Algumas peças são óbvias, saltam aos olhos. Outras não são tão evidentes.
Não sei localizar, por exemplo, de onde vem tamanha disciplina. Uma coisa eu garanto: não nasci com ela e nem aprendi na infância. Foi algo conquistado pouco a pouco, já na vida adulta.
Talvez as gestações tenham contribuído. Afinal, em nome de algo maior, tive que controlar a alimentação, diminuir a bebida, dormir bem. Gostei disso.
Talvez a disciplina em si seja um desafio. Assim, cada um desses sacrifícios que a gente faz, vira uma pequena meta, uma prova de que sou capaz de:
- não beber mais que uma taça de vinho,
- acordar as 4:30 e ir treinar mesmo na madrugada mais fria do ano;
- ir correr mesmo que esteja começando a chover;
- sair mais cedo da festa para ir dormir cedo.
Assim por diante.
Quando a gente percebe que consegue, dá uma satisfação, do tipo “sou eu que mando em mim”.

E tem também aquele general que todos temos (outro dia o chamei de hitlerzinho) e que coloquei jogando a meu favor. Todos nós temos uma vozinha interna que dá ordens, condena, pune. Geralmente, este “ser” é um saco, só serve pra nos fazer sentir culpados, em dívida ou estúpidos. Em algum momento consegui dar a ele um lugar ao sol. De vez em quando, ele se mete onde não deve, mas, no geral, tem sido um grande aliado.
Uma vida disciplinada é uma escolha. No meu caso, não foi uma escolha feita do dia pra noite. E é uma escolha que refaço a cada dia. Tem preço. E tem recompensas.
