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sábado, 4 de junho de 2011

Ironman II - Pimenta (ou shampoo) nos olhos dos outros, não arde! - Natação

Vai começar...

 Passei o pórtico e perdi a Juju. Queria ter dado mais uma abraço na filhinha – para quem não sabe “adotei” a Julia desde o ano passado. Só tenho filhos meninos (quatro) e, a essas alturas do campeonato não tenho intenção alguma de adotar um bebê e nem condições de produzir mais um. Mas uma menina faz falta na minha vida. Como a família da Ju mora fora de São Paulo, ela me adotou como mãe eventual. Os meus filhos amaram a idéia de ter uma irmãzinha e se dão todos muito bem. Então eu queria desejar boa prova pra ela embora soubesse que ela iria fazer uma boa prova. Até tranquilizei seus pais “verdadeiros” garantindo que ela faria abaixo de 12 horas.
Perdi-a no meio da confusão. Mas achei Nilma e Daniel o Marquinhos e mais 1800 atletas com nervos à flor da pele que, para seu bem, estavam devidamente protegidos por roupas de borracha.
Tentei girar um pouco os braços, mas não havia espaço. Conformei-me em rodar os ombros, mas sem exageros. Só o que faltava era eu tirar as minhas âncoras do lugar bem naquela hora – era naufrágio na certa (pra quem não sabe, em agosto fiz uma artroscopia de ombro e coloquei duas âncoras – vai entender como isso pode ajudar uma nadadora).
Foi aí que lembrei que tinha esquecido de 1, tomar o gel planejado para 15 minutos antes  e que estava por dentro da minha roupa de borracha, 2, passar filtro solar e 3, de tirar o excesso de shampoo jonhsons  para crianças que, supostamente deveria me ajudar a enxergar durante a natação. Pus os óculos. Estava uma meleca. Não dava pra mais pra ir até o mar. Faltavam 3 minutos pra largar. E eu não tinha nem um copinho d’água pra dar uma lavadinha. Danou-se. Vou no faro.
Começou!
O sol apareceu, soou a buzina. Disparei o Garmin e vambora.
O mar estava manso, a temperatura fria, sem ser congelante mas logo de cara, começou a pancadaria. Estava difícil achar um espaço pra nadar. Mas já havia aprendido em Penha, 2008. Vale-tudo, jiu-jitsu, boxe e, principalmente kickboxing. Teve uma hora que me senti até culpada. Acho chutei a cara de alguém. Mas não parei pra olhar, não. Ainda mais que eu estava cegueta, não ia enxergar mesmo. Na água é assim mesmo. Salve-se quem puder. 
O shampoo formou uma grossa película que dava a impressão de que o mundo à minha frente estava derretendo. Quando cheguei à primeira bóia, que forma uma tremenda correnteza que leva todo mundo sem necessidade de nadar.   Bem na curva, encontrei o Rodrigo Previatti Contheux, que também tinha levantado os óculos. Olhei pra ele e disse "Oiii! Você vem sempre aqui?"
Tirei os óculos e dei uma lavada. Não sei se foi pior ou melhor.
Olha eu ali, de touca vermelha.
Inferno 1.  Meu olho começou a arder. Um deles. “Será que estou louca? Este ardor deve ser psicológico! Shampoo jonhsons para crianças não arde!!!” Psicológico ou não, ardia de verdade. Segui nadando feito um pirata, só com um olho aberto.  Já não enxergo direito,  caolha... estava fácil.  Não tinha a menor idéia do lugar que deveria mirar. Não achei a bola inflável vermelha que marcava a entrada do retorno nem quando cheguei à praia. Ela estava lá? Disseram-me que sim. Mas não vi. Segui o fluxo e, pelo que vi do meu trajeto no Garmin,  fiz apenas um “v” desnecessário. No mais, fui quaaase em linha reta.
Beijinho, só de longe
Cheguei à praia vi o maridão firme, na torcida e entrei no corredor polonês. Tinha muita gente andando e gente que gritava, tentando correr “vamô gente, isso é um Iron, não é passeio no parque, não!!! Bora! Bora!” Engrossei o coro do “vamo gente!” Não estava lá pra brincadeiras. Vi a mãe e, dessa vez, não parei. Mandei o beijo de longe. (O Wagner disse que me batia se me visse parando pra dar beijinho e eu estava com medo de apanhar. É sério.)
Ondas!
A hora que avistei o mar pra encarar a segunda perna, vi que o vento tinha mudado. Duas ondas estouraram enquanto eu me aproximava, fazendo um strike. Assim que a segunda estourou, o mar baixou e eu, vupt, atravessei a área de maior risco e fui embora. Timing! Como diz o Kevin Johansen “timing is the answer to success!”
A correnteza parecia puxar mais e, na volta, consegui avistar a bóia amarela e me alinhar com ela. O efeito jonhson tinha, felizmente, passado.  Do outro lado tinha pedras. Eu lembrava bem disso. Queria passar bem longe delas. Com o mar feroz daquele jeito, era prudente passar o mais longe possível.
Assim que deu pé, puxei o zíper da roupa e comecei a tirá-la. No meio treino na piscina, tirar a manga do braço com o Garmin tinha sido um tormento. Teria de fazer isso dentro d’água – seria muito mais rápido.  E a onda veio e me ajudou a arrancar as mangas. O creminho da cunhada – karité butter da Body Shop, foi sensacional. Valeu, Roxana!
Saí com 1 hora e nove minutos do mar. Não tão bem como em 2010 mas, pelas condições, acho que não fui a única. Desta vez minha sacola não estaria perdida (se estivesse seria fácil localizá-la com todos aqueles adesivos) e, assim, meu tempo de transição compensaria essa diferença.

Ironman II - Antes da largada

Por incrível que pareça, dormi o sono dos justos na noite da véspera do Iron.  Jantamos no hotel mesmo – estava uma muvuca. Todo mundo quis jantar lá, e todos na mesma hora. Pobres garçons. Correram fácil uma maratona. E nem ganharam medalha.
Levantei às 3h50, vesti a roupa da prova com um agasalho por cima, peguei as garrafinhas e comidas na geladeira, organizei tudo na porta do quarto e desci pra tomar café.
É duro comer nessa hora. O estômago ainda está dormindo, não quer saber de trabalhar. Forcei um pouco e ainda levei três broinhas de milho e um mel pra comer dali a pouco. Óbvio que nem lembrei. E ainda bem.
Subi pra pegar as coisas e lá fomos nós — Roi e eu — no mico ônibus. Nem de longe eu estava tensa como no ano anterior. Mas a excitação e a emoção eram quase as mesmas.
Será que eu tava tensa?


Acho que não!
No caminho fui listando mentalmente tudo o que tinha de fazer:
1. Encher os pneus.
2. Colocar as comidas no bento box (vide o post Glossário).
3. Zerar o cateye.
4. Colocar as caramanholas nos suportes e abastecer o quickdrink com água e gatorade. Putz! Esqueci a água! Deve ter lá.
5. Prender as sapatilhas no clipe e prendê-las com elástico.
6. Levar a camiseta de ciclismo pra sacola de ciclismo.
7. Colocar as garrafinhas de accelerade no fuel belt (cinturão do Batman usado na corrida pra carregar líquidos e géis - vide glossário de novo).
8. Colocar o saquinho plástico com as garrafinhas de gel com água dentro da sacola da corrida.
Era bastante coisa.
Tinha também de entregar a sacola de special needs.
Body marking
Entrei na fila pra pintura corporal – ou body marking (para os leigos – os voluntários escrevem seu número de peito nas pernas e no braço) e, quando chegou minha vez, fui informada de que deveria entregar as sacolas de special needs em outra freguesia. Corri até lá, deixei as sacolas e voltei pro fim da fila.
Entrei na transição e fui seguindo minha lista mental, calmamente. Até a água que tinha esquecido, lembrei.
 Chamei o Arthur, mas ele não meu ouviu. Pena. Quando estava arrumando as bisnaguinhas amassadas no bento box lembrei do advil. Liguei pro Wagner, nos encontramos e ele me “passou a droga”. Coloquei dois no bento e um no fuel belt. Nunca se sabe quando o bicho vai pegar. Ano passado tomei três durante a prova.
Encontrei Marcos, Daniel, Kelly, Pedro... e a gente se cumprimenta como se não nos víssemos há anos!
Ah, o Pedro me deu um pouco de shampoo Jonhsons pra passar nos óculos de natação. Segundo ele, não deixa embaçar e, segundo a Jonhson & Jonhson, sem lágrimas, porque não arde nos olhos. Hum.
Benção, Wag!
Terminadas as arrumações, respirei fundo, pensei “espero que não esteja esquecendo nada” e sai da transição. Como o tempo voa quando você está lá! Já eram quase seis e meia quando saí dali. Mais um abraço nervoso no técnico. Benção.
Encontrei a Juju e a sua mãe, Mônica, que deu uma ótima notícia: a casa do primo Joel, que era ali do lado, estava à nossa disposição. BANHEIRO!!!! A clássica dor de barriga já me assolava. E, banheiro químico é, pra dizer pouco, deprimente.
Que casa hein, Joel?!

A casa do primo Joel é cinematográfica. Aaaaa, nada como um banheirinho cheiroso. Um luxo! Pra completar, era praticamente pé na areia. Dali, fomos pro ponto de encontro, mesmo do ano passado.
Pai, mãe e os dois caçulas. Theo e Martim ficaram dormindo. Eu já tinha liberado. Mas fiquei bem contente de ver o quarteto.
O tempo corria apertado. Passei um creminho maravilhoso que minha cunhada chilena me deu da Body Shop que é uma verdadeira manteiga. Nota dez. Minha mãe ajudou. Posamos pras fotos e tive de sair apressada – a largada seria em 10 minutos. Beijos e abraços em todos.
Mônica, Félix, Lidia, Roi, eu, Ju, Ian, Paulo e uma bunda que passava!
Fui até o pórtico de entrada com o marido. Um beijo e despedida. Estava segura de que faria uma boa prova. Só não imaginava que iria do céu ao inferno tantas vezes naquele dia. 
Adeus, vou à luta!

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Ironman II - Algumas histórias Momentos de TAMsão

Depois da história do cateye achei que a sorte estava sorrindo para mim. Ate que recebo um torpedo do marido, que ainda estava em São Paulo. Era 5ª feira. “Onde estão as passagens de volta dos kids? Só encontrei as nossas”.
Eu havia emitido todas as passagens. Doze e-tickets. Ida pela Gol, volta pela TAM, vários deles tirados por milhagem, no início de março. Eu achava que tinha deixado tudo impresso em SP.
Assim que recebi o torpedo, subi até o quarto do hotel pra ver se, por acaso, estavam comigo. Não estavam. Desci e fui até a salinha dos computadores. Acessei meu webmail. Fucei e só achei seis, SEIS mensagens com as passagens do marido e minha. Das crianças, nada. Comecei a suar frio.
 Era hora de jantar. Nem fome eu tinha. Sentei à mesa com a Nilma e o Neto mas não conseguia desligar do assunto. Pobre Nilma. Deixei-a preocupada também.
Da mesa de jantar, de frente para o sexta refeição de macarrão com molho de tomate fresco, peito de peru e batatas assadas da temporada, liguei pra Celina, minha secretária, pra me certificar de que não estava louca. Tinha certeza de que havia emitido as passagens, mas precisava de uma confirmação. Muitas vezes praticamos o crime falsidade ideológica, nós duas. Ela se passa por mim pelo telefone para adiantar o expediente em coisas deste tipo. Celina se lembrava de que eu/ela realmente havia emitido ida e volta, em companhias diferentes.
Voltei à sala de computadores, entrei no site da TAM, xeretei na área “meus bilhetes” e nada. Liguei pra TAM. Expliquei a situação e pedi para procurarem meus filhos na lista de passageiros. Tinha o número do vôo, o dia, a hora, nome e sobrenome. O atendente (pra sorte dele, esqueci seu nome), de audível má vontade, disse “não consta, senhora.” Pânico.
Liguei pra casa e pedi pro Theo, meu filho mais velho, abrir meu computador e procurar na minha caixa postal. Embora o marido estivesse em casa eu não queria nem que ele desconfiasse do que estava acontecendo. Vai que eu tinha apagado a mensagem com o e-ticket do webmail... Ele encontrou só as passagens de ida, da Gol e as de volta, minha e do Roi.
Voltei ao restaurante. Estava desnorteada. Comecei a fazer as contas do prejuízo que iria ter:
1. Dificilmente haveria quatro lugares disponíveis no mesmo vôo que o nosso, portanto um de nós teria de perder a passagem para viajar com os meninos. Seriam cinco bilhetes comprados de véspera, muito mais caros.
2.  Passagens para 2ª feira? Rá! Sem chance. Então, além de tudo, teria de arcar com pelo menos mais cinco diárias.
Sem contar o desgaste de ter de resolver uma encrenca dessas àquelas alturas. Véspera do Iron. Era hora de ter de me preocupar com isso? Definitivamente, não.
Lembrei da viagem pro mundial de 70.3, em Clearwater, quando perdi os documentos no aeroporto, passaporte inclusive.
O pior era a sensação de que eu devia estar com a cabeça avariada. Ou a TAM estava fazendo uma grande besteira.
Nilma sugeriu que eu entrasse no site do Fidelidade TAM e verificasse meu extrato. Ela se levantou pra buscar o seu netbook, quando, acabou a energia. Pronto. Ficamos no escuro, e eu não iria conseguir checar.. Que remédio? Acabei de engolir minha refeição. Nilma e  Neto tentavam me acalmar “Liga de novo na TAM... às vezes é o atendente que não sabe procurar...”
O pessoal em volta percebeu que eu não estava pra brincadeiras. Minha cara deveria estar péssima. Ninguém fez gracinha.
A energia voltou e, como o netbook não estava encontrando a rede wi-fi fui até a salinha de computadores mais uma vez. Sim, as milhas tinham sido debitadas da minha conta. Onde diabos então estavam as passagens???
Tanto naveguei pelo site que acabei chegando numa página com uns códigos estranhos. Cliquei no primeiro. Mais uma vez, era minha passagem. Clique no segundo... achei a passagem do Theo! Nem tudo estava perdido. Já era um bilhete a menos pra pagar. Uma diária a menos também. Cliquei no terceiro código. Achei!!! As três passagens estavam lá. No mesmo vôo que eu!
Anotei os números e liguei, espumando, pra TAM. Desta vez, foi a Jennifer quem me atendeu. Contei toda a novela e passei os códigos. Claro que ela encontrou. Reclamei a respeito do coleguinha que não tinha encontrado com os nomes e sobrenomes. Sabem o que ela me respondeu? “Ah é porque ele precisa checar a lista toda de passageiros!” Nossa. Que difícil. Mais fácil dizer que “não consta”. Dá pra acreditar?
Solicitei que ela me enviasse os bilhetes eletrônicos e não desliguei a ligação enquanto eles não apareceram na minha caixa postal.
Respirei aliviada e voltei a sorrir. Mas, definitivamente, não precisava ter passado por essa.


domingo, 6 de março de 2011

Ilusões e sonhos

A aula de balé

Quando crianças, meninos e meninas sonham em ser bailarinas, jogadores de futebol, judocas, artistas de circo, guitarristas... E o uso do verbo “sonhar” não é mero acaso. Sonham com o palco onde vão brilhar, com o golaço que vão fazer, a faixa preta que vão vestir, os solos de guitarra que vão abafar. Sonham, iludem-se, criam fantasias. São crianças e conhecem apenas um lado dessas ocupações. O mais óbvio, aparente e sedutor. Por isso muitos pais e mães se decepcionam quando seus filhos vão animados ao primeiro treino ou primeira aula e já na segunda ou terceira querem desistir. Ao defrontar-se com sua primeira seqüência de “pliés”, a pretendente à bailarina percebe que não será tão simples e rápido conseguir dançar uma maravilhosa coreografia e encantar a platéia. O mesmo se dá com o pequeno guitarrista ao sentir que as pontas de seus dedos doem depois da simples e árdua combinação de dois acordes, que produziram um som surdo e desafinado tão distante daquele que ele imaginara tocar.
Muitos desistem. Alguns, com a firmeza e empenho dos pais, permanecem, ainda que a contragosto.
Às vezes, depois de um tempo, quando começa a ter sucesso na aprendizagem daquela arte ou esporte, a criança começa a gostar e já não é mais preciso vencer uma batalha a cada aula ou treino. Ela vai com gosto. Começa a ter prazer em executar aquela pequena seqüência de pliés com perfeição ou a surpreender-se com os acordes que já não soam mais surdos. A ilusão vai se desfazendo e o que vai se delineando em seu lugar começa a interessar.
Outras vezes, não. O menino desiste de brigar, vai à aula ou treino, cumpre tabela mas não se entusiasma. Se pudesse optar, pularia fora na primeira oportunidade.
Como mãe, penso várias coisas a respeito disso, mas não vêm ao caso.

Os adultos
Nós, adultos, conhecemos mais sobre o mundo e seu funcionamento. Sabemos que as aparências enganam que, dificilmente o sucesso vem de mão beijada e que deus ajuda quem cedo madruga.
Então, nós, adultos muitas vezes paramos de sonhar. Não nos vemos fazendo algo diferente, ousado, difícil. Por achar que nos conhecemos bem, deixamos de nos atrever, de testar nossos limites. Por outro lado, não estamos livres das ilusões. Elas ainda nos seduzem de diversas formas: na idéia de que poderíamos ter outra carreira que nos fizesse mais feliz ou uma mulher mais bonita, (ou um marido mais sensível), uma grama mais verde que a do vizinho...

Sonhando com o Ironman
O triathlon – principalmente o Ironman – desperta os sonhos dos adultos. Alguns logo pensam “não é para mim”, outros se imaginam cruzando a linha de chegada. Os primeiros, que acham que não é possível, não lembram a incrível capacidade humana de aprender, de resistir, de se superar. E os outros, não imaginam as inúmeras horas que terão de ser passadas com a bunda no selim, nos zilhões de ladrilhos contados no funda piscina, nas corridas pra longe da família e dos amigos.
Mas, tanto uns como outros, só irão compreender a essência do triathlon - e depreender algum prazer dela  -, se persistirem por algum tempo. Pode ser que rapidamente a ilusão se desfaça e alguns voltem pra sua modalidade favorita ou, ao contrário, cada passo seja encarado como uma pequena vitória, cada pequeno aumento no volume de treino como superação de um desafio e tudo isso vai, aos poucos, revelando para o novo adepto novidades a respeito dele mesmo.

Sonho realizado
Não sei quanto a vocês mas me lembro que o Iron era um sonho distante quando comecei a treinar.
Também não imaginava a dimensão que o triathlon teria na minha vida. As duas coisas foram se consolidando aos poucos e simultaneamente. Na medida em que fui me vendo capaz e gostando de aumentar o volume de horas com a bunda no selim, o número de ladrilhos contados e a quilometragem das corridas, a possibilidade de fazer o Iron foi despontando na paisagem.
E é muito curioso como tornei algo que me parecia sobre-humano, possível. Sonhar é importante, mas mais do que acreditar no sonho é necessário des-iludir-se. Ou seja, apreciar cada parte do esforço, desmontando a ilusão e transformando em real-ização.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Pelo fim da animosidade

Impossível deixar o tema escapar. Sei que os meus fiéis leitores acessam este blog atrás de posts sobre treinos, provas etc mas, sinceramente, me sentiria ridícula em escrever sobre meu treino de hoje (o primeiro de natação depois de quase dois meses), ignorando o que acabou de acontecer.

Não, não se preocupe. Não farei campanha pra nenhum candidato. Não escondo meu voto, mas não acho que seja relevante divulgá-lo. Quero, sim, fazer um apelo ao espírito esportivo no período eleitoral. Estou muito incomodada com a falta de respeito de pessoas supostamente educadas e esclarecidas no debate político. Uns desqualificam o Serra porque ele seria carrancudo ou “limitado espiritualmente” outros acusam Dilma de “trator” e de idiota, assim como havia os que chamavam Marina de “filha de Maria” em tom de deboche. Que espécie de debate é esse? Atire a primeira pedra quem não bate na mesa de vez em quando, acorda mal humorado, fica meio abestalhado em algumas situações ou que tenha convicções espirituais, religiosas ou esotéricas . Não seria mais útil, interessante e honesto que avaliássemos e discutíssemos programas, propostas, idéias, currículo e atuação profissional?

E quando escrevo “discutir” não estou falando em bater boca. Embora pareça, política não é futebol. No futebol, não tem acordo. Nasceu corintiano, corintiano até morrer – menos o meu marido, é claro – mas isso é história pra outra ocasião. Torcida não tem racionalidade alguma. É paixão. E, a menos que ultrapasse os limites da civilidade como, infelizmente às vezes vemos acontecer, não há mal em que seja paixão. É legítimo defendermos nossa paixão clubística sem nenhum argumento decente.

Mas, com política não pode ser assim. Não podemos ser sectários e defender partidos ou pessoas apenas porque um dia em nossa vida os escolhemos e nunca mais revimos essa escolha. Não podemos defender nossa posição na base do grito, da torcida mais barulhenta, da bandeira maior – há que se ter argumentos.

Política também não é religião. Religião tem a ver principalmente com fé, crença, dogmas. Sim, há também os valores, mas é a fé o eixo central. O debate político não deveria ser uma questão de fé, nem de crença, mas de princípios. Quais são os princípios que regem os seus atos? Quais os princípios regem as suas escolhas? Não basta escolher candidatos que se aproximem mais de seus princípios – mas de ser fiel a esses princípios quando se posicionar, quando decidir compartilhar sua posição ou debate-la com alguém.

Por que é tão difícil um debate civilizado? Por que tanta animosidade? Por que ficamos irritados, raivosos, com os que não pensam como nós? Por que raramente conseguimos ouvir o que pessoas que pensam diferente de nós têm a dizer? Discordar, sobretudo, é uma arte. Assumir uma posição que não é condescendente tipo “ah, perdoai-os pai, eles não sabem o que dizem” nem agressiva “é um bando de idiotas mesmo” “chuuuupa, fulano(a)!”, ou cínica “ah, é tudo a mesma porcaria” mas, sinceramente disposta ao diálogo.

Somos uma democracia novata, mas já saímos das fraldas. A tranqüilidade com que transcorreram as últimas eleições é um feito do qual temos todos de nos orgulhar. Em poucas horas tivemos o resultado das urnas – e o volume de votos era sem precedentes— mais de 135 milhões! Ainda assim, ninguém contestou os resultados.

Mas temos muito, muito mesmo que aprender em termos de confronto de idéias, coerência de princípios, capacidade de escuta e posicionamento. Quando digo “temos” me incluo não apenas por força de expressão, mas porque também acho que preciso de um treino.

Como qualquer outra coisa que se queira fazer bem, dá trabalho. Exige autocrítica, conscientização, empenho e jogo de cintura. Bom... mas se você está planejando fazer um iron, não há de ser tão difícil assim!

domingo, 23 de maio de 2010

Existe vida após o Iron?

Atualmente, a resposta é não. Existe uma parede no dia 30 de maio de 2010. Não consigo imaginar o que vai acontecer, não planejei e nem assumi nenhum compromisso depois desta data. Uma série de áreas da minha vida ficaram negligenciadas: um dente quebrado precisa ser colado (não é da frente, óbvio), a minha mesa precisa ser organizada (lembra o caos sobre o qual escrevi num post passado? Então... está um pouco pior), alguns amigos e familiares precisam ser resgatados, consertos na casa precisam ser feitos. Enfim, não é que eu não tenha o que fazer, mas acho que vai dar um tremendo vazio.
Tem gente que tem depressão pós parto, outros tem depressão pós Iron. Pós parto, não tive. Afinal, depois de toda aquela preparação, a gente ganha um nenezinho e tem muito o que fazer com ele. E depois do Iron? O que acontece? Não tem mais aquele volume insano de treinos, não tem a expectativa de superar um grande desafio, não tem mais desculpa pra comer aquele ENORME prato de arroz com feijão, não tem mais aquela dose cavalar de endorfina circulando nas veias, não tem mais desculpa pra não fazer o que não se quer...Nem mesmo este blog não ter muito sentido depois que eu narrar a prova.
Ou seja, vai ser uma 4ª de cinzas: fantasia rasgada, ressaca e o distante sonho do próximo carnaval.
Esse era um dos meus medos ao me propor fazer o Iron. E depois? Qual pode ser a próxima meta? Por isso acho estranho quando pessoas jovens, que recém ingressaram no triathlon, decidem fazer um Iron com menos de um ano de treino. Ok, cada um, cada um mas... depois de alcançar uma meta tão ambiciosa tão precocemente, o que sobra?
Juro. Não consigo pensar nisso agora: Penha 70.3, Iron 2011, uma maratona, uma ultramaratona...? No momento, tudo não passa de um graaande ponto de interrogação. Quem passou por isso, por favor, me responda.
De agora em diante, estou arrumando as malas. Prometo um último post antes de pegar o avião pra Flops. Só não sei se vai prestar!

sábado, 15 de maio de 2010

Muitos sentidos

Nesta reta final rumo ao Iron tenho refletido muito sobre os significados desta experiência que ainda não vivi na íntegra. É normal, ao vivermos algo novo, tentar estabelecer relações entre aquilo que já vivemos ou conhecemos, com aquilo que estamos passando. Até agora se, por um lado,  o Iron não parece com nada que eu tenha vivido e, ao mesmo tempo, guarda semelhança com situações bem familiares e outras que, embora eu não as tenha vivido na própria pele, passei por elas em muitos filmes que vi  e livros que li.

Casamento
Pode parecer estranho, mas pense bem...
1. O dia costuma ser marcado com muita antecedência e é um evento que requer o trabalho de muitas pessoas pra poder acontecer a contento: técnico, nutricionista, professor de natação, fisioterapeuta etc.
2. Sem apoio e envolvimento da família a festa não acontece.
3.É necessário fazer um enxoval pra prova: roupa de borracha, três pares de tênis, meias (alguma especial pra maratona), manguito, corta vento, sapatilha, luvas e, no lugar do véu, o capacete.
4. O menu é estabelecido com rigor: um gel de aperitivo, bisnaguinhas e batatas, serivdas com cottage e outros temperinhos, de sobremesa bananinhas e gomas, entre outros. Depois, para cortar a bebedeira, tem até uma sopinha. O mesmo se pode dizer das bebidas: malto ou accelarade? R4 ou gatorade? Coca-cola, é imprescindível.
5. A roupa do dia, equivalente ao vestido da noiva, precisa ser provada antes e a gente não pode nem engordar e nem emagrecer até o grande dia. O dia da prova do "vestido" precisa ter amigas como testemunhas, não só pra ver como pra palpitar, claro!
6. A cobertura fotográfica também é imprescindível e inclui, como no caso do matrimônio, o making of, um dia antes.
Para além deses aspectos práticos o sentido de casamento no Iron é o da comunhão consigo mesmo celebrada num dia e hora precisos. Um momento mágico e especial em que, mesmo estando exaustos, vivemos um momento de alegria ímpar.

Gestação e Parto
Pelo menos nove meses de preparação, exames e medições periódicos, dieta especial com suplementação, exercícios apropriados, expectativa para o nascimento e, quanto mais perto do dia vai chegando, menos a gente consegue pensar em outra coisa.
Mas, há sempre o imponderável. Na gravidez fiz tudo certinho e, no final, no caso do primeiro filho, por exemplo, tive de tomar oxitocina para induzir a dilatação - o que não aconteceu - e, no final, teve de ser cesárea.
Ou seja, mesmo seguindo a planilha à risca, organizando a alimentação direitinho, no dia da prova, tudo pode acontecer (isola!!!). Uma dor de barriga, 3 pneus furados, uma fasceíte plantar renascida das cinzas, o mar virado...

Batismo e Ritual de passagem
Toda comunidade - de triatletas - acompanha este dia: aqueles que nunca participaram do ritual e os mais experientes, que já passaram.
Quando se ingressa numa religião ou quando os meninos viram homens, é preciso fazer pintura corporal, passar pela água salgada, usar vestimentas próprias para a ocasião, ser assistido mas não poder ter ajuda externa, exceto as previamente combinadas mas, sobretudo, chegar ao fim transformado, renascido e aceito pelo seu grupo com um novo status por ter sido capaz de superar os desafios.

Guerra
Pintados, vestidos, armados e focados em vencer. É necessário elaborar um estratégia, estudar os ataques, proteger-se. Os inimigos, entretanto, não são os outros. Os outros, na sua maioria, estão do nosso lado, mas cada um está lutando sua própria batalha: contra as intempéries, os medos, a ansiedade, as expectativas,  as dores, os seus limites.
No final, quer a prova tenha durado 9 horas, quer tenha durado 17, é a glória, com direito a condecoração e tudo.

Conclusão
Seja o que for, venha o que vier, quero viver intensamente tudo isso. Será um pout-pourri de emoções e quero estar com todos os meus sentidos aguçados (e um bom fotógrafo contratado) para registrar esta experiência tão particular e tão universal.

domingo, 11 de abril de 2010

Forja

for.jar
(forja+ar2) Aquecer e trabalhar na forja (ferro ou outro metal). vtd 2 Compor, fabricar: Forjar ferramentas.  Bater (o cavalo) com as ferraduras posteriores nas anteriores, na andadura.

Sei que só vou me considerar e ser considerada uma Ironman (woman, person, whatever) no momento em que ultrapassar a linha de chegada no dia 30 de maio. Mas tudo que está acontecendo nestes meses que antecedem a prova é o grosso do processo de transformação. É agora que estou sendo forjada.
Comecei a sentir as mudanças na pele, nos músculos, nos ossos, na alma e no cérebro.
Domingo passado foram 150 km de pedal mais 5 de corrida (depois de ter feito 26 de corrida na véspera). No meio do treino começou a chover. Em nenhum momento pensei em parar por causa disso. Diminuí o ritmo, fiquei mais cuidadosa e segui. A chuva parou, o sol chegou ardido e forte bem na hora da corrida. Fui sem meias. Estava tão encharcadas e sujas que só tinham um destino possível: lixo. Julinha foi me puxando. Buscamos as sombras das árvores, mas o sol estava a pino e nos castigou. Cheguei em casa num estado de exaustão inédito. Lavei a bike com o que havia sobrado das minhas forças. Na hora de enrolar a mangueira pra guardar, quase chorei.  Meus braços simplesmente não me obedeciam. Foi uma marretada.
Terça também choveu. Quando cheguei na USP, não tinha ninguém. Pedalei 10 kms sozinha, debaixo da garoa, até encontrar o resto do bando de loucos. A chuva engrossou, mas nós nos mantivemos lá, até o fim do treino. Debaixo da chuva corremos 5 km. Julinha outra vez me puxando. Cheguei em casa suada e gelada ao mesmo tempo.  Calor e frio. É assim também que se forja o metal.
Na quarta chovia de novo. Tinha tiros de 400 mts e também 2,2 de natação. Não dava tempo de ir até o Ibira. Fiz na esteira 10 tiros, aumentando o ritmo progressivamente.  Concentrei-me, coração pulsando forte, os pés martelando suave e consistentemente a borracha da esteira.
Quinta, levantei cedo pra fazer rolo. Uma hora e quarenta e cinco minutos de rolo. Garoava, estava frio e os pequenos iam pro acantonamento da escola. Posso estar me transformando numa mulher de ferro, mas o coração não vai endurecer, a alma não vai amargar. Precisava salpicar uma beijoca em cada um, antes de irem.
Sexta. Nada demais em matéria de treino. Filho mais velho assaltado na esquina de casa. Então coração mole, mas braços firmes e fortes pra abraçar, acolher, tranquilizar e... ir no DP fazer o B.O.
Sábado. Abri a USP, pedalei um pouco sozinha. No pelotão, puxei vários tiros com o vento na cara, sabendo que teria de chegar até os 100 km e depois encarar 18 correndo. Nessa corrida, fui sozinha por 15 km. Eu e meu bate-estaca no fone de ouvido. Inclui, por conta própria,  uma subida da Biologia. Teve sol, teve garoa e teve vento. Thelma fez os ultimos 3 comigo. Depois, só pra acompanhar o Ricardinho, fiz mais 3km.
Calor, frio, vento, chuva, umidade, sol. Cansaço, sono, preocupações, dores,  prazer. Solidão, companhias, solidariedade. Escolhas, concessões, decisões. Não posso, agora, afirmar que serei uma Ironman. Mas posso sim, dizer que algo está mudando. E é bom.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Família-ê Família-a Família!

Logo que voltei de férias, mandei a seguinte mensagem para toda a minha família:

Olá bem-amados
O ano está começando e vai ser muito especial pra mim. Pelo menos, neste primeiro semestre. Como alguns já sabem, mas a maioria acho que não, estou inscrita no Ironman de Florianópolis que acontecerá no próximo dia 30 de maio. O Ironman é uma prova de triathlon com as seguintes distâncias: 3,8 km de natação + 180 km de bike + 42 km de corrida. Para dar conta desse desafio vou ter de treinar muito, me alimentar como uma espartana, dormir cedo. Nada que eu já não faça. Mas vai ser mais radical ainda. Gostaria então de contar com o apoio, a torcida e a compreensão de vocês. Peço, de antemão, que me perdoem se eu não comparecer às festas, jantares, aniversários e outras comemorações. Para quem quiser me acompanhar tenho escrito um blog sobre o tema – http://ironmanumainsanidade.blogspot.com/ e já tenho vários seguidores, inclusive da nossa tribo.

Claro, a coisa mais legal do mundo seria ter vocês lá no dia, naquela torcida!

Muito bem. Qual não foi minha surpresa quando, alguns dias depois, eu soube que meu pai e meu marido estavam organizando a excursão para Floripa. Já estão de passagens compradas e hotel reservado! Meu pai, minha mãe, meu sogro, minha sogra, meu marido e meus quatro filhos estarão Jurerê no dia 30 de maio. Eu não poderia ter estímulo maior do que esse para me dedicar aos treinos.

O que mais me deixa feliz é que, embora eles tenham apenas uma vaga idéia do que seja uma prova como Iron, eles perceberam como isso é importante pra mim.

Cada um deles tem um jeito acompanhar essas minha aventuras.

Meu pai
Gosta de esportes, sempre gostou e incentivou todos os filhos a praticá-los. Na infância e na adolescência era nosso parceiro de volei, volei de praia, taco, basquete, ping pong... o que fosse! Desde que comecei a participar de provas ele se interessa em ouvir meus relatos e saber meus resultados. Conta para minha avó, meus tios e para seus amigos sobre as minhas façanhas. Sinto que ele realmente se orgulha de mim!  E eu a-do-ro que ele acompanhe.

Minha mãe
Nunca gostou de competir, ficava fora desses nossos jogos, mas gosta de assistir. Embora eu perceba que ela, como boa parte dos Rosenbergs (sou Rosenberg Aratangy), fique intrigada com este meu lado esportivo, e ainda não entenda completamente do que se trata, também me apóia, pois percebe que é algo maior que uma simples atividade física. Ela sacou que existe uma experiência emocional intensa nessa brincadeira.


Meus sogros
Esta é uma boa dupla de torcedores. Também, do jeito deles, sem ainda compreender totalmente essa maluquice, eles se empolgam e torcem. Acompanharam minha prova em Clearwater pela internet, na maior atenção. Meu sogro já foi até fotografar treino nosso na estrada! Tenho certeza de que a torcida deles em Floripa vai ser barulhenta e vibrante!




Meu marido
Depois de passar um ano inteiro azucrinando por causa dos meus treinos de triathlon - " Cinco horas de manhã! Isso é hora de treinar? Você está ficando maluca!", de desprezar a speed "MTB é muito mais legal", de desdenhar a corrida "não sei como você aguenta! Muito chato, esse negócio de correr!" enfim, ele percebeu que era pura inveja e começou a treinar também.  Por um lado foi bom, porque finalmente ele entendeu. Por outro... combinar os treinos e não prejudicar o convívio com os filhos, ficou mais complexo.
Mas este ano ele prometeu me apoiar nos treinos para o Iron (e, mais do que isso, não reclamar!). Até agora, cumpriu a promessa e, tenho certeza de que sem a compreensão e a ajuda dele eu não vou conseguir fazer tudo que tem de ser feito para chegar lá.

Filhos
Os quatro têm orgulho da mãe triatleta. Não posso voltar de uma prova sem troféu, que eles ficam decepcionados e pedem explicações! (É relativamente fácil ganhar troféu na minha categoria, sabem... dificilmente tem mais de 6 competidoras!).Todos já assistiram provas e até participaram de algumas corridas. Sabem que o treino é parte da minha rotina e estão acostumados. Expliquei que este ano vai ser um pouco diferente e que eles vão me ver menos aos finais de semana. Em compensação, estarão lá, para (oxalá!) cruzarem a linha de chegada comigo.

Amigas
Além dessa trupe tenho três amigas que trabalham comigo - que estão a milhas de distância de qualquer esporte competitivo - mas se animaram a ir. Fiquei muito contente e tenho certeza de que elas irão se surpreender.

Isso sem falar na Gra, mais do que uma amiga e torcida, minha escudeira, que deverá fazer o apoio logístico durante a prova. Imprescindível!

Não sei quanto a vocês mas, para mim, saber que essas pessoas queridas estarão lá compartilhando uma experiência tão importante como essa, não só me deixa com um tremendo senso de responsabilidade mas, principalmente, me enche de alegria. Acho que nossos laços se estreitarão ainda mais. É aquela história: inscrição para o Iron - U$ 500, passagem aérea R$ 250, ter a sua família na linha de chegada: não tem preço!



sábado, 18 de julho de 2009

Becoming an Ironman: First Encounters with the Ultimate Endurance Event

Quando contei a idéia do blog pro Sergio Borejo, que treina também na MPR, me falou a respeito deste livro e ofereceu emprestado. Estou devorando.
A jornalista Kara Douglass Thom fez uma coletânea de relatos sobre o primeiro Iron de diferentes pessoas.
São histórias contadas em primeira pessoa e o modo como a jornalista fez a transcrição e a edição, nos dão a impressão de que estamos ouvindo a pessoa nos contar sua experiência sentadas à sua frente, na mesa da padoca, depois do treino.
Cada um conta um pouco de seu histórico com esporte, as razões que levaram a fazer o Iron e então descrevem sua primeira prova. Nenhum ultrapassa oito páginas e todos são interessantes.
Há histórias de pessoas que vieram a se tornar triatletas profissionais, como Joana Zeiger, a alemã que levou a melhor em Clearwater o ano passado e de gente que começou o triathlon depois dos 50 anos de idade; gente que estava mais bem preparada do que imaginava, gente que terminou aos 45 do segundo tempo e quase foi cortada e até histórias de DNFs (did not finish). Não são relatos banais e, alguns são tão comoventes que chegam quase a ser piegas. Mas não são. Há um ponto comum: para todos, terminar um Ironman é uma experiência transformadora.
Para uma candidata a estreante como eu, o livro faz a prova parecer ainda mais fascinante e assustadora.
Infelizmente, o livro não foi traduzido. Mas, se você lê em inglês, vale a pena. A Amazon.com tem um estoque de usados e sai por menos de 3 dólares.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Placar do fim-de-semana: Treinos 2 x 2 Família


No fim-de-semana a prioridade é o convívio com a família, certo? Errado. Para quem treina, é um prato cheio, ops, uma planilha cheia pra se derrubar. Se, durante a semana, a gente equilibra vários pratos: trabalho, assuntos domésticos, marido, filhos, cuidados extra-curriculares (dentista, creminhos, fisioterapia), no fim de semana, os dois pratos principais são os treinos e a família. E é preciso abrir bem os olhos pra se fazer justiça e não deixar a balança pender.Os treinos aos sábados também começam cedo e isso é bom, porque dá para ir, pedalar, fazer uma social (na padoca de preferência), voltar e ainda chegar antes do almoço com as crias. Depois de pedalar 60 km é preciso ter ainda energia de sobra pra fazer uma programação infantil. Nesse sábado, fomos ver Transformers 2. Pelo menos é melhor do que ver algum filme “cabeça”e dormir. E teve lanche no América, passeio na Livraria Cultura (com direito a Nespresso hummmm), colocar a dupla dinâmica no banho (e impedir que tampem o ralo e inundem o banheiro), tirar do banho e cama... Sem deixar de lado o marido, claro!No domingo, depois do tal pedal geriátrico – mas foram 80 km com subidas – peguei estrada até Igaratá pra dar um beijo no sogro aniversariante e almoçar com a família. Que sono, durante a viagem... Cheguei fedida. Banho rápido, que o almoço já estava na mesa. Meia horinha de tentativa de cochilo, mas com os gêmeos pululando em volta, ficou difícil.Café na veia e volta pra SP escutando o jogo do Brasil (e o CD que a sogrinha gravou) antes de escurecer, porque o carro está caolho (um farol só) e a motorista é cegueta.Voltei e dei início a este blog. É mais um pratinho pra equilibrar.

domingo, 28 de junho de 2009

Caro CLAUDIA ROSENBERG ARATANGY


E então, depois de não conseguir com um cartão, nem com o outro, quase brigar com a operadora deles, de mandar email pro "Dear support" do active e tudo... No terceiro cartão (que eu nunca uso) e vigésima tentativa - consegui.
Agora tenho a escolha. Posso até não fazer. Mas deixar de fazer por falta de inscrição, não! Vou ter que arranjar uma desculpa melhor.
Uma tendinite dessas que vem me assolando desde o ano passado. Isso sim, é um pretexto.
Hesitei. Hesitei porque não sei se vai dar pra conciliar tudo que precisa ser conciliado, não sei se vai dar pra não me quebrar de novo, e de novo e de novo... Pra aguentar a rotina que vem por ai. Não é já, mas é daqui a pouco. E agora, cada prova, não é mais só uma prova. É um passo. Troféu Brasil agosto? É um passo. Penha? Vários passos. Clearwater? Duvido um pouco que role, mas isso é assunto pra outra postagem. Se for, é um graande passo. Fisioterapia? Passos e mais passos.
Incrível, mas este emailzinho fez tudo mudar de perspectiva.