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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Insônias
Atire o primeiro lexotan aquele, triatleta ou não, que nunca foi assolado por uma insônia.
Diversidade de insônias
Existem vários tipos de insônia. Há aquelas que vão junto com a gente para cama: encosta-se a cabeça no travesseiro, apaga-se a luz e pronto, lá está ela, sorrindo na escuridão. Outras nos despertam no meio da noite, como se já estivéssemos atrasados para o treino, e varamos a madrugada, até que os pássaros comecem a cantar e o dia a clarear. Outras – as piores - viram a noite com a gente, estraçalhando nossos sonhos de treino pela manhã e embotando nosso dia inteiro.
Há insônias por motivos óbvios, como as insônias de véspera: de viagem, de competição, do parto. Há as insônias de preocupação: problemas de saúde na família, dívidas, incertezas na vida profissional. Há insônias de paixão: seja de felicidade, porque o ser amado nos ama e não sossegamos o facho de tanto contentamento ou, pelo contrário, o ser amado não nos ama, então a tristeza nos inquieta e nos impede de dormir em paz. E, claro, há insônias que combinam várias dessas razões e mais outras tantas.
Insônia de triatleta
Os triatletas têm um tipo especial de insônia chamado “descanso também é treino”. Acordamos cedo todos os dias para correr e/ou pedalar e/ou nadar, trabalhamos, nos alimentamos, cuidamos dos filhos, então queremos, o mais cedo possível, nos colocar na posição horizontal, fechar os olhos e apagar. Só descansando adequadamente é que nosso corpo assimila os treinos. Além disso, costumamos estar exaustos por volta das nove da noite.
Mas o sono tem seus caprichos. E mesmo fazendo tudo direitinho, indo pra cama cedo, podemos ser surpreendidos por uma das piores espécies de insônia: o corpo está cansado, dormimos pouco na noite anterior, o cérebro já não está funcionando bem... mas não conseguimos desligar. Os pensamentos começam a ficar confusos, o corpo parece que está afundando na cama... estamos quase lá... quando, sem mais aquela, uma voz parece nos chamar e nos trazer de volta ao estado de alerta. Então caímos na besteira de consultar o relógio. “Oh, droga! Faltam apenas 4horas e 45 minutos pra eu acordar!” Pronto. Era o que faltava para piorar a noite. Começamos a contabilizar os prejuízos da noite mal dormida e isso nos deixa ainda mais despertos. Danou-se. A gente, que gosta tanto de controlar tudo, de medir (e aproveitar) o tempo em segundos e “derrubar” as planilhas de treino cumprindo tudo que está ali fica desesperado quando se depara com uma situação dessas: não mandamos no nosso sono. É simples assim. E como isso é complicado!
Minha insônia
Noite passada sofri uma dessas. Deitei exausta. A noite anterior fora mal dormida (caiu uma tremenda tempestade durante a madrugada em Brotas onde eu estava), de manhã os meninos e eu nos aventuramos por uma mega tirolesa, à tarde 250 km dirigindo de volta pra São Paulo e à noite 18 km de corrida no Ibira. Comi, tomei um banho e caí na cama. Nem era tão cedo. Cadê o sono que estava aqui? Puf, sumiu num passe de mágica. Panquequei na cama, virando de um lado pro outro – pensando em todos os temas possíveis: filhos, trabalho, marido, treinos, futebol, férias, encanamento, escapamento do carro, aniversário, vida após a morte...até...(não olhei no relógio para não me desesperar) apagar um pouquinho para acordar antes do despertador que iria tocar as 4h22. Levantei até mais disposta do que imaginava, me troquei e fui pedalar.
Alguma idéia?
Não é muito comum isso acontecer. Pode ter sido a adrenalina da tirolesa, o TNT que tomei pra não ter sono na estrada, as preocupações com minha vida profissional e também porque corri apenas um par de horas antes de deitar. Não estou acostumada e talvez tenha ficado com endorfina demais circulando pelo sangue. O mais provável é que tenha sido uma combinação de todos esses fatores. De qualquer modo, estou planejando fazer meus treinos longos de corridas às quartas à noite e às quintas de madrugada vou pedalar. Será que dá pra acostumar?
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