terça-feira, 1 de junho de 2010
domingo, 23 de maio de 2010
Existe vida após o Iron?
Atualmente, a resposta é não. Existe uma parede no dia 30 de maio de 2010. Não consigo imaginar o que vai acontecer, não planejei e nem assumi nenhum compromisso depois desta data. Uma série de áreas da minha vida ficaram negligenciadas: um dente quebrado precisa ser colado (não é da frente, óbvio), a minha mesa precisa ser organizada (lembra o caos sobre o qual escrevi num post passado? Então... está um pouco pior), alguns amigos e familiares precisam ser resgatados, consertos na casa precisam ser feitos. Enfim, não é que eu não tenha o que fazer, mas acho que vai dar um tremendo vazio.
Tem gente que tem depressão pós parto, outros tem depressão pós Iron. Pós parto, não tive. Afinal, depois de toda aquela preparação, a gente ganha um nenezinho e tem muito o que fazer com ele. E depois do Iron? O que acontece? Não tem mais aquele volume insano de treinos, não tem a expectativa de superar um grande desafio, não tem mais desculpa pra comer aquele ENORME prato de arroz com feijão, não tem mais aquela dose cavalar de endorfina circulando nas veias, não tem mais desculpa pra não fazer o que não se quer...Nem mesmo este blog não ter muito sentido depois que eu narrar a prova.
Ou seja, vai ser uma 4ª de cinzas: fantasia rasgada, ressaca e o distante sonho do próximo carnaval.
Esse era um dos meus medos ao me propor fazer o Iron. E depois? Qual pode ser a próxima meta? Por isso acho estranho quando pessoas jovens, que recém ingressaram no triathlon, decidem fazer um Iron com menos de um ano de treino. Ok, cada um, cada um mas... depois de alcançar uma meta tão ambiciosa tão precocemente, o que sobra?
Juro. Não consigo pensar nisso agora: Penha 70.3, Iron 2011, uma maratona, uma ultramaratona...? No momento, tudo não passa de um graaande ponto de interrogação. Quem passou por isso, por favor, me responda.
De agora em diante, estou arrumando as malas. Prometo um último post antes de pegar o avião pra Flops. Só não sei se vai prestar!
Tem gente que tem depressão pós parto, outros tem depressão pós Iron. Pós parto, não tive. Afinal, depois de toda aquela preparação, a gente ganha um nenezinho e tem muito o que fazer com ele. E depois do Iron? O que acontece? Não tem mais aquele volume insano de treinos, não tem a expectativa de superar um grande desafio, não tem mais desculpa pra comer aquele ENORME prato de arroz com feijão, não tem mais aquela dose cavalar de endorfina circulando nas veias, não tem mais desculpa pra não fazer o que não se quer...Nem mesmo este blog não ter muito sentido depois que eu narrar a prova.
Ou seja, vai ser uma 4ª de cinzas: fantasia rasgada, ressaca e o distante sonho do próximo carnaval.
Esse era um dos meus medos ao me propor fazer o Iron. E depois? Qual pode ser a próxima meta? Por isso acho estranho quando pessoas jovens, que recém ingressaram no triathlon, decidem fazer um Iron com menos de um ano de treino. Ok, cada um, cada um mas... depois de alcançar uma meta tão ambiciosa tão precocemente, o que sobra?
Juro. Não consigo pensar nisso agora: Penha 70.3, Iron 2011, uma maratona, uma ultramaratona...? No momento, tudo não passa de um graaande ponto de interrogação. Quem passou por isso, por favor, me responda.
De agora em diante, estou arrumando as malas. Prometo um último post antes de pegar o avião pra Flops. Só não sei se vai prestar!
sábado, 15 de maio de 2010
Muitos sentidos
Nesta reta final rumo ao Iron tenho refletido muito sobre os significados desta experiência que ainda não vivi na íntegra. É normal, ao vivermos algo novo, tentar estabelecer relações entre aquilo que já vivemos ou conhecemos, com aquilo que estamos passando. Até agora se, por um lado, o Iron não parece com nada que eu tenha vivido e, ao mesmo tempo, guarda semelhança com situações bem familiares e outras que, embora eu não as tenha vivido na própria pele, passei por elas em muitos filmes que vi e livros que li.
6. A cobertura fotográfica também é imprescindível e inclui, como no caso do matrimônio, o making of, um dia antes.
Para além deses aspectos práticos o sentido de casamento no Iron é o da comunhão consigo mesmo celebrada num dia e hora precisos. Um momento mágico e especial em que, mesmo estando exaustos, vivemos um momento de alegria ímpar.
Ou seja, mesmo seguindo a planilha à risca, organizando a alimentação direitinho, no dia da prova, tudo pode acontecer (isola!!!). Uma dor de barriga, 3 pneus furados, uma fasceíte plantar renascida das cinzas, o mar virado...
Quando se ingressa numa religião ou quando os meninos viram homens, é preciso fazer pintura corporal, passar pela água salgada, usar vestimentas próprias para a ocasião, ser assistido mas não poder ter ajuda externa, exceto as previamente combinadas mas, sobretudo, chegar ao fim transformado, renascido e aceito pelo seu grupo com um novo status por ter sido capaz de superar os desafios.
No final, quer a prova tenha durado 9 horas, quer tenha durado 17, é a glória, com direito a condecoração e tudo.
Conclusão
Seja o que for, venha o que vier, quero viver intensamente tudo isso. Será um pout-pourri de emoções e quero estar com todos os meus sentidos aguçados (e um bom fotógrafo contratado) para registrar esta experiência tão particular e tão universal.
Casamento
Pode parecer estranho, mas pense bem...
1. O dia costuma ser marcado com muita antecedência e é um evento que requer o trabalho de muitas pessoas pra poder acontecer a contento: técnico, nutricionista, professor de natação, fisioterapeuta etc.
2. Sem apoio e envolvimento da família a festa não acontece.
3.É necessário fazer um enxoval pra prova: roupa de borracha, três pares de tênis, meias (alguma especial pra maratona), manguito, corta vento, sapatilha, luvas e, no lugar do véu, o capacete.
4. O menu é estabelecido com rigor: um gel de aperitivo, bisnaguinhas e batatas, serivdas com cottage e outros temperinhos, de sobremesa bananinhas e gomas, entre outros. Depois, para cortar a bebedeira, tem até uma sopinha. O mesmo se pode dizer das bebidas: malto ou accelarade? R4 ou gatorade? Coca-cola, é imprescindível.
5. A roupa do dia, equivalente ao vestido da noiva, precisa ser provada antes e a gente não pode nem engordar e nem emagrecer até o grande dia. O dia da prova do "vestido" precisa ter amigas como testemunhas, não só pra ver como pra palpitar, claro!4. O menu é estabelecido com rigor: um gel de aperitivo, bisnaguinhas e batatas, serivdas com cottage e outros temperinhos, de sobremesa bananinhas e gomas, entre outros. Depois, para cortar a bebedeira, tem até uma sopinha. O mesmo se pode dizer das bebidas: malto ou accelarade? R4 ou gatorade? Coca-cola, é imprescindível.
6. A cobertura fotográfica também é imprescindível e inclui, como no caso do matrimônio, o making of, um dia antes.
Para além deses aspectos práticos o sentido de casamento no Iron é o da comunhão consigo mesmo celebrada num dia e hora precisos. Um momento mágico e especial em que, mesmo estando exaustos, vivemos um momento de alegria ímpar.
Gestação e Parto
Pelo menos nove meses de preparação, exames e medições periódicos, dieta especial com suplementação, exercícios apropriados, expectativa para o nascimento e, quanto mais perto do dia vai chegando, menos a gente consegue pensar em outra coisa.
Mas, há sempre o imponderável. Na gravidez fiz tudo certinho e, no final, no caso do primeiro filho, por exemplo, tive de tomar oxitocina para induzir a dilatação - o que não aconteceu - e, no final, teve de ser cesárea.Ou seja, mesmo seguindo a planilha à risca, organizando a alimentação direitinho, no dia da prova, tudo pode acontecer (isola!!!). Uma dor de barriga, 3 pneus furados, uma fasceíte plantar renascida das cinzas, o mar virado...
Batismo e Ritual de passagem
Toda comunidade - de triatletas - acompanha este dia: aqueles que nunca participaram do ritual e os mais experientes, que já passaram.Quando se ingressa numa religião ou quando os meninos viram homens, é preciso fazer pintura corporal, passar pela água salgada, usar vestimentas próprias para a ocasião, ser assistido mas não poder ter ajuda externa, exceto as previamente combinadas mas, sobretudo, chegar ao fim transformado, renascido e aceito pelo seu grupo com um novo status por ter sido capaz de superar os desafios.
Guerra
Pintados, vestidos, armados e focados em vencer. É necessário elaborar um estratégia, estudar os ataques, proteger-se. Os inimigos, entretanto, não são os outros. Os outros, na sua maioria, estão do nosso lado, mas cada um está lutando sua própria batalha: contra as intempéries, os medos, a ansiedade, as expectativas, as dores, os seus limites.No final, quer a prova tenha durado 9 horas, quer tenha durado 17, é a glória, com direito a condecoração e tudo.
Conclusão
Seja o que for, venha o que vier, quero viver intensamente tudo isso. Será um pout-pourri de emoções e quero estar com todos os meus sentidos aguçados (e um bom fotógrafo contratado) para registrar esta experiência tão particular e tão universal.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Treino de luxo na Maratona de São Paulo
Todo ano me perguntam "Ontem teve maratona, você correu?" e eu tenho de explicar "Não, não corri, eu não faço maratona, faço triathlon". Mas este ano foi diferente. Eu não corri a maratona, mas corri na maratona. Tinha um treno de 30 k pra fazer então decidi aproveitar o percurso, as companhias e, claro, um pouquinho da água também.
O treino de sábado
Na véspera tive um treino de 180 k de pedal mais 6 de corrida. Fui pro Riacho Grande e com a ajuda da Julinha no começo e do Evandro quase até o fim, consegui terminar. Na volta, estava tão cansada que, cada paradinha em sinal vermelho, eu dava uma dormidinha.
Cheguei em casa, tomei aquele banho, fui pra cama, pus gelo no ombro, bolinha de tênis nas costas, bola feijão embaixo das pernas, travesseiro por baixo da cabeça, um livro nas mãos e lancei âncora. Eram quase cinco da tarde. Achei que pra encarar os 30k eu teria de ficar daquele jeito até a manhã do dia seguinte. Mas precisava me alimentar, então, com muito custo, passadas algumas horas, consegui me levantar e, com a roupa por cima do pijama fui até a esquina buscar três temakis. Cansei de batatas, macarrão e filé de frango!
A largada
Fui com a Thelma até a largada, mas como ela já teria uma companhia especial - o Alexei -, combinei com a minha amiga Nilma que é de Botucatu e estava em SP especialmente para correr a prova dos 25, que faríamos juntas. Depois, os últimos kms eu encararia solo.
Como marcar um ponto de encontro no meio daquela muvuca? Claro que você encontra um monte de gente, mas combinar com alguém "na largada" de uma prova deste porte, é impossível. Mas tive uma idéia que acabou funcionando bem. Combinei com ela de encontrar no km 2. Eu ficaria bem perto da placa, do lado direito da pista e, quando ela passasse, iríamos juntas.
Quando faltava uns 15 minutos pra largada, comecei a subir a ponte estaiada o que, aliás, foi o máximo! A ponte vazia, sem carros, a multidão lá embaixo alinhada na largada, um céu de brigadeiro. Emocionante. O canhou disparou seu tiro anunciando o início da prova, eu já estava passando o primeiro km. Comecei a correr bem ali, depois que a elite e os primeiros corredores passaram. Cheguei até o km 2 e estacionei ali, esperando a Nilma chegar, enquanto via aquele mar de gente passar. Olhavam pra mim intrigados, e convidavam "vamos!"
A surpresa
Não demorou muito pra que ela chegasse. Levei um tempo pra identificá-la pois ela está sempre vestida de cor-de-rosa e dessa vez estava de azul. Mas essa não foi a grande surpresa. A grande surpresa foi que ela estava com o Rodrigo! Ele mesmo, do Blog do Rodrigo, figurinha com quem venho trocando comentários recíprocos nos nossos blogs e, mais recentemente, emails. Foi uma festa! Parecíamos velhos amigos se reencontrando embora estivéssemos nos conhecendo pessoalmente ali, no meio da maratona.
Ele, que sequer tinha corrido uma meia maratona na vida, estava ali para fazer os 25k.
C&C - Corrida e Conversa
Nilma foi puxando a gente, animadíssima. Ainda assim, sobrou fôlego para conversamos ininterruptamente por 25 kms. Treinos, provas, técnicos, filhos, trabalho, projetos...passeamos por um monte de assuntos. Eu olhava pro meu relógio e não acreditava que estava conseguindo manter um pace de 5m30s, 5m40s, às vezes até mais forte.
O dia estava lindo, o percurso sombreado e, justiça seja feita, não faltou água. Quando a turma que iria fazer os 10k se separou, acabou a muvuca e ficou melhor ainda. Quando estávamos chegando perto dos 20, Rodrigo começou a sentir algumas dores, mas não deixou a peteca cair. Ao cruzarmos os 21,1 brindamos, os três. Afinal, ele estava completando sua primeira meia maratona!
Os últimos 4 kms foram sofridos pra ele. Com dores e cãimbras ele não sabia se era melhor apertar o passo pra acabar rápido ou afrouxar, pra aguentar até o fim. Hora tentava uma coisa, hora outra.
Lá pelas tantas, parou e disse "podem ir, não precisa me esperar!". Fincamos o pé "não, senhor! de jeito nenhum! Começamos juntos e vamos até os 25, juntos!"
E, sim, ele aguentou até o fim. Nos despedimos na marca dos 25 e eu segui para meus kms finais.
Os últimos kms
Som na caixa, segui pela avenida Politécnica, solitária. Até então eu não tinha me dado conta do meu cansaço e nem daquelas dorzinhas que sempre aparecem. Mas tudo estava absolutamente tolerável e, depois de percebê-los, acostumei com eles. Logo, nos últimos 3 kms eu estava me sentindo muito bem. Tão bem que conseguia cantar junto com Ipod enquanto apertava o ritmo um pouquinho.
Passei pelo Pedro, um triatleta forte e jovem, que está treinando para seu segundo Iron e ele me disse que iria completar a maratona. Confessei a ele minha vontade de ir até o fim e ele me tentou "Bora!". Resisti e parei quando completei os 30. Querendo mais.
Brunch
Encontrei Thelma, Rodrigo e Nilma logo depois de terminar. Tiramos a foto e eu e Thelma seguimos rumo ao nosso programa combinado: um brunch. No caminho, na avenida da raia, encontramos o Evandro. Ainda bem! Pois ele também estava tentado a fazer a maratona até o fim, e não ia ser uma boa idéia. Seduzido pela idéia do brunch, ele foi conosco.
Fomos até a Chácara Sta Cecília e comi até não poder mais. Comcei pelo café da manhã, passei pras saladas, depois fui pro macarrão com frango, completei com uma salada de frutas, arrematando com um café preto. Caro, mas fiz bom proveito.
Pico
Estou feliz e confiante. Passei pelo fim-de-semana mais duro de treinos e sobrevivi. Estou aqui, não estou? Com história pra contar e fôlego pra postar!
Thelma, eu (com sangue na blusa e nem tinha percebido), Rodrigo e Nilma, nos reencontramos ao final do treino/corrida.
O treino de sábado
Na véspera tive um treino de 180 k de pedal mais 6 de corrida. Fui pro Riacho Grande e com a ajuda da Julinha no começo e do Evandro quase até o fim, consegui terminar. Na volta, estava tão cansada que, cada paradinha em sinal vermelho, eu dava uma dormidinha.
Cheguei em casa, tomei aquele banho, fui pra cama, pus gelo no ombro, bolinha de tênis nas costas, bola feijão embaixo das pernas, travesseiro por baixo da cabeça, um livro nas mãos e lancei âncora. Eram quase cinco da tarde. Achei que pra encarar os 30k eu teria de ficar daquele jeito até a manhã do dia seguinte. Mas precisava me alimentar, então, com muito custo, passadas algumas horas, consegui me levantar e, com a roupa por cima do pijama fui até a esquina buscar três temakis. Cansei de batatas, macarrão e filé de frango!
A largada
Fui com a Thelma até a largada, mas como ela já teria uma companhia especial - o Alexei -, combinei com a minha amiga Nilma que é de Botucatu e estava em SP especialmente para correr a prova dos 25, que faríamos juntas. Depois, os últimos kms eu encararia solo.
Como marcar um ponto de encontro no meio daquela muvuca? Claro que você encontra um monte de gente, mas combinar com alguém "na largada" de uma prova deste porte, é impossível. Mas tive uma idéia que acabou funcionando bem. Combinei com ela de encontrar no km 2. Eu ficaria bem perto da placa, do lado direito da pista e, quando ela passasse, iríamos juntas.
Quando faltava uns 15 minutos pra largada, comecei a subir a ponte estaiada o que, aliás, foi o máximo! A ponte vazia, sem carros, a multidão lá embaixo alinhada na largada, um céu de brigadeiro. Emocionante. O canhou disparou seu tiro anunciando o início da prova, eu já estava passando o primeiro km. Comecei a correr bem ali, depois que a elite e os primeiros corredores passaram. Cheguei até o km 2 e estacionei ali, esperando a Nilma chegar, enquanto via aquele mar de gente passar. Olhavam pra mim intrigados, e convidavam "vamos!"
A surpresa
Não demorou muito pra que ela chegasse. Levei um tempo pra identificá-la pois ela está sempre vestida de cor-de-rosa e dessa vez estava de azul. Mas essa não foi a grande surpresa. A grande surpresa foi que ela estava com o Rodrigo! Ele mesmo, do Blog do Rodrigo, figurinha com quem venho trocando comentários recíprocos nos nossos blogs e, mais recentemente, emails. Foi uma festa! Parecíamos velhos amigos se reencontrando embora estivéssemos nos conhecendo pessoalmente ali, no meio da maratona.
Ele, que sequer tinha corrido uma meia maratona na vida, estava ali para fazer os 25k.
C&C - Corrida e Conversa
Nilma foi puxando a gente, animadíssima. Ainda assim, sobrou fôlego para conversamos ininterruptamente por 25 kms. Treinos, provas, técnicos, filhos, trabalho, projetos...passeamos por um monte de assuntos. Eu olhava pro meu relógio e não acreditava que estava conseguindo manter um pace de 5m30s, 5m40s, às vezes até mais forte.
O dia estava lindo, o percurso sombreado e, justiça seja feita, não faltou água. Quando a turma que iria fazer os 10k se separou, acabou a muvuca e ficou melhor ainda. Quando estávamos chegando perto dos 20, Rodrigo começou a sentir algumas dores, mas não deixou a peteca cair. Ao cruzarmos os 21,1 brindamos, os três. Afinal, ele estava completando sua primeira meia maratona!
Os últimos 4 kms foram sofridos pra ele. Com dores e cãimbras ele não sabia se era melhor apertar o passo pra acabar rápido ou afrouxar, pra aguentar até o fim. Hora tentava uma coisa, hora outra.
Lá pelas tantas, parou e disse "podem ir, não precisa me esperar!". Fincamos o pé "não, senhor! de jeito nenhum! Começamos juntos e vamos até os 25, juntos!"
E, sim, ele aguentou até o fim. Nos despedimos na marca dos 25 e eu segui para meus kms finais.
Os últimos kms
Som na caixa, segui pela avenida Politécnica, solitária. Até então eu não tinha me dado conta do meu cansaço e nem daquelas dorzinhas que sempre aparecem. Mas tudo estava absolutamente tolerável e, depois de percebê-los, acostumei com eles. Logo, nos últimos 3 kms eu estava me sentindo muito bem. Tão bem que conseguia cantar junto com Ipod enquanto apertava o ritmo um pouquinho.
Passei pelo Pedro, um triatleta forte e jovem, que está treinando para seu segundo Iron e ele me disse que iria completar a maratona. Confessei a ele minha vontade de ir até o fim e ele me tentou "Bora!". Resisti e parei quando completei os 30. Querendo mais.
Brunch
Encontrei Thelma, Rodrigo e Nilma logo depois de terminar. Tiramos a foto e eu e Thelma seguimos rumo ao nosso programa combinado: um brunch. No caminho, na avenida da raia, encontramos o Evandro. Ainda bem! Pois ele também estava tentado a fazer a maratona até o fim, e não ia ser uma boa idéia. Seduzido pela idéia do brunch, ele foi conosco.
Fomos até a Chácara Sta Cecília e comi até não poder mais. Comcei pelo café da manhã, passei pras saladas, depois fui pro macarrão com frango, completei com uma salada de frutas, arrematando com um café preto. Caro, mas fiz bom proveito.
Pico
Estou feliz e confiante. Passei pelo fim-de-semana mais duro de treinos e sobrevivi. Estou aqui, não estou? Com história pra contar e fôlego pra postar!
Thelma, eu (com sangue na blusa e nem tinha percebido), Rodrigo e Nilma, nos reencontramos ao final do treino/corrida.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Quem quer treinar comigo?
Quando comecei a treinar pro Iron e percebi que era a única “menina” do meu grupo que estava inscrita pensei que iria fazer muitos treinos sozinha. Puxa, como me enganei!
Têm sido raros os treinos solitários. Tão raros que, quando eles aconteceram, achei bom porque estaria treinando a cabeça, já que a prova, mesmo com 1500 participantes, é cada um na sua.
Cada vez que vou fazer um treino, mando um torpedo pra várias pessoas, publico no facebook, convido pessoalmente. E tive adesões, sempre.
Muitas pessoas adaptaram ou encompridaram seus treinos para me acompanhar Achavam ótimo começar mais cedo, terminar mais tarde, treinar mais... E eu acho ótimo ter a companhia delas.
A Thelma me fez companhia na USP, quando ainda estava sob suspeita (tomando anticoagulante) naquele domingo que o pneu furou a caminho de Romeiros e estava um sol daqueles. Também encarou um longuinho na Aclimação, impondo um ritmo forte pra mim e pro Zé. O Zé foi outro parceirão. Era um cara simpático com quem eu havia trocado meia dúzia de palavras e quando soube que ele estava treinando pra Big Sur e que iria ter grandes volumes de corrida, combinamos uns treinos juntos. Foi ótimo! A gente ia batendo papo e quando se via... os 20 kms já tinham acabado num instante. Vez o outra chamei o pessoal pra começar mais cedo e, além do Zé, o Marquinhos, a Julinha e o Ricardinho também entraram na turma do comando da madrugada, sextas-feiras, no Ibira. O Marquinhos é impressionante! Topava todas. Estando em SP, vinha mais cedo pro Ibira ou mais cedo pro pedal. O Marcos também é da turma que madruga mais ainda no pedal, principalmente aos sábados. Vamos chegar 5h30? Borá lá!!
Roi, meu marido, também me fez companhia nas primeiras sonolentas voltas da USP, nas 3ª e 5ª quando não tem quase ninguém pedalando, me ajudando a dar conta do volume e sem ficar discutindo a relação nem resolvendo questões domésticas. Simplesmente papeando sobre amenidades.
Ricardinho, vulgo cachorro louco, não só entrou no comando da madrugada de duas sextas-feiras como também me acompanhou num tiro de 800 mts quando todo mundo já tinha terminado, inclusive ele, e eu ia sozinha pro último. Tiro não é bolinho. De 800, então... Se não fosse ele, eu não conseguiria ter feito com o tempo menor que dos anteriores! Isso sem contar que, mesmo colocando os bofes pra fora o cara consegue falar cada bobagem que a gente, mesmo se esfalfando, não consegue deixar de rir. E ele faz isso com o tom de voz mais sério do mundo.
Nos treinos de pedal tive muitas companhias especiais. O sempre disciplinado e eficiente pelotão das meninas com Tarsila, Mariana, Julinha (ói ela aqui de novo), Gra (fez comigo o segundo lote de 40 km, hoje), Dani (bissexta), Paulinha filhinha (que é bissexta também, mas hoje até acrescentou 5km pra me ajudar na reta final - que estava duríssima!) e Patê. As sessões de “pedalterapia” que tornavam o treino um tremendo exercício não só cardiorrespiratório mas também psico-sócio-afetivo! Meninas, aquele treino no Riacho teria sido insuportável sem vocês.
Fabio, como o Marquinhos, sempre topando todas as propostas de pedal e disposto a puxar o pelotão pelo tempo que fosse necessário.
Lester, que me deu o maior apoio naquele treino em Alphaville, debaixo da chuva, ficando o máximo de tempo comigo (tinha um churrasco na casa dele naquele dia!) e dizendo “agora falta pouco, você dá conta!” Isso sem falar nos meus 160 de hoje (sábado, 24). Ele apareceu quando eu já tinha feito mais de 100, naquele momento crucial, dizendo "lembrei que vc tinha 160, então resolvi vir mais tarde pra dormir um pouco e te ajudar a fazer os kms finais!". Não é um luxo? Veio, fez e ainda me alimentou com bananinhas e goiabinhas porque dessa vez eu não tinha levado comida suficiente.
Também conheci gente nova, como o Evandro, que me acompanhou nos derradeiros 40 kms dos 140 da Carvalho Pinto e depois numa corridinha poeirenta de 5k, com quem a conversa fluiu fácil e gostosa, me ajudando a esquecer o cansaço.
Reencontrei o Victor, que me acompanhou na rabeira do pelotão, no meu ritmo geriátrico, sem achar ruim. Mais que isso: conversamos como velhos amigos, como se estivéssemos sentados num café.
Tem gente com quem treinei e conversei em porções menores, mas que também teve um gostinho bom: Flavinho, Leandro, Beto Bianchi, André Rapaport (hoje ´me ajudou nos 40 iniciais), Ligia, Rodrigo Esper, Rafael (em Florianópolis). Tiveram as surpresas, sobre as quais já falei: Mari Prado, Diglu e Alexei. As ausências e distâncias: Cris Dresbach, Nilma, Nickolas.
E a campeã. Minha filhinha do coração, Julia. Ela não só me acompanhou, como me esperou terminar o pedal no dia da chuva em Alphaville pra correr junto. Ela tem feito quase todas as corridas de transição comigo, sempre me arrastando atrás dela. O que vai ser de mim sem ela na maratona do Iron?
Estou entrando na reta final dos treinos. São mais nove dias de pauleira, depois já começa a diminuir. Passou muito rápido e tem sido muito, mas muito legal. Não só porque tenho me sentido muito bem mas, principalmente, porque os treinos tem sido uma experiência intensa. E têm sido legais porque as pessoas são legais. Sei que ainda não terminou, mas já sou grata a todos vocês pelo que pude viver até agora. Valeu, pessoal, tenho certeza de que vou me lembrar de cada um de vocês enquanto estiver fazendo o Iron.
domingo, 18 de abril de 2010
Ironmarriage
Casamento já não é fácil sem triathlon. Quando o casal gosta de esportes, de treinar e competir, isso pode parecer ótimo à primeira vista mas quando se tem um monte de filhos...
Sim, concessões, negociações, estresse fazem parte do cotidiano de qualquer casal com filhos. E treinos serão mais um tema para pauta de negociações. Seja porque um gosta de treinar e o outro não, seja porque os dois gostam e o tempo que se passa com os filhos tem de ser colocado na balança.
O Ironman e, principalmente, os treinos preparatórios para ele, são uma prova de fogo para os casamentos. Já ouvi algumas histórias de mulheres que colocaram seus respectivos na parede: ou eu ou ele – o triathlon. Triathlon, de modo geral consome um bocado de tempo, mas os meses que antecedem um Iron, são ainda piores. Porque se você tem uma horinha dando sopa, não vai querer ir ao cinema ou jantar na casa do cunhado. Descanso! Tudo que se quer é relaxar um pouco. Ai ai ai como a gente vai ficando insuportável.
No meu caso, a decisão de fazer o Iron foi negociada no ano passado. Fizemos algumas mudanças na casa: a TV saiu do nosso quarto e foi pra sala – de modo que eu pudesse deitar cedo e ele pudesse ver TV sem atrapalhar meu sono, estendemos o horário da Dilma, para que nós dois pudéssemos treinar aos sábados, e estabelecemos que a prioridade de treino aos domingos seria minha. Caso ele quisesse competir ou treinar, teria de providenciar um “plano B” para os kids.
No meio disso tudo, ele começou a fazer um curso às segundas e terças à noite. Então, tenho ficado no horário do rush noturno praticamente todas as noites da semana: jantar, colocar no banho, tirar do banho, mandar escovar os dentes, por pra dormir uma vez por semana aparar todas aquelas unhas e passar fio dental em todos aqueles dentes. Ah, e tudo isso evitando o derramamento de sangue. Na presença da mãe, ficam todos muito bélicos!
Mas, como dizem os ingleses (ou talvez os americanos) so far, so good. Depois de um período inicial meio conturbado, estamos conseguindo viver o dia a dia sem grandes estresses. Estamos, nós dois, estreitando nossos laços. Ele tem me apoiado, me compreendido, me poupado nestes fins-de-semana que chego absolutamente imprestável, do treino. Por outro lado, tenho estado atenta para fazer tudo que posso nos momentos em que não estou tão cansada assim. Então, depois de uma horinha de gelo e descanso, me levanto e improviso um almoço, dou um trato na louça ou aproveito pra jogar alguma coisa com os meninos. E, se ele quer correr, por exemplo, vai, enquanto eu acabo de dar o café da manhã pros caras.
Mesmo com toda a pauleira, tenho me sentido muito bem. Especialmente feliz e bem humorada e tenho levado isso pro meu casamento. E ele tem cumprido a sua promessa de início de ano, de não criticar meus treinos, meu modo de vida e me ajudar no que fosse possível.
Por incrível que pareça, os treinos não nos afastaram e nem têm desgastado nosso casamento. Ah, sim, e a libido não diminuiu, viu garotas?! Muito pelo contrário... Portanto, como tudo na vida, o truque é transformar em mais um desafio a ser superado e sair da prova com um Ironmarriage.
domingo, 11 de abril de 2010
Forja
for.jar
(forja+ar2) Aquecer e trabalhar na forja (ferro ou outro metal). vtd 2 Compor, fabricar: Forjar ferramentas. Bater (o cavalo) com as ferraduras posteriores nas anteriores, na andadura.
Sei que só vou me considerar e ser considerada uma Ironman (woman, person, whatever) no momento em que ultrapassar a linha de chegada no dia 30 de maio. Mas tudo que está acontecendo nestes meses que antecedem a prova é o grosso do processo de transformação. É agora que estou sendo forjada.
Comecei a sentir as mudanças na pele, nos músculos, nos ossos, na alma e no cérebro.
Domingo passado foram 150 km de pedal mais 5 de corrida (depois de ter feito 26 de corrida na véspera). No meio do treino começou a chover. Em nenhum momento pensei em parar por causa disso. Diminuí o ritmo, fiquei mais cuidadosa e segui. A chuva parou, o sol chegou ardido e forte bem na hora da corrida. Fui sem meias. Estava tão encharcadas e sujas que só tinham um destino possível: lixo. Julinha foi me puxando. Buscamos as sombras das árvores, mas o sol estava a pino e nos castigou. Cheguei em casa num estado de exaustão inédito. Lavei a bike com o que havia sobrado das minhas forças. Na hora de enrolar a mangueira pra guardar, quase chorei. Meus braços simplesmente não me obedeciam. Foi uma marretada.
Terça também choveu. Quando cheguei na USP, não tinha ninguém. Pedalei 10 kms sozinha, debaixo da garoa, até encontrar o resto do bando de loucos. A chuva engrossou, mas nós nos mantivemos lá, até o fim do treino. Debaixo da chuva corremos 5 km. Julinha outra vez me puxando. Cheguei em casa suada e gelada ao mesmo tempo. Calor e frio. É assim também que se forja o metal.
Na quarta chovia de novo. Tinha tiros de 400 mts e também 2,2 de natação. Não dava tempo de ir até o Ibira. Fiz na esteira 10 tiros, aumentando o ritmo progressivamente. Concentrei-me, coração pulsando forte, os pés martelando suave e consistentemente a borracha da esteira.
Quinta, levantei cedo pra fazer rolo. Uma hora e quarenta e cinco minutos de rolo. Garoava, estava frio e os pequenos iam pro acantonamento da escola. Posso estar me transformando numa mulher de ferro, mas o coração não vai endurecer, a alma não vai amargar. Precisava salpicar uma beijoca em cada um, antes de irem.
Sexta. Nada demais em matéria de treino. Filho mais velho assaltado na esquina de casa. Então coração mole, mas braços firmes e fortes pra abraçar, acolher, tranquilizar e... ir no DP fazer o B.O.
Sábado. Abri a USP, pedalei um pouco sozinha. No pelotão, puxei vários tiros com o vento na cara, sabendo que teria de chegar até os 100 km e depois encarar 18 correndo. Nessa corrida, fui sozinha por 15 km. Eu e meu bate-estaca no fone de ouvido. Inclui, por conta própria, uma subida da Biologia. Teve sol, teve garoa e teve vento. Thelma fez os ultimos 3 comigo. Depois, só pra acompanhar o Ricardinho, fiz mais 3km.
Calor, frio, vento, chuva, umidade, sol. Cansaço, sono, preocupações, dores, prazer. Solidão, companhias, solidariedade. Escolhas, concessões, decisões. Não posso, agora, afirmar que serei uma Ironman. Mas posso sim, dizer que algo está mudando. E é bom.
(forja+ar2) Aquecer e trabalhar na forja (ferro ou outro metal). vtd 2 Compor, fabricar: Forjar ferramentas. Bater (o cavalo) com as ferraduras posteriores nas anteriores, na andadura.
Sei que só vou me considerar e ser considerada uma Ironman (woman, person, whatever) no momento em que ultrapassar a linha de chegada no dia 30 de maio. Mas tudo que está acontecendo nestes meses que antecedem a prova é o grosso do processo de transformação. É agora que estou sendo forjada.
Comecei a sentir as mudanças na pele, nos músculos, nos ossos, na alma e no cérebro.
Domingo passado foram 150 km de pedal mais 5 de corrida (depois de ter feito 26 de corrida na véspera). No meio do treino começou a chover. Em nenhum momento pensei em parar por causa disso. Diminuí o ritmo, fiquei mais cuidadosa e segui. A chuva parou, o sol chegou ardido e forte bem na hora da corrida. Fui sem meias. Estava tão encharcadas e sujas que só tinham um destino possível: lixo. Julinha foi me puxando. Buscamos as sombras das árvores, mas o sol estava a pino e nos castigou. Cheguei em casa num estado de exaustão inédito. Lavei a bike com o que havia sobrado das minhas forças. Na hora de enrolar a mangueira pra guardar, quase chorei. Meus braços simplesmente não me obedeciam. Foi uma marretada.
Terça também choveu. Quando cheguei na USP, não tinha ninguém. Pedalei 10 kms sozinha, debaixo da garoa, até encontrar o resto do bando de loucos. A chuva engrossou, mas nós nos mantivemos lá, até o fim do treino. Debaixo da chuva corremos 5 km. Julinha outra vez me puxando. Cheguei em casa suada e gelada ao mesmo tempo. Calor e frio. É assim também que se forja o metal.
Na quarta chovia de novo. Tinha tiros de 400 mts e também 2,2 de natação. Não dava tempo de ir até o Ibira. Fiz na esteira 10 tiros, aumentando o ritmo progressivamente. Concentrei-me, coração pulsando forte, os pés martelando suave e consistentemente a borracha da esteira.
Quinta, levantei cedo pra fazer rolo. Uma hora e quarenta e cinco minutos de rolo. Garoava, estava frio e os pequenos iam pro acantonamento da escola. Posso estar me transformando numa mulher de ferro, mas o coração não vai endurecer, a alma não vai amargar. Precisava salpicar uma beijoca em cada um, antes de irem.
Sexta. Nada demais em matéria de treino. Filho mais velho assaltado na esquina de casa. Então coração mole, mas braços firmes e fortes pra abraçar, acolher, tranquilizar e... ir no DP fazer o B.O.
Sábado. Abri a USP, pedalei um pouco sozinha. No pelotão, puxei vários tiros com o vento na cara, sabendo que teria de chegar até os 100 km e depois encarar 18 correndo. Nessa corrida, fui sozinha por 15 km. Eu e meu bate-estaca no fone de ouvido. Inclui, por conta própria, uma subida da Biologia. Teve sol, teve garoa e teve vento. Thelma fez os ultimos 3 comigo. Depois, só pra acompanhar o Ricardinho, fiz mais 3km.
Calor, frio, vento, chuva, umidade, sol. Cansaço, sono, preocupações, dores, prazer. Solidão, companhias, solidariedade. Escolhas, concessões, decisões. Não posso, agora, afirmar que serei uma Ironman. Mas posso sim, dizer que algo está mudando. E é bom.
Assinar:
Postagens (Atom)










