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domingo, 30 de agosto de 2009

Lições de uma segunda vez - Penha 2009

Acabo de chegar de Penha e, como disse o Lucena recentemente em seu blog, às vezes estamos tão impregnados pela experiência que não conseguimos escrever com clareza. Por outro lado, ainda estamos tomados pelas emoções (tão intensas e contraditórias) que uma prova como o 70.3 nos faz sentir.
Faz muita diferença conhecer a prova. A capacidade de se antecipar aos problemas é bem maior. Deu absolutamente tudo certo. Não passei por nem UM minuto de estresse. Arrumei minhas coisas com calma, tiquei cada item das minhas oito listas, não esqueci NADA em São Paulo. Cheguei ao aeroporto num horário tranqüilo, sem ser cedo demais, nem atrasada. Despachei a bike sem delongas. Deu tempo até de tomar o café com pão-de-queijo da promoção da TAM. Sentei numa fila de cadeiras sozinha e pude esticar as pernas e ler sossegada. O vôo não atrasou. Peguei a bike inteirinha. O taxista que me levou ao hotel foi simpático e já combinou de fazer um preço camarada na volta. Cheguei ao hotel e tomei um café da manhã de verdade. O quarto, conforme eu havia solicitado, era no cantinho mais sossegado.
Cada momento foi vivido com calma e quase sem ansiedade. Com expectativa, sim, mas sem angústia ou aquele nervoso todo. O horário da largada 9h30 facilitou ainda mais pra podermos nos aprontar com tranqüilidade.
Mais uma vez, pude desfrutar da companhia da Nilma e do Neto – casal que me acompanhou direto em Clearwater em 2008, fiquei mais próxima ainda do Marcos – meu grande parceiro de treinos neste ano e também conhecer mais Paulinha – que foi uma grande companheira: sem complicação, divertida, atenciosa e perfeita pra dividir um quarto, principalmente numa situação de véspera de prova. Como ela estava doente e é quase 20 anos mais nova que eu, brinquei de ser sua mãe . Também conheci a Simone e o André, casal de médicos de Jau, muito legais e várias outras pessoas. Nessas ocasiões, os hotéis, restaurantes, a feirinha ficam tomados pelos atletas e seus acompanhantes. As pessoas sabem que estão partilhando um momento especial de suas vidas e isso está no ar. É fácil começar a conversar: "puxa, será que o tempo amanhã vai estar assim?" "Vocês já pedalaram?" "O que acharam do vento?" Os locais, que estão recebendo a prova pela segunda vez, também pareceram estar mais interessados e com vontade de participar. No hotel em que fiquei, quando voltei, havia em cima da cama, uma mensagem de um aluno de quinta série, nos cumprimentando pela prova. Fiquei emocionada. E vou mandar um email pra ele – o Marcos Rodrigo, de 11 anos, da EE B Manoel Henrique de Assis.
O jantar que organizei junto ao seu Ardaldo, dono do restaurante Haus Heringer, também deu certo mais uma vez. Todo mundo foi, havia comida suficiente e o ambiente estava agradável, com a gente conversando, dando risada e relaxando antes da prova. Claro que dá pra melhorar. Achei o filé de frango meio duro e o molho um pouco apimentado. Mas seu Ardaldo mostrou ser uma pessoa que aceita críticas e sugestões, pois melhorou o atendimento em relação a 2008. Ano que vem, podemos melhorar ainda mais nossa parceria.
Tomei água, gatorade e comi uma grande quantidade de carboidratos por dois dias seguidos. Olhando as fotos, acho que consegui engordar antes da prova. Minha cara está bem cheinha! Dormi quase direto na noite da véspera. Acordei só no meio da madrugada pra um xixizinho básico e voltei a dormir até que o Fabio Rosa (técnico da MPR que estava lá acompanhando a prova) mandou um torpedo pra Paulinha mandando ela acordar.
Cheguei para marcar o número e fazer os últimos preparativos com tempo: abastecer quickdrink com água misturada com gatorade, colocar minha garrafinha de endurox, minhas bananinhas traficadas, alguns palitinhos de stiksy e três pedacinhos de batata cozida com bastante sal, embrulhados em papel alumínio (fora um monte de gel grudado na bike). Passei protetor solar (que não adiantou muita coisa – fiquei com uma linda marca nas costas), bodyglide pra não assar a nuca e chamois butter para não assar outras regiões mais delicadas.
Estava tudo tão certinho e sem sufoco que eu não estava conseguindo acreditar. Nem dor de barriga eu tive. (O intestino funcionou na hora e lugar certos). Pra não dizer que não me distrai, dei duas ratas. A primeira foi perceber que deixei o celular dentro da bolsinha da bike, na véspera, quando entregamos pra transição. Mas lembrei antes de estarmos muito longe, voltei lá e peguei sem problemas. A segunda foi na hora da largada. Quando estava chegando à praia, percebi que calçava os chinelos. Mas foi só voltar um pouquinho até onde ficam as sacolas e enfiá-los lá dentro.
Eu estava lá de novo e sabia o que me esperava. Estava excitada, mas sem nó no estômago.

No mar
Assim como no ano passado, foi uma pancadaria. O percurso era o mesmo. Um Y, ou melhor, um cabide de ponta-cabeça, sem o gancho. A primeira bóia marca o “pescoço” do cabide. Até aí muito empurra-empurra, um passando por cima do outro, mas tudo bem. Mas a segunda bóia que é o “cotovelo” do cabide... Nossa! Que sufoco. Tomei três socos na cabeça. A Nilma levou um gancho de esquerda no supercílio direito que arrancou seus óculos e a deixou com cara de mulher de malandro. Depois dessa bóia, as coisas acalmaram um pouco. Por outro lado, o mar se agitou. Terminei em 36m25s. 1min e 25s acima do ano passado.

T1
Fiz uma transição quase lenta. Por engano, quase levei a sacola da Paulinha (ela era 110 e eu, 111) mas, felizmente, os voluntários estavam atentos e me fizeram dar conta do engano antes de eu ir pra tenda.
Vesti a luva, o capacete e os óculos. Levei as sapatilhas na mão e calcei na área de monte. Não quis arriscar.

Pedal
O percurso era um pouco diferente do ano passado. Melhor, eu diria, já que não entramos mais na cidade. Vento a favor na ida - subida boa parte do tempo - e contra na volta. Uma boa combinação. Havia um momento, entretanto, no final das pernas da volta (cada volta tinha 4 pernas: ida e volta grande, ida e volta menor, parecido com a avenida portuária, em santos) que não era descida, o vento estava contra e era bem chatinho e cansativo. Mas logo chegava perto do parque, onde tinha gente, torcida e até (argh!!!) cachorros na pista.
Crianças ao lado da pista passaram 5 horas clamando pelas caramanholas: “Garrafinha, tia! Dá a garrafinha, tia!” Chegava a incomodar, tamanha a insistência e a quantidade de insistentes.
A fiscalização de vácuo foi severa. Muitas pessoas foram penalizadas. Várias, injustamente. A impressão que deu é que queria mostrar serviço. O problema é que a arbitragem estava muito mal-formada e não sabia direito o que é, de verdade, uma situação de vácuo. A elite masculina, por sua vez, usou e abusou deste recurso e ninguém foi penalizado.
Eu não fui. Fiquei quase todo o tempo pedalando só. No começo estava embolado e havia situações em que era difícil evitar o vácuo. Mas fugi sempre que pude. Marcos, Nilma e Julinha não tiveram a mesma sorte e foram penalizados. Injustamente. Ao Marcos isso, infelizmente, custou-lhe a vaga para o mundial.
Eu queria ter mantido uma média de 32 km por hora, mas não consegui. Fechei em 31,5. Não foi mal. O ciclismo, numa prova longa como esta, é o que decide a prova. Se você exagerar, fica quebrado na hora da corrida. Se for muito fraco, fica para trás e não consegue recuperar tudo depois. É um equilíbrio delicado.
Também, para mim, é o momento que dá pra pensar. Felizmente nada a respeito de trabalho ou problemas domésticos. Mas sobre a relação com o esporte, o sentido de estar ali, se submetendo àquela provação (não é à toa que se chama “prova”), o prazer misturado com a dor, a sensação intensa do momento, misturada ao desejo de chegar ao fim. Cada perna completada é para ser comemorada, cada volta, então, é para ser riscada da lista que está na cabeça: agora falta MENOS de dois terços do pedal! E eu também pensava: no Ironman, isso vai ser só a metade... Será que eu agüento?
Terminei em 2h53m31s.

T2
Ali, fui mais rápida. Desta vez, troquei os cadarços de elástico por cadarços normais, o Asics pelo Mizuno, a meia nova por uma velha e fina. Deixei o tênis quse frou no pé. Coloquei o boné e sai fora.

Corrida
Três dias de celebra, duas doses de accelerade na véspera, muita hidratação e alimentação no pedal ou muito desejo reprimido de correr. Não sei qual destes fatores mais influenciou minha corrida.
Entrei num transe e fui. Estava quente. O vento, quando a favor, dão a impressão de que o ar está parado, envolvendo e sufocando você. Mas não liguei. Segui em frente. As lesões do pé deram um “alô”. Ignorei.
Emparelhei com a Aline, uma atleta forte e mais jovem, logo no começo da primeira volta (eram duas de 10,5 km) e fomos nos perseguindo até quase o final dela. Foi bom. Entrei um pace bem cadenciado, e, na segunda volta, pude apertar um pouco.
Passei pelo Fabio Rosa e ele, me surpreendeu mandando um “vai, Claudia!” em alto e bom som. Quem conhece o Fabio, vai entender porque da surpresa. Ele é um cara bastante contido. Fiquei ainda mais feliz quando ele me disse, depois da prova, que eu tinha corrido muito bem. Vindo dele, tem valor agregado.
Nos últimos 4 kms, apertei ainda um pouco mais. Eu não pensava em nada só em ir em frente, cada vez mais rápido. Ultrapassei varias pessoas, que ficavam espantadas com eu ritmo. Principalmente os homens. Fiz 1h48m20s.
Cruzei a linha de chegada dançando. Estava tocando uma música bem swingada e eu simplesmente parei e dancei. Dancei feliz.


Pós prova
É só alegria. Níveis de endorfina altíssimos, assim como o astral. A gente fica largada, na área de dispersão, falando bobagem, colocando gelo nas lesões, mostrando as bolhas, trocando impressões, se cumprimentando uns aos outros, comemorando numa festa de bananas, bisnaguinhas, biscoitinhos de quinta categoria, regados a gatorade, água e suco. Felizes e fedidos. Até a hora que a vontade de tomar um banho fala mais alto.
Telefonemas e muitos torpedos carinhosos. De colegas triatletas ou, simplesmente, de pessoas queridas e próximas que acompanham, com um misto de incredulidade e admiração, essas minhas odisséias.
De quebra, logo após o banho, recebi uma massagem das mãos de uma fadinha surfista e naturóloga, chamada Giordana. Não poderia ter sido melhor.
Chope, lula à doré e sorvete com Marcos e Paulinha. Mais chope no Haus Heringer, aí também com Nilma e Neto. Brindamos à saúde e à amizade.
Malas prontas, despedidas. Uma pitada de tristeza, porque chegou ao fim. Por outro lado, é reconfortante saber que poderemos viver situações semelhantes muitas e muitas outras vezes. É bom saber que ainda é possível ampliar o rol de amizades reais (não virtuais!) ou estreitar ainda mais os vínculos que começaram de forma despretensiosa e superficial. É um dos elementos que faz a vida valer a pena: bons amigos.
Finalmente
Fui muito bem. Abaixei meu tempo em 1min20s em relação ao ano passado. Acontece que a prova foi mais difícil. E isso é fácil de confirmar. Basta ver, por exemplo, que a Vanessa Gianinni, segunda colocada ano passado (e campeã neste), fez um tempo 4 minutos mais alto este ano. Isso já é motivo mais do que suficiente para eu ficar satisfeita. Este ano fiquei em décimo sexto na classificação geral feminina. Acontece que as 8 primeiras colocadas eram da elite.
Fiquei em segundo na categoria (eram apenas três) apenas um minuto atrás da primeira, que é a Silvia Paller. Atleta de responsa, notoriamente forte. Como ela não quis a vaga pra Clearwater, levei de novo.
Este sucesso foi muito importante pra mim. Durante o ciclismo me dei conta de algo muito perturbador. Tenho medo de repetir as mesmas provas. Ainda mais provas como estas, que acontecem apenas uma vez por ano. Aos 45 anos de idade meu desempenho, de um ano para o outro, pensei, dificilmente irá melhorar. Percebi que estava receosa de me comparar comigo mesma, um ano mais velha. O que sinto é que consegui vencer o tempo por mais um ano. De forma legítima. Sem roubar. Treinando, me cuidando e usando a cabeça.

sábado, 25 de julho de 2009

Às minhas amigas triatletas

Uma das melhores coisas que o triathlon me trouxe foram as amigas. Não somos muitas as mulheres nos treinos e nas competições. Cerca de 20-25%. Talvez por isso, nosso jeito de competir umas com as outras seja mais companheiro e amistoso. Consideramos-nos vencedoras pelo simples fato de participar de uma prova ou de estar num treino às 5h da manhã, no frio, em que mesmo o quórum masculino é reduzido. No pódio, festejamos e nos cumprimentamos com autêntica alegria. Os triatletas comentam perto de nós que conseguiram “o alvará de soltura da patroa” para o pedal de domingo. Nós precisamos negociar com nossos maridos ou namorados, deixara refeição engatilhada, lidar com a culpa de não estar em casa na hora em que os filhos acordam, encontrar disposição pra aquele almoço com os sogros (ou com os próprios pais) .
Despertamos olhares de admiração dos nossos colegas homens. Eles, que competem a sério, morrem de medo de serem passados para trás por alguma de nós. E às vezes o são. Sabemos dosar. Não temos aqueles montes de testosterona explosiva que parece fazer com que alguns homens passem todo o tempo exibindo sua força. Temos progesterona, que nos torna mansas e persistentes.
Duas coisas, basicamente, fazem as amizades femininas nesse esporte tornarem-se tão especiais. A primeira é compartilhar experiências intensas como as provas e suas respectivas preparações. Vivemos o medo, o esforço, o cansaço, a superação do desafio, a alegria e podemos falar do que sentimos umas com as outras. A segunda, é a oportunidade de uma convivência mais próxima, seja nos fins-de-semana de treino, seja numa viagem para uma competição, que também nos tornam mais íntimas. O vínculo com essas amigas tornou-se especial em um curto espaço de tempo.
Esse seleto grupo de amizades femininas triatletas é composto por pessoas de faixa etária variada (mas sou a mais velha de todas), formações e ocupações, idem. É uma coleção de preciosidades. Farei pequenas homenagens a elas – sem hierarquia.
Gra. Nossa Demi Moore. Mais bonita, aliás. A primeira conversa que tivemos foi num trotinho no Ibirapuera. Aquela menina me conta que já tem filhos de 17 e 18 anos e está casada com o mesmo marido há 20 anos. Além disso, havia acabado de fazer um iron. Comecei a admirá-la na mesma hora. Uma vida tão diferente da minha. Um jeito de ser contido, discreto, quase silencioso e, ainda assim, uma presença marcante. Quem não sabe quem é a Gra? Presença infalível nos treinos, detonadora de planilhas, 100% de aplicação. CDF ou “caxias”.
E, de pedalada em pedalada, de café em café, de torpedo em torpedo, fomos ficando cada vez mais amigas. Devo a ela vários macetes que aprendi. Em 2008 foi minha grande parceira de treinos. Companheira que não deu um furo. Combinado com ela era sacramentado. Não tinha que esperar confirmação. Em 2009 estava se preparando para o Iron, começou a ter problemas de saúde e teve de mudar seus planos. Fiquei preocupada, achei que ela iria entrar numa depressão daquelas. Mas não. Ficou triste e encarou a tristeza – sem tentar passar por cima, mas tampouco sem se entregar a ela; adaptou-se, mudou seus planos, se tratou. Cresceu. Uma verdadeira guerreira escondida naqueles ares de gueixa.
Cris. É um sol, luminosa e radiante, também de uma beleza resplandecente. Com ela, não tem tempo ruim. Ela é professora de yoga, tem todo um lado espiritual e meditativo que, à primeira vista, parece não combinar nada com uma modalidade como o triathlon. Mas combina. Não é das mais aplicadas, bissexta nos pedais das madrugadas, aos sábados aparece treino sim, treino talvez... Mas nas provas, ela cresce e aparece. E sua companhia nos café da padoca, anima a mesa!
Nossa conexão se estabeleceu instantaneamente. Fomos juntas pra Santos fazer um troféu Brasil, depois encaramos o Desafio da Serra em Campos do Jordão, no início de 2008 fizemos o Internacional e, no final do ano, fomos as duas famílias (dois casais com sete meninos) para Paúba faríamos a Fuga das Ilhas. Nesta ocasião, Robert, marido dela, ficou com todos os meninos enquanto ela, meu marido e eu nadávamos.
Em todas essas vezes nossa sincronia foi perfeita. Os horários, as refeições, as arrumações... Todo o ritmo e a rotina de antes e depois da prova fluem com tranqüila naturalidade.
Dani. Conheço poucas mulheres bem-humoradas como ela. Mas não é um humor qualquer – é sofisticado, sagaz e rápido. Ainda por cima, é bonita também. De uma beleza matreira e moleca. Profissional em plena ascensão, implacável com os homens. Mas ficava sempre atrás no pelotão. Nem na roda ela conseguia! Nesses dois anos de convívio tivemos conversas seriíssimas em cima da bike, trotando no Ibira, correndo na USP. Ela estava começando a cair na armadilha da mulher auto-suficiente. Aí apareceu o Celso. E neutralizou qualquer fuga que ela pudesse pensar em fazer. Deu a ela uma bike decente e a ensinou a pedalar.
Ela continua profissional competente, continua simpática e sorridente, mas agora seu olhar está mais doce.
Não posso contar com ela nos treinos. Nisso ela não é mesmo ponta firme. Em compensação, quando ela aparece, sua companhia é por inteiro. Num dos piores momentos que passei este ano, as tiradas da Dani (junto às do Cachorro Louco) me fizeram rir. Rir de mim mesma, da situação em que estava e ficar mais leve. Ela sabia e foi o jeito de cuidar de mim. Um jeito ótimo e original, como ela.


Nilma. Empatia imediata. Foi assim. Trocamos duas palavras antes do início de um Troféu Brasil na USP. Ambas iríamos fazer a distância olímpica e éramos pouquíssimas mulheres naquele dia frio de agosto. Passei por ela no pedal e disse “E aí, Botucatu!” Não lembrava seu nome , só sua cidade. Em Penha, nos encontramos durante o pedal. Aí sim, o nome estava escrito no número de peito e pude chamá-la. Pedalamos lado a lado por um tempo, conversamos sobre treinos e sobre a possibilidade de ir para o mundial em Clearwater, Florida. Ambas nos classificamos.
Começamos a nos falar por e-mail, depois por telefone. Primeiro, pra trocar informações sobre a viagem, depois para falar das expectativas e da ansiedade. Combinamos de nos falar em Clearwater e, logo no primeiro dia, encontramo-nos por acaso na loja em que eu montava minha bike!
A partir dali, passamos muito tempo juntos: Neto (namorado dela), ela e eu. Foram companhias importantíssimas. Leves, divertidos, alegres. Chegamos quase juntas no final da prova e estávamos exultantes. Jantamos, tomamos café, passeamos e, o mais significativo – fizemos juntas compra de equipamentos – o que é muito importante, pois trocamos impressões, opinamos uma sobre as aquisições da outra e tornarmos um momento que pode ser aborrecido, em diversão.
Ela fez o Iron este ano e é uma das pessoas que muito me influenciou na decisão de me inscrever. É lindíssima. Leitora deste blog, uma das que mais me anima e incentiva a continuar. Nossa amizade este ano está à distância. Mas sempre que nos falamos, ficamos 30, 40 minutos ao telefone. Parece que somos amigas há anos!

Mari. Um dia meu marido chegou de uma corrida e disse “Conheci uma amiga sua muuuuito, mas muuuuito simpática! Nossa, que pessoa legal!”. Era da Mari que ele falava. E ele não é uma pessoa que costuma se empolgar com as demais e muito menos manifestar esta empolgação. Não era exagero. A Mari é assim. Encantadora. Seus olhos são dois vaga-lumes, daqueles verdes, que brilham muito na escuridão. Mas no caso dela, brilham em plena luz do dia e têm o poder de ofuscar qualquer resquício de mau-humor ou baixo-astral.
Logo que nos conhecemos, ela contou que havia feito o Iron há muitos anos. Eu me espantei: “Como? Muitos anos? Quantos anos você tem?”. Não quis me contar a idade (ela guarda seus mistérios) mas confessou que era uma das caçulas na competição.
E é assim, uma desbravadora. Não tem medo de abrir caminhos. Veio do interior para São Paulo e ganhou a cidade grande. Aliás, o contrário: a cidade grande é que ganhou com a vinda da Mari.
Foi pro Rio de Janeiro fazer um estágio: ela a bike, a cara e a coragem. Logo já estava treinando com uma turma. Mas não faça besteiras se estiver num pelotão com ela. Vira bicho e bronqueia mesmo!
Ela se formou, passou na OAB e formatura será dentro de alguns dias. Estou muito honrada em ser convidada para a festa, ver minha amiga brilhar mais uma vez.
Thelma, Carla, Kiki, Tarsila, Patê, Paulinha, Viveka, Julinha, Lidiane. São outras valentes e queridas amigas do esporte. Quero homenagear todas vocês!