Parte 5 (partes 1, 2, 3 e 4, abaixo)
Na água
Dado o sinal, entramos todos na água. Fiquei posicionada à direita, pois a correnteza puxava pra esquerda. Eu e a torcida do Corinthians. A do Flamengo. A do Boca. E a do River Plate também.
Nas primeiras dezenas de metros não conseguia avistar a bóia e, de verdade, nem me preocupei com isso. Segui o fluxo e vi que tinha gente à minha esquerda e à minha direita. Às vezes em cima e embaixo também. Portanto, não deveria estar no caminho errado.
Tomei algumas bordoadas, mas menos do que imaginava. Depois da prova localizei um tremendo hematoma na coxa. Não tenho a menor idéia de como ele foi parar lá, mas deve ter sido durante a natação.
Finalmente avistei a primeira bóia. Estava indo na direção certa!
No contorno da bóia, formava-se uma correnteza e nem era preciso dar braçadas. Cabeça pra fora da água e ia sendo puxada pela multidão. Pensei "beleza. Não estou fazendo feio. Tou no meio da galera".
Da primeira pra segunda bóia são uns cento e pouco metros. Adernei pra esquerda, mas logo corrigi. Tentei pegar umas esteiras mas, ou o cara acelerava e eu o perdia, ou eu que estava mais rápida e precisava logo ultrapassar. De qualquer modo, percebi que o fato de estar naquele bolo de gente, torna mesmo a natação mais fácil e rápida.
Contorno da segunda bóia, também com correnteza. Rumo à praia. Como estava loooonge. Para a felicidade dos míopes e astigmáticos como eu, havia um enorme balão de ar na praia, em direção ao qual nadei boa parte do tempo. O inflável vermelho, o ponto exato onde iríamos sair, estava pequeno e pouco visível. Abençoado balão colorido! Corrigi o rumo, virando um pouco mais à direita, quando já estava perto da praia.
Saí da água me sentindo bem. Prometi a mim mesma que não olharia pro relógio. Iria no feeling.
Daí a gente passa por um corredor humano. Caloroso e animado. Vi caras conhecidas, ouvi meu nome ser chamado algumas vezes e, no meio dele, conclamei o público"E aí!? Cadê a torciiiida?!Tenho 4 filhoooos! Mereço ou não mereço os aplausos???" A galera delirava, gritava, aplaudia! Vi minha família, entusiasmada, e parei pra dar um beijo molhado em cada um e pra dizer "Eu tou bem! Eu tou bem!"Tomei um golinho de gatorade. E fui saindo dali com menos fôlego e mais cansada do que quando saí da primeira perna.
Quase entrando no mar, vi o Roi, animadíssimo, gritei "eu te amoooo!" posei pra foto:
Rumo a segunda perna. Comecei mais leve. Estava sem ar de tanta festa. Respiração normalizou, pensei "Tá facil. Dá pra apertar". E imprimi um ritmo um pouco mais forte. Contorno da terceira bóia, correnteza ainda, mas mais fraca. Quarta bóia ali pertinho. Só cem metros e aí é ladeira abaixo.
Da quarta, pra praia. Os toldos brancos das tendas eram meu norte. De novo, eu insistia em ficar à esquerda deles e ia corrigindo.
Então localizei o pórtico por onde iríamos passar e meu coração acelerou. "Está acabando a primeira parte dessa bagaça!"
Saí da água e o cronômetro marcava 1h 06 minutos. Falei em voz alta "O quêêê??? Não acredito!" O locutor da prova viu e comentou "Ela não acredita! Mas é verdade!! Uma hora e seis minutos de prova!"
Não tinha passado creme suficiente nos braço e, por isso, tive um pouco de dificuldade para arrancar as mangas da roupa de borracha.
Voei pra área onde o pessoal puxa sua roupa e, de lá arranquei pra T1.
Lições aprendidas:
1. Fiz cinco treinos com a roupa de borracha. Quatro na piscina, em São Paulo, e um no mar, na quinta, véspera da prova. Foi muito bom ter feito isso. Estava totalmente à vontade no wetsuit. Não senti nem UM incômodo.
2. Nas semanas que antecederam o Iron nadei bastante com a cabeça alta. Isso também fez com a posição não me cansasse durante a prova.
3. Faltou treino no mar. Para quem, como eu, tem problema de navegação, uns treininhos em águas abertas, ajudam.
4. A ombrite (tendinite no supra espinhal) não me tirou do jogo, mas atrapalhou um pouco. Teria mais confiança e teria ido mais forte ainda se pudesse ter treinado mais forte e com palmar. Isso praticamente não aconteceu.
5. Fazer um óculos de grau pra natação é algo ser considerado.
6. Mais condicionadorrrrr nas pernas e braço pra roupa deslisar na hora de tirar!
T 1
Cheguei animadíssima na tenda da transição. Dei um gás, passei um monte de gente no tapete azul e, como ao entrar não tinha nenhum staff segurando minha sacola azul, fui direto ao cabide.
Mas minha sacola azul não estava lá. Só a preta. Conferi o número mais uma vez no cabide: 1287. A sacola não estava lá. "Isso não pode estar acontecendo. Estou tendo um pesadelo". Não era. A sacola da bike, com capacete, roupa, comida, não estava ali. Sem ela, eu não poderia continuar a prova.
domingo, 6 de junho de 2010
sábado, 5 de junho de 2010
Iron 2010, diário de uma insanidade ou 11 horas 35 minutos e 17 segundos que levaram quase um ano pra acontecer
Parte 4 (partes 1, 2 e 3, abaixo)
Finalmente chegou o dia.
A noite foi mal dormida. Demorei pra apagar e acordei às 2h30 completamente acesa. Até dormir de novo, custou. Tentei mentalizar a prova algumas vezes, mas sempre acabava me distraindo com algum detalhe e nunca chegava nem ao fim da bike.
Precisamente às 4h05 o despertador tocou. Ou, pra ser mais exata, OS DESPERTADORES tocaram. Não queria correr o risco de perder a hora e ter de me arrumar no afogadilho. Gra e Roi iriam me pegar às 4h30.
Acordei na hora que o sono tinha acabado de se aprofundar. Normal. Mesmo assim, pulei da cama e comecei a me aprontar. Primeiro de tudo: banheiro. Um sanguinho indicava que a menstruação poderia vir a qualquer momento mas, se não tinha descido até aquela hora, dificilmente, com todo o esforço que faria, desceria no meio da prova. Eu estava salva.
Resolvi todos os assuntos de toilete. Até pra isso eu treinei!
Precisava comer. Inicialmente tinha pensado em fazer um macarrão mas, já na noite anterior vi que não era uma boa idéia. Não desceria. Então parti pras bisnaguinhas com geléia. Perfeito. De repente, me veio uma crise. Tinha colocado pouca geléia nas bisnaguinha que iria levar! O que fiz??? Abri uma por uma e coloquei mais geléia!
O tempo não parecia muito frio. Vesti o chip e o top e a bermuda com os quais iria fazer toda a prova. Nada de por roupa seca depois da natação.
Meus acompanhantes chegaram e, de chinelinho no pé, sacola branca na mão com roupa de borracha, touca da prova, óculos, gel, garrafinhas de suplementos e comidinhas, caminho da roça. Ou melhor, caminho da raça.
Ajustes finais
Conseguimos uma vaguinha na porta da transição. Entrei pro body marking - pintura corporal parece coisa de ritual indígena... Mas talvez seja mesmo apropriado. Infelizmente "minha fotógrafa" não estava lá neste momento, mas o Roi registrou o momento com o celular:
Fui até a bike, tirei a capinha, coloquei algumas das comidas na bento box e fui em busca de uma bomba. Encontrei o Rodrigo Zerlotti, atleta da Ironminds, que me levou até a tenda dos mecânicos e me recomendou pro "Pezão", dizendo que eu era "gente fina, pode tratar bem!". Também deu a dicade não encher demais pois esperávamos encarar uma chuvinha e com 200 libras na roda da frente, pesando apenas 50 kg, o risco de um chão não é desprezível.
Levei a bike de volta pra casinha e fui pra tenda.
Lá peguei as meias de compressão da sacola da bike e decidi vestir. Sábia decisão. Coloquei as comidinhas na sacola da bike e fui até a sacola da corrida pra colocar as garrafinhas de accelarede que deveria ir no cinto de hidratação. O que eu NÃO FIZ: deixá-las já encaixadas no cinturão. Teria sido um tempo a menos na T2.
Encontrei a Nilma e ficamos juntas naquela excitação nervosa, zanzando de um lado pro outro, passando protetor, ficando com vontade de fazer xixi, a boca seca, o coração com taquicardia.
Saímos da área de transição, encontramos Roi e Gra e fomos rumo ao El Divino, restaurante de frente de onde se dá a largada.
Surpresa
No caminho uma brisa de maconha soprava no ar. Maconha. Dá pra acreditar? Quem precisa de outra droga além de endorfina, ali?
Fomos até o restaurante pra vestir as roupas de borracha e finalmente ir pra largada. Achei que tinha esquecido do gel da natação, mas não, estava na sacola com o marido. Tomei o gel às 6h30 e fiquei bebericando água até a largada. Também belisquei umas gominhas e comi até um bisnaguinha.
Nilma me deu um creminho da Natura que, segundo ela, era o the best para escorregar a roupa de borracha. Não passei o suficiente nos braços e acabei também não passando o meu bom e velho condicionador. Por outro lado, não esqueci de passar o bodyglide na nuca.
Estávamos lá, na maior função passa creme, veste roupa de borracha, testa óculos, quando minha turma chegou. Nem acreditei que conseguiria vê-los antes da largada! Imediatamente o Martim abre seu casaco e me mostra sua camiseta. Uma foto minha, correndo! Todos - marido, sogro, sogra, mãe, outros filhos (e o pai que estacionava o carro) estavam uniformizados! Não acreditei. Nas costas, os dizeres:
Na foto, o Felipe, colega de MPR, está lendo a camiseta da minha mãe.
Fiquei emocionada com a surpresa. Não estava esperando e aquilo me deu mais energia ainda.
Abracei e beijei todos e começamos, Nilma e eu, a nos encaminhar pro tapete onde você precisa passar para registrar sua entrada na área de largada.
No caminho, uma muvuca. Tinha uma passarela de madeira e alguns espectadores lá se acomodaram, diminuindo a passagem que já era estreita. pra piorar, tinha gente vindo no sentido oposto, não sei se dirigindo pra onde.
Apertadas e vagorosas, fui gritando "um passinho à frente, por favor, que nós vamos descer no próximo!", pra abrir caminho. Atrás de nós, tinha um que esbravejava "Dêem passagem para os ATLETAAAAAS! Passagem para os ATLETAAASSSSS!"
Mais um last kiss no marido, abraço no sogrão, na sogra, mãe, beijos em cada filho, abraço na madrinha de Iron, Gra. Só faltou o pai! E vamos nós.
O dia começava a raiar, vermelho. Helicópteros. Dor de barriga.
Nilma ao lado, todos começam a se desejar boa prova, boa sorte. No microfone, o locutor está bravo com o pessoal que não vem para trás do pórtico. Serão desclassificados, ameaça ele.
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Iron 2010, diário de uma insanidade ou 11 horas 35 minutos e 17 segundos que levaram quase um ano pra acontecer
Parte 3 (partes 1 e 2, abaixo)
Jantar de massas
Estava em dúvida se ia ou não ao jantar de massas mas, como a família topou e o preço não era extorsivo, fomos todos.
O lugar, o clube P12, era muito bonito. Decks de madeira, espreguiçadeiras e piscinas, ali, mirando o mar. Num dia de sol sua localização é privilegiada. A desvantagem é que as pessoas ficaram separadas, pois o espaço é todo dividido e, no nosso caso, ficamos longe do palco e nos sentimos fora da cerimônia. Nem ao menos um telão havia lá para que pudèssemos acompanhar os acontecimentos. Mal e mal ouvíamos o que era dito pelo microfone. Só prestei atenção quando escutei que o Vilela estava sendo homenageado.
As mesas eram grandes e a família sentou reunida. Pena que não deu pra ficar também junto com os amigos. Nem sempre se pode ter tudo.
A comida estava razoável e faltou refri sem açúcar pra turma light e diet. Como se pode ver pelas fotos, estou alegre, mas tenho um certo brilho assustadiço nos olhos.
A família quis ir comer um doce de sobremesa. Acompanhei-os até a sorveteria mas, no momento em que olhei o relógio e vi que eram 21h20 e e eles ainda decidiam se iam de sorvete ou de petit gateau, pedi licença e fui pra rua pedir carona.
Primeira "dedada" e... surprise surprise! Dois velhos conhecidos: Andreson - atleta MPR - e sua espoesa Ligia, parceiros de aventura em Pirassununga, 2009.
De volta à minha agua furtada, fiz uma vistoria atrás dos meus companheiros de quarto. Afinal, não estava podendo nem com o marido, iria aguentar perninlongos? Armada de travesseiro e toalha exterminei os quatro que me esperavam na surdina.
Não dormi o sono dos justos, mas consegui descansar.
Sexta - o dia das sacolas
Não era o dia D, mas quase. A preparação pra prova é mega importante e hiper difícil. Como eu não sou tatu e nem master em logística, convoquei os dois doutores no assunto: meu pai e meu marido e ainda torci para que a Gra chegasse a tempo de dar o seu ok. Afinal ali, nenhum dos três tinha participado de iron.
Durante meu café da manhã solitário, com as listas da Thelma em mãos, comecei a fazer as minhas próprias listas.
Foram seis:
1. Azul - bike
2. Verde - special needs bike
3. Amarela - corrida
4. Vermelha - special needs corrida
5. Branca - geral
6. Preta - natação
Roi e meu pai passaram pra me buscar e fomos até Canasvieiras, onde eles ficaram hospedados, pra eu dar uma olhada nas famosas subidas de Jurê-Canas-Jurê e aproveitar pra dar uma beijoca nos meninos.
Quando vi as tais subidas fiquei confiante. Nada que eu não tivesse treinado na USP, na Aclimação e até em Águas de Lindóia.
Depois, voltamos pro meu cafofo para arrumar as sacolas.
Coloquei as seis em cima da cama com as respectivas listas ao lado. Conforme aprendi com a Viveka em Clearwater, primeiro a gente coloca as coisas EM CIMA das sacolas, depois de conferir pela enésima vez é que coloca dentro.
Assim fizemos. Meu pai, Roi e eu. Havia aquela mala com as coisas mais importantes que eu ainda não havia mexido nela. Foi por ali que começamos. No meio do processo, a Gra chegou. Isso foi ótimo pois ela me ajudou a tomar as decisões finais e fazer alguns ajustes, do tipo colocar uma blusa mais grossa na special needs da corrida, caso a tal massa de ar polar (que aquelas alturas a meterologia previa) realmente chegasse, a deixar uma dose extra de accelerade pronta também nesta sacola e a me livrar do cinto de hidratação depois dos 21km.
Decidi ir sem a palmilha, decidi colocar no special needs da corrida um tênis diferente do que sairia para correr e prendi um gel na bike para tomar logo na saída. Seria o único da bike.
Então, para registro, as sacolas ficaram assim:
1. Azul - bike
- sapatilha
- meia
- meia de compressão
- camiseta de ciclismo
- capacete
- cinta com nº de peito
- óculos escuros
- luvas
- chamois butter
- manguitos
- corta vento
- toalha
- bandana rosa previamente preparada (com mini elásticos deu certinho!!!)
- comidinhas: batatinhas, bisnaguinhas, minhocas goma, stiksy, goiabinha, bananinha
- protetor solar
2.Verde - special needs - bike
- outra camiseta ciclismo
- mais comidinhas, idem sacola bike
- endurox R4 (que foi colocado na manhã seguinte, congelado)
- farmácia: luftal, Eno, dorflex e advil
- kit socorro bike: pneus sobressalente, 2 cápsulas CO2, câmera, silvertape
3. Amarela - corrida
- toalhinha
- tênis newton
- meia injinji
- Garmin (colocado no dia seguinte)- camiseta manga curta
- manguitos
- viseira
- cinturão de hidratação com 4 géis no bolso e BCAA num potinho plástico
- garrafinhas do cinturão com accelerade (levei no domingo)
- géis
- bananinha e goiabinha
- kit farmácia: micropore, vaselina, luftal, Eno, dorflex e advil
- protetor solar
- óculos escuros sobressalente
- nº de peito reserva
4. Vermelha - special needs corrida
- blusinha skarp manga comprida
- casaquinho mais grosso
- tênis mizuno
- meia injinji
- caramanhola com accelerade (levei no domingo)
- kit farmácia: micropore, vaselina, luftal, Eno, dorflex e advil
5. Branca - geral
- caramanhola com Endurox R4 em pó
- ornitargin, multivitamínicos, vitamina E, C e Omega 3
- roupa de borracha
- roupa de borracha
- óculos de natação
- 1 gel para antes da largada
- 1 gel para antes da largada
- macaquinho reserva pro caso de querer trocar a roupa antes de pedalar
POR CIMA DA BRANCA
- top e bermuda que iria vestir (estava decidida a nadar, pedalar e correr com a mesma roupa, mas levei uma roupa resevar caso mudasse de idéia)
- roupa pra por cima pra ir pra largada e pra vestir na chegada
- top e bermuda que iria vestir (estava decidida a nadar, pedalar e correr com a mesma roupa, mas levei uma roupa resevar caso mudasse de idéia)
- roupa pra por cima pra ir pra largada e pra vestir na chegada
- chinelo
- chip
6. Preta - natação
- Vazia!
Em cada uma delas coloquei duas obs - pois, ainda por cima, corria o risco de menstruar durante a prova.
Depois de conferir umas 200 vezes e marcar as coisas que não estavam na sacola e deveriam ser colocadas no dia seguinte, comecei a preparar as bebidas: 1,5 de Endurox R4 numa caramanhola, mas 1,5 em outra, accelerade pras garrafinhas do cinto e mais uma dose aguada do special needs. Fizemos uma lambança fenomenal pela enorme suíte: paredes, chão do quarto e do banheiro, pia, toalhas... tudo ficou lambuzado de endurox e ou accelerade.
Terminado este serviço, combinei com meu pai e Roi que eles iriam todos me encontrar as 16h15 para irmos pro check in da bike onde não apenas eu iria entregar as sacolas mas também encontrar a fotógrafa que iria começar o registro da prova.
Fui com a Gra e o Junior almoçar de novo no Taikô. O vento, desta vez, estava assustador. Não deu nem pra sentarmos lá fora.
Eles me deixaram nas Alamandas e, de novo, fiquei curtindo um pouquinho da Roland Garros até a hora marcada.
Bike check in
Às 16h15, pontualmente, a torcida não uniformizada bateu à minha porta.
Às 16h15, pontualmente, a torcida não uniformizada bateu à minha porta.
Fui pedalando, enquanto eles, de carro, levaram as sacolas azul, amarela e preta.
No caminho fui conversando com um atleta, Leonardo, de MG que, em poucos minutos, me deu um conselho de quem já tinha alguma experiência. "Não lute contra o vento. Apenas pedale." Agradeci, e segui meu caminho.
A fila de entrada era imensa. Mas aquela folia! Julia, Gra, Junior, Marcos e seu irmão Alcy, Lidiane, Kim, Nilma, Evandro... todo mundo lá!
Logo em seguida chegou meu técnico Emerson, junto com o chefão, MPR que fui apresentar aos meus pais. Tinha certeza de que eles iriam me elogiar! Queria que meus pais ficassem orgulhosos de mim. Que importa que eu tenha 46 anos? Quem não gosta de "se mostrar" pros pais?
Meus sogros e meus pais estavam impressionadíssimos com o clima de festa instaurado naquela fila. Mas nem em show de rock o astral é tão animado e festivo.
Chamei Theo, meu filho mais velho e fomos pro fim da fila. Enquanto a fila andava vagarosamente, ele tentava me convencer de que seria uma boa idéia ele se inscrever na corrida do Arrastão no fim do ano e levar o seu cachorro - o fox paulistinha, Pudim - pra correr junto. Não sei, não. Talvez ele estivesse fazendo uma dieta da supercompensação pra ter uma idéia dessas, naquela hora. E ele ainda brigou comigo "Mãe! Você não está prestando atenção! Não é uma boa idéia?"
Quanto mais perto ia chegando da entrada, mas elétrica eu ia ficando.
Entrei, fui acompanhada de uma simpática voluntária e do marido da fotógrafa que me deu dicas boas pra localizar rapidamente minha bike: entraria no corredor em frente à logo da Latin Sports e minha bike estaria bem de frente do painel da Giant - sua própria marca.
Zerei o cateye, ajeitei a capa que nos foi dada para proteger a bike e então, devidamente fotografada, entrei na área das sacolas.
Aprendi fácil onde era meu cabide da sacola azul: passando o corredor H, entrada à esquerda, no fim do primeiro suporte, onde tem um metal amarelo (diferente do resto) no alto.
Sacola da corrida, no corredor do outro lado, no alto também. Tudo muito simples.
Missão cumprida.
Saí dali e encontrei a turma. Fomos pra areazinha onde havia café e pastéis. Julia estava batendo figurinha com os meninos, Marcos entrevistava todo mundo, Roi papeava com os amigos, minha mãe e minha sogra faziam novos amigos, meu sogro e meu pai zanzavam por ali filmando e fotografando.
Encontrei o Sarhan que, quando pedi uma dica de quem já tinha experiência, disse "Divirta-se!" Minha mãe adorou esse conselho.
Estava gostoso ali. Era a véspera da prova, aquela hora que fica uma tensão densa e agradável de expectativa no ar.
A noite da véspera
Pedi ao Roi que fosse jantar comigo. Só ele. Isso deu uma certa confusão na logística dos carros, mas conseguimos nos acertar.
Fomos nos dois, a pé, ali pertinho. jantamos uma comidinha caseira e comi o máximo que aguentei:
- Prato GG de macarrão com molho vermelho
- Filé de frango pedaço P
- Batatas assadas M
- Sopinha creme de batata e cenoura com macarrão P
- suco de laranja
Conversamos calmamente. Eu até que estava disfarçando bem minha ansiedade.
Tomei minhas vitaminas, me troquei e deitei. Mentira! Ainda preparamos as batatinhas com sal e orégano, as bisnaguinhas com creamcheese light e geléia e os embrulhinhos com stiksy.
Roi foi embora. Fiquei sozinha com todos os meus sonhos e expectativas para tentar dormir.
Roi foi embora. Fiquei sozinha com todos os meus sonhos e expectativas para tentar dormir.
Iron 2010, diário de uma insanidade ou 11 horas 35 minutos e 17 segundos que levaram quase um ano pra acontecer
Parte 2 (parte 1, lá embaixo)
Treino de natação
Dormi mal, claro. Estava morrrrta de fome e não agüentava mais comer peito de peru com queijo cottage e nem bifinho magro com saladinha sem graça. O melhor a fazer era chegar logo no dia seguinte pra poder me empanturrar de carbo. Mas quem consegue dormir com fome? Fora isso, tinha um pernilongo no quarto que decidiu cochichar em meu ouvido. Tentei ignorar, mas não foi possível. Então, lá pelas tantas da noite, acendi a luz e fui à caça do maldito. Assassinei-o a sangue quente e depois que este esfriou, voltei a dormir.
Adorei quando raiou o dia. Voei pra cima de uma banana maçã que tinha comprado na véspera. Foi a mais saborosa que comi na vida. Daí mandei 4 bisnaguinhas com geléia – manjar dos deuses. E um iogurte desnatado – bah! Ainda tinha direito a um pãozinho francês com (bah!) queijo branco e (baaaaaaah!) peito de peru e um cafezinho. Claro que as Alamandas não tinha café da manhã. Então fui a pé, já com todo o equipamento para o treino no mar.
O dia estava esplendoroso. O mar, aparentemente, uma piscina.
Encontrei um pessoal da Sumaré Sports que se dispôs a cuidar das minhas coisas enquanto eu nadasse. Diferentemente de Clearwater, o treino ali não tem muita estrutura além das bóias. Em CW há um guarda volumes, chuveirinho e até água e gatorade para os atletas.
Foi “dada a largada” e saímos todos mais ou menos juntos pra nadar. Não sei se sou eu que tendo pra esquerda ou se havia correnteza. O fato é que toda vez que levantava a cabeça pra achar a bóia, ela estava à minha direita! Fiz a perna bem de leve e saí pra tomar um solzinho.
Delícia! Dali a pouco Nilma chegou e ela, Neto e eu ficamos lá batendo um papinho relax enquanto os saradões iam e vinham. Até que passou um nada sarado. Aliás, bem gordinho. Aí fiquei sabendo que ele estava fazendo parte de uma aposta: caso terminasse o Iron, ganharia 40 mil reais de 4 amigos (amigos???). Se não terminasse, daria 2 mil para cada um.
A caminho do restaurante onde iria almoçar encontrei, ao lado de uma lombada, um pneu tubular novinho, dobrado e caído no chão. Olhei pra um lado, olhei pro outro, nem um ciclista à vista. Não tendo a quem devolver, coloquei dentro da mochila e levei.
Terminando o almoço encontrei o Pedro, conhecido de treinos e provas, fizemos a maior festa e combinamos de encontrar mais tarde.
Treino de pedal
Peguei o kit e fui esticar as pernas até a hora de dar uma girada. Que luxo! Assistir a Roland Garros em plena 5ª feira útil.
Saímos então, Nilma e eu pra dar um role de bike. Só de estar lá, em cima da magrela, já fiquei emocionada. Ali na estradinha, saindo de Jurerê, não me contive: “U-huuuuuu! Eu tou em Jurerê! Eu vou fazer o IIIIIIIIIIIIIrooooooooooooon!”gritei pro vento.
À noite, jantei com o Pedro, que me contou toda a história de como chegou ao triathlon e ao Iron. Adoro ouvir esses relatos. Cada pessoa tem uma motivação, um passado, um sonho. Todos diferentes, todos com pontos idênticos.
Dormi melhor, mas combinei comigo mesma que não iria preguiçar muito na cama, não. O tempo amanheceu fechado e, a cada hora, a previsão era mais catastrófica: “frente fria com ciclone tropical, temporais e ventos de 25 a 30km/h” foi uma das mais lights que ouvi aquele dia.
Plano B
Depois do café, fui ao congresso técnico. Durante a apresentação, o diretor da prova, Galvão, aventou a possibilidade de ter de executar o Plano B – ou seja, caso os bombeiros avaliassem que o mar estava muito perigoso a natação seria substituída por 10k de corrida.
Imediatamente começou um zumzum na platéia. Já pensou? Não ter a natação? Apesar de ser melhor corredora do que nadadora, ficaria frustrada se não pudesse completar um verdadeiro Iron.
Em seguida, fui à feirinha onde encontrei Nilma experimentando capacetes e o Neto, com sua paciência de Jó, ao lado, estranhando que ela NÃO iria comprar um rosa, como de costume. Nilma é a Penélope Charmosa em pessoa. Vive de rosa, tem um humor rosa, mas não brinca em serviço. Uma monstra no pedal.
Golfinhos
Neto foi pedalar e nós duas pegamos uma carona até o Taikô para o almoço. Julinha tinha acabado de chegar com seu tio e foi nos encontrar lá. Pedro também foi. E os golfinhos também!
Pra quem não conhece, o Taikô é um restaurante charmosíssimo, pé na areia, que geralmente não fica aberto para almoço mas, por ocasião da prova, estava. Mas aparentemente, ninguém sabia. Ele foi só nosso.
Sentados de frente pro mar podíamos ver que estava bem diferente do dia anterior. Mexido e cinza. Uns malucos nadavam de roupa de borracha e, de repente, pareceu que os malucos tinham ficado mais malucos, porque nadavam com uma braçada em cada direção! Aí é que vimos que não eram malucos. Eram golfinhos. Enormes! Fizeram um show para nós e ninguém tinha uma câmera decente pra fotografar.
No almoço, o pobre tio da Julinha teve de agüentar nossa conversa monotemática. Em compensação, ele se vingou comendo lulas e camarões empanados e tomando uma loirinha daquelas.
Chegada da família
Ficamos fazendo hora até que minha turma chegou: pai, mãe, sogro, sogra, marido e os quatro filhos. Foi aquela invasão na calma do restaurante.
Felizmente, Juju tinha as figurinhas do álbum da Copa pra trocar com eles, que ficarão concentrados no “tenho, não tenho”.
Não demorou muito, abandonei a turma pra ir dar uma corridinha. Como a pousada era meio longe peguei carona numa pick up de “hermanos”. Por sinal, como tinha hermanos...
Voltei à pousada para me trocar e também para comer um caminhão de suspiros e um vagonete de bisnaguinhas, conforme as ordens da Mari.
O último treino
Às 16h30 saímos numa galerinha para um trotinho leve. Meu derradeiro treino antes da prova. O astral não poderia ser melhor. Cheia de açúcar no sangue, transbordava de doçura e energia.
Julinha, como sempre, foi puxando a turma: o casal André e Simone, de Jau, Nilma, Pedro e Artur, um leitor deste blog! Foi muito divertido descobrir, no meio da corrida, que ele era um dos meus seguidores. Não parecia um treino, parecia uma festa, de tão animada que foi a conversa. Nunca vou esquecer este treino!
Quando terminamos e estávamos na porta do Campanário conversando sobre a previsão de chuva e vento na prova, André me disse: “Esta é a prova mais importante da sua vida, principalmente porque toda a sua família está aqui. Tome muito cuidado nas curvas pra tomar um chão. Já pensou você, em vez de chegar ao fim, na corrida, aparecer no meio da prova toda ralada?” Foi algo que ouvi com atenção e levei a sério. Não iria deixar isso acontecer.
Treino de natação
Dormi mal, claro. Estava morrrrta de fome e não agüentava mais comer peito de peru com queijo cottage e nem bifinho magro com saladinha sem graça. O melhor a fazer era chegar logo no dia seguinte pra poder me empanturrar de carbo. Mas quem consegue dormir com fome? Fora isso, tinha um pernilongo no quarto que decidiu cochichar em meu ouvido. Tentei ignorar, mas não foi possível. Então, lá pelas tantas da noite, acendi a luz e fui à caça do maldito. Assassinei-o a sangue quente e depois que este esfriou, voltei a dormir.
Adorei quando raiou o dia. Voei pra cima de uma banana maçã que tinha comprado na véspera. Foi a mais saborosa que comi na vida. Daí mandei 4 bisnaguinhas com geléia – manjar dos deuses. E um iogurte desnatado – bah! Ainda tinha direito a um pãozinho francês com (bah!) queijo branco e (baaaaaaah!) peito de peru e um cafezinho. Claro que as Alamandas não tinha café da manhã. Então fui a pé, já com todo o equipamento para o treino no mar.
O dia estava esplendoroso. O mar, aparentemente, uma piscina.
Encontrei um pessoal da Sumaré Sports que se dispôs a cuidar das minhas coisas enquanto eu nadasse. Diferentemente de Clearwater, o treino ali não tem muita estrutura além das bóias. Em CW há um guarda volumes, chuveirinho e até água e gatorade para os atletas.
Foi “dada a largada” e saímos todos mais ou menos juntos pra nadar. Não sei se sou eu que tendo pra esquerda ou se havia correnteza. O fato é que toda vez que levantava a cabeça pra achar a bóia, ela estava à minha direita! Fiz a perna bem de leve e saí pra tomar um solzinho.
Delícia! Dali a pouco Nilma chegou e ela, Neto e eu ficamos lá batendo um papinho relax enquanto os saradões iam e vinham. Até que passou um nada sarado. Aliás, bem gordinho. Aí fiquei sabendo que ele estava fazendo parte de uma aposta: caso terminasse o Iron, ganharia 40 mil reais de 4 amigos (amigos???). Se não terminasse, daria 2 mil para cada um.
A caminho do restaurante onde iria almoçar encontrei, ao lado de uma lombada, um pneu tubular novinho, dobrado e caído no chão. Olhei pra um lado, olhei pro outro, nem um ciclista à vista. Não tendo a quem devolver, coloquei dentro da mochila e levei.
Terminando o almoço encontrei o Pedro, conhecido de treinos e provas, fizemos a maior festa e combinamos de encontrar mais tarde.
Treino de pedal
Peguei o kit e fui esticar as pernas até a hora de dar uma girada. Que luxo! Assistir a Roland Garros em plena 5ª feira útil.
Saímos então, Nilma e eu pra dar um role de bike. Só de estar lá, em cima da magrela, já fiquei emocionada. Ali na estradinha, saindo de Jurerê, não me contive: “U-huuuuuu! Eu tou em Jurerê! Eu vou fazer o IIIIIIIIIIIIIrooooooooooooon!”gritei pro vento.
À noite, jantei com o Pedro, que me contou toda a história de como chegou ao triathlon e ao Iron. Adoro ouvir esses relatos. Cada pessoa tem uma motivação, um passado, um sonho. Todos diferentes, todos com pontos idênticos.
Dormi melhor, mas combinei comigo mesma que não iria preguiçar muito na cama, não. O tempo amanheceu fechado e, a cada hora, a previsão era mais catastrófica: “frente fria com ciclone tropical, temporais e ventos de 25 a 30km/h” foi uma das mais lights que ouvi aquele dia.
Plano B
Depois do café, fui ao congresso técnico. Durante a apresentação, o diretor da prova, Galvão, aventou a possibilidade de ter de executar o Plano B – ou seja, caso os bombeiros avaliassem que o mar estava muito perigoso a natação seria substituída por 10k de corrida.
Imediatamente começou um zumzum na platéia. Já pensou? Não ter a natação? Apesar de ser melhor corredora do que nadadora, ficaria frustrada se não pudesse completar um verdadeiro Iron.
Em seguida, fui à feirinha onde encontrei Nilma experimentando capacetes e o Neto, com sua paciência de Jó, ao lado, estranhando que ela NÃO iria comprar um rosa, como de costume. Nilma é a Penélope Charmosa em pessoa. Vive de rosa, tem um humor rosa, mas não brinca em serviço. Uma monstra no pedal.
Golfinhos
Neto foi pedalar e nós duas pegamos uma carona até o Taikô para o almoço. Julinha tinha acabado de chegar com seu tio e foi nos encontrar lá. Pedro também foi. E os golfinhos também!
Pra quem não conhece, o Taikô é um restaurante charmosíssimo, pé na areia, que geralmente não fica aberto para almoço mas, por ocasião da prova, estava. Mas aparentemente, ninguém sabia. Ele foi só nosso.
Sentados de frente pro mar podíamos ver que estava bem diferente do dia anterior. Mexido e cinza. Uns malucos nadavam de roupa de borracha e, de repente, pareceu que os malucos tinham ficado mais malucos, porque nadavam com uma braçada em cada direção! Aí é que vimos que não eram malucos. Eram golfinhos. Enormes! Fizeram um show para nós e ninguém tinha uma câmera decente pra fotografar.
No almoço, o pobre tio da Julinha teve de agüentar nossa conversa monotemática. Em compensação, ele se vingou comendo lulas e camarões empanados e tomando uma loirinha daquelas.
Chegada da família
Ficamos fazendo hora até que minha turma chegou: pai, mãe, sogro, sogra, marido e os quatro filhos. Foi aquela invasão na calma do restaurante.
Felizmente, Juju tinha as figurinhas do álbum da Copa pra trocar com eles, que ficarão concentrados no “tenho, não tenho”.
Não demorou muito, abandonei a turma pra ir dar uma corridinha. Como a pousada era meio longe peguei carona numa pick up de “hermanos”. Por sinal, como tinha hermanos...
Voltei à pousada para me trocar e também para comer um caminhão de suspiros e um vagonete de bisnaguinhas, conforme as ordens da Mari.
O último treino
Às 16h30 saímos numa galerinha para um trotinho leve. Meu derradeiro treino antes da prova. O astral não poderia ser melhor. Cheia de açúcar no sangue, transbordava de doçura e energia.
Julinha, como sempre, foi puxando a turma: o casal André e Simone, de Jau, Nilma, Pedro e Artur, um leitor deste blog! Foi muito divertido descobrir, no meio da corrida, que ele era um dos meus seguidores. Não parecia um treino, parecia uma festa, de tão animada que foi a conversa. Nunca vou esquecer este treino!
Quando terminamos e estávamos na porta do Campanário conversando sobre a previsão de chuva e vento na prova, André me disse: “Esta é a prova mais importante da sua vida, principalmente porque toda a sua família está aqui. Tome muito cuidado nas curvas pra tomar um chão. Já pensou você, em vez de chegar ao fim, na corrida, aparecer no meio da prova toda ralada?” Foi algo que ouvi com atenção e levei a sério. Não iria deixar isso acontecer.
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Iron 2010, diário de uma insanidade ou 11 horas 35 minutos e 17 segundos que levaram quase um ano pra acontecer
Parte 1
Crise
Quase enlouqueci às vésperas da viagem pra Florianópolis. A Mariana, nutricionista, propôs que eu fizesse a dieta da supercompensação e eu topei. Já tinha feito meia boca antes dos meios Irons. Meio Iron, meia boca. Inteiro Iron, fechei a boca total pro carbo durante três intermináveis dias: 2ª, 3ª e 4ª. Na terça, comecei a avariar. De repente, me deu uma insegurança total. Comecei a questionar todas as decisões que já havia tomado. Ia até postar a minha crise, mas achei melhor não, pra não agravá-la. Mas vejam só grau da insanidade:
- Nado com a roupa com a qual vou pedalar ou visto uma seca?
- Manguitos ou cortavento?
- Bananinha com ou sem açúcar?
- Gu ou Accel? Ou Gu e Accel? Quantos de cada?
- Corro com cinto de hidratação ou não?
- Advil ou Dorflex?
- O pneu sobressalente está mesmo seguro?
- Não é loucura ir com uma roda clincher e uma tubular?
- Tênis com ou sem a palmilha?
- Ai ai ai vai chover! E aí? Que roupa eu uso? Minha família vai ter onde se abrigar?
Foi uma aflição e tanto. A Gra recebeu esta listinha de perguntas e foi conversando comigo sobre cada uma delas, sem perder a esportiva.
Ao final, me acalmei e decidi que alguma das decisões só iria tomar depois voltar a ingerir carboidratos. Sábia decisão.
Terça à tarde a Thelma passou pra fazer a vistoria, me acalmar mais um pouco e à noite as malas estava prontas. Excesso de peso, é claro. Bom, pensei, se alguém encasquetar com isso no checkin vou alegar que peso 20kg a menos que a média dos passageiros, portanto teria direito a levar a diferença em bagagem!
Para não abrir e fechar as malas e a mochila 20 vezes afim de me certificar se determinado objeto estava mesmo ali, fiz três listas:
- Lista mala preta
- Lista mala Brasil
- Lista mochila
Cada coisinha que colocava dentro de uma delas, escrevia na lista. Foi a melhor coisa que fiz.
Levei comigo – por recomendação da Thelma - tudo que seria essencial para fazer a prova: sapatilhas, capacete, roupa de borracha, tênis, meias, cinto de hidratação, pneus sobressalentes, roupa da prova e suplementação. Quase comprei uma passagem pra bike ir sentada ao meu lado.
A viagem
Sai 4ª de manhã. Roi me levou ao aeroporto e não tive nenhum problema com excesso. Já na fila, encontrei o Diglu, que me deu a letra, ou melhor, o número, da fileira do assento: 12.
Fomos lado a lado conversando sem parar. Ele foi um dos primeiros a falar, categórico: você está bem treinada. Vai fazer uma bela prova. Aproveite, curta.
Cheguei à pousada e logo arrumei encrenca. O gerente me colocou no pior apartamento. Segundo andar, sem janela e sem armário. Já rodei a baiana e consegui um cantinho pouco melhor. Aliás, aí vai a “contra dica” NUNCA se hospedem no Pousada (ou Solar) das Alamandas, nem no Solar Casablanca. Roubada. A menos que mude o dono e o gerente. Já viu pousada sem café da manhã e com limpeza dos apartamentos a cada três dias?
Enfim...depois de alguma confusão, consegui que minha enoooorme suíte fosse arrumada diariamente. O que quase aconteceu.
Madonna
Passado este pequeno estresse – lembrem-se que eu estava à base de proteínas – meu único compromisso era um trotinho de 8k. E lá fui eu.
Apesar da fraqueza pela falta de carbo, estava muito animada de estar ali, em Ironland. Ipod no ouvido, óculos escuros e boné, fui passeando pelas ruas de Jurerê Internacional, feliz da vida.
Comecei a prestar atenção nas letras das canções que estava ouvindo e decidi que ao chegar perto da área de chegada do Iron tocaria uma música especial: Give it 2 me, da Madonna. O refrão traduzia o que eu sentia naquele momento:
Give to me, yeah
No one’s gonna show me how!
Give it to me, yeah
No one’s gonna stop me, now!
Passei pela rua da chegada aos berros e quase trombei com um cidadão que deu risada da minha situação. Seguia adiante, pela rua que dá na praia do forte e, antes da subida, vejo que um carro passa por mim e nele o cara com quem eu quase trombei. Eles param bem antes da subida, onde pretendo fazer o retorno. Então eles descem do carro e me abordam. Tiro os fones pra escutar o que ele tem pra dizer e vejo que ele está com um microfone com a logo da Globo.
“Oi, tudo bem? Podemos te interromper um pouquinho?” Eu olho pro meu garmin. Faltam apenas 500 mts pra terminar meus 8k. “Ok”, respondo. “Você veio fazer o Iron? De onde você é?” “Vim, sou de SP.” “Você está treinando agora?” “Só um treininho leve, pra relaxar!” Aí, ele meio sem jeito “Será que a gente poderia colocar um microfone sem fio em você e aí você faz exatamente o que estava fazendo, correndo e cantando?” Achei a maior graça. “Ok!”. Depois me entrevistaram e eu, desligada, nem perguntei quando e onde iria ser veiculado. O resultado foi este. E dois dias depois algumas pessoas viram na TV local e, depois, no SPORTV!!!!
Crise
Quase enlouqueci às vésperas da viagem pra Florianópolis. A Mariana, nutricionista, propôs que eu fizesse a dieta da supercompensação e eu topei. Já tinha feito meia boca antes dos meios Irons. Meio Iron, meia boca. Inteiro Iron, fechei a boca total pro carbo durante três intermináveis dias: 2ª, 3ª e 4ª. Na terça, comecei a avariar. De repente, me deu uma insegurança total. Comecei a questionar todas as decisões que já havia tomado. Ia até postar a minha crise, mas achei melhor não, pra não agravá-la. Mas vejam só grau da insanidade:
- Nado com a roupa com a qual vou pedalar ou visto uma seca?
- Manguitos ou cortavento?
- Bananinha com ou sem açúcar?
- Gu ou Accel? Ou Gu e Accel? Quantos de cada?
- Corro com cinto de hidratação ou não?
- Advil ou Dorflex?
- O pneu sobressalente está mesmo seguro?
- Não é loucura ir com uma roda clincher e uma tubular?
- Tênis com ou sem a palmilha?
- Ai ai ai vai chover! E aí? Que roupa eu uso? Minha família vai ter onde se abrigar?
Foi uma aflição e tanto. A Gra recebeu esta listinha de perguntas e foi conversando comigo sobre cada uma delas, sem perder a esportiva.
Ao final, me acalmei e decidi que alguma das decisões só iria tomar depois voltar a ingerir carboidratos. Sábia decisão.
Terça à tarde a Thelma passou pra fazer a vistoria, me acalmar mais um pouco e à noite as malas estava prontas. Excesso de peso, é claro. Bom, pensei, se alguém encasquetar com isso no checkin vou alegar que peso 20kg a menos que a média dos passageiros, portanto teria direito a levar a diferença em bagagem!
Para não abrir e fechar as malas e a mochila 20 vezes afim de me certificar se determinado objeto estava mesmo ali, fiz três listas:
- Lista mala preta
- Lista mala Brasil
- Lista mochila
Cada coisinha que colocava dentro de uma delas, escrevia na lista. Foi a melhor coisa que fiz.
Levei comigo – por recomendação da Thelma - tudo que seria essencial para fazer a prova: sapatilhas, capacete, roupa de borracha, tênis, meias, cinto de hidratação, pneus sobressalentes, roupa da prova e suplementação. Quase comprei uma passagem pra bike ir sentada ao meu lado.
A viagem
Sai 4ª de manhã. Roi me levou ao aeroporto e não tive nenhum problema com excesso. Já na fila, encontrei o Diglu, que me deu a letra, ou melhor, o número, da fileira do assento: 12.
Fomos lado a lado conversando sem parar. Ele foi um dos primeiros a falar, categórico: você está bem treinada. Vai fazer uma bela prova. Aproveite, curta.
Cheguei à pousada e logo arrumei encrenca. O gerente me colocou no pior apartamento. Segundo andar, sem janela e sem armário. Já rodei a baiana e consegui um cantinho pouco melhor. Aliás, aí vai a “contra dica” NUNCA se hospedem no Pousada (ou Solar) das Alamandas, nem no Solar Casablanca. Roubada. A menos que mude o dono e o gerente. Já viu pousada sem café da manhã e com limpeza dos apartamentos a cada três dias?
Enfim...depois de alguma confusão, consegui que minha enoooorme suíte fosse arrumada diariamente. O que quase aconteceu.
Madonna
Passado este pequeno estresse – lembrem-se que eu estava à base de proteínas – meu único compromisso era um trotinho de 8k. E lá fui eu.
Apesar da fraqueza pela falta de carbo, estava muito animada de estar ali, em Ironland. Ipod no ouvido, óculos escuros e boné, fui passeando pelas ruas de Jurerê Internacional, feliz da vida.
Comecei a prestar atenção nas letras das canções que estava ouvindo e decidi que ao chegar perto da área de chegada do Iron tocaria uma música especial: Give it 2 me, da Madonna. O refrão traduzia o que eu sentia naquele momento:
Give to me, yeah
No one’s gonna show me how!
Give it to me, yeah
No one’s gonna stop me, now!
Passei pela rua da chegada aos berros e quase trombei com um cidadão que deu risada da minha situação. Seguia adiante, pela rua que dá na praia do forte e, antes da subida, vejo que um carro passa por mim e nele o cara com quem eu quase trombei. Eles param bem antes da subida, onde pretendo fazer o retorno. Então eles descem do carro e me abordam. Tiro os fones pra escutar o que ele tem pra dizer e vejo que ele está com um microfone com a logo da Globo.
“Oi, tudo bem? Podemos te interromper um pouquinho?” Eu olho pro meu garmin. Faltam apenas 500 mts pra terminar meus 8k. “Ok”, respondo. “Você veio fazer o Iron? De onde você é?” “Vim, sou de SP.” “Você está treinando agora?” “Só um treininho leve, pra relaxar!” Aí, ele meio sem jeito “Será que a gente poderia colocar um microfone sem fio em você e aí você faz exatamente o que estava fazendo, correndo e cantando?” Achei a maior graça. “Ok!”. Depois me entrevistaram e eu, desligada, nem perguntei quando e onde iria ser veiculado. O resultado foi este. E dois dias depois algumas pessoas viram na TV local e, depois, no SPORTV!!!!
terça-feira, 1 de junho de 2010
Agradecimentos
O Ironman é um esporte coletivo. Não teria sido possível e nem tão legal completá-lo se não fosse o apoio, acompanhamento, parceria e participação de muita gente, muita gente muito legal. Antes de contar como foi, preciso fazer um post só para agradecer.
Família
Ao Roger, meu marido, por todas as noites em que ele dormiu no quarto dos meninos para não fazer barulho e não me acordar, por todos os dias que ele segurou a peteca sozinho e, principalmente, por ter estado lá, de corpo e alma, torcendo, vibrando, me incentivando a cada volta.
Aos meus quatro filhos: Theo, Martim, Félix e Ian, por todos os sábados e domingos que mal consegui conversar de tão cansada, pelos programas que deixei de fazer com vocês mas, principalmente, por estarem ali comigo, uniformizados, para cruzar a linha de chegada como um bandinho de loucos, festejando como quem faz o gol da vitória aos 45 do segundo tempo!
Aos meus pais, Lidia e Paulo que, como sempre, me apoiaram em todos os momentos - importantes ou banais - da minha vida. Desta vez, vocês se superaram. Não deixaram ninguém perder o foco: estavam ali pra tornar a experiência a melhor possível para mim! Ao mesmo tempo, se deixaram tomar pelo espírito do evento, se envolveram, aprenderam tudo sobre triathlon, conheceram e conversaram com meus amigos, com atletas e familiares, participaram. Não apenas vestiram, como FIZERAM a camisa!
Aos meus sogros, Irene e Wolf, que mais uma vez, acolheram esta minha insanidade de braços abertos do mesmo modo carinhoso como fizeram quando entrei repentinamente na vida deles há 11 anos. A emoção e a empolgação deles foi contagiante! Tenho certeza de que eles voltarão a Floripa quando seu filho for estrear no Iron!
À Dilma, que cuida da casa, das crianças e de mim e que já faz parte da família. Sem ela, não teria sido possível treinar.
À minha tia Lia e à minha prima Marília, que acompanharam minha saga pelo blog sempre com espanto e admiração.
Aos meus irmãos cunhados, primos e tios que compreenderam minhas ausências e participações pífias nas festas de família e que me mandaram palavras de incentivo e torcida.
À minha vó Anita, uma verdadeira Ironlady, firme, forte e lúcida em seus 93 anos de idade.
Amigos (tri)atletas
Nossa. Essa lista é IMENSA! Uma das melhores coisas que o triathlon me trouxe. Espero não cometer nenhum injustiça.
Às minha Ironmadrinhas, Gra e Thelma, absolutamente essenciais em todo o processo.
Gra, com sua calma e tranquilidade, me tirou da crise que tive às vésperas de ir pra Florianópolis, me ajudou a tomar as últimas decisões na hora de arrumar as sacolas, foi na madrugada me acompanhar e estava lá como um special gift, na hora das special needs.
Thelma com sua firmeza e recém adquirida doçura, me emprestou todas as suas listas, me deu dicas preciosas sobre a roupa a ser usada e, sobretudo, encheu meu coração de força e alegria com o belo post que escreveu às vésperas da minha ida. Ela não estava lá, mas senti a sua presença me acompanhando o tempo todo.
Às minhas filhas "adotadas": Tarsila, Daniela, Mariana, Paula e Julia que treinaram comigo, curtiram, incentivaram, torceram e, como legítimas filhas, cuidaram de mim. Jamais vou esquecer o presente de dia das mães que me revigorou após meu último treino forte. A caçulinha, merece uma menção especial: aquelas corridas pós pedal foram fundamentais para aprender a forçar a barra e eu não teria treinado tão bem se ela não fosse quase me arrastando. Ter você lá na prova foi muito, mas muito bom mesmo! A família ficou quase completa!
À Mariana Almeida Prado que deveria ter estado lá comigo mas, como não pode, acompanhou todos os momentos, da inscrição ao pós prova, sempre com palavras animadoras e de alto astral.
Ao Zé Matos, por transformar os longões com morro em batepapos animados pelo bairro da Aclimação. Eu não teria subido Canasvieiras tão rápido sem esses treinos.
Ao Lester, pela rodinha e palavras de ânimo nos momentos mais difíceis dos treinos de pedal.
Ao Ricardinho, Cachorro Louco, por tornar os treinos divertidos e o café na padoca melhor ainda.
Ao Marcos Vilas Boas pela torcida, apoio e companhia. Ao Alcy Vilas Bôas, não só por acompanhar o blog mas por ter me socorrido quando a ombrite apertou. Ver os dois lá na véspera e no dia, foi ótimo!
E mais os amigos e companheiros de treino:
André Rapapport, Beto Bianchi, Leandro Hernandez, Marquinhos Pereira, Patê Bertolucci, Rodrigo Esper, Victor Nicolau, Cris Dresbach, Flavio Souza Ramos são alguns dos que estiveram próximos de mim nesta jornada.
E mais os corredores e triatletas Fabiana Guerra, Andrea Rizzo, Paéco, Marcinha Oka e Marcelo, Deise Jancar, Graciema Bertoletti, João Paulo Conrado, Kiki Ferreira, Priscila Machado, Monica Bolognani, Marcelo Malavolta, Nickolas Suzuki e, puxa, com certeza está faltando alguém! Sinta-se incluído, por favor!
Ao Portelinha, o primeiro Ironman que conheci e que me desafiou dizendo que eu não seria uma verdadeira triatleta enquanto não completasse um Iron.
Companheiros de aventura
Nilma Machado – mais uma vez, infalível, bem humorada e, desta vez, experiente! Nossos encontros são poucos, mas sempre intensos! Menção honrosa pro Neto, namorado dela, que aguenta tudo sem se estressar!
Pedro Fernandes – desde Penha que venho acompanhando de longe este menino que vai longe. Já já ele chega ao Hawaii! Foram muito legais estes dias de convívio, troca de experiências e muitas, muitas conversas intermináveis sobre nosso assunto predileto.
Evandro Lopes – parceiro dos treinos mais difíceis de pedal. Sofreu, sofreu mas chegou ao fim e quer maisssss!
Diglu – parceiro num treino longo de pedal, na viagem de ida pra Flops – na qual pude aprender um monte de coisas e, puxa, como foi bom ver e ouvir você naquele obscuro trecho da maratona!
E o casal Simone e André de Jau e Kim Cordeiro, da BK; Rodrigo Zerlotti e Valéria Rosato – concorrente leal e forte, ambos da Ironminds, o Velho Ligeiro, Jefferson Vilela e toda a sua animada turma; Maurício “Cachaça”, seguidor deste blog; Eduardo Sarhan; Felipe, Armandinho Bassani, Anderson Atizzano e a esposa Ligia, Clebert Duarte e toda a turma da MPR – e, em especial, o Wagner Spadotto, que sempre tinha uma palavra firme e sábia para mim, que soube me deixar confiante.
Amigos blogueiros e blogueiros amigos, seguidores e seguidoras, leitores e leitoras
Daniel Blois que saiu do mundo virtual para se tornar um amigo real, com quem, em pouco tempo, já tenho afinidade, assunto e parceria para muitos treinos, debaixo de sol ou de chuva.
Rodrigo Sales, meu querido triatleta pianista, com quem compartilhei o treino mais importante de corrida: os famosos 30 e que também me acompanha com entusiasmo.
Rafael Pina, blogueiro, parceiro de treino da Ironminds, o “Homem do tempo” que compartilhou comigo toda a ansiedade da metereologia enlouquecida desta semana pré Iron.
E mais: Eduardo do Três Meios, Xampa, Corredor, Arthur Araújo (que conheci pessoalmente no meu último treino antes do Iron!), Teddy Jones, XFranzX, Carol Merlino, Rafael Farnezi, Vagner Bessa, Carlos Lopes, de Portugal, Egas Zandoni, , Marcos Apene do Amaral; Alexei Caio e Kener Assis dos “doces” e todos os leitores anônimos e “nônimos” que me acompanharam e comentaram este blog. Senti-me acompanhada de vocês!
Equipe técnica
Ao Emerson Gomes, meu técnico e grande incentivador desta aventura. Não deixou que eu me arriscasse em 2009 e me deu a maior confiança em 2010. Segui a planilha à risca, quando tinha que alterar alguma coisa, negociava com ele. Teve o bom senso de me poupar alguns domingos, considerando a minha situação familiar. Estava lá domingo, me elogiando publicamente e seus elogios funcionaram de combustível. Ah, e claro, ao próprio MPR, principalmente pelos berros que deu durante as minhas passagens por ele na corrida!
À Mariana Klopfer, nutriocionista da Nutricius, e uma das torcedoras mais animadas do domingo! A alimentação numa prova de Iron é tão importante quanto o condicionamento físico. E eu fiz o que a Mari mandou antes, durante e depois da prova. Não teve erro. Fora isso, ela é uma pessoa maravilhosa, divertida com quem pude dar boas risadas ao longo desses meses todos.
Ao Alê Piccolo, que me fez quase gostar de musculação. Não perdi um treino e o resultado está aí. Fora a lesão preexistente, nenhuma nova lesão e dois centímetros a mais em cada coxa!
Ao Rodrigo Chiquie Ali, professor de natação da Sumaré Sports, que adaptou váááários mas váááários treinos pra mim, ora por causa da ombrite, ora por causa do meu cansaço, ora por causa da roupa de borracha, ora porque era hora da prova. Sempre de bom humor, sempre tornando a parte difícil quase divertida. E o resultado também apareceu.
À Lucca Mameri, osteopata, fera, que teve, comigo, uma trabalho de Sísifo. Ela me desentortava e eu voltava, na semana seguinte, depois de um longo de pedal, toda torta de novo e ela tornava a me desentortar, achando graça.
À Juliana Ikeda, da SKARP que preparou “a roupa da noiva”, na medida pra mim. E ainda me ofereceu um chazinho de fim de tarde que desfrutamos batendo um papo de amiga de infância, às vésperas da prova.
Aos amigos não triatletas
À Ana Castro, amiga querida, que me incentivou a escrever este blog que acabou sendo uma das partes mais legais da saga.
À Maria Adelaide, pelas suas, sempre bem vindas, preces.
À minha amiga de infância, Pati Curti, que perdoou minha ausência em seu aniversário.
À Celina Santiago, por cuidar de mim, sempre e não me deixar esquecer as coisas quando o cérebro está falhando por só pensar naquilo!
Ao Vagner que fez vários apoios na estrada, sempre encarando como uma grande farra, mas dirigindo com perfeição.
Ao Richard, não só por me agüentar falando do assunto sem parar, mas por SEMPRE perguntar a respeito.
À Nodette e Chris, por torcerem, incentivarem e me suportarem só querendo falar disso nos nossos almoços nos últimos 6 meses!
À Iara e à Neide por terem tido paciência comigo nos momentos em que eu já não tinha mais paciência pra falar de trabalho.
Ao Guilherme Gobato, que sempre pergunta e acompanha.
Ao Thiago Poço, que trouxe as meias e o pneu pra mim.
Ao Fábio Bonini, só pela cara de incredulidade que ele faz quando conto sobre essas façanhas.
À Lucia Mandel, que segue esta saga desde o começo.
A todo o pessoal da (ou ligado à) FDE que sempre pergunta e torce por mim, entre eles: Eliana Eduardo, Marisa Garcia, Luiz Bertini, Inácio Ovigli, Nivaldo Santos, Devanil Tozzi, Maria Ribeiro, Thais Liberato, Conceição Conholato, Solange Rigo, Caia Amoroso.
A todo mundo que, de um jeito ou de outro, sabia que eu estava nessa empreitada e torceu pra que eu tivesse sucesso.
Obrigada, pessoal, obrigada mesmo.
O post sobre a prova virá em breve!
Família
Ao Roger, meu marido, por todas as noites em que ele dormiu no quarto dos meninos para não fazer barulho e não me acordar, por todos os dias que ele segurou a peteca sozinho e, principalmente, por ter estado lá, de corpo e alma, torcendo, vibrando, me incentivando a cada volta.
Aos meus quatro filhos: Theo, Martim, Félix e Ian, por todos os sábados e domingos que mal consegui conversar de tão cansada, pelos programas que deixei de fazer com vocês mas, principalmente, por estarem ali comigo, uniformizados, para cruzar a linha de chegada como um bandinho de loucos, festejando como quem faz o gol da vitória aos 45 do segundo tempo!
Aos meus pais, Lidia e Paulo que, como sempre, me apoiaram em todos os momentos - importantes ou banais - da minha vida. Desta vez, vocês se superaram. Não deixaram ninguém perder o foco: estavam ali pra tornar a experiência a melhor possível para mim! Ao mesmo tempo, se deixaram tomar pelo espírito do evento, se envolveram, aprenderam tudo sobre triathlon, conheceram e conversaram com meus amigos, com atletas e familiares, participaram. Não apenas vestiram, como FIZERAM a camisa!
Aos meus sogros, Irene e Wolf, que mais uma vez, acolheram esta minha insanidade de braços abertos do mesmo modo carinhoso como fizeram quando entrei repentinamente na vida deles há 11 anos. A emoção e a empolgação deles foi contagiante! Tenho certeza de que eles voltarão a Floripa quando seu filho for estrear no Iron!
À Dilma, que cuida da casa, das crianças e de mim e que já faz parte da família. Sem ela, não teria sido possível treinar.
À minha tia Lia e à minha prima Marília, que acompanharam minha saga pelo blog sempre com espanto e admiração.
Aos meus irmãos cunhados, primos e tios que compreenderam minhas ausências e participações pífias nas festas de família e que me mandaram palavras de incentivo e torcida.
À minha vó Anita, uma verdadeira Ironlady, firme, forte e lúcida em seus 93 anos de idade.
Amigos (tri)atletas
Nossa. Essa lista é IMENSA! Uma das melhores coisas que o triathlon me trouxe. Espero não cometer nenhum injustiça.
Às minha Ironmadrinhas, Gra e Thelma, absolutamente essenciais em todo o processo.
Gra, com sua calma e tranquilidade, me tirou da crise que tive às vésperas de ir pra Florianópolis, me ajudou a tomar as últimas decisões na hora de arrumar as sacolas, foi na madrugada me acompanhar e estava lá como um special gift, na hora das special needs.
Thelma com sua firmeza e recém adquirida doçura, me emprestou todas as suas listas, me deu dicas preciosas sobre a roupa a ser usada e, sobretudo, encheu meu coração de força e alegria com o belo post que escreveu às vésperas da minha ida. Ela não estava lá, mas senti a sua presença me acompanhando o tempo todo.
Às minhas filhas "adotadas": Tarsila, Daniela, Mariana, Paula e Julia que treinaram comigo, curtiram, incentivaram, torceram e, como legítimas filhas, cuidaram de mim. Jamais vou esquecer o presente de dia das mães que me revigorou após meu último treino forte. A caçulinha, merece uma menção especial: aquelas corridas pós pedal foram fundamentais para aprender a forçar a barra e eu não teria treinado tão bem se ela não fosse quase me arrastando. Ter você lá na prova foi muito, mas muito bom mesmo! A família ficou quase completa!
À Mariana Almeida Prado que deveria ter estado lá comigo mas, como não pode, acompanhou todos os momentos, da inscrição ao pós prova, sempre com palavras animadoras e de alto astral.
Ao Zé Matos, por transformar os longões com morro em batepapos animados pelo bairro da Aclimação. Eu não teria subido Canasvieiras tão rápido sem esses treinos.
Ao Lester, pela rodinha e palavras de ânimo nos momentos mais difíceis dos treinos de pedal.
Ao Ricardinho, Cachorro Louco, por tornar os treinos divertidos e o café na padoca melhor ainda.
Ao Marcos Vilas Boas pela torcida, apoio e companhia. Ao Alcy Vilas Bôas, não só por acompanhar o blog mas por ter me socorrido quando a ombrite apertou. Ver os dois lá na véspera e no dia, foi ótimo!
E mais os amigos e companheiros de treino:
André Rapapport, Beto Bianchi, Leandro Hernandez, Marquinhos Pereira, Patê Bertolucci, Rodrigo Esper, Victor Nicolau, Cris Dresbach, Flavio Souza Ramos são alguns dos que estiveram próximos de mim nesta jornada.
E mais os corredores e triatletas Fabiana Guerra, Andrea Rizzo, Paéco, Marcinha Oka e Marcelo, Deise Jancar, Graciema Bertoletti, João Paulo Conrado, Kiki Ferreira, Priscila Machado, Monica Bolognani, Marcelo Malavolta, Nickolas Suzuki e, puxa, com certeza está faltando alguém! Sinta-se incluído, por favor!
Ao Portelinha, o primeiro Ironman que conheci e que me desafiou dizendo que eu não seria uma verdadeira triatleta enquanto não completasse um Iron.
Companheiros de aventura
Nilma Machado – mais uma vez, infalível, bem humorada e, desta vez, experiente! Nossos encontros são poucos, mas sempre intensos! Menção honrosa pro Neto, namorado dela, que aguenta tudo sem se estressar!
Pedro Fernandes – desde Penha que venho acompanhando de longe este menino que vai longe. Já já ele chega ao Hawaii! Foram muito legais estes dias de convívio, troca de experiências e muitas, muitas conversas intermináveis sobre nosso assunto predileto.
Evandro Lopes – parceiro dos treinos mais difíceis de pedal. Sofreu, sofreu mas chegou ao fim e quer maisssss!
Diglu – parceiro num treino longo de pedal, na viagem de ida pra Flops – na qual pude aprender um monte de coisas e, puxa, como foi bom ver e ouvir você naquele obscuro trecho da maratona!
E o casal Simone e André de Jau e Kim Cordeiro, da BK; Rodrigo Zerlotti e Valéria Rosato – concorrente leal e forte, ambos da Ironminds, o Velho Ligeiro, Jefferson Vilela e toda a sua animada turma; Maurício “Cachaça”, seguidor deste blog; Eduardo Sarhan; Felipe, Armandinho Bassani, Anderson Atizzano e a esposa Ligia, Clebert Duarte e toda a turma da MPR – e, em especial, o Wagner Spadotto, que sempre tinha uma palavra firme e sábia para mim, que soube me deixar confiante.
Amigos blogueiros e blogueiros amigos, seguidores e seguidoras, leitores e leitoras
Daniel Blois que saiu do mundo virtual para se tornar um amigo real, com quem, em pouco tempo, já tenho afinidade, assunto e parceria para muitos treinos, debaixo de sol ou de chuva.
Rodrigo Sales, meu querido triatleta pianista, com quem compartilhei o treino mais importante de corrida: os famosos 30 e que também me acompanha com entusiasmo.
Rafael Pina, blogueiro, parceiro de treino da Ironminds, o “Homem do tempo” que compartilhou comigo toda a ansiedade da metereologia enlouquecida desta semana pré Iron.
E mais: Eduardo do Três Meios, Xampa, Corredor, Arthur Araújo (que conheci pessoalmente no meu último treino antes do Iron!), Teddy Jones, XFranzX, Carol Merlino, Rafael Farnezi, Vagner Bessa, Carlos Lopes, de Portugal, Egas Zandoni, , Marcos Apene do Amaral; Alexei Caio e Kener Assis dos “doces” e todos os leitores anônimos e “nônimos” que me acompanharam e comentaram este blog. Senti-me acompanhada de vocês!
Equipe técnica
Ao Emerson Gomes, meu técnico e grande incentivador desta aventura. Não deixou que eu me arriscasse em 2009 e me deu a maior confiança em 2010. Segui a planilha à risca, quando tinha que alterar alguma coisa, negociava com ele. Teve o bom senso de me poupar alguns domingos, considerando a minha situação familiar. Estava lá domingo, me elogiando publicamente e seus elogios funcionaram de combustível. Ah, e claro, ao próprio MPR, principalmente pelos berros que deu durante as minhas passagens por ele na corrida!
À Mariana Klopfer, nutriocionista da Nutricius, e uma das torcedoras mais animadas do domingo! A alimentação numa prova de Iron é tão importante quanto o condicionamento físico. E eu fiz o que a Mari mandou antes, durante e depois da prova. Não teve erro. Fora isso, ela é uma pessoa maravilhosa, divertida com quem pude dar boas risadas ao longo desses meses todos.
Ao Alê Piccolo, que me fez quase gostar de musculação. Não perdi um treino e o resultado está aí. Fora a lesão preexistente, nenhuma nova lesão e dois centímetros a mais em cada coxa!
Ao Rodrigo Chiquie Ali, professor de natação da Sumaré Sports, que adaptou váááários mas váááários treinos pra mim, ora por causa da ombrite, ora por causa do meu cansaço, ora por causa da roupa de borracha, ora porque era hora da prova. Sempre de bom humor, sempre tornando a parte difícil quase divertida. E o resultado também apareceu.
À Lucca Mameri, osteopata, fera, que teve, comigo, uma trabalho de Sísifo. Ela me desentortava e eu voltava, na semana seguinte, depois de um longo de pedal, toda torta de novo e ela tornava a me desentortar, achando graça.
À Juliana Ikeda, da SKARP que preparou “a roupa da noiva”, na medida pra mim. E ainda me ofereceu um chazinho de fim de tarde que desfrutamos batendo um papo de amiga de infância, às vésperas da prova.
Aos amigos não triatletas
À Ana Castro, amiga querida, que me incentivou a escrever este blog que acabou sendo uma das partes mais legais da saga.
À Maria Adelaide, pelas suas, sempre bem vindas, preces.
À minha amiga de infância, Pati Curti, que perdoou minha ausência em seu aniversário.
À Celina Santiago, por cuidar de mim, sempre e não me deixar esquecer as coisas quando o cérebro está falhando por só pensar naquilo!
Ao Vagner que fez vários apoios na estrada, sempre encarando como uma grande farra, mas dirigindo com perfeição.
Ao Richard, não só por me agüentar falando do assunto sem parar, mas por SEMPRE perguntar a respeito.
À Nodette e Chris, por torcerem, incentivarem e me suportarem só querendo falar disso nos nossos almoços nos últimos 6 meses!
À Iara e à Neide por terem tido paciência comigo nos momentos em que eu já não tinha mais paciência pra falar de trabalho.
Ao Guilherme Gobato, que sempre pergunta e acompanha.
Ao Thiago Poço, que trouxe as meias e o pneu pra mim.
Ao Fábio Bonini, só pela cara de incredulidade que ele faz quando conto sobre essas façanhas.
À Lucia Mandel, que segue esta saga desde o começo.
A todo o pessoal da (ou ligado à) FDE que sempre pergunta e torce por mim, entre eles: Eliana Eduardo, Marisa Garcia, Luiz Bertini, Inácio Ovigli, Nivaldo Santos, Devanil Tozzi, Maria Ribeiro, Thais Liberato, Conceição Conholato, Solange Rigo, Caia Amoroso.
A todo mundo que, de um jeito ou de outro, sabia que eu estava nessa empreitada e torceu pra que eu tivesse sucesso.
Obrigada, pessoal, obrigada mesmo.
O post sobre a prova virá em breve!
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