segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Cada macaco no seu galho ou Onde os macacos se encontram


Cada macaco... (ilustração tirada do Blog Sopa de Idéias)
 O triatleta é um espécime bastante peculiar que pode ser visto em bandos nas madrugadas da USP, em cima de bicicletas, em algumas trilhas do Ibirapuera e em academias da cidade. São os habitats onde se pode encontrá-los com mais freqüência, pois é onde ficam à vontade. Ou, como reza a música, o “galho” onde deve ficar cada macaco.
Entretanto há situações que em que é necessário compartilhar o galho e isso promove encontros, no mínimo, inusitados.

Estrada dos Romeiros
Como o próprio nome diz, a estrada é deles. Assim, pelo menos uma vez por mês, eles vêm aos montes, simulando uma ida à Roma, carregando em suas carroças aparelhos de som turbinados de onde bradam músicas sertanejas narrando histórias tristes de amores, despedidas, jornadas, saudades, amigos e, claro, cavalos. Estes, e seus primos jumentos, também fazem parte do tour religioso. Ao longo da pista é fácil identificar os rastros que deixam pelo caminho. Há também bicicletas paramentadas com chupetas(?), ursinhos de pelúcia e outros souvenires intrigantes. Participam jovens, velhos, crianças, mulheres, chapéus, bonés, garrafas de cachaça, cobertores, estandartes, berrantes e até santos e santas.
E, de repente, no meio deste happening, surgem os triatletas, também fazendo sua peregrinação. Nossa Meca é outra: Hawaii, mas nos contentamos em sonhar com Floripa, Pirassununga ou, simplesmente, Santos. Mas nos vemos ali, dividindo o chão com outra turma. Eles nos olham espantados, rapidamente notam que não pertencemos à romaria deles mas, os mais atentos, perceberão que também há devoção em nossos olhos. Assim, na maioria das vezes, não há brincadeiras de mau gosto ou atrevimento. Seguimos cada qual com seu Deus, com sua oração, mantra ou ladainha (WIT- what it takes é a de alguns).
No final, pagamos nossos pecados na subida do “cala a boca”, enquanto os romeiros pagam suas promessas.


Riacho Grande – os cantores de karaokê
Ali, ao lado da represa, enquanto tiramos a bike do carro, vestimos capacete e sapatilhas, abastecemos as caramanholas e passamos protetor solar, a música no boteco em frente rola alta e umas poucas vozes desafinadas denotam o clima de fim de festa. Uma moça, vestida a caráter (ou seria melhor dizer falta de?), sai de dentro trançando as pernas. Sem a menor cerimônia, ela vomita. Num carro ali perto, um rapaz e uma moça fumam, discutem, gritam um com outro e ela chora. Sua maquiagem já se transformou numa máscara de pierrô.
Por uns 20 ou 30 minutos, triatletas e karaokeiros (karaokistas??) compartilham o estacionamento. Os primeiros começando o dia enquanto a família dorme, entre planilhas e quilômetros, suplementos e endorfinas, os outros, terminando a noite, enquanto a família dorme – entre tapas e beijos, cigarros e vômitos.
A troca de olhares entre os dois grupos não chega a ser hostil, mas não é tampouco amistosa. Parece que cada um olha para o outro e pensa: como eles podem viver assim?


Riacho Grande – pescadores
Tá estressado? Vai pescar! São os dizeres do adesivo que decora o Voyage 89 estacionado à beira da represa. Eles também levantam cedo, munem-se de paciência, alimentos, equipamentos e rumam pra beira da Billings.
A maioria instala-se ali, ao lado da ponte, já perto da entrada do parque. Pescam, mas a também fazem churrasco, levam a família, nadam e (já não se fazem mas pescadores como antigamente) colocam o som do carro alto e estridente no volume máximo.
Nós triatletas passamos pra lá e pra cá, pra cá e pra lá, sentimos o cheiro da carne sendo assada, ouvimos a algazarra das crianças na água, observamos aquele pescador que, como nós, persiste em sua atividade, incansável. Somos observados por eles com crescente indiferença a cada volta. Eles se acostumam como nosso ir e vir, nós nos acostumamos com o ficar deles.

Na praia

Biquínis mínimos, sungas e calções de tamanhos variados, grande profusão de barrigas máximas.. Eis que... O que é aquilo? Um pingüim? O Aquaman? Um ET? Não. Magro e emborrachado dos pés à cabeça, é um triatleta pronto para treinar.
Longe da beira, pra não trombar com os banhistas, o triatleta muitas vezes é perseguido e admirado por remadores (eventuais) de caiaques e botinhos de borracha, que costumam se aproximar pra ver que espécie de animal aquático é aquele.
O convívio costuma ser pacífico. Já a aproximação de lanchas e jetskis pode deixar o triatleta nervoso e agitado.


Ciclovia

Placa na ciclovia - (do blog De Verde Casa)
Muito se engana aquele que imagina que na ciclovia da CPTM os triatletas compartilhem o galho, digo, a pista apenas com seus parentes próximos – os ciclistas.
Ali os habitantes são outros mamíferos: roedores. As placas avisam logo no início do trajeto: cuidado com os animais silvestres – capivaras. E lá estão elas, tomando sol à beira do perfumado Rio Pinheiros, sem tomar conhecimento dos primatas sobre rodas.
Mas não são apenas as simpáticas capivaras que freqüentam o pedaço. Outros roedores, nada simpáticos, também atravessam a pista sem a menor cerimônia. Outro dia estávamos por ali e o mesmo rato (que parecia mais um cachorro) cruzou a pista na nossa frente três vezes.
Eca.

Outras
Estas são algumas situações permanentes em que invadimos ou compartilhamos os galhos alheios. Mas há outras, mais esporádicas: entrar no banheiro do posto de gasolina no meio de uma estrada – suada, de capacete e sapatilhas – enquanto o pessoal que veio de ônibus lá de Aparecida faz uma parada. Aparecer na piscina da academia com a roupa de borracha pra fazer um treininho pré prova. Parar no meio de um longão na chuva, ensopado e entrar numa padaria qualquer pra comprar um gatorade.
Por um lado, a gente vai se acostumando com os olhares incrédulos, mas, por outro, é preciso tomar cuidado pra não achar que somos mais donos dos galhos do que os outros macacos que os freqüentam conosco. Com exceção, é claro, do que não são macacos, são ratos.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Insônias



Atire o primeiro lexotan aquele, triatleta ou não, que nunca foi assolado por uma insônia.

Diversidade de insônias

Existem vários tipos de insônia. Há aquelas que vão junto com a gente para cama: encosta-se a cabeça no travesseiro, apaga-se a luz e pronto, lá está ela, sorrindo na escuridão. Outras nos despertam no meio da noite, como se já estivéssemos atrasados para o treino, e varamos a madrugada, até que os pássaros comecem a cantar e o dia a clarear. Outras – as piores - viram a noite com a gente, estraçalhando nossos sonhos de treino pela manhã e embotando nosso dia inteiro.

Há insônias por motivos óbvios, como as insônias de véspera: de viagem, de competição, do parto. Há as insônias de preocupação: problemas de saúde na família, dívidas, incertezas na vida profissional. Há insônias de paixão: seja de felicidade, porque o ser amado nos ama e não sossegamos o facho de tanto contentamento ou, pelo contrário, o ser amado não nos ama, então a tristeza nos inquieta e nos impede de dormir em paz. E, claro, há insônias que combinam várias dessas razões e mais outras tantas.

Insônia de triatleta

Os triatletas têm um tipo especial de insônia chamado “descanso também é treino”. Acordamos cedo todos os dias para correr e/ou pedalar e/ou nadar, trabalhamos, nos alimentamos, cuidamos dos filhos, então queremos, o mais cedo possível, nos colocar na posição horizontal, fechar os olhos e apagar. Só descansando adequadamente é que nosso corpo assimila os treinos. Além disso, costumamos estar exaustos por volta das nove da noite.

Mas o sono tem seus caprichos. E mesmo fazendo tudo direitinho, indo pra cama cedo, podemos ser surpreendidos por uma das piores espécies de insônia: o corpo está cansado, dormimos pouco na noite anterior, o cérebro já não está funcionando bem... mas não conseguimos desligar. Os pensamentos começam a ficar confusos, o corpo parece que está afundando na cama... estamos quase lá... quando, sem mais aquela, uma voz parece nos chamar e nos trazer de volta ao estado de alerta. Então caímos na besteira de consultar o relógio. “Oh, droga! Faltam apenas 4horas e 45 minutos pra eu acordar!” Pronto. Era o que faltava para piorar a noite. Começamos a contabilizar os prejuízos da noite mal dormida e isso nos deixa ainda mais despertos. Danou-se. A gente, que gosta tanto de controlar tudo, de medir (e aproveitar) o tempo em segundos e “derrubar” as planilhas de treino cumprindo tudo que está ali fica desesperado quando se depara com uma situação dessas: não mandamos no nosso sono. É simples assim. E como isso é complicado!

Minha insônia

Noite passada sofri uma dessas. Deitei exausta. A noite anterior fora mal dormida (caiu uma tremenda tempestade durante a madrugada em Brotas onde eu estava), de manhã os meninos e eu nos aventuramos por uma mega tirolesa, à tarde 250 km dirigindo de volta pra São Paulo e à noite 18 km de corrida no Ibira. Comi, tomei um banho e caí na cama. Nem era tão cedo. Cadê o sono que estava aqui? Puf, sumiu num passe de mágica. Panquequei na cama, virando de um lado pro outro – pensando em todos os temas possíveis: filhos, trabalho, marido, treinos, futebol, férias, encanamento, escapamento do carro, aniversário, vida após a morte...até...(não olhei no relógio para não me desesperar) apagar um pouquinho para acordar antes do despertador que iria tocar as 4h22. Levantei até mais disposta do que imaginava, me troquei e fui pedalar.

Alguma idéia?

Não é muito comum isso acontecer. Pode ter sido a adrenalina da tirolesa, o TNT que tomei pra não ter sono na estrada, as preocupações com minha vida profissional e também porque corri apenas um par de horas antes de deitar. Não estou acostumada e talvez tenha ficado com endorfina demais circulando pelo sangue. O mais provável é que tenha sido uma combinação de todos esses fatores. De qualquer modo, estou planejando fazer meus treinos longos de corridas às quartas à noite e às quintas de madrugada vou pedalar. Será que dá pra acostumar?

domingo, 2 de janeiro de 2011

Rápidas e rasteiras

Saí de férias e abandonei este blog. Pensei que iria ter mais tempo de escrever, mas incrível como a gente consegue se ocupar com tanto tempo livre. Quando se vê, o dia já foi e ainda é preciso providenciar jantar, traçar o jantar e ainda convencer os pequenos a irem pra cama. Na hora em que o movimento termina, só penso em dormir.

E como tenho dormido. Sem neuras. Treino na hora que dá. Estou descansada.

Levei meus filhos para aprender a surfar em Camburi. O professor, um surfista mais do que experiente e velho amigo meu - Rikka Costa, não só domou as ferinhas como conseguiu me convencer a tentar subir na prancha. E não é que eu consegui? Tá certo, foram três vezes, era um LONG BOARD mas eu fiquei em pé! É bom não ter medo de aprender coisas novas.

A filhinha adotada este ano – a Julinha – veio passar uns dias com a gente. Esta “adoção de coração” foi uma das melhores coisas de 2010.

E por falar em Julinha, dia desses aqui na praia, fomos dar uma corrida em Maresias. Fomos de carro até lá porque por aqui a estrada não tem acostamento e lá tem. Mas o movimento estava intenso, mesmo antes das 8 da manhã, e não foi um treininho propriamente relax. Uma hora mais ou menos depois que terminamos aconteceu um acidente feio por lá. Um bêbado, sem carta, resolveu fazer uma ultrapassagem bem no meio da muvuca. Pegou um cara de frente, em cheio. Parece que matou uma mulher. Péssimo.

Virei o ano bebendo, comendo chocolate e até um franguito à passarito de vez em quando. Vou voltar pra Esparta paulatinamente. Primeiro a cair fora: álcool.

Como é de praxe quando estamos na praia, enviamos uma embarcação com pedidos para Iemanjá. Fiz um pedido BEM EGOÍSTA. Óbvio, não vou compartilhá-lo com vocês. Por outro lado, minha promessa é pública: pretendo ser mais gentil este ano. Em primeiro lugar, com meu parceiro de vida mais próximo e importante: o marido, em segundo, com as pessoas. Copiei a idéia de uma amiga - Ana Castro. A meta é pelo menos uma gentileza por dia.

Terminei o ano esportivo com uma mudança importante: de técnico. Depois de quase quatro anos com o Emerson Gomes, passo a ser atleta do Wagner Spadotto. Continuo amando o Emerson e sei que fizemos um ótimo trabalho mas, como disse a ele, já me conformei com o fato de que tenho vários homens fixos na minha vida. O marido, por exemplo, não pretendo substituir pra dar uma variada... Mas o técnico, aí é possível!

O Wagner é um cara sério e competente. Neste ano conseguiu estar entre os poucos triatletas classificados pra Kona. E não só isso. Foi lá e fez bonito. Mas não foi por esta razão que eu quis tê-lo como técnico. Na verdade sinto que tenho uma grande afinidade com ele e que será muito interessante mudar a forma de trabalho. Serei mais exigida. Vamos ver.

O melhor post do ano é o que está no blog da Thelma. Não deixem de ler.

Então foi dada a largada pra temporada 2011. Não sei bem ainda o destino deste blog. Percebo que estou com vontade de escrever sobre outros temas que não os treinos e provas. A ver o que acontece.

Como não poderia deixar de ser, meu voto para 2011 é que as pessoas estreitem seus laços e alarguem seus horizontes.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Amarga derrota

Já escrevi algumas vezes neste blog sobre competir. E, nesses textos, falei de passagem sobre perder. De passagem mesmo porque desde que comecei a competir na vida adulta não passei por nada que pudesse lembrar uma derrota. Escrevo isso sem nenhuma arrogância. É verdade. Como a competição é mais do que qualquer coisa, comigo mesma e com os desafios aos quais me proponho, toda vez que me posiciono na largada, já me sinto uma vencedora (a Thelma escreveu belamente sobre isso no blog dela). Na linha de chegada, salvo um DNF que me aconteceu no meu primeiro Troféu Brasil por conta de um pneu furado, minha experiência também tem sido bem sucedida.
Mas nem só de trathlon vivemos nós e as derrotas podem acontecer em outros departamentos da vida. E serem muito mais penosas.
Eis que estou me havendo com uma derrota acachapante. Não foi nocaute. Foi por pontos. Veio aos poucos, se configurando um pouco a cada semana. A cada direto de direita que eu levava, ficava meio atordoada, tentava me recompor, mas percebia que a vitória estava ficando mais difícil.
Chega de tergiversar: a triste notícia é que meu filho mais velho levou pau na escola. Para qualquer mãe, isso já é duro, mas, pra mãe educadora, é o pior dos mundos.
Trata-se do meu mais velho, que está com 16 anos, idade em que os hormônios aceleram sua influência no comportamento na mesma medida em que os neurônios desaceleram em competência. Ano passado, no 1º do Ensino Médio, depois de empurrar com a barriga dois trimestres e meio, ele fez um certo esforço e passou por um triz, já na prorrogação. Na ocasião, fui muito clara: "Espero que você tenha aprendido a lição certa - não deixar as coisas se acumularem - e não a errada - 'passei um sufoco, mas no fim do tudo dá certo'." Pelo jeito, ele aprendeu a errada. Começou o ano "na flauta" e os problemas foram crescendo.
Desde abril - quando recebi o primeiro boletim e conversei com a coordenadora da escola dele - que venho apertando o cerco, tentando acompanhar mais de perto. E como é difícil.
O menino não tem nenhum problema, déficit de aprendizagem ou coisa que o valha. Não. Simplesmente não percebeu, ainda, que precisa começar a tomar as rédeas da própria vida. Na vida adulta, explicar pro chefe que você não terminou seu trabalho porque acabou o papel da impressora, ou porque alguém de sua equipe esqueceu de fazer uma parte ou porque a janela estava aberta e o vento levou...não cola!
Fiquei em cima - colocava um celular pra despertá-lo e ia com outro ao treino da madrugada, se ele não me ligasse na hora em que devia acordar eu parava no meio do treino pra tirá-lo da cama. Contratei um professor particular para dar umas aulas de reforço, limitei ainda mais os horários de computador e as saídas noturnas "para balada" foram pouquíssimas ao longo do ano. Não foi suficiente. Tivemos discussões horrorosas, brigas homéricas. Quando o trimestre foi terminando e as provas finais se aproximando, ele insistiu para que o deixasse fazer as coisas do seu jeito, que tudo iria dar certo. Recuei e parei de apertá-lo. Sentia a iminência do desastre e acreditava que quanto mais ele assumisse a responsabilidade pelos acontecimentos, melhor.
Não estou arrasada, mas estou triste. O custo deste erro de cálculo é alto. Por outro lado, só na derrota é possível perceber que a estratégia não funciona.
Se, de novo, ele passasse de ano estudando só para as provas finais, teria a confirmação de que, sim, é possível dar conta do recado na última hora. Embora me doa o coração, penso que esta era uma derrota necessária à aprendizagem de uma lição importante.
A lição não é só dele. É minha também. Estou pelejando para aprender a ser mãe de adolescente. Dar conta de criança, colocar limites, dizer "não", botar no colo, fazer as perguntas certas, calar quando convém...é, para mim, muito mais fácil com os três menores. Cansa, é verdade. Erro também, mas acerto muito mais vezes. Mas quando TODOS os limites são questionados, os "nãos" desobedecidos ostensivamente, as perguntas - provavelmente erradas - recebem respostas evasivas e o colo parece ser pequeno e inadequado pra acolher aquele "homão" no qual ele se transformou... a sensação é de que erro muito mais do que acerto.
Talvez este episódio venha a se transformar na pedra fundamental não apenas das mudanças dele com relação aos estudos, mas também numa nova maneira de a gente se relacionar. Quem sabe, daqui um pouco, este gostinho amargo dê lugar a sabores mais agradáveis. Tomara.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Jogos na Ilha - os nossos e os outros

Ilha do Sul
Domingo cedo meus garotos tinham jogos amistosos de futsal no Ilha do Sul. O Ilha é um dos primeiros condomínios construídos em São Paulo. São seis edifícios que compatilham um clube: piscinas, quadras cobertas e descobertas, restaurante, academia, cabelereiro, biblioteca, bancos. A região é nobre -  Alto de Pinheiros  -, e a clientela, como é possível deduzir, privilegiada.
Meus sogros têm um apartamento lá e os meus três menores o frequentam bastante, inclusive participando dos treinos de futsal.

Torneio
O pessoal responsável pelas atividades esportivas marcou uma espécie de torneio: os visitantes viriam com quatro equipes para fazer quatro jogos - desde sub-9 até sub-16 ou 17, não sei bem.
As crianças e jovens não eram de um clube, nem tampouco de outro condomínio ou escola particular. Os meninos eram do Educandário Dom Duarte, uma instituição de assistência social que fica próxima à Raposo Tavares.
De um lado, os nossos meninos, com suas chuteiras Nike, bem alimentados e branquinhos, do outro, os visitantes com seus tênis gastos, esbeltos e mulatos. Ali na Ilha, com aquela cor de pele e aqueles calçados, apenas as babás, os serventes, seguranças e faxineiras - ninguém que costume frequentar quadra para jogar. Quando alguém de pele mais escura pisa por ali é para passar um rodo, fazer um conserto, recolher os pertences que os clarinhos largaram esquecidos.

Sub 9
O primeiro jogo foi dos menores. Imediatamente pecebi que estava dividida. Era o time dos meus dois caçulas - mas como seria possível torcer contra aqueles outros pequenos?
O jogo começou e a diferença de atitude não poderia ser mais nítida. Os "nossos" eram os donos da casa, da bola, do mundo; pisavam leve, mas com firmeza. Os "outros" iam sedentos atrás da bola, cavavam o espaço; pisavam com receio, mas com sofreguidão. Os pequenos visitantes lutavam. Ao olhar suas feições me assustei. Pareciam tão mais velhos e maduros!
Logo de cara, um dos nossos (nossos???) faz um gol. Prendo a respíração. Não consigo comemorar. Em seguida, os outros (outros???)  empatam. Solto a respiração. E eles fazem mais um gol, e não consigo evitar que um sorriso aflore. Este tempo termina empatado.
O Ilha entra com um novo time, o placar é zerado e começa um novo jogo. Meus caçulas estão em campo. Ian, no gol. Balanço. Os visitantes perderam o receio. Vão com tudo pra cima dos donos da casa, da bola, do mundo. E fazem 5x0.  Ian fez boas defesas, mas não foi suficiente. Felix também não jogou mal. Os dois estão chateados. A derrota deles não me entristece. Sobreviverão a ela. Eles são vencedores, eles estão no time que é dono da casa, da bola, do mundo. Aos oito anos de idade. De algum modo, eles já intuem isso. E os meninos do Educandário?  Aos oito anos, eles já sabem. E, naquele jogo, estavam brigando pela bola, pela casa, pelo mundo. Aos oito anos, eles ainda acreditam.
Sem que pudesse controlar, senti que meu peito se apertava pelos nossos meninos, todos eles, os brancos, negros, mulatos. E queria que meus filhos entendessem. Não. Queria que eles sentissem. Que se vissem na pele daqueles meninos, com seus sonhos, seus cotidianos, seus medos. Queria que fossem atingidos por um raio de lucidez - impactante, assustador, instantâneo.

Sub 11
Terminada esta etapa, veio o jogo do sub 11. De novo, um filho no gol. De novo, o time do Ilha mais forte e mais seguro. O Dom Duarte sôfrego. Mas de cabeça baixa. Eles sabem. E, aos 11, já deixaram de acreditar. Todos, menos ela.
Ela. No meio do time, magrelinha, cabelos soltos e encaracolados, estava Ingrid. Ficava na defesa, como um xerife, dando ordens a todos os meninos, brigando por todas as bolas e fazendo os melhores lançamentos para área. Em determinado momento, pediu pra catar no gol. vestiu uma camisa de goleiro em que caberia ela e mais dois, e se posicionou, alerta. Defendeu uma, mas, em seguida, tomou. Foi um chute forte, difícil. O goleiro voltou, ela foi pro banco mas, no início do 2º tempo, pediu pra voltar à quadra, sem medo de errar.
O time da Ilha ganhou de 8x2. Ingrid, contudo, não perdeu a altivez. Ao final, fui cumprimentá-la e pedi pra tirar uma foto.
Martim, eu e Ingrid


Sorte e dever
O fato de meus filhos serem da Ilha e a Ingrid, não, é mero acaso. Eles não são melhores do que ela. Eu não sou melhor que a mãe dela. Saí dali pensando muito sobre isso. Nós temos sorte. Viver na Iha, não é um direito, é um privilégio. Agora, nós, os ilhéus temos sim, a dever de fazer o melhor, de usar esta oportunidade não em proveito próprio mas pelo bem comum.
Posso estar soando um pouco piegas, um pouco natalina... Mas será que nós, triatletas, tão individualistas, somos capazes disso? E mais... Será que somos capazes de educar nossos filhos sem que eles se achem os donos do mundo, mas sim responsáveis por ele?

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Peço desculpas!

Levei um puxão de orelha de um leitor - lá de Portugal - por causa do meu último post. E, relendo o que escrevi, e considerando o que ele ponderou, tenho de reconhecer: peguei pesado com os laranjinhas retardatários.
Segue um trecho da mensagem que ele me mandou:

Sempre leio os teus posts e são 5 estrelas! Muito bons mesmo! Desta vez porém fiquei triste por ler algumas palavras tuas. Desanimado até…Eu explico…eu sou um dos toucas laranjas que falas no teu post. Nado mal mesmo! Nado crawl mas devagar, porque não tenho (ainda) técnica nenhuma. Aprendi a nadar em Julho. (antes eu sabia andar na agua) LOL. Devo desistir do triatlo ? Mudar de desporto? Devo ficar quieto no meu mundo das corridas e só passear de bike na praia?
Não gosto de atrapalhar ninguém e por isso quando treino na piscina e incomodo alguém que nada mais depressa do que eu ( quase toda a gente) tenho o cuidado de pedir desculpa. No unico triatlo que eu fiz deixei-me ficar bem atrás, principalmente para não levar porrada.
Nesta prova que falas contudo, se eu saísse 5 minutos antes de ti eu iria certamente estar ali no meio desses toucas laranjas a atrapalhar. Na bike a mesma coisa. Quer eu tivesse 20 ou 50 anos sem história na bike é preciso treinar muito para conseguir uma boa média na bike.
Mas para evoluir é preciso ir lá sentir a adrenalina mas infelizmente atrapalhar também os profissionais do triatlo.
Acho que tem de haver muitos toucas laranjas, embora também seja preciso que esses toucas laranjas tenham o bom-senso de deixar passar quem nada e pedala mais rápido ( na agua é mais dificil).
Senão houvesse toucas laranjas a participar tínhamos triatlos com 15 participantes (pelo menos aqui em PT).

Fiquei chateada comigo mesma de ter passado a idéia de que gostaria de um triathlon só com gente rápida. Justo eu!? Eu que nado mais ou menos e pedalo mal? Justo eu, que sou daquelas traumatizadas, escolhida por último na aula de educação física? Não! Nunca! Sou totalmente a favor da inclusão e da participação de todos! Não! Nunca! Não quero, em hipótese alguma, defender a elitização do triathlon - que já é bastante elitista por razões financeiras - mas que tem, como um de seus grandes méritos, acolher profissionais e amadores, sem distinção.
Não falava sério quando me referi às touquinhas laranjas, retardatários que estavam pelo caminho, chamando-os  de "annoying oranges" - um personagem de vídeo chato pra caramba. Fui infeliz, já que posso ter ofendido pessoas que não são muito rápidas nem habilidosas mas estão lá batalhando, fazendo o melhor que podem, aprendendo com aqueles que são mais experientes e/ou mais talentosos e tomando o maior cuidado pra não atrapalhá-los.
Não são os mais lentos que estragam as provas de triathlon. São os mal educados, que não agradecem os volutários; são os sem-escrúpulos, que ficam na roda dos outros quando não é permitido o vácuo; são os sem-noção, que ultrapassam de forma perigosa; são os sem moral, que usam de doping pra conquistar as tão almejadas vagas pra Kona.
Então, por favor, me perdoem aqueles a quem posso ter magoado ou desanimado com minhas brincadeiras.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

De volta - Pirassununga 2010

Como é bom participar de provas. Não só pra competir, mas, principalmente, por fatores extrínsecos: conhecer pessoas novas, encontrar amigos, conviver por mais tempo e ficar mais amiga ainda de quem a gente já conhece.

O ano passado já tinha sido assim. Este ano foi, de novo, muito legal.

Começou com um telefonema da Cris, amiga da MPR que praticamente não treina mais, perguntando se tínhamos lugar pra ficar em Pira.  Em Pira, não tínhamos. Íamos ficar em Leme, que é próxima, mais nem tanto.  Então ela disse que um amigo - Rogério, também da MPR, estava indo sozinho pra uma casa bem perto da AFA (Academia da Força Aérea, onde acontece o Long) e perguntou se ela conhecia alguém que procurava lugar pra ficar. Na mesma hora liguei pras minhas parceiras Thelma e Julinha, que toparam sem pestanejar.

Véspera - aniversário da Thelma
Saímos sábado de manhã de SP. Thelma e eu, Julinha com meu filho Martim e Rogério. No caminho tivemos de fazer umas paradas estratégicas, já que estávamos naquele esquema de hidratação.

Chegamos em Pira quase uma da tarde. O sol estava derretendo o asfalto. Nos encontramos os cinco no Brasinha, um restaurante indicado por um amigo meu que é de lá. Graaande pedida. Nada de massa. Comemos um tal de Aruã - peixe amazônico - com arroz, batatas cozidas e legumes. E o papo com o Rogério, que tínhamos acabado de conhecer, rolou solto.

Passamos na nossa maison que tem o sugestivo nome de Paradise Lazer, deixamos as coisas e fomos buscar os kits. Dez minutos do nosso lar provisório até a entrada da AFA. Melhor, impossível. Chegando lá conheci um amigo blogueiro, o Rafael Farnezzi e e encontrei o meu amigo também blogueiro, sempre simpático e sorridente, Arthur Araújo.

Da esquerda pra direita: Rodrigo, Emerson, Daniel, Thelma, eu, Pocinho e Julinha, na Cantina Don Pepe.

Como era aniversário da Thelma, ainda em SP, reservei uns lugares numa cantina, encomendei um bolo e chamei o pessoal pra encontrar lá.

Foi delícia. Comida boa, lugar simpático e barato, clima gostoso, conversa animada e, o melhor de tudo, pessoas legais: Daniel e Vivi com a filha Julia (que rapidamente se entendeu com meu filho Martim, apesar da grande diferença de idade), Rogério, Emerson, Rodrigo, Carlos Pocinho, Julinha, Thelma e eu e a turma da Sumaré que passou por lá também. Fabiana, Mônica, Thiago e a Cururu que estava na maior ansiedade porque iria estrear na distância 70.3.

De volta ao nosso paraíso particular, Rogério, Thelma e eu ligamos o modo PPP - preparação pré prova. Enquanto isso, Martim e Julinha jogaram os colchões no meio da varanda, se jogaram em cima deles e desligaram.

O enigma da Julinha
À noite o paraíso não tão paradisíaco. Difícil dormir. Sirenes, músicas, luzes, conversas. O despertador tocou no melhor do sono.
Alguém precisa me explicar como a Julinha que chegou e caiu na cama sem arrumar nada, estava pronta na mesma hora que Thelma, Rogério e eu sem ter acordado uma hora mais cedo. É um mistério profundo.

Chegamos na AFA cedo, encontramos o Emerson e o pessoal da MPR e eu nem estava com aquele friozinho na barriga. Encontrei Corina Silveira e seu marido - ela estava super ansiosa; o Evandro - meu parceiro de Iron, que disse que ia passear no parque (em Pira não dá, Evandroooo!) a Cururu... um monte de gentes. E estava aquele clima de festa.

A expectativa era passar um calorão. Como disse a Thelma no blog dela, iríamos descer ao inferno. Então, estando lá, nada mais natural do que aproveitar e abraçar o diabo. Algo parecido com ir a Roma e VER o Papa.

Natação e os laranjas
E foi dada a largada. Os homens, cinco minutos antes das mulheres. E alguém me explique também como é que antes da primeira bóia na primeira volta eu já estava tropeçando em alguns deles. Dali em diante, só foi aumentando a densidade dos annoyings oranges (as tocas eram laranjas). E eu nem nado tão rápido assim. Eles é que nadam muito mal. Desculpe, pessoal, mas nadar 1900 metros de PEITO!? Acho mais honesto mudar de esporte. Ou aprender a nadar crawl.

Não sei ainda, mas ACHO que minha natação foi pior – o que era de se esperar – o pedal também ACHO que foi igual ou melhor do que ano passado e a corrida também deve ter sido um pouco mais alta este ano.

Nadei tranqüila, forçando um pouco mais na segunda volta. Senti sim, o braço um pouco cansado e dolorido no final, mas não demais. Na transição tentei passar um pouco de chamois butter mas, como não tem tenda, não deu pra espalhar como se deve. Resultado: fiquei com vários cortes e assaduras nas nádegas. Coloquei uma faixa no cabelo, capacete, óculos e sapatilha. Sem estresse, apesar do meu filho Martim ficar dizendo "vai mãe, vai logo!"e saí pra pedalar. Deixei numa marcha bem leve, porque a saída é numa subidinha e não tive dificuldades.

Ciclismo - porque eles não me passam?
Fiz a primeira volta mais tranqüila, apertei na segunda e na terceira e a quarta foi igual a primeira. Passei várias mulheres (e alguns homens) e não fui ultrapassada por nenhuma. Fiquei no clipe o tempo todo (e o ombro não doeu), volantão e volantinho só em duas pequenas subidas.

Não vi pelotões e nem gente pegando roda. Ouvi dizer que tinha um pelotão grande mas não passou por mim. Algumas vezes eu encostava em alguns caras que tentavam escapar, escapavam por um tempo mas, dali a pouco, eu já estava emparelhada de novo e às vezes até passava. Pensava com meus botões "eu com essa perna de mentirinha, mais velha, do suposto sexo frágil e com uma bike que não é nenhuma Ferrari... o cara com idade pra ser meu filho (ou pelo menos um caçula temporão), com esses pernões, do sexo (fisicamente) mais forte, com uma puta de uma bike..." Dava vontade de dizer: "Vai embora, cara! Você tem obrigação de me passar e sumir!"

Ao longo do percurso, os milicos, muito sérios, indicavam o caminho correto. Na terceira volta, não aguentei. Passava por eles e intimava: "E a torcida?Pô, pelo menos pras mulheres!". Os caras abriam um sorriso DESTE tamanho e gritavam: "Vai 53!" Aí eles voltavam a parecer moleques, como outros quaisquer!

Um pouco antes do final da bike emparelhei com um menino muito simpático. Comentamos sobre o calor e o abraço que daríamos no coisa-ruim na hora da corrida. Rimos os dois. Ele entrou na área de transição logo à minha frente e tinha a maior galera torcendo pra ele: "Vai, Cesinha! Aê, Cesinha!" Eu não aguentei e disse pra ele: "Cara, você tem a maior torcida particular da prova! Também quero!". Aí, a Fabiana que é uma amiga e estava nesta torcida, ouviu o que eu disse e gritou "Vai, Claudinha!". Eu ri e comentei com ele: "Viu?! Não é só você que tem torcida!" Não consigo deixar de me divertir e falar essas bobagens. Mesmo que sabendo que deveria ficar quieta pra poupar energia.

Na transição, coloquei uma viseira, garmin (que não achava o satélite no começo e me atrapalhou um pouco) e não passei mais protetor solar e nem vaselina nas axilas – o que me deixou com uma linda assadura e um bronzeado ma-ra-vi-lho-so - carimbo do diabo. Sai pra correr debaixo daquela lua. Tomei água ou gatorade em todos os postos, pelo menos um golinho. Agradecendo sempre. Coisa que pareceu surpreender os meninos que, muito gentilmente, respondiam entre espantados e felizes: "De naaada! Não tem de quê!"

Corrida - alguém tem um par de panturrilhas aí?
Nos primeiros 9 km – quase metade da prova – senti um tremendo cansaço nas panturrilhas. Inclusive pedi pro Kim um par novo, quando ele me ofereceu água. A Kelly (triatleta, ortopedista e amiga) bem que tentou me emprestar, mas não era meu número. Felizmente, dali em diante, melhorou e consegui correr sem tanto sofrimento. Mantive 5m20, 5h30. Na sombra e nos declives – que são suaves mas a gente sente a diferença – consegui ir um pouquinho mais forte. As palavras de incentivo das pessoas tanto no ciclismo, quanto na corrida, sempre animam a gente. Flavinho (que quebrou no pedal), Pedro (que veio direto de Miami só pra largar e pedalar, mas não fez a corrida), Marcos (que se contundiu em Clearwater mas veio assistir) e Mariana Hubinger (parceira de pelotão) que vieram de São Paulo, Mônica Bolognani, Mariana Prado e Diglu da 5 Ways, a Fabiana, Marcelo e Marcinha da Planet, Rodrigo e o Emerson da MPR, pessoas que cruzei durante a prova como o Lester, Marquinhos, Beto, da MPR,o mestre Vilela, de Santos, a Camila da Trilopez, a Vivi e o Daniel - que tiraram a foto abaixo e, claro, meu filho Martim.  Saber que ele me esperava na chegada não me deixou nem PENSAR em andar.
Chegando feliz. Foto Viviane Blois.

No final, ainda tive de dar um sprint porque uma atleta que eu havia passado no km 15 resolveu que queria chegar na minha frente, se aproveitando do fato de o Martim, me filho, vir correr os últimos metros comigo. E o Emerson tinha acabado de me dizer - você está emntre as dez primeiras! Cuidado atrás!". Mas nós não deixamos! Tirei energia do fundo do coração, o Martim se esfalfou, mas chegamos antes da adversária. Quase alcançamos a Julinha. Por 20 segundos. Teria sido o máximo cruzarmos a linha de chegada os três juntos. A Thelma nem vi. Só ouvi. Ela chegou em terceiro geral, dando pau em duas profissionais e sendo escoltada por motocicletas e suas sirenes. Melhor presente de aniversário, impossível! E ela merece.

Final feliz
Terminei cansada, mas sem cãimbras, nem dores. Fiz a prova em 5h24m03 mas não sei ainda as parciais. Ano passado, foram 5h18m32 mas não estava tão quente – parece que ontem chegou a fazer 35 graus durante a prova. A Ariane por exemplo, fez 4h23m ano passado e 4h30 este ano; a última colocada o ano passado fez em 7h06m e, a deste ano, em 7h36m. Acho que isso quer dizer que a prova foi mais difícil.
Fiquei em 1º na categoria (com quase 30 minutos em cima da segunda colocada) e em 10º no geral feminino. Bom demais para quem saiu do estaleiro há pouco e nem treinou tanto assim.