Nada, nada já estou entrando no auge da temporada de treinos para o Iron. Falta pouco mais de dois meses. Agora o corpo já sente o cansaço acumulado e, ainda assim, o volume de treinos vai aumentar.
Segundo Iron
Não me senti muito estimulada a escrever sobre os meus treinos deste ano. Para ser bem honesta, fugi o mais que pude do tema que é a razão de ser deste blog. Por um lado, tive medo de me repetir – relatar fatos muito semelhantes aos que narrei ano passado, por outro, há cada vez mais gente na web escrevendo sobre seus treinos, gente que treina mais e tem mais experiência – de novo, temi chover no molhado.
Mas, pensando bem, tenho algumas coisas pra contar. Treinar para fazer um segundo Iron é diferente de treinar para a estréia.
Quando a gente se inscreve para o segundo, sabe exatamente onde está se metendo. O medo de não conseguir completar a prova ainda existe, mas é uma sombra muito mais tênue.
No ano passado, meu objetivo – principalmente nos treinos longos – era conseguir completar o volume. Isso era coerente com minha meta central: completar o Iron. Em quanto tempo? No que fosse possível. Eu tinha alguma idéia. Mas nenhum compromisso.
Hoje é diferente. Tenho um tempo a ser superado – o meu mesmo, do ano passado. E isso tem implicações diretas em cada treino.
Natação e ciclismo
Na piscina, tenho prestado atenção para não deixar o ritmo ficar muito mole. Não é que me mate. Mas também não é pra sair da água como se nada (nado??) tivesse acontecido.
O pedal é onde tenho me aplicado mais. Durante a semana, nos treinos da USP, tento acompanhar o pessoal mais forte, ficando na roda. E, quando estou sozinha, mesmo cansada, luto para manter a velocidade acima dos 30km/h. O Wagner, meu técnico, me disse algo que pode soar óbvio, mas não é: “Se você treinar com média de 28km/h não vai fazer 32/h na prova. Vai fazer 27-29, mas não 32!” Então, nos longos, tenho feito 80% do tempo com a cara no vento e me esforço, mas me esforço mesmo, pra fazer a média acima dos 30km/h o que, para mim, não é fácil.
No ano passado sempre anunciava meus treinos para conseguir companhia. Agora, se alguém me pergunta ou oferece companhia, ótimo. Mas estou muito concentrada em fazer meu pedal como manda o figurino, buscando o ritmo certo para mim.
Na corrida
Como relação à corrida, também estou em busca de mais qualidade. Foi o que fiz melhor na prova passada, mas sei que dá pra ir além. Mantive treinos com média de 5m30/km e fiz a maratona para 5m35/km. Agora tenho treinado em 5m/km ou menos! Além disso, o ano passado, eu completava o volume indo até o parque correndo ou correndo pelas ruas perto de casa. Isso faz com o ritmo não seja tão constante, porque você tem de parar nos cruzamentos, tomar cuidado com as calçadas, desviar de obstáculos... Agora treino direto no parque ou, quando o volume é menor, faço esteira.
No geral
Também tive algumas mudanças globais – o dia de treino longo de corrida tem sido às 4ªs feiras, pra não ficar próximo do longo de pedal. Tenho tido mais volume de pedal e natação do que ano passado e um pouco menos de quilometragem semanal de corrida. O ciclo mensal: leve, moderado, forte, regenerativo – tem sido muito mais marcado que ano passado. Termino a semana forte realmente precisando me regenerar.
Fora uma dorzinha ali (piriforme é a mais recente) e outra ali (dos fibulares, é das mais antigas) tenho gostado e me sentindo bem. Tem momentos de extremo cansaço. Semana passada, depois de pedalar 140km sozinha na ciclovia tudo que eu queria era alguém para carregar minha bike passarela acima/abaixo! Cheguei a pensar em oferecer dinheiro. Mas todo mundo já tinha sua própria bike pra carregar. Depois de um banho, uma hora jogada imprestável no sofá e um prato de macarrão, ainda tive disposição de levantar e fazer brownies para os meninos.
sábado, 19 de março de 2011
domingo, 6 de março de 2011
Ilusões e sonhos
A aula de balé
Quando crianças, meninos e meninas sonham em ser bailarinas, jogadores de futebol, judocas, artistas de circo, guitarristas... E o uso do verbo “sonhar” não é mero acaso. Sonham com o palco onde vão brilhar, com o golaço que vão fazer, a faixa preta que vão vestir, os solos de guitarra que vão abafar. Sonham, iludem-se, criam fantasias. São crianças e conhecem apenas um lado dessas ocupações. O mais óbvio, aparente e sedutor. Por isso muitos pais e mães se decepcionam quando seus filhos vão animados ao primeiro treino ou primeira aula e já na segunda ou terceira querem desistir. Ao defrontar-se com sua primeira seqüência de “pliés”, a pretendente à bailarina percebe que não será tão simples e rápido conseguir dançar uma maravilhosa coreografia e encantar a platéia. O mesmo se dá com o pequeno guitarrista ao sentir que as pontas de seus dedos doem depois da simples e árdua combinação de dois acordes, que produziram um som surdo e desafinado tão distante daquele que ele imaginara tocar. Muitos desistem. Alguns, com a firmeza e empenho dos pais, permanecem, ainda que a contragosto.
Às vezes, depois de um tempo, quando começa a ter sucesso na aprendizagem daquela arte ou esporte, a criança começa a gostar e já não é mais preciso vencer uma batalha a cada aula ou treino. Ela vai com gosto. Começa a ter prazer em executar aquela pequena seqüência de pliés com perfeição ou a surpreender-se com os acordes que já não soam mais surdos. A ilusão vai se desfazendo e o que vai se delineando em seu lugar começa a interessar.
Outras vezes, não. O menino desiste de brigar, vai à aula ou treino, cumpre tabela mas não se entusiasma. Se pudesse optar, pularia fora na primeira oportunidade.
Como mãe, penso várias coisas a respeito disso, mas não vêm ao caso.
Os adultos
Nós, adultos, conhecemos mais sobre o mundo e seu funcionamento. Sabemos que as aparências enganam que, dificilmente o sucesso vem de mão beijada e que deus ajuda quem cedo madruga.
Então, nós, adultos muitas vezes paramos de sonhar. Não nos vemos fazendo algo diferente, ousado, difícil. Por achar que nos conhecemos bem, deixamos de nos atrever, de testar nossos limites. Por outro lado, não estamos livres das ilusões. Elas ainda nos seduzem de diversas formas: na idéia de que poderíamos ter outra carreira que nos fizesse mais feliz ou uma mulher mais bonita, (ou um marido mais sensível), uma grama mais verde que a do vizinho...
Sonhando com o Ironman
O triathlon – principalmente o Ironman – desperta os sonhos dos adultos. Alguns logo pensam “não é para mim”, outros se imaginam cruzando a linha de chegada. Os primeiros, que acham que não é possível, não lembram a incrível capacidade humana de aprender, de resistir, de se superar. E os outros, não imaginam as inúmeras horas que terão de ser passadas com a bunda no selim, nos zilhões de ladrilhos contados no funda piscina, nas corridas pra longe da família e dos amigos.
Mas, tanto uns como outros, só irão compreender a essência do triathlon - e depreender algum prazer dela -, se persistirem por algum tempo. Pode ser que rapidamente a ilusão se desfaça e alguns voltem pra sua modalidade favorita ou, ao contrário, cada passo seja encarado como uma pequena vitória, cada pequeno aumento no volume de treino como superação de um desafio e tudo isso vai, aos poucos, revelando para o novo adepto novidades a respeito dele mesmo.
Sonho realizado
Não sei quanto a vocês mas me lembro que o Iron era um sonho distante quando comecei a treinar.
Também não imaginava a dimensão que o triathlon teria na minha vida. As duas coisas foram se consolidando aos poucos e simultaneamente. Na medida em que fui me vendo capaz e gostando de aumentar o volume de horas com a bunda no selim, o número de ladrilhos contados e a quilometragem das corridas, a possibilidade de fazer o Iron foi despontando na paisagem.
E é muito curioso como tornei algo que me parecia sobre-humano, possível. Sonhar é importante, mas mais do que acreditar no sonho é necessário des-iludir-se. Ou seja, apreciar cada parte do esforço, desmontando a ilusão e transformando em real-ização.
Quando crianças, meninos e meninas sonham em ser bailarinas, jogadores de futebol, judocas, artistas de circo, guitarristas... E o uso do verbo “sonhar” não é mero acaso. Sonham com o palco onde vão brilhar, com o golaço que vão fazer, a faixa preta que vão vestir, os solos de guitarra que vão abafar. Sonham, iludem-se, criam fantasias. São crianças e conhecem apenas um lado dessas ocupações. O mais óbvio, aparente e sedutor. Por isso muitos pais e mães se decepcionam quando seus filhos vão animados ao primeiro treino ou primeira aula e já na segunda ou terceira querem desistir. Ao defrontar-se com sua primeira seqüência de “pliés”, a pretendente à bailarina percebe que não será tão simples e rápido conseguir dançar uma maravilhosa coreografia e encantar a platéia. O mesmo se dá com o pequeno guitarrista ao sentir que as pontas de seus dedos doem depois da simples e árdua combinação de dois acordes, que produziram um som surdo e desafinado tão distante daquele que ele imaginara tocar. Às vezes, depois de um tempo, quando começa a ter sucesso na aprendizagem daquela arte ou esporte, a criança começa a gostar e já não é mais preciso vencer uma batalha a cada aula ou treino. Ela vai com gosto. Começa a ter prazer em executar aquela pequena seqüência de pliés com perfeição ou a surpreender-se com os acordes que já não soam mais surdos. A ilusão vai se desfazendo e o que vai se delineando em seu lugar começa a interessar.
Outras vezes, não. O menino desiste de brigar, vai à aula ou treino, cumpre tabela mas não se entusiasma. Se pudesse optar, pularia fora na primeira oportunidade.
Como mãe, penso várias coisas a respeito disso, mas não vêm ao caso.
Os adultos
Nós, adultos, conhecemos mais sobre o mundo e seu funcionamento. Sabemos que as aparências enganam que, dificilmente o sucesso vem de mão beijada e que deus ajuda quem cedo madruga.
Então, nós, adultos muitas vezes paramos de sonhar. Não nos vemos fazendo algo diferente, ousado, difícil. Por achar que nos conhecemos bem, deixamos de nos atrever, de testar nossos limites. Por outro lado, não estamos livres das ilusões. Elas ainda nos seduzem de diversas formas: na idéia de que poderíamos ter outra carreira que nos fizesse mais feliz ou uma mulher mais bonita, (ou um marido mais sensível), uma grama mais verde que a do vizinho...
Sonhando com o Ironman
O triathlon – principalmente o Ironman – desperta os sonhos dos adultos. Alguns logo pensam “não é para mim”, outros se imaginam cruzando a linha de chegada. Os primeiros, que acham que não é possível, não lembram a incrível capacidade humana de aprender, de resistir, de se superar. E os outros, não imaginam as inúmeras horas que terão de ser passadas com a bunda no selim, nos zilhões de ladrilhos contados no funda piscina, nas corridas pra longe da família e dos amigos.
Mas, tanto uns como outros, só irão compreender a essência do triathlon - e depreender algum prazer dela -, se persistirem por algum tempo. Pode ser que rapidamente a ilusão se desfaça e alguns voltem pra sua modalidade favorita ou, ao contrário, cada passo seja encarado como uma pequena vitória, cada pequeno aumento no volume de treino como superação de um desafio e tudo isso vai, aos poucos, revelando para o novo adepto novidades a respeito dele mesmo.
Sonho realizado
Não sei quanto a vocês mas me lembro que o Iron era um sonho distante quando comecei a treinar.
Também não imaginava a dimensão que o triathlon teria na minha vida. As duas coisas foram se consolidando aos poucos e simultaneamente. Na medida em que fui me vendo capaz e gostando de aumentar o volume de horas com a bunda no selim, o número de ladrilhos contados e a quilometragem das corridas, a possibilidade de fazer o Iron foi despontando na paisagem.
E é muito curioso como tornei algo que me parecia sobre-humano, possível. Sonhar é importante, mas mais do que acreditar no sonho é necessário des-iludir-se. Ou seja, apreciar cada parte do esforço, desmontando a ilusão e transformando em real-ização.
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Revista Alfa
Eu sei, eu sei. Teve o Internacional de Santos e eu não vou fazer um post sobre a prova. Pelo menos, não por enquanto. Sei lá... Tenho medo de ficar repetitiva. Se eu tiver um bom ângulo da história, que fique diferente do ano passado, prometo que faço meu relato.
Por hora, quero compartilhar com meus leitores um acontecimento na vida desta blogueira que a deixou muito feliz e que tem a ver com este blog. Um texto meu, sobre triathlon, foi publicado nesta revista bacanuda, a Alfa. É uma nova publicação da Editora Abril, voltada para o público masculino, classes A e B (mas muitas mulheres gostam dela também!). Foi lançada em outubro e já está fazendo história. O Kiko Nogueira, diretor de redação, viu o blog e pediu que eu sugerisse uma pauta sobre triathlon e eu sugeri "Dez boas razões pra você fazer triathlon e outras dez (não tão boas assim) pra você continuar em casa". Escrevi o texto, ele gostou e publicou na Alfa que foi pras bancas agora em 11 de fevereiro. O mais legal - achei - é o fato de não ser uma revista especializada em esportes.
A edição foi super caprichosa e valorizou o texto. A única mancada foi que, na minha minibiografia, num cantinho da página, faltou dizer que eu completei um Iron. Se tiverem oportunidade de ler, está nas páginas 121-124. Depois me contem o que acharam. E está no site deles
Abaixo a primeira página da matéria. E sim, antes que perguntem, o texto todo é meu. Nenhum repórter reescreveu depois de conversar comigo.
Por hora, quero compartilhar com meus leitores um acontecimento na vida desta blogueira que a deixou muito feliz e que tem a ver com este blog. Um texto meu, sobre triathlon, foi publicado nesta revista bacanuda, a Alfa. É uma nova publicação da Editora Abril, voltada para o público masculino, classes A e B (mas muitas mulheres gostam dela também!). Foi lançada em outubro e já está fazendo história. O Kiko Nogueira, diretor de redação, viu o blog e pediu que eu sugerisse uma pauta sobre triathlon e eu sugeri "Dez boas razões pra você fazer triathlon e outras dez (não tão boas assim) pra você continuar em casa". Escrevi o texto, ele gostou e publicou na Alfa que foi pras bancas agora em 11 de fevereiro. O mais legal - achei - é o fato de não ser uma revista especializada em esportes.
A edição foi super caprichosa e valorizou o texto. A única mancada foi que, na minha minibiografia, num cantinho da página, faltou dizer que eu completei um Iron. Se tiverem oportunidade de ler, está nas páginas 121-124. Depois me contem o que acharam. E está no site deles
Abaixo a primeira página da matéria. E sim, antes que perguntem, o texto todo é meu. Nenhum repórter reescreveu depois de conversar comigo.
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Triathlon sem mistérios – pequeno glossário para não triatletas
Caros leitores, como este blog não é lido exclusivamente por triatletas e suponho que muitos devam ter dificuldades para entender os textos aqui postados, decidi, para dirimir as principais dúvidas, escrever um pequeno glossário com os termos básicos, porém fundamentais, para a compreensão do nosso amado esporte.
Alfa. Tipo de macho da espécie humana com alta incidência no grupo de triatletas. Costumam andar em bando e disputar a liderança dos treinos, causando, muitas vezes, a dissolução dos pelotões (vide). Desaparecem durante as competições.
Alimentação de treino. Lanche que seu filho leva pra escola e que você tem vontade de comer mas não tem mais idade para isso, os triatletas consomem, sem constrangimento, antes durante e depois do treinos: bisnaguinha com geléia, melzinho, todinho, bananinhas, entre outros.
Alvará. Permissão concedida pelo cônjuge do triatleta para participar dos treinos longos de final de semana. Obs.: Às vezes o triatleta, não requisitando o alvará com a devida antecedência, arrisca-se a treinar sem ele. Isso pode ter conseqüências matrimônio-judiciais gravíssimas.
Bento box. Pequena bolsinha que fica presa ao quadro da bike onde pode ser colocada a merenda e outros objetos. Costuma ficar melada com os restos de lanche (tal qual a lancheira de seu filho) e, além disso, adquire um odor característico em função da combinação com o suor depositado durante os treinos.
Bomba. Encontrada em dois modelos: de pé e manual, é um objeto que tem a função de encher as câmeras das bicicletas e que o triatleta sempre se esquece de levar (a de pé) quando o pneu está murcho e nunca está com uma (manual) quando seu pneu fura no meio do treino. Na segunda situação ele pode contar com um cilindro de CO2 (ver).
Buraco. Inimigo número 1 dos triatletas. Frequentemente encontrado na raia da USP, ataca os ciclistas ocasionando furos nos pneus, lesões nas rodas, tombos e, acima de tudo, brigas nos pelotões (ver).
Cadência ou ritmo. Modo de dizer a velocidade demonstrando aos demais que não é um corredor de esteira. Enquanto as pessoas dizem 12 km/h, triatletas e corredores experientes dizem 5 minutos/km.
Caramanhola. Conhecida também por squeeze ou garrafinha é um objeto extremamente perigoso, principalmente quando escapa de seu suporte na bicicleta da frente e cai na pista provocando pânico nos ciclistas e, não raro, acidentes sérios. Pode afetar também ciclistas inexperientes que, durante a complexíssima manobra de retirar e colocar a caramanhola no suporte perdem a direção e tombam.
CO2, cilindro de. Pequeno dispositivo que serve para encher as câmeras dos pneus na falta de uma bomba manual portátil. Devem ser atarraxados à válvula da câmera para enchê-las de uma só vez. Apesar de muito práticos, leves e de não ocuparem espaço, não há registros de que tenham funcionado alguma vez..
Chuva. Pretexto preferido dos triatletas para continuar dormindo às 3ª e 5ª de madrugada, sem culpa.
Facebook. Rede social em que alguns triatletas postam seus treinos, outros se irritam com os treinos postados pelos primeiros e todos, de um modo ou de outro, mostram para o mundo que o triathlon é a coisa mais importante que existe.
Feirinha. Local organizado antes de competições de triathlon com estandes de venda de equipamentos e roupas de triathlon onde os triatletas compram uma vasta quantidade de inutilidades caras como se estivessem fazendo barganhas.
Fuel belt. Cinto ridículo onde se encaixam garrafinhas para hidratação em treinos de corrida. Serve para que os triatletas demonstrarem que estão fazendo um treino longo.
Garmin. GPS de pulso que tem como finalidade registrar todos os detalhes dos treinos como: distância percorrida, velocidade média, elevação e frequência cardíaca mas que o triatleta esquece de por a bateria para carregar, de ligar na hora certa ou de levar para o treino.
Ironman. Doença que costuma acometer os triatletas após um ou dois anos de treino e que, frequentemente, leva a um estado de loucura. Nenhum tratamento eficaz foi descoberto até hoje a despeito das inúmeras pesquisas realizadas por cientistas havaianos.
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| Meia de compressão |
Padoca. Principal razão pela qual os triatletas treinam no sábado. Alguns, inclusive, nem treinam, apenas vão ao local para encontrar os demais, tomar café e conversar.
Pelotão. Bando de triatletas que querem ser como as escuderias do Tour de France, mas se comportam como as torcidas organizadas dos times de futebol, sem a organização destas.
Planilha. Motivo de sentimento de culpa e desavenças entre triatleta e seu técnico.
Roda, Zé Rodinha. Habilidade de participar do pelotão sem fazer força. Pessoa especialista nesta habilidade.
Roda Zipp, 404, 808, rodas fechadas Equipamento utilizado por triatletas na vã esperança de melhorar seu desempenho mas que funciona apenas quando as pernas destes já são fortes o suficientes para não precisar deste artifício.
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| Espartilho moderno |
Roupa de borracha – wetsuit. Parente próxima do espartilho, é uma vestimenta que serve para apertar, sufocar e assar a nuca do triatleta durante a natação além de dificultar a transição.
Sapatilha. Calçado utilizado para constranger o triatleta iniciante que, na hora de parar, invariavelmente esquece que esta fica presa ao pedal, não lembra de soltá-la e vai pro chão como um saco de batatas na frente de todos.
Suplementação. Pozinhos, líquidos, géis, cápsulas e comprimidos de cor, gosto e consistência estranhos pelos quais se paga uma nota para, supostamente, melhorar a performance do atleta ou causar um desarranjo gastro intestinal providencial nas provas em que ele sabe que não terá uma boa performance.
Técnico. Pessoa a quem o triatleta ouve mais do que seu pai, sua mãe ou seu cônjuge. O que não quer dizer, entretanto, que o triatleta siga as orientações deste.
Transição. Local que o triatleta não encontra depois de nadar esbaforido ou de pedalar como um louco, onde há uma série de voluntários que não sabem o que fazer, à volta do qual seu filho, seu marido/esposa ou técnico ficam gritando – “vai, vai, você ta bem!” enquanto você nem percebe que saiu pra correr com o capacete na cabeça.
Treino. Forma de expressão utilizada pelos triatletas para diferenciar-se de quem faz exercícios ou ginástica.
Troféu. Objeto de gosto duvidoso com o qual os triatletas adoram tirar foto em cima de um pódio.
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Meu querido amigo
Era 2007 e eu estava começando a treinar e também acabara de ser contratada no meu atual emprego. Minha chefa, com quem eu já trabalhava antes e me conhecia bem, disse:
- Conversa com ele. Vocês vão se entender. Ele também gosta de esportes.
E não demorou que, num desses almoços descompromissados que a gente tem com as pessoas de trabalho, nos sentássemos lado a lado e começássemos a trocar confidências sobre nossas respectivas paixões: triathlon, a minha, tênis, a dele.
Então, ao longo destes quatro anos, almoçamos quase todos os dias juntos e conversamos de tudo - mas nosso assunto predileto – o esporte - esteve sempre em pauta.
Com ele aprendi a admirar Federer (embora, só pra provocá-lo, eu diga que gosto mais do Nadal), a considerar Roland Garros A prova de Grand Slam e descobri que há tantos – ou mais – torneios de tênis para amadores quanto há provas de triathlon e corridas de rua.
Por outro lado, ele aprendeu tudo sobre triathlon. Sabe o que é o clipe, uma caramahola e a diferença entre uma speed e uma contra-relógio, entre outras tantas coisas.
E quando ficamos mais próximos, ele também me ensinou coisas da política, da administração, da gestão. E eu pude falar mais sobre relacionamentos, conflitos, convívio.
Ao longo desses quatro anos tivemos discordâncias – sobre aspectos do nosso trabalho – mas nunca brigamos. Fui à sala dele chorar algumas vezes. Ele não foi à minha – porque é duro na queda – mas deixou escapar uma angústia ou outra, que acolhi como pude.
Ano passado, quando estava me preparando pro Iron ele me perguntava todo o dia como tinha sido meu treino. E seu interesse era genuíno. Entendia as minhas restrições alimentares e não se importava se, durante uma semana inteira, eu só quisesse comer no 7 Grill.
Na véspera da minha viagem para Floripa em maio do ano passado, ele estava de férias, mas combinamos de almoçar juntos. Eu estava insuportável. Não conseguia falar de outra coisa que não fosse a prova. Durante o almoço ele fez todas as perguntas que eu queria responder, disse o que eu queria ouvir e me acalmou sem nem se dar conta.
Muitas vezes durante o horário do almoço saímos para encontrar um cadarço de tênis pra ele entre os camelôs, comprar um pacote de maltodextrina ou à caça de baterias CR 3032 para o frequencímetro. Por incrível que pareça, nos divertíamos nessas pequenas jornadas. Conhecemos lugares escondidos como a “Casa das Baterias” e personagens inusitadas, como a sra Chun, da loja de perfumes importados. Temos em comum um pequeno e curioso repertório de pessoas e situações.
Ano passado ele perdeu o pai e, logo em seguida, a mãe. Estive no velório de ambos e no enterro e cremação de um e outra. Vivemos também um repertório de tristezas e perdas compartilhadas.
Agora, neste início de ano ele e várias outras pessoas de quem gosto muito, foram demitidos.
Quando a percebi a iminência de sua demissão me dei conta de como iria sentir sua falta. Vi que ele é muito mais do que um companheiro de trabalho. É um amigo. Meu melhor amigo.
Claro, vamos continuar a nos falar e sempre que possível, almoçar juntos. Não tê-lo no convívio diário, entretanto é, para mim, uma grande perda.
De qualquer modo, não posso deixar de registrar: obrigada por tudo, querido amigo!
- Conversa com ele. Vocês vão se entender. Ele também gosta de esportes.
E não demorou que, num desses almoços descompromissados que a gente tem com as pessoas de trabalho, nos sentássemos lado a lado e começássemos a trocar confidências sobre nossas respectivas paixões: triathlon, a minha, tênis, a dele.
Então, ao longo destes quatro anos, almoçamos quase todos os dias juntos e conversamos de tudo - mas nosso assunto predileto – o esporte - esteve sempre em pauta.
Com ele aprendi a admirar Federer (embora, só pra provocá-lo, eu diga que gosto mais do Nadal), a considerar Roland Garros A prova de Grand Slam e descobri que há tantos – ou mais – torneios de tênis para amadores quanto há provas de triathlon e corridas de rua.
Por outro lado, ele aprendeu tudo sobre triathlon. Sabe o que é o clipe, uma caramahola e a diferença entre uma speed e uma contra-relógio, entre outras tantas coisas.
E quando ficamos mais próximos, ele também me ensinou coisas da política, da administração, da gestão. E eu pude falar mais sobre relacionamentos, conflitos, convívio.
Ao longo desses quatro anos tivemos discordâncias – sobre aspectos do nosso trabalho – mas nunca brigamos. Fui à sala dele chorar algumas vezes. Ele não foi à minha – porque é duro na queda – mas deixou escapar uma angústia ou outra, que acolhi como pude.
Ano passado, quando estava me preparando pro Iron ele me perguntava todo o dia como tinha sido meu treino. E seu interesse era genuíno. Entendia as minhas restrições alimentares e não se importava se, durante uma semana inteira, eu só quisesse comer no 7 Grill.
Na véspera da minha viagem para Floripa em maio do ano passado, ele estava de férias, mas combinamos de almoçar juntos. Eu estava insuportável. Não conseguia falar de outra coisa que não fosse a prova. Durante o almoço ele fez todas as perguntas que eu queria responder, disse o que eu queria ouvir e me acalmou sem nem se dar conta.
Muitas vezes durante o horário do almoço saímos para encontrar um cadarço de tênis pra ele entre os camelôs, comprar um pacote de maltodextrina ou à caça de baterias CR 3032 para o frequencímetro. Por incrível que pareça, nos divertíamos nessas pequenas jornadas. Conhecemos lugares escondidos como a “Casa das Baterias” e personagens inusitadas, como a sra Chun, da loja de perfumes importados. Temos em comum um pequeno e curioso repertório de pessoas e situações.
Ano passado ele perdeu o pai e, logo em seguida, a mãe. Estive no velório de ambos e no enterro e cremação de um e outra. Vivemos também um repertório de tristezas e perdas compartilhadas.
Agora, neste início de ano ele e várias outras pessoas de quem gosto muito, foram demitidos.
Quando a percebi a iminência de sua demissão me dei conta de como iria sentir sua falta. Vi que ele é muito mais do que um companheiro de trabalho. É um amigo. Meu melhor amigo.
Claro, vamos continuar a nos falar e sempre que possível, almoçar juntos. Não tê-lo no convívio diário, entretanto é, para mim, uma grande perda.
De qualquer modo, não posso deixar de registrar: obrigada por tudo, querido amigo!
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Cada macaco no seu galho ou Onde os macacos se encontram
O triatleta é um espécime bastante peculiar que pode ser visto em bandos nas madrugadas da USP, em cima de bicicletas, em algumas trilhas do Ibirapuera e em academias da cidade. São os habitats onde se pode encontrá-los com mais freqüência, pois é onde ficam à vontade. Ou, como reza a música, o “galho” onde deve ficar cada macaco.
Entretanto há situações que em que é necessário compartilhar o galho e isso promove encontros, no mínimo, inusitados.
Estrada dos Romeiros
Como o próprio nome diz, a estrada é deles. Assim, pelo menos uma vez por mês, eles vêm aos montes, simulando uma ida à Roma, carregando em suas carroças aparelhos de som turbinados de onde bradam músicas sertanejas narrando histórias tristes de amores, despedidas, jornadas, saudades, amigos e, claro, cavalos. Estes, e seus primos jumentos, também fazem parte do tour religioso. Ao longo da pista é fácil identificar os rastros que deixam pelo caminho. Há também bicicletas paramentadas com chupetas(?), ursinhos de pelúcia e outros souvenires intrigantes. Participam jovens, velhos, crianças, mulheres, chapéus, bonés, garrafas de cachaça, cobertores, estandartes, berrantes e até santos e santas.
E, de repente, no meio deste happening, surgem os triatletas, também fazendo sua peregrinação. Nossa Meca é outra: Hawaii, mas nos contentamos em sonhar com Floripa, Pirassununga ou, simplesmente, Santos. Mas nos vemos ali, dividindo o chão com outra turma. Eles nos olham espantados, rapidamente notam que não pertencemos à romaria deles mas, os mais atentos, perceberão que também há devoção em nossos olhos. Assim, na maioria das vezes, não há brincadeiras de mau gosto ou atrevimento. Seguimos cada qual com seu Deus, com sua oração, mantra ou ladainha (WIT- what it takes é a de alguns).
No final, pagamos nossos pecados na subida do “cala a boca”, enquanto os romeiros pagam suas promessas.
Riacho Grande – os cantores de karaokê
Ali, ao lado da represa, enquanto tiramos a bike do carro, vestimos capacete e sapatilhas, abastecemos as caramanholas e passamos protetor solar, a música no boteco em frente rola alta e umas poucas vozes desafinadas denotam o clima de fim de festa. Uma moça, vestida a caráter (ou seria melhor dizer falta de?), sai de dentro trançando as pernas. Sem a menor cerimônia, ela vomita. Num carro ali perto, um rapaz e uma moça fumam, discutem, gritam um com outro e ela chora. Sua maquiagem já se transformou numa máscara de pierrô.
Por uns 20 ou 30 minutos, triatletas e karaokeiros (karaokistas??) compartilham o estacionamento. Os primeiros começando o dia enquanto a família dorme, entre planilhas e quilômetros, suplementos e endorfinas, os outros, terminando a noite, enquanto a família dorme – entre tapas e beijos, cigarros e vômitos.
A troca de olhares entre os dois grupos não chega a ser hostil, mas não é tampouco amistosa. Parece que cada um olha para o outro e pensa: como eles podem viver assim?
A maioria instala-se ali, ao lado da ponte, já perto da entrada do parque. Pescam, mas a também fazem churrasco, levam a família, nadam e (já não se fazem mas pescadores como antigamente) colocam o som do carro alto e estridente no volume máximo.
Na praia
Biquínis mínimos, sungas e calções de tamanhos variados, grande profusão de barrigas máximas.. Eis que... O que é aquilo? Um pingüim? O Aquaman? Um ET? Não. Magro e emborrachado dos pés à cabeça, é um triatleta pronto para treinar.
Longe da beira, pra não trombar com os banhistas, o triatleta muitas vezes é perseguido e admirado por remadores (eventuais) de caiaques e botinhos de borracha, que costumam se aproximar pra ver que espécie de animal aquático é aquele.
O convívio costuma ser pacífico. Já a aproximação de lanchas e jetskis pode deixar o triatleta nervoso e agitado.
Ciclovia
Muito se engana aquele que imagina que na ciclovia da CPTM os triatletas compartilhem o galho, digo, a pista apenas com seus parentes próximos – os ciclistas.
Ali os habitantes são outros mamíferos: roedores. As placas avisam logo no início do trajeto: cuidado com os animais silvestres – capivaras. E lá estão elas, tomando sol à beira do perfumado Rio Pinheiros, sem tomar conhecimento dos primatas sobre rodas.
Mas não são apenas as simpáticas capivaras que freqüentam o pedaço. Outros roedores, nada simpáticos, também atravessam a pista sem a menor cerimônia. Outro dia estávamos por ali e o mesmo rato (que parecia mais um cachorro) cruzou a pista na nossa frente três vezes.
Eca.
Outras
Estas são algumas situações permanentes em que invadimos ou compartilhamos os galhos alheios. Mas há outras, mais esporádicas: entrar no banheiro do posto de gasolina no meio de uma estrada – suada, de capacete e sapatilhas – enquanto o pessoal que veio de ônibus lá de Aparecida faz uma parada. Aparecer na piscina da academia com a roupa de borracha pra fazer um treininho pré prova. Parar no meio de um longão na chuva, ensopado e entrar numa padaria qualquer pra comprar um gatorade.
Por um lado, a gente vai se acostumando com os olhares incrédulos, mas, por outro, é preciso tomar cuidado pra não achar que somos mais donos dos galhos do que os outros macacos que os freqüentam conosco. Com exceção, é claro, do que não são macacos, são ratos.
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| Cada macaco... (ilustração tirada do Blog Sopa de Idéias) |
Entretanto há situações que em que é necessário compartilhar o galho e isso promove encontros, no mínimo, inusitados.
Estrada dos Romeiros
Como o próprio nome diz, a estrada é deles. Assim, pelo menos uma vez por mês, eles vêm aos montes, simulando uma ida à Roma, carregando em suas carroças aparelhos de som turbinados de onde bradam músicas sertanejas narrando histórias tristes de amores, despedidas, jornadas, saudades, amigos e, claro, cavalos. Estes, e seus primos jumentos, também fazem parte do tour religioso. Ao longo da pista é fácil identificar os rastros que deixam pelo caminho. Há também bicicletas paramentadas com chupetas(?), ursinhos de pelúcia e outros souvenires intrigantes. Participam jovens, velhos, crianças, mulheres, chapéus, bonés, garrafas de cachaça, cobertores, estandartes, berrantes e até santos e santas.
E, de repente, no meio deste happening, surgem os triatletas, também fazendo sua peregrinação. Nossa Meca é outra: Hawaii, mas nos contentamos em sonhar com Floripa, Pirassununga ou, simplesmente, Santos. Mas nos vemos ali, dividindo o chão com outra turma. Eles nos olham espantados, rapidamente notam que não pertencemos à romaria deles mas, os mais atentos, perceberão que também há devoção em nossos olhos. Assim, na maioria das vezes, não há brincadeiras de mau gosto ou atrevimento. Seguimos cada qual com seu Deus, com sua oração, mantra ou ladainha (WIT- what it takes é a de alguns).
No final, pagamos nossos pecados na subida do “cala a boca”, enquanto os romeiros pagam suas promessas.
Riacho Grande – os cantores de karaokê
Ali, ao lado da represa, enquanto tiramos a bike do carro, vestimos capacete e sapatilhas, abastecemos as caramanholas e passamos protetor solar, a música no boteco em frente rola alta e umas poucas vozes desafinadas denotam o clima de fim de festa. Uma moça, vestida a caráter (ou seria melhor dizer falta de?), sai de dentro trançando as pernas. Sem a menor cerimônia, ela vomita. Num carro ali perto, um rapaz e uma moça fumam, discutem, gritam um com outro e ela chora. Sua maquiagem já se transformou numa máscara de pierrô.
Por uns 20 ou 30 minutos, triatletas e karaokeiros (karaokistas??) compartilham o estacionamento. Os primeiros começando o dia enquanto a família dorme, entre planilhas e quilômetros, suplementos e endorfinas, os outros, terminando a noite, enquanto a família dorme – entre tapas e beijos, cigarros e vômitos.
A troca de olhares entre os dois grupos não chega a ser hostil, mas não é tampouco amistosa. Parece que cada um olha para o outro e pensa: como eles podem viver assim?
Riacho Grande – pescadores
Tá estressado? Vai pescar! São os dizeres do adesivo que decora o Voyage 89 estacionado à beira da represa. Eles também levantam cedo, munem-se de paciência, alimentos, equipamentos e rumam pra beira da Billings.
A maioria instala-se ali, ao lado da ponte, já perto da entrada do parque. Pescam, mas a também fazem churrasco, levam a família, nadam e (já não se fazem mas pescadores como antigamente) colocam o som do carro alto e estridente no volume máximo. Nós triatletas passamos pra lá e pra cá, pra cá e pra lá, sentimos o cheiro da carne sendo assada, ouvimos a algazarra das crianças na água, observamos aquele pescador que, como nós, persiste em sua atividade, incansável. Somos observados por eles com crescente indiferença a cada volta. Eles se acostumam como nosso ir e vir, nós nos acostumamos com o ficar deles.
Na praia
Biquínis mínimos, sungas e calções de tamanhos variados, grande profusão de barrigas máximas.. Eis que... O que é aquilo? Um pingüim? O Aquaman? Um ET? Não. Magro e emborrachado dos pés à cabeça, é um triatleta pronto para treinar.
Longe da beira, pra não trombar com os banhistas, o triatleta muitas vezes é perseguido e admirado por remadores (eventuais) de caiaques e botinhos de borracha, que costumam se aproximar pra ver que espécie de animal aquático é aquele.
O convívio costuma ser pacífico. Já a aproximação de lanchas e jetskis pode deixar o triatleta nervoso e agitado.
Ciclovia
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| Placa na ciclovia - (do blog De Verde Casa) |
Ali os habitantes são outros mamíferos: roedores. As placas avisam logo no início do trajeto: cuidado com os animais silvestres – capivaras. E lá estão elas, tomando sol à beira do perfumado Rio Pinheiros, sem tomar conhecimento dos primatas sobre rodas.
Mas não são apenas as simpáticas capivaras que freqüentam o pedaço. Outros roedores, nada simpáticos, também atravessam a pista sem a menor cerimônia. Outro dia estávamos por ali e o mesmo rato (que parecia mais um cachorro) cruzou a pista na nossa frente três vezes.
Eca.
Outras
Estas são algumas situações permanentes em que invadimos ou compartilhamos os galhos alheios. Mas há outras, mais esporádicas: entrar no banheiro do posto de gasolina no meio de uma estrada – suada, de capacete e sapatilhas – enquanto o pessoal que veio de ônibus lá de Aparecida faz uma parada. Aparecer na piscina da academia com a roupa de borracha pra fazer um treininho pré prova. Parar no meio de um longão na chuva, ensopado e entrar numa padaria qualquer pra comprar um gatorade.
Por um lado, a gente vai se acostumando com os olhares incrédulos, mas, por outro, é preciso tomar cuidado pra não achar que somos mais donos dos galhos do que os outros macacos que os freqüentam conosco. Com exceção, é claro, do que não são macacos, são ratos.
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Insônias
Atire o primeiro lexotan aquele, triatleta ou não, que nunca foi assolado por uma insônia.
Diversidade de insônias
Existem vários tipos de insônia. Há aquelas que vão junto com a gente para cama: encosta-se a cabeça no travesseiro, apaga-se a luz e pronto, lá está ela, sorrindo na escuridão. Outras nos despertam no meio da noite, como se já estivéssemos atrasados para o treino, e varamos a madrugada, até que os pássaros comecem a cantar e o dia a clarear. Outras – as piores - viram a noite com a gente, estraçalhando nossos sonhos de treino pela manhã e embotando nosso dia inteiro.
Há insônias por motivos óbvios, como as insônias de véspera: de viagem, de competição, do parto. Há as insônias de preocupação: problemas de saúde na família, dívidas, incertezas na vida profissional. Há insônias de paixão: seja de felicidade, porque o ser amado nos ama e não sossegamos o facho de tanto contentamento ou, pelo contrário, o ser amado não nos ama, então a tristeza nos inquieta e nos impede de dormir em paz. E, claro, há insônias que combinam várias dessas razões e mais outras tantas.
Insônia de triatleta
Os triatletas têm um tipo especial de insônia chamado “descanso também é treino”. Acordamos cedo todos os dias para correr e/ou pedalar e/ou nadar, trabalhamos, nos alimentamos, cuidamos dos filhos, então queremos, o mais cedo possível, nos colocar na posição horizontal, fechar os olhos e apagar. Só descansando adequadamente é que nosso corpo assimila os treinos. Além disso, costumamos estar exaustos por volta das nove da noite.
Mas o sono tem seus caprichos. E mesmo fazendo tudo direitinho, indo pra cama cedo, podemos ser surpreendidos por uma das piores espécies de insônia: o corpo está cansado, dormimos pouco na noite anterior, o cérebro já não está funcionando bem... mas não conseguimos desligar. Os pensamentos começam a ficar confusos, o corpo parece que está afundando na cama... estamos quase lá... quando, sem mais aquela, uma voz parece nos chamar e nos trazer de volta ao estado de alerta. Então caímos na besteira de consultar o relógio. “Oh, droga! Faltam apenas 4horas e 45 minutos pra eu acordar!” Pronto. Era o que faltava para piorar a noite. Começamos a contabilizar os prejuízos da noite mal dormida e isso nos deixa ainda mais despertos. Danou-se. A gente, que gosta tanto de controlar tudo, de medir (e aproveitar) o tempo em segundos e “derrubar” as planilhas de treino cumprindo tudo que está ali fica desesperado quando se depara com uma situação dessas: não mandamos no nosso sono. É simples assim. E como isso é complicado!
Minha insônia
Noite passada sofri uma dessas. Deitei exausta. A noite anterior fora mal dormida (caiu uma tremenda tempestade durante a madrugada em Brotas onde eu estava), de manhã os meninos e eu nos aventuramos por uma mega tirolesa, à tarde 250 km dirigindo de volta pra São Paulo e à noite 18 km de corrida no Ibira. Comi, tomei um banho e caí na cama. Nem era tão cedo. Cadê o sono que estava aqui? Puf, sumiu num passe de mágica. Panquequei na cama, virando de um lado pro outro – pensando em todos os temas possíveis: filhos, trabalho, marido, treinos, futebol, férias, encanamento, escapamento do carro, aniversário, vida após a morte...até...(não olhei no relógio para não me desesperar) apagar um pouquinho para acordar antes do despertador que iria tocar as 4h22. Levantei até mais disposta do que imaginava, me troquei e fui pedalar.
Alguma idéia?
Não é muito comum isso acontecer. Pode ter sido a adrenalina da tirolesa, o TNT que tomei pra não ter sono na estrada, as preocupações com minha vida profissional e também porque corri apenas um par de horas antes de deitar. Não estou acostumada e talvez tenha ficado com endorfina demais circulando pelo sangue. O mais provável é que tenha sido uma combinação de todos esses fatores. De qualquer modo, estou planejando fazer meus treinos longos de corridas às quartas à noite e às quintas de madrugada vou pedalar. Será que dá pra acostumar?
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