uma das torcedoras mais animadas do domingo! A alimentação numa prova de Iron é tão importante quanto o condicionamento físico. E eu fiz o que a Mari mandou antes, durante e depois da prova. Não teve erro. Fora isso, ela é uma pessoa maravilhosa, divertida com quem pude dar boas risadas ao longo desses meses todos.

Ao Alê Piccolo, que me fez quase gostar de musculação. Não perdi um treino e o resultado está aí. Fora a lesão preexistente, nenhuma nova lesão e dois centímetros a mais em cada coxa!

Ao Rodrigo Chiquie Ali, professor de natação da Sumaré Sports, que adaptou váááários mas váááários treinos pra mim, ora por causa da ombrite, ora por causa do meu cansaço, ora por causa da roupa de borracha, ora porque era hora da prova. Sempre de bom humor, sempre tornando a parte difícil quase divertida. E o resultado também apareceu.

À Lucca Mameri, osteopata, fera, que teve, comigo, uma trabalho de Sísifo. Ela me desentortava e eu voltava, na semana seguinte, depois de um longo de pedal, toda torta de novo e ela tornava a me desentortar, achando graça.

À Juliana Ikeda, da SKARP que preparou “a roupa da noiva”, na medida pra mim. E ainda me ofereceu um chazinho de fim de tarde que desfrutamos batendo um papo de amiga de infância, às vésperas da prova.



Aos amigos não triatletas

À Ana Castro, amiga querida, que me incentivou a escrever este blog que acabou sendo uma das partes mais legais da saga.

À Maria Adelaide, pelas suas, sempre bem vindas, preces.

À minha amiga de infância, Pati Curti, que perdoou minha ausência em seu aniversário.

À Celina Santiago, por cuidar de mim, sempre e não me deixar esquecer as coisas quando o cérebro está falhando por só pensar naquilo!

Ao Vagner que fez vários apoios na estrada, sempre encarando como uma grande farra, mas dirigindo com perfeição.

Ao Richard, não só por me agüentar falando do assunto sem parar, mas por SEMPRE perguntar a respeito.

À Nodette e Chris, por torcerem, incentivarem e me suportarem só querendo falar disso nos nossos almoços nos últimos 6 meses!

À Iara e à Neide por terem tido paciência comigo nos momentos em que eu já não tinha mais paciência pra falar de trabalho.

Ao Guilherme Gobato, que sempre pergunta e acompanha.

Ao Thiago Poço, que trouxe as meias e o pneu pra mim.

Ao Fábio Bonini, só pela cara de incredulidade que ele faz quando conto sobre essas façanhas.

À Lucia Mandel, que segue esta saga desde o começo.

A todo o pessoal da (ou ligado à) FDE que sempre pergunta e torce por mim, entre eles: Eliana Eduardo, Marisa Garcia, Luiz Bertini, Inácio Ovigli, Nivaldo Santos, Devanil Tozzi, Maria Ribeiro, Thais Liberato, Conceição Conholato, Solange Rigo, Caia Amoroso.

A todo mundo que, de um jeito ou de outro, sabia que eu estava nessa empreitada e torceu pra que eu tivesse sucesso.



Obrigada, pessoal, obrigada mesmo.




O post sobre a prova virá em breve!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Treino de luxo na Maratona de São Paulo

Todo ano me perguntam "Ontem teve maratona, você correu?" e eu tenho de explicar "Não, não corri, eu não faço maratona, faço triathlon". Mas este ano foi diferente. Eu não corri a maratona, mas corri na maratona. Tinha um treno de 30 k pra fazer então decidi aproveitar o percurso, as companhias e, claro, um pouquinho da água também.

O treino de sábado
Na véspera tive um treino de 180 k de pedal mais 6 de corrida. Fui pro Riacho Grande e com a ajuda da Julinha no começo e do Evandro quase até o fim, consegui terminar. Na volta, estava tão cansada que, cada paradinha em sinal vermelho, eu dava uma dormidinha.
Cheguei em casa, tomei aquele banho, fui pra cama, pus gelo no ombro, bolinha de tênis nas costas, bola feijão embaixo das pernas, travesseiro por baixo da cabeça, um livro nas mãos e lancei âncora. Eram quase cinco da tarde. Achei que pra encarar os 30k eu teria de ficar daquele jeito até a manhã do dia seguinte. Mas precisava me alimentar, então, com muito custo, passadas algumas horas, consegui me levantar e, com a roupa por cima do pijama fui até a esquina buscar três temakis. Cansei de batatas, macarrão e filé de frango!

A largada
Fui com a Thelma até a largada, mas como ela já teria uma companhia especial - o Alexei -, combinei com a minha amiga Nilma que é de Botucatu e estava em SP especialmente para correr a prova dos 25, que faríamos juntas. Depois, os últimos kms eu encararia solo.
Como marcar um ponto de encontro no meio daquela muvuca? Claro que você encontra um monte de gente, mas combinar com alguém "na largada" de uma prova deste porte, é impossível. Mas tive uma idéia que acabou funcionando bem.  Combinei com ela de encontrar no km 2. Eu ficaria bem perto da placa, do lado direito da pista e, quando ela passasse, iríamos juntas.
Quando faltava uns 15 minutos pra largada, comecei a subir a ponte estaiada o que, aliás, foi o máximo! A ponte vazia, sem carros, a multidão lá embaixo alinhada na largada, um céu de brigadeiro. Emocionante. O canhou disparou seu tiro anunciando o início da prova, eu já estava passando o primeiro km. Comecei a correr bem ali, depois que a elite e os primeiros corredores passaram. Cheguei até o km 2 e estacionei ali, esperando a Nilma chegar, enquanto via aquele mar de gente passar. Olhavam pra mim intrigados, e convidavam "vamos!"

A surpresa
Não demorou muito pra que ela chegasse. Levei um tempo pra identificá-la pois ela está sempre vestida de cor-de-rosa e dessa vez estava de azul. Mas essa não foi a grande surpresa. A grande surpresa foi que ela estava com o Rodrigo! Ele mesmo, do Blog do Rodrigo, figurinha com quem venho trocando comentários recíprocos nos nossos blogs e, mais recentemente, emails. Foi uma festa!   Parecíamos velhos amigos se reencontrando embora estivéssemos nos conhecendo pessoalmente ali, no meio da maratona. 
Ele, que sequer tinha corrido uma meia maratona na vida, estava ali para fazer os 25k.

C&C - Corrida e Conversa
Nilma foi puxando a gente, animadíssima. Ainda assim, sobrou fôlego para conversamos ininterruptamente por 25 kms. Treinos, provas, técnicos, filhos, trabalho, projetos...passeamos por um monte de assuntos. Eu olhava pro meu relógio e não acreditava que estava conseguindo manter um pace de 5m30s, 5m40s, às vezes até mais forte.
O dia estava lindo, o percurso sombreado e, justiça seja feita, não faltou água. Quando a turma que iria fazer os 10k se separou, acabou a muvuca e ficou melhor ainda. Quando estávamos chegando perto dos 20, Rodrigo começou a sentir algumas dores, mas não deixou a peteca cair. Ao cruzarmos os 21,1 brindamos, os três. Afinal, ele estava completando sua primeira meia maratona!
Os últimos 4 kms foram sofridos pra ele. Com dores e cãimbras  ele não sabia se era melhor apertar o passo pra acabar rápido ou afrouxar, pra aguentar até o fim. Hora tentava uma coisa, hora outra.
Lá pelas tantas, parou e disse "podem ir, não precisa me esperar!". Fincamos o pé "não, senhor! de jeito nenhum! Começamos juntos e vamos até os 25, juntos!"
E, sim, ele aguentou até o fim. Nos despedimos na marca dos 25 e eu segui para meus kms finais.

Os últimos kms
Som na caixa, segui pela avenida Politécnica, solitária. Até então eu não tinha me dado conta do meu cansaço e nem daquelas dorzinhas que sempre aparecem. Mas tudo estava absolutamente tolerável e, depois de percebê-los, acostumei com eles. Logo, nos últimos 3 kms eu estava me sentindo muito bem. Tão bem que conseguia cantar junto com Ipod enquanto apertava o ritmo um pouquinho.
Passei pelo Pedro, um triatleta forte e jovem, que está treinando para seu segundo Iron e ele me disse que iria completar a maratona. Confessei a ele minha vontade de ir até o fim e ele me tentou "Bora!". Resisti e parei quando completei os 30. Querendo mais.

Brunch
Encontrei Thelma, Rodrigo e Nilma logo depois de terminar. Tiramos a foto e eu e Thelma seguimos rumo ao nosso programa combinado: um brunch. No caminho, na avenida da raia, encontramos o Evandro. Ainda bem! Pois ele também estava tentado a fazer a maratona até o fim, e não ia ser uma boa idéia. Seduzido pela idéia do brunch, ele foi conosco.
Fomos até a Chácara Sta Cecília e comi até não poder mais. Comcei pelo café da manhã, passei pras saladas, depois fui pro macarrão com frango, completei com uma salada de frutas, arrematando com um café preto. Caro, mas fiz bom proveito.

Pico
Estou feliz e confiante. Passei pelo fim-de-semana mais duro de treinos e sobrevivi. Estou aqui, não estou? Com história pra contar e fôlego pra postar!
Thelma, eu (com sangue na blusa e nem tinha percebido), Rodrigo e Nilma, nos reencontramos ao final do treino/corrida.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Quem quer treinar comigo?


Quando comecei a treinar pro Iron e percebi que era a única “menina” do meu grupo que estava inscrita  pensei que iria fazer muitos treinos sozinha. Puxa, como me enganei!


Têm sido raros os treinos solitários. Tão raros que, quando eles aconteceram, achei bom porque estaria treinando a cabeça, já que a prova, mesmo com 1500 participantes, é cada um na sua.

Cada vez que vou fazer um treino, mando um torpedo pra várias pessoas, publico no facebook, convido pessoalmente. E tive adesões, sempre.

Muitas pessoas adaptaram ou encompridaram seus treinos para me acompanhar Achavam ótimo começar mais cedo, terminar mais tarde, treinar mais... E eu acho ótimo ter a companhia delas.

A Thelma me fez companhia na USP, quando ainda estava sob suspeita (tomando anticoagulante) naquele domingo que o pneu furou a caminho de Romeiros e estava um sol daqueles. Também encarou um longuinho na Aclimação, impondo um ritmo forte pra mim e pro Zé. O Zé foi outro parceirão. Era um cara simpático com quem eu havia trocado meia dúzia de palavras e quando soube que ele estava treinando pra Big Sur e que iria ter grandes volumes de corrida, combinamos uns treinos juntos. Foi ótimo! A gente ia batendo papo e quando se via... os 20 kms já tinham acabado num instante. Vez o outra chamei o pessoal pra começar mais cedo e, além do Zé, o Marquinhos, a Julinha e o Ricardinho também entraram na turma do comando da madrugada, sextas-feiras, no Ibira. O Marquinhos é impressionante! Topava todas. Estando em SP, vinha mais cedo pro Ibira ou mais cedo pro pedal. O Marcos também é da turma que madruga mais ainda no pedal, principalmente aos sábados. Vamos chegar 5h30? Borá lá!!

Roi, meu marido, também me fez companhia nas primeiras sonolentas voltas da USP, nas 3ª e 5ª quando não tem quase ninguém pedalando, me ajudando a dar conta do volume e sem ficar discutindo a relação nem resolvendo questões domésticas. Simplesmente papeando sobre amenidades.

Ricardinho, vulgo cachorro louco, não só entrou no comando da madrugada de duas sextas-feiras como também me acompanhou num tiro de 800 mts quando todo mundo já tinha terminado, inclusive ele, e eu ia sozinha pro último. Tiro não é bolinho. De 800, então... Se não fosse ele, eu não conseguiria ter feito com o tempo menor que dos anteriores! Isso sem contar que, mesmo colocando os bofes pra fora o cara consegue falar cada bobagem que a gente, mesmo se esfalfando, não consegue deixar de rir. E ele faz isso com o tom de voz mais sério do mundo.

Nos treinos de pedal tive muitas companhias especiais. O sempre disciplinado e eficiente pelotão das meninas com Tarsila, Mariana, Julinha (ói ela aqui de novo), Gra (fez comigo o segundo lote de 40 km, hoje), Dani (bissexta), Paulinha filhinha (que é bissexta também, mas hoje até acrescentou 5km pra me ajudar na reta final - que estava duríssima!) e Patê. As sessões de “pedalterapia” que tornavam o treino um tremendo exercício não só cardiorrespiratório mas também psico-sócio-afetivo! Meninas, aquele treino no Riacho teria sido insuportável sem vocês.

Fabio, como o Marquinhos, sempre topando todas as propostas de pedal e disposto a puxar o pelotão pelo tempo que fosse necessário.

Lester, que me deu o maior apoio naquele treino em Alphaville, debaixo da chuva, ficando o máximo de tempo comigo (tinha um churrasco na casa dele naquele dia!) e dizendo “agora falta pouco, você dá conta!” Isso sem falar nos meus 160 de hoje (sábado, 24). Ele apareceu quando eu já tinha feito mais de 100, naquele momento crucial,  dizendo "lembrei que vc tinha 160, então resolvi vir mais tarde pra dormir um pouco e te ajudar a fazer os kms finais!". Não é um luxo? Veio, fez e ainda me alimentou com bananinhas e goiabinhas porque dessa vez eu não tinha levado comida suficiente.

Também conheci gente nova, como o Evandro, que me acompanhou nos derradeiros 40 kms dos 140 da Carvalho Pinto e depois numa corridinha poeirenta de 5k, com quem a conversa fluiu fácil e gostosa, me ajudando a esquecer o cansaço.

Reencontrei o Victor, que me acompanhou na rabeira do pelotão, no meu ritmo geriátrico, sem achar ruim. Mais que isso: conversamos como velhos amigos, como se estivéssemos sentados num café.

Tem gente com quem treinei e conversei em porções menores, mas que também teve um gostinho bom: Flavinho, Leandro, Beto Bianchi, André Rapaport (hoje ´me ajudou nos 40 iniciais), Ligia, Rodrigo Esper, Rafael (em Florianópolis). Tiveram as surpresas, sobre as quais já falei: Mari Prado, Diglu e Alexei. As ausências e distâncias: Cris Dresbach, Nilma, Nickolas.

E a campeã. Minha filhinha do coração, Julia. Ela não só me acompanhou, como me esperou terminar o pedal no dia da chuva em Alphaville pra correr junto. Ela tem feito quase todas as corridas de transição comigo, sempre me arrastando atrás dela. O que vai ser de mim sem ela na maratona do Iron?

Estou entrando na reta final dos treinos. São mais nove dias de pauleira, depois já começa a diminuir. Passou muito rápido e tem sido muito, mas muito legal. Não só porque tenho me sentido muito bem mas, principalmente, porque os treinos tem sido uma experiência intensa. E têm sido legais porque as pessoas são legais. Sei que ainda não terminou, mas já sou grata a todos vocês pelo que pude viver até agora. Valeu, pessoal, tenho certeza de que vou me lembrar de cada um de vocês enquanto estiver fazendo o Iron.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Triatletas, corredores e blogueiros



Comecei este blog em junho do ano passado, despretensiosamente, por sugestão da Ana Castro, uma amiga jornalista, superantenada nessas questões internéticas. Gosto de escrever, disse a ela que iria registrar minha preparação para o Iron e, quem sabe, publicar um livro. Ela me perguntou: por que não escreve um blog? Assim você já vai colocando os texto à prova.
Pensei comigo que não iria mesmo fazer muita diferença. Afinal, já que iria escrever, por que não botar na roda?
Desde então, já se vão mais de seis meses e de 80 posts. Embora não tenha desistido da idéia inicial, a experiência de postar textos na web acabou me surpreendendo em vários aspectos.
Logo descobri que minha idéia não era original. Atletas amadores e profissinais têm seus blogs sobre corridas ou triathlon e a maioria deles frequenta os blogs dos outros. Sinceramente, não pensei que tantos atletas gostassem de escrever e de ler.
Há também aqueles que não escrevem, mas que gostam de ler e seguir o dia a dia de seus semelhantes.
Aos poucos, fui descobrindo e sendo descoberta por essa turma. Identifiquei-me de imediato com muitos deles. As dúvidas e ansiedades eram irmãs das minhas, os temas dos posts, inspiração para os meus. Comecei a aguardar com ansiedade a chegada de um comentário e a fazer questão de comentar todas vez que lia um texto que me fazia rir, pensar ou me emocionar. Tento descobrir um pouco sobre cada novo seguidor que aparece e, às vezes, me surpreendo mais ainda, quando descubro que a pessoa não segue blog de esportes, só o meu! Fico intrigada: como essa pessoa chegou aqui?
Também divulgo meus posts no facebook e no twitter. Assim, alguns amigos e familiares começaram a me acompanhar.  Gente do local onde trabalho, que nunca imaginei que iria se interessar pelos assuntos que trato, vem às vezes comentar comigo alguma coisa.
Algumas das pessoas dessa rede, embora eu nunca as tenha visto, ficaram próximas: 
Xampa, Corredor - um corredor que logo logo vai virar triatleta, no seu blog leio texto com informações técnicas, sobre lesões, além de suas, sempre divertidas reflexões pessoais.
Blog do Rodrigo - uma personalidade dupla como eu. Adorei a combinação de música e triathlon que ele faz. E escreve bem!
Marcos Amaral, santista,  do Triphilosofia - um provocador. Sua autodefinição no perfil, já mostra a que veio. Gosto da variedade dos seus posts.
Rafael Farnezi - este vai longe na vida de esportista. Seu blog capricha nas fotos e na variedade de temas. Detalhista, meu deu um monte de dicas pra cuidar do meu pé dormente.
Carlos Lopes, de A minha corrida, é de Portugal! Fiquei honradíssima de ter visitantes de além mar. É um barato saber das provas de Portugal e ler os relatos que tem muitas semelhanças com os nossos, mas algumas curiosas diferenças.
Dois dos leitores/escritores conheci pessoalmente, por causa do blog - Rafael Pina - que escreve seus invejáveis Relatos de Resistência, direto da Ironland e o Fabio Martins do Long Walk - esse, meio bissexto, só escreve de vez em quando. Também conheci o Mauricio que é um dos meus leitores e, segundo ele, um seguidor anônimo, que conversou comigo em Pira. Com o Rafael e o Fabio, até treinei! Não é o máximo?
Decidi escrever este texto porque ao checar meu twitter descobri um outro triatleta blogueiro que fez um post que me emocionou: o Daniel Blois, e seu correndo na frente. Obrigada de novo, Daniel!

Tenho aprendido muito com todas essas trocas. Às vezes não consigo ler tudo que gostaria ou comentar com o cuidado ou dedicação que o post mereceria mas, bem, vocês sabem, vocês são justamente os que melhor podem compreender, o esforço que a gente tem de fazer para caber tudo nessa nossa vida insana. A gente faz o que pode.

Obrigada, pessoal. Por favor, continuem lendo, escrevendo, comentando. Espero conhecê-los pessoalmente e, quem sabe, treinamos juntos.