domingo, 24 de abril de 2011

Um segundo

 Dedico este post aos leitores como Bru Andriello e Richard Antunes que sempre me escrevem na hora que estou quase desistindo de continuar postando.

Faltam apenas 35 dias e, diferente do que possa parecer (pelo fato de eu não estar postando muito sobre o tema), sim, estou, novamente, entregue aos treinos, sonhando com a prova, imaginando como vai ser o grande dia.
Ano passado escrevi um texto comparando o Iron com o casamento, o parto, batismo. Vou voltar a comparar.

Segundo casamento
Muita gente termina um primeiro casamento afirmando: “nunca mais caio nessa!, agora só aventuras light!”. Para dali um ano, dois ou menos, ou tão logo a oportunidade apareça, insistir no risco. Muita gente diz o mesmo sobre o Iron:”é só uma vez pra ver como é... depois fico nas provas mais curtas!” Mas é só a inscrição abrir... e lá estamos de novo!

Cenas do meu segundo casamento
 O segundo Iron, assim como o segundo casamento, tem algumas vantagens. Já temos mais ou menos uma noção de como é a vida a dois, mais experiências, menos ilusões. Assim como já conhecemos o percurso, as pedras do caminho do segundo Iron.
Esforçamos-nos para entender onde pecamos no primeiro casamento e não cometer os mesmos erros, para minimizar nossas neuras de modo a não estragar nossa nova relação. Assim, no Iron, também analisamos nossas falhas da primeira vez para tentarmos evitá-las.
Mas, se vida fosse assim tão fácil, não teria graça. O segundo casamento também não será um mar de rosas (se você ainda acredita nisso, lamento tê-lo desiludido). São outros desafios (eufemismo para problemas) e temos que estar atentos para não deixar todo aquele amor, toda aquela paixão, escoarem pelo ralo (entupido, motivo da briga besta). E assim o cuidado com o segundo Iron deve ser justamente achar que, pelo fato de saber como é a prova, já ter as favas como contadas e deixar de prestar atenção nos detalhes, dar aquela esculhambadinha básica... e esquecer que cada largada é uma largada e que shit happens particularmente quando a gente não toma as precauões necessárias.
Não é todo mundo que celebra o segundo casamento com a mesma festa que o primeiro. Eu, particularmente, acho que devemos festejar mais ainda! Casar pela segunda vez significa continuar botando fé na relação amorosa. Assim como fazer um segundo Iron continuamos apostando na nossa capacidade de enfrentar uma parada duríssima, termos foco, disciplina etc etc. É transformar o episódico – um Iron – em uma escolha por um modo de vida. A linha de chegada continua então sendo merecedora de muita festa, risos, lágrimas e abraços!

Segundo filho
O primeiro filho é aquele que nos faz mães (ou pais), o primeiro Iron é o que nos torna Ironman (Ironwoman, Ironperson, whatever!). Mas nem por isso é menos impactante, emocionante e gratificante o segundo parto e o segundo filho.

Nascimento do segundo filho
 Talvez uma das coisas mais legais de esperar o segundo filho é que sabemos como é emocionante ver o filho pela primeira vez — seremos tomados por um misto de alívio por tudo ter dado certo e uma felicidade cheia de lágrimas. Assim é também com o segundo Iron: temos uma idéia das emoções que nos aguardam na linha de chegada – e, claro, há também o temor de não conseguirmos terminar. A sombra de um DND (Did Not Finish) existe sempre, por mais experiente que a pessoa seja.
Cada filho é um filho, cada Iron é um Iron. Com suas características, suas surpresas, alegrias e mazelas. Que graça teria se o segundo fosse idêntico ao primeiro (filho ou Iron)?
Estou na expectativa desse segundo Iron, como noiva em segundas núpcias, como mãe esperando segundo filho.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

GP Extreme



Da esquerda pra direita:  Ana Oliva, eu, Kelly, Thelma e Nilma antes da largada.  Um pouco de frio!
  Jus ao nome
Confesso que não prestei atenção ao nome da prova. Não me perguntei a que extremo o título se referia e me inscrevi acreditando que coincidiria com minha periodização. 1 km de natação, 100 km de pedal e 10 km de corrida? Ora, seria um ótimo treino de transição.
Antes de me inscrever fui pedir a benção ao Wagner, meu técnico. Ele torceu o nariz: “para quê uma prova a essas alturas do campeonato?” Insisti: “é uma prova nova, num lugar legal, as distâncias são boas pra encarar como treino.” Ele não se convenceu muito, mas cedeu.
Não me ocupei nem me pré-ocupei com a prova praticamente até chegar em São Carlos.
Saímos no sábado à tarde, Thelma e eu, nossas bikes, gatorades, caramanholas, bisnaguinhas e outros apetrechos. Pensei em levar um dos meus filhos, mas como não conhecia o lugar, não sabia se ele teria o que fazer durante a prova e acabei mudando de idéia. Fiz bem
Chegamos, depois de uma viagem sem intercorrências – mas com vários pit stops por conta de da hidratação contínua – largamos as tralhas no hotel e rumamos pro Damha para pegar os kits e participar do simpósio técnico.
Minha preocupação apareceu no momento em que começamos a descer uma ladeira interminável que dava no local da largada. Ô-oou. Será que vamos ter de subir isso aqui? Aos poucos fui me dando conta de que tinha me enfiado numa encrenca.
Encontramos a Nilma, o Sarhan, a Ana Oliva e mais algumas figurinhas carimbadas. Analisando o perfil da platéia que ouvia a explanação do organizador, dava pra perceber que não era uma prova para iniciantes.
Quem estava por ali também era a Daniella Cicarelli, causando furor entre os fãs. Eu já tinha cruzado com ela várias vezes nos treinos da MPR e em provas nas quais elas acompanhou seu namorado. Devo confessar que não nutria nenhuma simpatia por ela, não. Mas também não posso negar que era certa inveja, um incômodo de ver os queixos caindo por onde ela passava. E tive de dobrar minha língua.

Ciao, Bello!
Dali saímos direto pra cantina Ciao Bello, indicação de meu amigo Guilherme Gobatto, que é de lá, junto com o Cesinha e a Kelly. Ótimo negócio. Chegamos cedo, só havia uma mesa ocupada. Logo depois de nos acomodarmos entrou uma legião de triatletas com seus familiares e ocuparam uma mesa de uns 20 lugares. Olhamos uns para os outros e combinamos: vamos fazer o pedido rápido, pois se os pedidos dessa mesa entrarem antes do nosso, estamos roubados. Ótima estratégia. A Nilma, que chegou mais tarde, acabou esperando quase uma hora pela chegada de seu prato.
Comida boa e barata. Thelma e eu, nutricionalmente bem comportadas, mandamos um agnolotti recheado de ricota e espinafre mas a Kelly e o Cesinha dividiram um belo medalhão de filé com batata frita e tudo! Ele não ia mesmo fazer a prova, mas ela, sim. Quando me espantei com seu pedido, ela deu de ombros e respondeu: já comi macarrão hoje. Voltou-se pro seu filezão, que traçou junto com as batatinhas sem medo de ser feliz.

Noite
Voltamos pro hotel e começamos nossos preparativos pro dia seguinte. É um tal de preparar suplemento, cortar papel alumínio pra embrulhar bisnaguinha, ajeitar o pneu (eu SEMPRE esqueço de providenciar um suporte decente e ele vai preso numa gambiarra meia mussarela, meia calabresa, que ocupa o lugar de uma caramanhola), separar a roupa, carregar o relógio... Uma série de pequenas operações que acaba levando mais de uma hora. Só a Julinha consegue chegar, dormir em primeiro, acordar por último e estar pronta pra prova junto com todo mundo no dia seguinte. Thelma e eu debatemos este tópico mais uma vez: qual será o segredo da Juju? Será que ela tem uns duendes tipo aqueles do Papai Noel que deixam tudo preparado durante a noite?
Caí na cama quase onze. Cansada. Mas quem disse que conseguia dormir? A semana foi pesada, um dos meus gêmeos se acidentou, teve de passar por cirurgia e tudo, o outro gêmeo anda com crises de saudades, o trabalho também não está na melhor das fases... E por aí foi passeando a cabeça em vez de dar um shut off. Quando adormeci o sonho foi o clássico tenho de chegar à prova e não consigo. No caso, eu iria fazer DUAS provas. Uma de corrida e depois o GP. Lógico que acordei cansada.
Acordamos cedo, descemos pro café já com as bikes – o elevador era mínimo e imaginamos que todo mundo iria descer na mesma hora e seria aquela confusão. Boa estratégia. Tomamos café sossegadas, subimos para os ajustes finais e descemos de escada, sem estresse e sem bicicletas.

 
Poucas mulheres (Foto: Cesinha)
 Check in, Cecilia e largada
Viajar com a Thelma é tudo de bom porque nos entendemos super bem: nós duas gostamos de chegar cedo, vamos resolvendo uma coisa por vez... é tudo fácil, descomplicado e sem frescura.
Colocamos as bikes com folga no suporte da transição e, como bem descreveu o técnico Fabio Rosa, arrumamos nossas penteadeiras: toalha, bisnaguinhas, protetor solar, tênis, sapatilhas, escova de cabelo, batom, brincos, etc.
O tempo estava nublado e, logo que a elite começou a largar (era uma largada esquisita, tipo contra-relógio, um por vez) começou uma chuvinha. Droga, comentamos, vai molhar todas as coisas que estão na penteadeira. Então vi de longe duas meninas gêmeas e, em seguida, identifiquei a mãe – Cecilia Musselman – com seus dois braços engessados.
Abre parênteses para fazer uma homenagem. Cecilia chegou, via este blog, ao meu perfil no facebook. Adicionamos-nos e desde então, trocamos mensagens. Ela é é triatleta, da minha faixa etária, também mãe de gemelares, além de ser pediatra e trabalhar pra caramba. Mas tem sempre tempo pra escrever mensagens atenciosas e carinhosas para seus amigos. Sofreu um tremendo acidente há algumas semanas – por isso está com os dois braços engessados – e não ficou se lamentando. Está, de cabeça erguida, enfrentando um tsunami ortopédico que vem assolando a ela e seus familiares de uns 3 anos pra cá. Nosso encontro foi rápido, um pouco antes da largada. Ela estava tensa, pois seu marido, Max, ciclista profissional e corredor amador, está se recuperando de algumas lesões e estreava em provas de triathlon. Despedimos-nos ali, mas, durante a prova, passei por ela algumas vezes que, mesmo com os braços imobilizados, festejava minha passagem com uma torcida animadíssima.
Os homens largaram primeiro. Foi aí que percebemos quão poucas éramos nós. Vinte e uma. E eu, como já pude conferir, era a veterana.

Na água
Saindo da água e brigando com o Garmin (Foto: Cesinha)
Barrenta, rasa, longa e fácil. A mulherada saiu desatinada. Fui um pouco mais tranquila e, no final, dei uma apertadinha. Logo depois da primeira bóia deu certa aflição porque a água estava totalmente escura. Não se enxergava nada.
O Garmin se atrapalhou todo e eu me atrapalhei com ele. Coloquei no modo multidesporto mas alguma besteira eu fiz, porque ele não funcionou como tinha funcionado no Internacional. Saco. Perdi um tempinho tentando entender o que estava acontecendo, mas acabei desistindo.
 Corri pra bike, fiz quase tudo direito. Esqueci de colocar duas bisnaguinhas no bolso. A comida estava quase todas na bento-box, mas as bisnaguinhas não couberam. Quando me dei conta, já era tarde. Falta de concentração e mentalização da prova no dia anterior.


Pedal, subidas e Daniella
Depois de uns 2 kms planinhos chegava-se ao percurso da bike. E aí, dá-lhe ladeira. Logo no começo, fui ultrapassada por uma das minhas concorrentes da categoria – a Rita. Deixa quieto, pensei. Lembrei do Wagner “é sua semana regenerativa e encare como treino”. Não sei o que teria acontecido se eu quisesse alcançá-la. Provavelmente não teria feito diferença. E ela foi embora.
A subida não acabava nunca. Praticamente só na hora do retorno. Em alguns trechos amenizava um pouco, mas logo recomeçava. Não sei como é que alguém poderia tomar penalidade por vácuo. Ou era subida, ou era descida. O único trecho plano era chegando ao retorno. Mas era muito curtinho.
A primeira volta foi tensa. Caiu uma garoinha então, na hora da descida, sem conhecer o percurso, o medo de tomar um chão era grande.

Início da volta (Foto: Cesinha)
Na segunda volta, a garoa parou, e deu menos paura no retorno. Mas no início da interminável subida eu me perguntava em voz alta “Como foi mesmo que eu vim parar aqui? Onde eu estava com a cabeça?” Não fiz nenhum treino de subida este ano. Nada. Então, tive de ter muita calma e dosar a força pra aguentar até o fim e depois ainda ter pernas pra correr. Na subida.
Quando estava terminando o primeiro trecho de ladeira da terceira volta, passei pelo Fabio Rosa e pedi, de brincadeira, “Dá pra dar um empurrãozinho aí?” Ele levou a sério e com as mãos nas minhas costas, deu um certo impulso. A Cicarelli que vinha logo atrás de mim, ganhou um também. Logo em seguida, uma moto da arbitragem se aproximou e deu uma dura nela e depois em mim. Com muita educação “Não deixa ele fazer isso de novo, se não você será penalizada”.
Daniella me alcançou e comentou “Puxa, quase levamos um cartão!. A partir daí engatamos numa conversa que durou a terceira volta todinha. E vou ter que ser honesta: ela foi muito simpática. Brinquei com ela “não vem, não! Você já tem muita coisa, já leva muita vantagem sobre mim, não vale, além de tudo, ganhar no triathlon”. Ela riu e disse “não se preocupe, não vou ganhar”. Lá pelas tantas, quase tomamos outro cartão por estarmos lado a lado. “Vácuo lateral também não pode!” disse o fiscal. Vácuo lateral?!
Fui  na frente, mas no meio da quarta volta, ela me ultrapassou, pela direita e, mais uma vez, tomou dura do fiscal. E fomos assim, quase até o fim. O duro de ir perto dela era que TODO MUNDO batia palmas e torcia por ela. Os staffs se estapeavam pra ver quem ia entregar a água pra ela! Reclamei "tá vendo?! Assim não vale! A torcida é toda sua!" Mas tive o apoio e a torcida animadíssima do Cesinha, que valeu por uma multidão e da Cecília, é claro.

A simpática Dani, e eu.

Minha concorrente, a Rita, também me dava um alô sempre que cruzava comigo “Força, Claudia!”. A Kelly também, que estava um pouco atrás, também sempre festejava nossos encontros. Flavio - colega de MPR-  passou por mim e gritou "pô, um treino de 160km na Dom Pedro é mais fácil!" Coisas do triathlon.
Iniciei a última volta soltando uma série de impropérios impublicáveis que me ajudaram a ter forças pra ir até o fim e ainda ultrapassar a Daniella, a Nilma, mais uma que não sei o nome e encostar na Patrícia Bertolucci – minha outra adversária.
Cheguei à transição e xinguei mais um pouco, só de farra.

Corrida, ladeiras e tapinhas
Desconcentrada, mais uma vez, esqueci de pegar o accelerade que me esperava. Mas os géis eu levei. Ufa.
Vi a Patrícia saindo da transição e pensei “vou buscar”. As pernas estavam duras. Ainda bem que o primeiro quilômetro não era, ainda subida forte. Deu pra soltar as pernas e engatar o ritmo do primeiro pro segundo. No segundo, já no início da subida, passei minha amiga, que pediu pra eu puxá-la por uma cordinha. Brinquei: “ah, você não me puxou na bike, agora não te levo, não”.
Corrida, minha praia! (Foto: Cesinha)
E dá-lhe subida. Gente com cãibra, gente andando, resfolegando. Ah, mas eu gosto de correr. Cheguei até o topo, no retorno no 2,5km, e não tinha água. Pecado mortal.
Pra baixo, o santo ajuda. E como. Cheguei no retorno de baixo. Forte. Aí eu já estava feliz. Só mais 5km.
Sobe sobe sobe. Aí desce. Tapinha na bunda do Caio, do Rychard, do Fabio. Quebrados. O Rychard, maluco, tinha feito o short na véspera. Fiz um ritmo abaixo de 5m/km. Cruzei o Mauricio, amigo de blog, que foi a simpatia de sempre, e o Flavio de novo, já  indo embora,  quando eu estava chegando e ele vibrou com a minha corrida. Foi muito legal.
Na linha de chegada, catei a faixa, levantei e gritei “tem que ser fêmea pra caralho pra terminar essa porra! Não é macho, não! É FÊMEA, com F maiúsculo!”. Os staffs e quem tinha sobrado ali, riu e aplaudiu. 4h40m, segunda da categoria – palmas pra Rita que mandou muito bem.

Comentários, críticas e sugestões
O lugar é lindo, os retornos e curvas estavam bem sinalizados, a arbitragem, de modo geral, foi gentil. Um pouco “burra”, quero dizer, em alguns momentos faltava bom senso. Por exemplo, por que não deixar sair pelo outro lado da transição? Era só deixar alguém ali, de olho. Muita gente saiu assim mesmo.
Deveria ter mais um abastecimento no retorno de cima do pedal, não só com água mas com isotônico, frutas e outras coisas. R$ 380 de inscrição, é grana.
Não pode faltar água. Não fez calor. Se tivesse feito, ia ser um strike. R$ 380 é grana.
A largada, às 9h é muito tarde. Por que a elite largou um a um? Ninguém entendeu. Se a elite largar às 8h, os amadores podem largar 8h15 e a prova não termina tão tarde e nem a premiação. Começar a premiação às 16h??? Não dá. É um longo caminho pra São Paulo e adjacências.
Uma camiseta de finisher ia bem. Numa prova como esta, dá gosto usar. E, por R$ 380, tem de dar, né?

Acho que é só. Parabéns a todos que terminaram a prova. Foi casca. Talvez tenha sido a prova de triathlon mais difícil que fiz na vida. Nem no Iron sofri assim.
Quando liguei pro Wagner pra comentar como tinha sido duro, ele respondeu de bate pronto: "Bem feito". E foi mesmo. Bem feita.

sábado, 19 de março de 2011

Treinos

Nada, nada já estou entrando no auge da temporada de treinos para o Iron. Falta pouco mais de dois meses. Agora o corpo já sente o cansaço acumulado e, ainda assim, o volume de treinos vai aumentar.

Segundo Iron
Não me senti muito estimulada a escrever sobre os meus treinos deste ano. Para ser bem honesta, fugi o mais que pude do tema que é a razão de ser deste blog. Por um lado, tive medo de me repetir – relatar fatos muito semelhantes aos que narrei ano passado, por outro, há cada vez mais gente na web escrevendo sobre seus treinos, gente que treina mais e tem mais experiência – de novo, temi chover no molhado.
Mas, pensando bem, tenho algumas coisas pra contar. Treinar para fazer um segundo Iron é diferente de treinar para a estréia.
Quando a gente se inscreve para o segundo, sabe exatamente onde está se metendo. O medo de não conseguir completar a prova ainda existe, mas é uma sombra muito mais tênue.
No ano passado, meu objetivo – principalmente nos treinos longos – era conseguir completar o volume. Isso era coerente com minha meta central: completar o Iron. Em quanto tempo? No que fosse possível. Eu tinha alguma idéia. Mas nenhum compromisso.
Hoje é diferente. Tenho um tempo a ser superado – o meu mesmo, do ano passado. E isso tem implicações diretas em cada treino.

Natação e ciclismo
Na piscina, tenho prestado atenção para não deixar o ritmo ficar muito mole. Não é que me mate. Mas também não é pra sair da água como se nada (nado??) tivesse acontecido.
O pedal é onde tenho me aplicado mais. Durante a semana, nos treinos da USP, tento acompanhar o pessoal mais forte, ficando na roda. E, quando estou sozinha, mesmo cansada, luto para manter a velocidade acima dos 30km/h. O Wagner, meu técnico, me disse algo que pode soar óbvio, mas não é: “Se você treinar com média de 28km/h não vai fazer 32/h na prova. Vai fazer 27-29, mas não 32!” Então, nos longos, tenho feito 80% do tempo com a cara no vento e me esforço, mas me esforço mesmo, pra fazer a média acima dos 30km/h o que, para mim, não é fácil.
No ano passado sempre anunciava meus treinos para conseguir companhia. Agora, se alguém me pergunta ou oferece companhia, ótimo. Mas estou muito concentrada em fazer meu pedal como manda o figurino, buscando o ritmo certo para mim.

Na corrida
Como relação à corrida, também estou em busca de mais qualidade. Foi o que fiz melhor na prova passada, mas sei que dá pra ir além. Mantive treinos com média de 5m30/km e fiz a maratona para 5m35/km. Agora tenho treinado em 5m/km ou menos! Além disso, o ano passado, eu completava o volume indo até o parque correndo ou correndo pelas ruas perto de casa. Isso faz com o ritmo não seja tão constante, porque você tem de parar nos cruzamentos, tomar cuidado com as calçadas, desviar de obstáculos... Agora treino direto no parque ou, quando o volume é menor, faço esteira.

No geral
Também tive algumas mudanças globais – o dia de treino longo de corrida tem sido às 4ªs feiras, pra não ficar próximo do longo de pedal. Tenho tido mais volume de pedal e natação do que ano passado e um pouco menos de quilometragem semanal de corrida. O ciclo mensal: leve, moderado, forte, regenerativo – tem sido muito mais marcado que ano passado. Termino a semana forte realmente precisando me regenerar.
Fora uma dorzinha ali (piriforme é a mais recente) e outra ali (dos fibulares, é das mais antigas) tenho gostado e me sentindo bem. Tem momentos de extremo cansaço. Semana passada, depois de pedalar 140km sozinha na ciclovia tudo que eu queria era alguém para carregar minha bike passarela acima/abaixo! Cheguei a pensar em oferecer dinheiro. Mas todo mundo já tinha sua própria bike pra carregar. Depois de um banho, uma hora jogada imprestável no sofá e um prato de macarrão, ainda tive disposição de levantar e fazer brownies para os meninos.

domingo, 6 de março de 2011

Ilusões e sonhos

A aula de balé

Quando crianças, meninos e meninas sonham em ser bailarinas, jogadores de futebol, judocas, artistas de circo, guitarristas... E o uso do verbo “sonhar” não é mero acaso. Sonham com o palco onde vão brilhar, com o golaço que vão fazer, a faixa preta que vão vestir, os solos de guitarra que vão abafar. Sonham, iludem-se, criam fantasias. São crianças e conhecem apenas um lado dessas ocupações. O mais óbvio, aparente e sedutor. Por isso muitos pais e mães se decepcionam quando seus filhos vão animados ao primeiro treino ou primeira aula e já na segunda ou terceira querem desistir. Ao defrontar-se com sua primeira seqüência de “pliés”, a pretendente à bailarina percebe que não será tão simples e rápido conseguir dançar uma maravilhosa coreografia e encantar a platéia. O mesmo se dá com o pequeno guitarrista ao sentir que as pontas de seus dedos doem depois da simples e árdua combinação de dois acordes, que produziram um som surdo e desafinado tão distante daquele que ele imaginara tocar.
Muitos desistem. Alguns, com a firmeza e empenho dos pais, permanecem, ainda que a contragosto.
Às vezes, depois de um tempo, quando começa a ter sucesso na aprendizagem daquela arte ou esporte, a criança começa a gostar e já não é mais preciso vencer uma batalha a cada aula ou treino. Ela vai com gosto. Começa a ter prazer em executar aquela pequena seqüência de pliés com perfeição ou a surpreender-se com os acordes que já não soam mais surdos. A ilusão vai se desfazendo e o que vai se delineando em seu lugar começa a interessar.
Outras vezes, não. O menino desiste de brigar, vai à aula ou treino, cumpre tabela mas não se entusiasma. Se pudesse optar, pularia fora na primeira oportunidade.
Como mãe, penso várias coisas a respeito disso, mas não vêm ao caso.

Os adultos
Nós, adultos, conhecemos mais sobre o mundo e seu funcionamento. Sabemos que as aparências enganam que, dificilmente o sucesso vem de mão beijada e que deus ajuda quem cedo madruga.
Então, nós, adultos muitas vezes paramos de sonhar. Não nos vemos fazendo algo diferente, ousado, difícil. Por achar que nos conhecemos bem, deixamos de nos atrever, de testar nossos limites. Por outro lado, não estamos livres das ilusões. Elas ainda nos seduzem de diversas formas: na idéia de que poderíamos ter outra carreira que nos fizesse mais feliz ou uma mulher mais bonita, (ou um marido mais sensível), uma grama mais verde que a do vizinho...

Sonhando com o Ironman
O triathlon – principalmente o Ironman – desperta os sonhos dos adultos. Alguns logo pensam “não é para mim”, outros se imaginam cruzando a linha de chegada. Os primeiros, que acham que não é possível, não lembram a incrível capacidade humana de aprender, de resistir, de se superar. E os outros, não imaginam as inúmeras horas que terão de ser passadas com a bunda no selim, nos zilhões de ladrilhos contados no funda piscina, nas corridas pra longe da família e dos amigos.
Mas, tanto uns como outros, só irão compreender a essência do triathlon - e depreender algum prazer dela  -, se persistirem por algum tempo. Pode ser que rapidamente a ilusão se desfaça e alguns voltem pra sua modalidade favorita ou, ao contrário, cada passo seja encarado como uma pequena vitória, cada pequeno aumento no volume de treino como superação de um desafio e tudo isso vai, aos poucos, revelando para o novo adepto novidades a respeito dele mesmo.

Sonho realizado
Não sei quanto a vocês mas me lembro que o Iron era um sonho distante quando comecei a treinar.
Também não imaginava a dimensão que o triathlon teria na minha vida. As duas coisas foram se consolidando aos poucos e simultaneamente. Na medida em que fui me vendo capaz e gostando de aumentar o volume de horas com a bunda no selim, o número de ladrilhos contados e a quilometragem das corridas, a possibilidade de fazer o Iron foi despontando na paisagem.
E é muito curioso como tornei algo que me parecia sobre-humano, possível. Sonhar é importante, mas mais do que acreditar no sonho é necessário des-iludir-se. Ou seja, apreciar cada parte do esforço, desmontando a ilusão e transformando em real-ização.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Revista Alfa

Eu sei, eu sei. Teve o Internacional de Santos e eu não vou fazer um post sobre a prova. Pelo menos, não por enquanto. Sei lá... Tenho medo de ficar repetitiva. Se eu tiver um bom ângulo da história, que fique diferente do ano passado, prometo que faço meu relato.
Por hora, quero compartilhar com meus leitores um acontecimento na vida desta blogueira que a deixou muito feliz e que tem a ver com este blog. Um texto meu, sobre triathlon, foi publicado nesta revista bacanuda, a Alfa. É uma nova publicação da Editora Abril, voltada para o público masculino, classes A e B (mas muitas mulheres gostam dela também!).  Foi lançada em outubro e já está fazendo história. O Kiko Nogueira, diretor de redação, viu o blog e pediu que eu sugerisse uma pauta sobre triathlon e eu sugeri "Dez boas razões pra você fazer triathlon e outras dez (não tão boas assim) pra você continuar em casa". Escrevi o texto, ele gostou e publicou na Alfa que foi pras bancas agora em 11 de fevereiro. O mais legal - achei - é o fato de não ser uma  revista especializada em esportes.
A edição foi super caprichosa e valorizou o texto. A única mancada foi que, na minha minibiografia, num cantinho da página, faltou dizer que eu completei um Iron. Se tiverem oportunidade de ler, está nas páginas 121-124. Depois me contem o que acharam. E está no site deles
Abaixo a primeira página da matéria. E sim, antes que perguntem, o texto todo é meu. Nenhum repórter reescreveu depois de conversar comigo.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Triathlon sem mistérios – pequeno glossário para não triatletas

Caros leitores, como este blog não é lido exclusivamente por triatletas e suponho que muitos devam ter dificuldades para entender os textos aqui postados, decidi, para dirimir as principais dúvidas, escrever um pequeno glossário com os termos básicos, porém fundamentais, para a compreensão do nosso amado esporte.

Alfa. Tipo de macho da espécie humana com alta incidência no grupo de triatletas. Costumam andar em bando e disputar a liderança dos treinos, causando, muitas vezes, a dissolução dos pelotões (vide). Desaparecem durante as competições.

Alimentação de treino. Lanche que seu filho leva pra escola e que você tem vontade de comer mas não tem mais idade para isso, os triatletas consomem, sem constrangimento, antes durante e depois do treinos: bisnaguinha com geléia, melzinho, todinho, bananinhas, entre outros.

Alvará. Permissão concedida pelo cônjuge do triatleta para participar dos treinos longos de final de semana. Obs.: Às vezes o triatleta, não requisitando o alvará com a devida antecedência, arrisca-se a treinar sem ele. Isso pode ter conseqüências matrimônio-judiciais gravíssimas.

Bento box. Pequena bolsinha que fica presa ao quadro da bike onde pode ser colocada a merenda e outros objetos. Costuma ficar melada com os restos de lanche (tal qual a lancheira de seu filho) e, além disso, adquire um odor característico em função da combinação com o suor depositado durante os treinos.

Bomba. Encontrada em dois modelos: de pé e manual, é um objeto que tem a função de encher as câmeras das bicicletas e que o triatleta sempre se esquece de levar (a de pé) quando o pneu está murcho e nunca está com uma (manual) quando seu pneu fura no meio do treino. Na segunda situação ele pode contar com um cilindro de CO2 (ver).

Buraco. Inimigo número 1 dos triatletas. Frequentemente encontrado na raia da USP, ataca os ciclistas ocasionando furos nos pneus, lesões nas rodas, tombos e, acima de tudo, brigas nos pelotões (ver).

Cadência ou ritmo. Modo de dizer a velocidade demonstrando aos demais que não é um corredor de esteira. Enquanto as pessoas dizem 12 km/h, triatletas e corredores experientes dizem 5 minutos/km.

Caramanhola. Conhecida também por squeeze ou garrafinha é um objeto extremamente perigoso, principalmente quando escapa de seu suporte na bicicleta da frente e cai na pista provocando pânico nos ciclistas e, não raro, acidentes sérios. Pode afetar também ciclistas inexperientes que, durante a complexíssima manobra de retirar e colocar a caramanhola no suporte perdem a direção e tombam.

CO2, cilindro de. Pequeno dispositivo que serve para encher as câmeras dos pneus na falta de uma bomba manual portátil. Devem ser atarraxados à válvula da câmera para enchê-las de uma só vez. Apesar de muito práticos, leves e de não ocuparem espaço, não há registros de que tenham funcionado alguma vez..

Chuva. Pretexto preferido dos triatletas para continuar dormindo às 3ª e 5ª de madrugada, sem culpa.

Facebook. Rede social em que alguns triatletas postam seus treinos, outros se irritam com os treinos postados pelos primeiros e todos, de um modo ou de outro, mostram para o mundo que o triathlon é a coisa mais importante que existe.

Feirinha. Local organizado antes de competições de triathlon com estandes de venda de equipamentos e roupas de triathlon onde os triatletas compram uma vasta quantidade de inutilidades caras como se estivessem fazendo barganhas.

Fuel belt. Cinto ridículo onde se encaixam garrafinhas para hidratação em treinos de corrida. Serve para que os triatletas demonstrarem que estão fazendo um treino longo.

Garmin. GPS de pulso que tem como finalidade registrar todos os detalhes dos treinos como: distância percorrida, velocidade média, elevação e frequência cardíaca mas que o triatleta esquece de por a bateria para carregar, de ligar na hora certa ou de levar para o treino.

Ironman. Doença que costuma acometer os triatletas após um ou dois anos de treino e que, frequentemente, leva a um estado de loucura. Nenhum tratamento eficaz foi descoberto até hoje a despeito das inúmeras pesquisas realizadas por cientistas havaianos.

Meia de compressão
Meias de compressão. Mistura de meião de futebol com a meia que minha vó usa, e que os triatletas vestem com muito orgulho. A diferença está nas cores e estampas estapafúrdias.

Padoca. Principal razão pela qual os triatletas treinam no sábado. Alguns, inclusive, nem treinam, apenas vão ao local para encontrar os demais, tomar café e conversar.

Pelotão. Bando de triatletas que querem ser como as escuderias do Tour de France, mas se comportam como as torcidas organizadas dos times de futebol, sem a organização destas.

Planilha. Motivo de sentimento de culpa e desavenças entre triatleta e seu técnico.

Roda, Zé Rodinha. Habilidade de participar do pelotão sem fazer força. Pessoa especialista nesta habilidade.

Roda Zipp, 404, 808, rodas fechadas Equipamento utilizado por triatletas na vã esperança de melhorar seu desempenho mas que funciona apenas quando as pernas destes já são fortes o suficientes para não precisar deste artifício.
Espartilho moderno

Roupa de borracha – wetsuit. Parente próxima do espartilho, é uma vestimenta que serve para apertar, sufocar e assar a nuca do triatleta durante a natação além de dificultar a transição.

Sapatilha. Calçado utilizado para constranger o triatleta iniciante que, na hora de parar, invariavelmente esquece que esta fica presa ao pedal, não lembra de soltá-la e vai pro chão como um saco de batatas na frente de todos.

Suplementação. Pozinhos, líquidos, géis, cápsulas e comprimidos de cor, gosto e consistência estranhos pelos quais se paga uma nota para, supostamente, melhorar a performance do atleta ou causar um desarranjo gastro intestinal providencial nas provas em que ele sabe que não terá uma boa performance.

Técnico. Pessoa a quem o triatleta ouve mais do que seu pai, sua mãe ou seu cônjuge. O que não quer dizer, entretanto, que o triatleta siga as orientações deste.

Transição. Local que o triatleta não encontra depois de nadar esbaforido ou de pedalar como um louco, onde há uma série de voluntários que não sabem o que fazer, à volta do qual seu filho, seu marido/esposa ou técnico ficam gritando – “vai, vai, você ta bem!” enquanto você nem percebe que saiu pra correr com o capacete na cabeça.

Treino. Forma de expressão utilizada pelos triatletas para diferenciar-se de quem faz exercícios ou ginástica.
 Troféu. Objeto de gosto duvidoso com o qual os triatletas adoram tirar foto em cima de um pódio.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Meu querido amigo

Era 2007 e eu estava começando a treinar e também acabara de ser contratada no meu atual emprego. Minha chefa, com quem eu já trabalhava antes e me conhecia bem, disse:

- Conversa com ele. Vocês vão se entender. Ele também gosta de esportes.

E não demorou que, num desses almoços descompromissados que a gente tem com as pessoas de trabalho, nos sentássemos lado a lado e começássemos a trocar confidências sobre nossas respectivas paixões: triathlon, a minha, tênis, a dele.

Então, ao longo destes quatro anos, almoçamos quase todos os dias juntos e conversamos de tudo - mas nosso assunto predileto – o esporte - esteve sempre em pauta.

Com ele aprendi a admirar Federer (embora, só pra provocá-lo, eu diga que gosto mais do Nadal), a considerar Roland Garros A prova de Grand Slam e descobri que há tantos – ou mais – torneios de tênis para amadores quanto há provas de triathlon e corridas de rua.

Por outro lado, ele aprendeu tudo sobre triathlon. Sabe o que é o clipe, uma caramahola e a diferença entre uma speed e uma contra-relógio, entre outras tantas coisas.

E quando ficamos mais próximos, ele também me ensinou coisas da política, da administração, da gestão. E eu pude falar mais sobre relacionamentos, conflitos, convívio.

Ao longo desses quatro anos tivemos discordâncias – sobre aspectos do nosso trabalho – mas nunca brigamos. Fui à sala dele chorar algumas vezes. Ele não foi à minha – porque é duro na queda – mas deixou escapar uma angústia ou outra, que acolhi como pude.

Ano passado, quando estava me preparando pro Iron ele me perguntava todo o dia como tinha sido meu treino. E seu interesse era genuíno. Entendia as minhas restrições alimentares e não se importava se, durante uma semana inteira, eu só quisesse comer no 7 Grill.

Na véspera da minha viagem para Floripa em maio do ano passado, ele estava de férias, mas combinamos de almoçar juntos. Eu estava insuportável. Não conseguia falar de outra coisa que não fosse a prova. Durante o almoço ele fez todas as perguntas que eu queria responder, disse o que eu queria ouvir e me acalmou sem nem se dar conta.

Muitas vezes durante o horário do almoço saímos para encontrar um cadarço de tênis pra ele entre os camelôs, comprar um pacote de maltodextrina ou à caça de baterias CR 3032 para o frequencímetro. Por incrível que pareça, nos divertíamos nessas pequenas jornadas. Conhecemos lugares escondidos como a “Casa das Baterias” e personagens inusitadas, como a sra Chun, da loja de perfumes importados. Temos em comum um pequeno e curioso repertório de pessoas e situações.

Ano passado ele perdeu o pai e, logo em seguida, a mãe. Estive no velório de ambos e no enterro e cremação de um e outra. Vivemos também um repertório de tristezas e perdas compartilhadas.

Agora, neste início de ano ele e várias outras pessoas de quem gosto muito, foram demitidos.

Quando a percebi a iminência de sua demissão me dei conta de como iria sentir sua falta. Vi que ele é muito mais do que um companheiro de trabalho. É um amigo. Meu melhor amigo.

Claro, vamos continuar a nos falar e sempre que possível, almoçar juntos. Não tê-lo no convívio diário, entretanto é, para mim, uma grande perda.

De qualquer modo, não posso deixar de registrar: obrigada por tudo, querido amigo!