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segunda-feira, 1 de março de 2010

Trocas de rodas, Triathlon Internacional de Santos e revolta no pódio

No sábado fui até a USP pra dar aquele rolêzinho básico pré-prova. Levei as rodas Zipp e pedi pro Emerson - meu técnico - me ajudar a trocar.  Gostei de ver como ele apanhou pra trocar as sapatas do freio. Não sou só eu que sofro com essas bikes temperamentais.  Até o Fábio Rosa entrou na dança. Aí a magrela se revoltou e encrencou de vez: fiquei sem freio dianteiro. Os dois desistiram e eu levei a bike no Serginho. Como diz o ditado: "há malas que vão pro trem". Além de ter sumido uma molinha do freio, os cabos estavam no bico do corvo. Depois de 40 minutos de espera e de mais alguns outros ajustes, voltei pra USP, com uma bike segura.
No domingo saí cedo de carona com a Julia a caminho da baixada. Ela é uma ótima parceira de treino e viagem. Por incrível que pareça, tem a metade da minha idade e poderia ser minha filha! Acho isso um barato. A gente se dá muito bem. A viagem passa rapidinho.
Apesar do dia cinzento, na entrada da transição o clima é bem animado.
Minha estratégia é a seguinte: nadar como for possível (estou com uma "ombrite", sem treinar forte há um mês), pedalar pra morte e correr com o que sobrar de perna.
Minha meta: ganhar da Silvia Paller - minha mais forte adversária na categoria.
O mar estava longo. Fiz um tempo sofrível. Mas dizem as más linguas que tinha quase 1900 mts.
O pedal estava ótimo. Vi a Silvia um pouco à minha frente num dos retornos da Portuária. "Dá pra chegar", pensei.
Na Anchieta fiz bastante força contra o vento. Deixei meu cateye na média. Objetivo - aumentar a média de velocidade paulatinamente. Eis que vejo a Silvia parada na beira da estrada. Pneu furado. E ela não voltou mais para prova. Muito chato. O fato de ela ser forte me instiga a querer superá-la e, assim, me superar. Além do que, ninguém merece um DNF (Did Not Finish)!
Alcanço a minha amiga Nilma e vamos mais ou menos no mesmo ritmo até o final. Não peguei nenhum vácuo. Cara no vento o tempo todo. Na volta, com ele nas costas, estava muito bom. Cheguei a 34km/h de média! Um recorde. Termino com  média de 33,8.
Na corrida, uma palhaçada: não há marcadores de distância. Nenhumzinho. Como não estava de Garmin, corri às cegas, sem saber quanto faltava, sem saber o quanto me poupar, que ritmo imprimir. Ao longo da corrida, escuto gente chamando meu nome, incentivando. São colegas de treino e academia, técnico, pessoas com quem competi quando fazia biathlon, a turma da Nutricius, a Thelma, amigos antigos, amigos novos que conheci na minha curta carreira de atleta. Isso dá um gás a mais.
Depois do último retorno, sou alcançada pela Rita, da 40-44, que quer, deseperamente, alcançar uma rival de sua categoria. Vamos juntas, uma puxando a outra. Ela conta que já leu meu blog. (É tão legal ouvir isso!) No final ela dá um super sprint. Fico só assistindo. Faço um bom tempo mas as más linguas dizem que só tinha 9,3 km.
Como a Silvia tinha caído fora, sabia que o alto do pódio da categoria deveria ser meu. Ficamos esperando.
Enquanto os resultados não saiam (porque a tecnologia da NA Sports é muuuuito avançada, sabe? Ele não usa chip, usa velcro!) um locutor anunciava a presença "ilustre" do Rafael, participante da edição sei-lá-qual do BBB para entregar os troféus. Sinceramente... Como alguém pode levar a sério uma coisa dessas?
Finalmente, minha categoria é chamada ao pódio. Chove. A festa no pódio é praticamente de nós com nós mesmas. Quando o locutor anuncia que o tal Rafael vai entregar os troféus, incito a revolta: eu não quero receber o troféu dele. Eu não assisto BBB e sou contra BBB. Minhas companheiras aderem imediatamente ao meu protesto: é isso mesmo! Eu também não assisto BBB! É o fim da picada! Um monte de bobobocas, desocupados, que não fazem nada de bom! Foi uma pândega. O tal do Rafael, ficou ali, meio perdido. E nós nos cumprimentamos e nos parabenizamos.
Fiquei muito contente com a reação das minhas colegas de categoria. Frente a um grupo de mulheres de quase 50 anos que trabalham pra caramba, cuidam de filhos e de casa e ainda conseguem treinar, é quase um insulto que um cidadão como aquele - que virou celebridade instântanea sem nenhum mérito - seja reverenciado dessa forma. Acorda, Núbio!
Bom... pelo menos a gente riu e criou uma cumplicidade imediata. Tenho orgulho de ser dessa categoria.
Depois, lanchinho na Santa Marta, e subida pra SP.
Daqui um mes tem mais.