quinta-feira, 3 de junho de 2010

Iron 2010, diário de uma insanidade ou 11 horas 35 minutos e 17 segundos que levaram quase um ano pra acontecer

Parte 2 (parte 1, lá embaixo)

Treino de natação


Dormi mal, claro. Estava morrrrta de fome e não agüentava mais comer peito de peru com queijo cottage e nem bifinho magro com saladinha sem graça. O melhor a fazer era chegar logo no dia seguinte pra poder me empanturrar de carbo. Mas quem consegue dormir com fome? Fora isso, tinha um pernilongo no quarto que decidiu cochichar em meu ouvido. Tentei ignorar, mas não foi possível. Então, lá pelas tantas da noite, acendi a luz e fui à caça do maldito. Assassinei-o a sangue quente e depois que este esfriou, voltei a dormir.

Adorei quando raiou o dia. Voei pra cima de uma banana maçã que tinha comprado na véspera. Foi a mais saborosa que comi na vida. Daí mandei 4 bisnaguinhas com geléia – manjar dos deuses. E um iogurte desnatado – bah! Ainda tinha direito a um pãozinho francês com (bah!) queijo branco e (baaaaaaah!) peito de peru e um cafezinho. Claro que as Alamandas não tinha café da manhã. Então fui a pé, já com todo o equipamento para o treino no mar.

O dia estava esplendoroso. O mar, aparentemente, uma piscina.

Encontrei um pessoal da Sumaré Sports que se dispôs a cuidar das minhas coisas enquanto eu nadasse. Diferentemente de Clearwater, o treino ali não tem muita estrutura além das bóias. Em CW há um guarda volumes, chuveirinho e até água e gatorade para os atletas.

Foi “dada a largada” e saímos todos mais ou menos juntos pra nadar. Não sei se sou eu que tendo pra esquerda ou se havia correnteza. O fato é que toda vez que levantava a cabeça pra achar a bóia, ela estava à minha direita! Fiz a perna bem de leve e saí pra tomar um solzinho.

Delícia! Dali a pouco Nilma chegou e ela, Neto e eu ficamos lá batendo um papinho relax enquanto os saradões iam e vinham. Até que passou um nada sarado. Aliás, bem gordinho. Aí fiquei sabendo que ele estava fazendo parte de uma aposta: caso terminasse o Iron, ganharia 40 mil reais de 4 amigos (amigos???). Se não terminasse, daria 2 mil para cada um.

A caminho do restaurante onde iria almoçar encontrei, ao lado de uma lombada, um pneu tubular novinho, dobrado e caído no chão. Olhei pra um lado, olhei pro outro, nem um ciclista à vista. Não tendo a quem devolver, coloquei dentro da mochila e levei.

Terminando o almoço encontrei o Pedro, conhecido de treinos e provas, fizemos a maior festa e combinamos de encontrar mais tarde.


Treino de pedal

Peguei o kit e fui esticar as pernas até a hora de dar uma girada. Que luxo! Assistir a Roland Garros em plena 5ª feira útil.

Saímos então, Nilma e eu pra dar um role de bike. Só de estar lá, em cima da magrela, já fiquei emocionada. Ali na estradinha, saindo de Jurerê, não me contive: “U-huuuuuu! Eu tou em Jurerê! Eu vou fazer o IIIIIIIIIIIIIrooooooooooooon!”gritei pro vento.

À noite, jantei com o Pedro, que me contou toda a história de como chegou ao triathlon e ao Iron. Adoro ouvir esses relatos. Cada pessoa tem uma motivação, um passado, um sonho. Todos diferentes, todos com pontos idênticos.

Dormi melhor, mas combinei comigo mesma que não iria preguiçar muito na cama, não. O tempo amanheceu fechado e, a cada hora, a previsão era mais catastrófica: “frente fria com ciclone tropical, temporais e ventos de 25 a 30km/h” foi uma das mais lights que ouvi aquele dia.


Plano B

Depois do café, fui ao congresso técnico. Durante a apresentação, o diretor da prova, Galvão, aventou a possibilidade de ter de executar o Plano B – ou seja, caso os bombeiros avaliassem que o mar estava muito perigoso a natação seria substituída por 10k de corrida.

Imediatamente começou um zumzum na platéia. Já pensou? Não ter a natação? Apesar de ser melhor corredora do que nadadora, ficaria frustrada se não pudesse completar um verdadeiro Iron.

Em seguida, fui à feirinha onde encontrei Nilma experimentando capacetes e o Neto, com sua paciência de Jó, ao lado, estranhando que ela NÃO iria comprar um rosa, como de costume. Nilma é a Penélope Charmosa em pessoa. Vive de rosa, tem um humor rosa, mas não brinca em serviço. Uma monstra no pedal.



Golfinhos

Neto foi pedalar e nós duas pegamos uma carona até o Taikô para o almoço. Julinha tinha acabado de chegar com seu tio e foi nos encontrar lá. Pedro também foi. E os golfinhos também!

Pra quem não conhece, o Taikô é um restaurante charmosíssimo, pé na areia, que geralmente não fica aberto para almoço mas, por ocasião da prova, estava. Mas aparentemente, ninguém sabia. Ele foi só nosso.

Sentados de frente pro mar podíamos ver que estava bem diferente do dia anterior. Mexido e cinza. Uns malucos nadavam de roupa de borracha e, de repente, pareceu que os malucos tinham ficado mais malucos, porque nadavam com uma braçada em cada direção! Aí é que vimos que não eram malucos. Eram golfinhos. Enormes! Fizeram um show para nós e ninguém tinha uma câmera decente pra fotografar.

No almoço, o pobre tio da Julinha teve de agüentar nossa conversa monotemática. Em compensação, ele se vingou comendo lulas e camarões empanados e tomando uma loirinha daquelas.


Chegada da família


Ficamos fazendo hora até que minha turma chegou: pai, mãe, sogro, sogra, marido e os quatro filhos. Foi aquela invasão na calma do restaurante.

Felizmente, Juju tinha as figurinhas do álbum da Copa pra trocar com eles, que ficarão concentrados no “tenho, não tenho”.

Não demorou muito, abandonei a turma pra ir dar uma corridinha. Como a pousada era meio longe peguei carona numa pick up de “hermanos”. Por sinal, como tinha hermanos...

Voltei à pousada para me trocar e também para comer um caminhão de suspiros e um vagonete de bisnaguinhas, conforme as ordens da Mari.


O último treino

Às 16h30 saímos numa galerinha para um trotinho leve. Meu derradeiro treino antes da prova. O astral não poderia ser melhor. Cheia de açúcar no sangue, transbordava de doçura e energia. 
Julinha, como sempre, foi puxando a turma: o casal André e Simone, de Jau, Nilma, Pedro e Artur, um leitor deste blog! Foi muito divertido descobrir, no meio da corrida, que ele era um dos meus seguidores. Não parecia um treino, parecia uma festa, de tão animada que foi a conversa. Nunca vou esquecer este treino!

Quando terminamos e estávamos na porta do Campanário conversando sobre a previsão de chuva e vento na prova, André me disse: “Esta é a prova mais importante da sua vida, principalmente porque toda a sua família está aqui. Tome muito cuidado nas curvas pra tomar um chão. Já pensou você, em vez de chegar ao fim, na corrida, aparecer no meio da prova toda ralada?” Foi algo que ouvi com atenção e levei a sério. Não iria deixar isso acontecer.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Iron 2010, diário de uma insanidade ou 11 horas 35 minutos e 17 segundos que levaram quase um ano pra acontecer

Parte 1


Crise

Quase enlouqueci às vésperas da viagem pra Florianópolis. A Mariana, nutricionista, propôs que eu fizesse a dieta da supercompensação e eu topei. Já tinha feito meia boca antes dos meios Irons. Meio Iron, meia boca. Inteiro Iron, fechei a boca total pro carbo durante três intermináveis dias: 2ª, 3ª e 4ª. Na terça, comecei a avariar. De repente, me deu uma insegurança total. Comecei a questionar todas as decisões que já havia tomado. Ia até postar a minha crise, mas achei melhor não, pra não agravá-la. Mas vejam só grau da insanidade:

- Nado com a roupa com a qual vou pedalar ou visto uma seca?

- Manguitos ou cortavento?

- Bananinha com ou sem açúcar?

- Gu ou Accel? Ou Gu e Accel? Quantos de cada?

- Corro com cinto de hidratação ou não?

- Advil ou Dorflex?

- O pneu sobressalente está mesmo seguro?

- Não é loucura ir com uma roda clincher e uma tubular?

- Tênis com ou sem a palmilha?

- Ai ai ai vai chover! E aí? Que roupa eu uso? Minha família vai ter onde se abrigar?

Foi uma aflição e tanto. A Gra recebeu esta listinha de perguntas e foi conversando comigo sobre cada uma delas, sem perder a esportiva.

Ao final, me acalmei e decidi que alguma das decisões só iria tomar depois voltar a ingerir carboidratos. Sábia decisão.

Terça à tarde a Thelma passou pra fazer a vistoria, me acalmar mais um pouco e à noite as malas estava prontas. Excesso de peso, é claro. Bom, pensei, se alguém encasquetar com isso no checkin vou alegar que peso 20kg a menos que a média dos passageiros, portanto teria direito a levar a diferença em bagagem!

Para não abrir e fechar as malas e a mochila 20 vezes afim de me certificar se determinado objeto estava mesmo ali, fiz três listas:
- Lista mala preta
- Lista mala Brasil
- Lista mochila
Cada coisinha que colocava dentro de uma delas, escrevia na lista. Foi a melhor coisa que fiz.
Levei comigo – por recomendação da Thelma - tudo que seria essencial para fazer a prova: sapatilhas, capacete, roupa de borracha, tênis, meias, cinto de hidratação, pneus sobressalentes, roupa da prova e suplementação. Quase comprei uma passagem pra bike ir sentada ao meu lado.

A viagem

Sai 4ª de manhã. Roi me levou ao aeroporto e não tive nenhum problema com excesso. Já na fila, encontrei o Diglu, que me deu a letra, ou melhor, o número, da fileira do assento: 12.

Fomos lado a lado conversando sem parar. Ele foi um dos primeiros a falar, categórico: você está bem treinada. Vai fazer uma bela prova. Aproveite, curta.

Cheguei à pousada e logo arrumei encrenca. O gerente me colocou no pior apartamento. Segundo andar, sem janela e sem armário. Já rodei a baiana e consegui um cantinho pouco melhor. Aliás, aí vai a “contra dica” NUNCA se hospedem no Pousada (ou Solar) das Alamandas, nem no Solar Casablanca. Roubada. A menos que mude o dono e o gerente. Já viu pousada sem café da manhã e com limpeza dos apartamentos a cada três dias?

Enfim...depois de alguma confusão, consegui que minha enoooorme suíte fosse arrumada diariamente. O que quase aconteceu.

Madonna

Passado este pequeno estresse – lembrem-se que eu estava à base de proteínas – meu único compromisso era um trotinho de 8k. E lá fui eu.

Apesar da fraqueza pela falta de carbo, estava muito animada de estar ali, em Ironland. Ipod no ouvido, óculos escuros e boné, fui passeando pelas ruas de Jurerê Internacional, feliz da vida.

Comecei a prestar atenção nas letras das canções que estava ouvindo e decidi que ao chegar perto da área de chegada do Iron tocaria uma música especial: Give it 2 me, da Madonna. O refrão traduzia o que eu sentia naquele momento:

Give to me, yeah

No one’s gonna show me how!

Give it to me, yeah

No one’s gonna stop me, now!



Passei pela rua da chegada aos berros e quase trombei com um cidadão que deu risada da minha situação. Seguia adiante, pela rua que dá na praia do forte e, antes da subida, vejo que um carro passa por mim e nele o cara com quem eu quase trombei. Eles param bem antes da subida, onde pretendo fazer o retorno. Então eles descem do carro e me abordam. Tiro os fones pra escutar o que ele tem pra dizer e vejo que ele está com um microfone com a logo da Globo.

“Oi, tudo bem? Podemos te interromper um pouquinho?” Eu olho pro meu garmin. Faltam apenas 500 mts pra terminar meus 8k. “Ok”, respondo. “Você veio fazer o Iron? De onde você é?” “Vim, sou de SP.” “Você está treinando agora?” “Só um treininho leve, pra relaxar!” Aí, ele meio sem jeito “Será que a gente poderia colocar um microfone sem fio em você e aí você faz exatamente o que estava fazendo, correndo e cantando?” Achei a maior graça. “Ok!”. Depois me entrevistaram e eu, desligada, nem perguntei quando e onde iria ser veiculado. O resultado foi este. E dois dias depois algumas pessoas viram na TV local e, depois, no SPORTV!!!!

terça-feira, 1 de junho de 2010

Agradecimentos

O Ironman é um esporte coletivo. Não teria sido possível e nem tão legal completá-lo se não fosse o apoio, acompanhamento, parceria e participação de muita gente, muita gente muito legal. Antes de contar como foi, preciso fazer um post só para agradecer.




Família

Ao Roger, meu marido, por todas as noites em que ele dormiu no quarto dos meninos para não fazer barulho e não me acordar, por todos os dias que ele segurou a peteca sozinho e, principalmente, por ter estado lá, de corpo e alma, torcendo, vibrando, me incentivando a cada volta.

Aos meus quatro filhos: Theo, Martim, Félix e Ian, por todos os sábados e domingos que mal consegui conversar de tão cansada, pelos programas que deixei de fazer com vocês mas, principalmente, por estarem ali comigo, uniformizados, para cruzar a linha de chegada como um bandinho de loucos, festejando como quem faz o gol da vitória aos 45 do segundo tempo!

Aos meus pais, Lidia e Paulo que, como sempre, me apoiaram em todos os momentos - importantes ou banais - da minha vida. Desta vez, vocês se superaram. Não deixaram ninguém perder o foco: estavam ali pra tornar a experiência a melhor possível para mim! Ao mesmo tempo, se deixaram tomar pelo espírito do evento, se envolveram, aprenderam tudo sobre triathlon, conheceram e conversaram com meus amigos, com atletas e familiares, participaram. Não apenas vestiram, como FIZERAM a camisa!

Aos meus sogros, Irene e Wolf, que mais uma vez, acolheram esta minha insanidade de braços abertos do mesmo modo carinhoso como fizeram quando entrei repentinamente na vida deles há 11 anos. A emoção e a empolgação deles foi contagiante! Tenho certeza de que eles voltarão a Floripa quando seu filho for estrear no Iron!

À Dilma, que cuida da casa, das crianças e de mim e que já faz parte da família. Sem ela, não teria sido possível treinar.

À minha tia Lia e à minha prima Marília, que acompanharam minha saga pelo blog sempre com espanto e admiração.

Aos meus irmãos cunhados, primos e tios que compreenderam minhas ausências e participações pífias nas festas de família e que me mandaram palavras de incentivo e torcida.

À minha vó Anita, uma verdadeira Ironlady, firme, forte e lúcida em seus 93 anos de idade.



Amigos (tri)atletas

Nossa. Essa lista é IMENSA! Uma das melhores coisas que o triathlon me trouxe. Espero não cometer nenhum injustiça.

Às minha Ironmadrinhas, Gra e Thelma, absolutamente essenciais em todo o processo.

Gra, com sua calma e tranquilidade, me tirou da crise que tive às vésperas de ir pra Florianópolis, me ajudou a tomar as últimas decisões na hora de arrumar as sacolas, foi na madrugada me acompanhar e estava lá como um special gift, na hora das special needs.

Thelma com sua firmeza e recém adquirida doçura, me emprestou todas as suas listas, me deu dicas preciosas sobre a roupa a ser usada e, sobretudo, encheu meu coração de força e alegria com o belo post que escreveu às vésperas da minha ida. Ela não estava lá, mas senti a sua presença me acompanhando o tempo todo.

Às minhas filhas "adotadas": Tarsila, Daniela, Mariana, Paula e Julia que treinaram comigo, curtiram, incentivaram, torceram e, como legítimas filhas, cuidaram de mim. Jamais vou esquecer o presente de dia das mães que me revigorou após meu último treino forte. A caçulinha, merece uma menção especial: aquelas corridas pós pedal foram fundamentais para aprender a forçar a barra e eu não teria treinado tão bem se ela não fosse quase me arrastando. Ter você lá na prova foi muito, mas muito bom mesmo! A família ficou quase completa!

À Mariana Almeida Prado que deveria ter estado lá comigo mas, como não pode, acompanhou todos os momentos, da inscrição ao pós prova, sempre com palavras animadoras e de alto astral.

Ao Zé Matos, por transformar os longões com morro em batepapos animados pelo bairro da Aclimação. Eu não teria subido Canasvieiras tão rápido sem esses treinos.

Ao Lester, pela rodinha e palavras de ânimo nos momentos mais difíceis dos treinos de pedal.

Ao Ricardinho, Cachorro Louco, por tornar os treinos divertidos e o café na padoca melhor ainda.

Ao Marcos Vilas Boas pela torcida, apoio e companhia. Ao Alcy Vilas Bôas, não só por acompanhar o blog mas por ter me socorrido quando a ombrite apertou. Ver os dois lá na véspera e no dia, foi ótimo!

E mais os amigos e companheiros de treino:

André Rapapport, Beto Bianchi, Leandro Hernandez, Marquinhos Pereira, Patê Bertolucci, Rodrigo Esper, Victor Nicolau, Cris Dresbach, Flavio Souza Ramos são alguns dos que estiveram próximos de mim nesta jornada.

E mais os corredores e triatletas Fabiana Guerra, Andrea Rizzo, Paéco, Marcinha Oka e Marcelo, Deise Jancar, Graciema Bertoletti, João Paulo Conrado, Kiki Ferreira, Priscila Machado, Monica Bolognani, Marcelo Malavolta, Nickolas Suzuki e, puxa, com certeza está faltando alguém! Sinta-se incluído, por favor!

Ao Portelinha, o primeiro Ironman que conheci e que me desafiou dizendo que eu não seria uma verdadeira triatleta enquanto não completasse um Iron.



Companheiros de aventura

Nilma Machado – mais uma vez, infalível, bem humorada e, desta vez, experiente! Nossos encontros são poucos, mas sempre intensos! Menção honrosa pro Neto, namorado dela, que aguenta tudo sem se estressar!

Pedro Fernandes – desde Penha que venho acompanhando de longe este menino que vai longe. Já já ele chega ao Hawaii! Foram muito legais estes dias de convívio, troca de experiências e muitas, muitas conversas intermináveis sobre nosso assunto predileto.

Evandro Lopes – parceiro dos treinos mais difíceis de pedal. Sofreu, sofreu mas chegou ao fim e quer maisssss!

Diglu – parceiro num treino longo de pedal, na viagem de ida pra Flops – na qual pude aprender um monte de coisas e, puxa, como foi bom ver e ouvir você naquele obscuro trecho da maratona!

E o casal Simone e André de Jau e Kim Cordeiro, da BK; Rodrigo Zerlotti e Valéria Rosato – concorrente leal e forte, ambos da Ironminds, o Velho Ligeiro, Jefferson Vilela e toda a sua animada turma; Maurício “Cachaça”, seguidor deste blog; Eduardo Sarhan; Felipe, Armandinho Bassani, Anderson Atizzano e a esposa Ligia, Clebert Duarte e toda a turma da MPR – e, em especial, o Wagner Spadotto, que sempre tinha uma palavra firme e sábia para mim, que soube me deixar confiante.



Amigos blogueiros e blogueiros amigos, seguidores e seguidoras, leitores e leitoras

Daniel Blois que saiu do mundo virtual para se tornar um amigo real, com quem, em pouco tempo, já tenho afinidade, assunto e parceria para muitos treinos, debaixo de sol ou de chuva.

Rodrigo Sales, meu querido triatleta pianista, com quem compartilhei o treino mais importante de corrida: os famosos 30 e que também me acompanha com entusiasmo.

Rafael Pina, blogueiro, parceiro de treino da Ironminds, o “Homem do tempo” que compartilhou comigo toda a ansiedade da metereologia enlouquecida desta semana pré Iron.

E mais: Eduardo do Três Meios, Xampa, Corredor, Arthur Araújo (que conheci pessoalmente no meu último treino antes do Iron!), Teddy Jones, XFranzX, Carol Merlino, Rafael Farnezi, Vagner Bessa, Carlos Lopes, de Portugal, Egas Zandoni, , Marcos Apene do Amaral; Alexei Caio e Kener Assis dos “doces” e todos os leitores anônimos e “nônimos” que me acompanharam e comentaram este blog. Senti-me acompanhada de vocês!



Equipe técnica

Ao Emerson Gomes, meu técnico e grande incentivador desta aventura. Não deixou que eu me arriscasse em 2009 e me deu a maior confiança em 2010. Segui a planilha à risca, quando tinha que alterar alguma coisa, negociava com ele. Teve o bom senso de me poupar alguns domingos, considerando a minha situação familiar. Estava lá domingo, me elogiando publicamente e seus elogios funcionaram de combustível. Ah, e claro, ao próprio MPR, principalmente pelos berros que deu durante as minhas passagens por ele na corrida!

À Mariana Klopfer, nutriocionista da Nutricius, e uma das torcedoras mais animadas do domingo! A alimentação numa prova de Iron é tão importante quanto o condicionamento físico. E eu fiz o que a Mari mandou antes, durante e depois da prova. Não teve erro. Fora isso, ela é uma pessoa maravilhosa, divertida com quem pude dar boas risadas ao longo desses meses todos.

Ao Alê Piccolo, que me fez quase gostar de musculação. Não perdi um treino e o resultado está aí. Fora a lesão preexistente, nenhuma nova lesão e dois centímetros a mais em cada coxa!

Ao Rodrigo Chiquie Ali, professor de natação da Sumaré Sports, que adaptou váááários mas váááários treinos pra mim, ora por causa da ombrite, ora por causa do meu cansaço, ora por causa da roupa de borracha, ora porque era hora da prova. Sempre de bom humor, sempre tornando a parte difícil quase divertida. E o resultado também apareceu.

À Lucca Mameri, osteopata, fera, que teve, comigo, uma trabalho de Sísifo. Ela me desentortava e eu voltava, na semana seguinte, depois de um longo de pedal, toda torta de novo e ela tornava a me desentortar, achando graça.

À Juliana Ikeda, da SKARP que preparou “a roupa da noiva”, na medida pra mim. E ainda me ofereceu um chazinho de fim de tarde que desfrutamos batendo um papo de amiga de infância, às vésperas da prova.



Aos amigos não triatletas

À Ana Castro, amiga querida, que me incentivou a escrever este blog que acabou sendo uma das partes mais legais da saga.

À Maria Adelaide, pelas suas, sempre bem vindas, preces.

À minha amiga de infância, Pati Curti, que perdoou minha ausência em seu aniversário.

À Celina Santiago, por cuidar de mim, sempre e não me deixar esquecer as coisas quando o cérebro está falhando por só pensar naquilo!

Ao Vagner que fez vários apoios na estrada, sempre encarando como uma grande farra, mas dirigindo com perfeição.

Ao Richard, não só por me agüentar falando do assunto sem parar, mas por SEMPRE perguntar a respeito.

À Nodette e Chris, por torcerem, incentivarem e me suportarem só querendo falar disso nos nossos almoços nos últimos 6 meses!

À Iara e à Neide por terem tido paciência comigo nos momentos em que eu já não tinha mais paciência pra falar de trabalho.

Ao Guilherme Gobato, que sempre pergunta e acompanha.

Ao Thiago Poço, que trouxe as meias e o pneu pra mim.

Ao Fábio Bonini, só pela cara de incredulidade que ele faz quando conto sobre essas façanhas.

À Lucia Mandel, que segue esta saga desde o começo.

A todo o pessoal da (ou ligado à) FDE que sempre pergunta e torce por mim, entre eles: Eliana Eduardo, Marisa Garcia, Luiz Bertini, Inácio Ovigli, Nivaldo Santos, Devanil Tozzi, Maria Ribeiro, Thais Liberato, Conceição Conholato, Solange Rigo, Caia Amoroso.

A todo mundo que, de um jeito ou de outro, sabia que eu estava nessa empreitada e torceu pra que eu tivesse sucesso.



Obrigada, pessoal, obrigada mesmo.




O post sobre a prova virá em breve!

Chegada

domingo, 23 de maio de 2010

Existe vida após o Iron?

Atualmente, a resposta é não. Existe uma parede no dia 30 de maio de 2010. Não consigo imaginar o que vai acontecer, não planejei e nem assumi nenhum compromisso depois desta data. Uma série de áreas da minha vida ficaram negligenciadas: um dente quebrado precisa ser colado (não é da frente, óbvio), a minha mesa precisa ser organizada (lembra o caos sobre o qual escrevi num post passado? Então... está um pouco pior), alguns amigos e familiares precisam ser resgatados, consertos na casa precisam ser feitos. Enfim, não é que eu não tenha o que fazer, mas acho que vai dar um tremendo vazio.
Tem gente que tem depressão pós parto, outros tem depressão pós Iron. Pós parto, não tive. Afinal, depois de toda aquela preparação, a gente ganha um nenezinho e tem muito o que fazer com ele. E depois do Iron? O que acontece? Não tem mais aquele volume insano de treinos, não tem a expectativa de superar um grande desafio, não tem mais desculpa pra comer aquele ENORME prato de arroz com feijão, não tem mais aquela dose cavalar de endorfina circulando nas veias, não tem mais desculpa pra não fazer o que não se quer...Nem mesmo este blog não ter muito sentido depois que eu narrar a prova.
Ou seja, vai ser uma 4ª de cinzas: fantasia rasgada, ressaca e o distante sonho do próximo carnaval.
Esse era um dos meus medos ao me propor fazer o Iron. E depois? Qual pode ser a próxima meta? Por isso acho estranho quando pessoas jovens, que recém ingressaram no triathlon, decidem fazer um Iron com menos de um ano de treino. Ok, cada um, cada um mas... depois de alcançar uma meta tão ambiciosa tão precocemente, o que sobra?
Juro. Não consigo pensar nisso agora: Penha 70.3, Iron 2011, uma maratona, uma ultramaratona...? No momento, tudo não passa de um graaande ponto de interrogação. Quem passou por isso, por favor, me responda.
De agora em diante, estou arrumando as malas. Prometo um último post antes de pegar o avião pra Flops. Só não sei se vai prestar!

sábado, 15 de maio de 2010

Muitos sentidos

Nesta reta final rumo ao Iron tenho refletido muito sobre os significados desta experiência que ainda não vivi na íntegra. É normal, ao vivermos algo novo, tentar estabelecer relações entre aquilo que já vivemos ou conhecemos, com aquilo que estamos passando. Até agora se, por um lado,  o Iron não parece com nada que eu tenha vivido e, ao mesmo tempo, guarda semelhança com situações bem familiares e outras que, embora eu não as tenha vivido na própria pele, passei por elas em muitos filmes que vi  e livros que li.

Casamento
Pode parecer estranho, mas pense bem...
1. O dia costuma ser marcado com muita antecedência e é um evento que requer o trabalho de muitas pessoas pra poder acontecer a contento: técnico, nutricionista, professor de natação, fisioterapeuta etc.
2. Sem apoio e envolvimento da família a festa não acontece.
3.É necessário fazer um enxoval pra prova: roupa de borracha, três pares de tênis, meias (alguma especial pra maratona), manguito, corta vento, sapatilha, luvas e, no lugar do véu, o capacete.
4. O menu é estabelecido com rigor: um gel de aperitivo, bisnaguinhas e batatas, serivdas com cottage e outros temperinhos, de sobremesa bananinhas e gomas, entre outros. Depois, para cortar a bebedeira, tem até uma sopinha. O mesmo se pode dizer das bebidas: malto ou accelarade? R4 ou gatorade? Coca-cola, é imprescindível.
5. A roupa do dia, equivalente ao vestido da noiva, precisa ser provada antes e a gente não pode nem engordar e nem emagrecer até o grande dia. O dia da prova do "vestido" precisa ter amigas como testemunhas, não só pra ver como pra palpitar, claro!
6. A cobertura fotográfica também é imprescindível e inclui, como no caso do matrimônio, o making of, um dia antes.
Para além deses aspectos práticos o sentido de casamento no Iron é o da comunhão consigo mesmo celebrada num dia e hora precisos. Um momento mágico e especial em que, mesmo estando exaustos, vivemos um momento de alegria ímpar.

Gestação e Parto
Pelo menos nove meses de preparação, exames e medições periódicos, dieta especial com suplementação, exercícios apropriados, expectativa para o nascimento e, quanto mais perto do dia vai chegando, menos a gente consegue pensar em outra coisa.
Mas, há sempre o imponderável. Na gravidez fiz tudo certinho e, no final, no caso do primeiro filho, por exemplo, tive de tomar oxitocina para induzir a dilatação - o que não aconteceu - e, no final, teve de ser cesárea.
Ou seja, mesmo seguindo a planilha à risca, organizando a alimentação direitinho, no dia da prova, tudo pode acontecer (isola!!!). Uma dor de barriga, 3 pneus furados, uma fasceíte plantar renascida das cinzas, o mar virado...

Batismo e Ritual de passagem
Toda comunidade - de triatletas - acompanha este dia: aqueles que nunca participaram do ritual e os mais experientes, que já passaram.
Quando se ingressa numa religião ou quando os meninos viram homens, é preciso fazer pintura corporal, passar pela água salgada, usar vestimentas próprias para a ocasião, ser assistido mas não poder ter ajuda externa, exceto as previamente combinadas mas, sobretudo, chegar ao fim transformado, renascido e aceito pelo seu grupo com um novo status por ter sido capaz de superar os desafios.

Guerra
Pintados, vestidos, armados e focados em vencer. É necessário elaborar um estratégia, estudar os ataques, proteger-se. Os inimigos, entretanto, não são os outros. Os outros, na sua maioria, estão do nosso lado, mas cada um está lutando sua própria batalha: contra as intempéries, os medos, a ansiedade, as expectativas,  as dores, os seus limites.
No final, quer a prova tenha durado 9 horas, quer tenha durado 17, é a glória, com direito a condecoração e tudo.

Conclusão
Seja o que for, venha o que vier, quero viver intensamente tudo isso. Será um pout-pourri de emoções e quero estar com todos os meus sentidos aguçados (e um bom fotógrafo contratado) para registrar esta experiência tão particular e tão universal.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Treino de luxo na Maratona de São Paulo

Todo ano me perguntam "Ontem teve maratona, você correu?" e eu tenho de explicar "Não, não corri, eu não faço maratona, faço triathlon". Mas este ano foi diferente. Eu não corri a maratona, mas corri na maratona. Tinha um treno de 30 k pra fazer então decidi aproveitar o percurso, as companhias e, claro, um pouquinho da água também.

O treino de sábado
Na véspera tive um treino de 180 k de pedal mais 6 de corrida. Fui pro Riacho Grande e com a ajuda da Julinha no começo e do Evandro quase até o fim, consegui terminar. Na volta, estava tão cansada que, cada paradinha em sinal vermelho, eu dava uma dormidinha.
Cheguei em casa, tomei aquele banho, fui pra cama, pus gelo no ombro, bolinha de tênis nas costas, bola feijão embaixo das pernas, travesseiro por baixo da cabeça, um livro nas mãos e lancei âncora. Eram quase cinco da tarde. Achei que pra encarar os 30k eu teria de ficar daquele jeito até a manhã do dia seguinte. Mas precisava me alimentar, então, com muito custo, passadas algumas horas, consegui me levantar e, com a roupa por cima do pijama fui até a esquina buscar três temakis. Cansei de batatas, macarrão e filé de frango!

A largada
Fui com a Thelma até a largada, mas como ela já teria uma companhia especial - o Alexei -, combinei com a minha amiga Nilma que é de Botucatu e estava em SP especialmente para correr a prova dos 25, que faríamos juntas. Depois, os últimos kms eu encararia solo.
Como marcar um ponto de encontro no meio daquela muvuca? Claro que você encontra um monte de gente, mas combinar com alguém "na largada" de uma prova deste porte, é impossível. Mas tive uma idéia que acabou funcionando bem.  Combinei com ela de encontrar no km 2. Eu ficaria bem perto da placa, do lado direito da pista e, quando ela passasse, iríamos juntas.
Quando faltava uns 15 minutos pra largada, comecei a subir a ponte estaiada o que, aliás, foi o máximo! A ponte vazia, sem carros, a multidão lá embaixo alinhada na largada, um céu de brigadeiro. Emocionante. O canhou disparou seu tiro anunciando o início da prova, eu já estava passando o primeiro km. Comecei a correr bem ali, depois que a elite e os primeiros corredores passaram. Cheguei até o km 2 e estacionei ali, esperando a Nilma chegar, enquanto via aquele mar de gente passar. Olhavam pra mim intrigados, e convidavam "vamos!"

A surpresa
Não demorou muito pra que ela chegasse. Levei um tempo pra identificá-la pois ela está sempre vestida de cor-de-rosa e dessa vez estava de azul. Mas essa não foi a grande surpresa. A grande surpresa foi que ela estava com o Rodrigo! Ele mesmo, do Blog do Rodrigo, figurinha com quem venho trocando comentários recíprocos nos nossos blogs e, mais recentemente, emails. Foi uma festa!   Parecíamos velhos amigos se reencontrando embora estivéssemos nos conhecendo pessoalmente ali, no meio da maratona. 
Ele, que sequer tinha corrido uma meia maratona na vida, estava ali para fazer os 25k.

C&C - Corrida e Conversa
Nilma foi puxando a gente, animadíssima. Ainda assim, sobrou fôlego para conversamos ininterruptamente por 25 kms. Treinos, provas, técnicos, filhos, trabalho, projetos...passeamos por um monte de assuntos. Eu olhava pro meu relógio e não acreditava que estava conseguindo manter um pace de 5m30s, 5m40s, às vezes até mais forte.
O dia estava lindo, o percurso sombreado e, justiça seja feita, não faltou água. Quando a turma que iria fazer os 10k se separou, acabou a muvuca e ficou melhor ainda. Quando estávamos chegando perto dos 20, Rodrigo começou a sentir algumas dores, mas não deixou a peteca cair. Ao cruzarmos os 21,1 brindamos, os três. Afinal, ele estava completando sua primeira meia maratona!
Os últimos 4 kms foram sofridos pra ele. Com dores e cãimbras  ele não sabia se era melhor apertar o passo pra acabar rápido ou afrouxar, pra aguentar até o fim. Hora tentava uma coisa, hora outra.
Lá pelas tantas, parou e disse "podem ir, não precisa me esperar!". Fincamos o pé "não, senhor! de jeito nenhum! Começamos juntos e vamos até os 25, juntos!"
E, sim, ele aguentou até o fim. Nos despedimos na marca dos 25 e eu segui para meus kms finais.

Os últimos kms
Som na caixa, segui pela avenida Politécnica, solitária. Até então eu não tinha me dado conta do meu cansaço e nem daquelas dorzinhas que sempre aparecem. Mas tudo estava absolutamente tolerável e, depois de percebê-los, acostumei com eles. Logo, nos últimos 3 kms eu estava me sentindo muito bem. Tão bem que conseguia cantar junto com Ipod enquanto apertava o ritmo um pouquinho.
Passei pelo Pedro, um triatleta forte e jovem, que está treinando para seu segundo Iron e ele me disse que iria completar a maratona. Confessei a ele minha vontade de ir até o fim e ele me tentou "Bora!". Resisti e parei quando completei os 30. Querendo mais.

Brunch
Encontrei Thelma, Rodrigo e Nilma logo depois de terminar. Tiramos a foto e eu e Thelma seguimos rumo ao nosso programa combinado: um brunch. No caminho, na avenida da raia, encontramos o Evandro. Ainda bem! Pois ele também estava tentado a fazer a maratona até o fim, e não ia ser uma boa idéia. Seduzido pela idéia do brunch, ele foi conosco.
Fomos até a Chácara Sta Cecília e comi até não poder mais. Comcei pelo café da manhã, passei pras saladas, depois fui pro macarrão com frango, completei com uma salada de frutas, arrematando com um café preto. Caro, mas fiz bom proveito.

Pico
Estou feliz e confiante. Passei pelo fim-de-semana mais duro de treinos e sobrevivi. Estou aqui, não estou? Com história pra contar e fôlego pra postar!
Thelma, eu (com sangue na blusa e nem tinha percebido), Rodrigo e Nilma, nos reencontramos ao final do treino/corrida.