quinta-feira, 2 de junho de 2011

Ironman II - Algumas histórias Momentos de TAMsão

Depois da história do cateye achei que a sorte estava sorrindo para mim. Ate que recebo um torpedo do marido, que ainda estava em São Paulo. Era 5ª feira. “Onde estão as passagens de volta dos kids? Só encontrei as nossas”.
Eu havia emitido todas as passagens. Doze e-tickets. Ida pela Gol, volta pela TAM, vários deles tirados por milhagem, no início de março. Eu achava que tinha deixado tudo impresso em SP.
Assim que recebi o torpedo, subi até o quarto do hotel pra ver se, por acaso, estavam comigo. Não estavam. Desci e fui até a salinha dos computadores. Acessei meu webmail. Fucei e só achei seis, SEIS mensagens com as passagens do marido e minha. Das crianças, nada. Comecei a suar frio.
 Era hora de jantar. Nem fome eu tinha. Sentei à mesa com a Nilma e o Neto mas não conseguia desligar do assunto. Pobre Nilma. Deixei-a preocupada também.
Da mesa de jantar, de frente para o sexta refeição de macarrão com molho de tomate fresco, peito de peru e batatas assadas da temporada, liguei pra Celina, minha secretária, pra me certificar de que não estava louca. Tinha certeza de que havia emitido as passagens, mas precisava de uma confirmação. Muitas vezes praticamos o crime falsidade ideológica, nós duas. Ela se passa por mim pelo telefone para adiantar o expediente em coisas deste tipo. Celina se lembrava de que eu/ela realmente havia emitido ida e volta, em companhias diferentes.
Voltei à sala de computadores, entrei no site da TAM, xeretei na área “meus bilhetes” e nada. Liguei pra TAM. Expliquei a situação e pedi para procurarem meus filhos na lista de passageiros. Tinha o número do vôo, o dia, a hora, nome e sobrenome. O atendente (pra sorte dele, esqueci seu nome), de audível má vontade, disse “não consta, senhora.” Pânico.
Liguei pra casa e pedi pro Theo, meu filho mais velho, abrir meu computador e procurar na minha caixa postal. Embora o marido estivesse em casa eu não queria nem que ele desconfiasse do que estava acontecendo. Vai que eu tinha apagado a mensagem com o e-ticket do webmail... Ele encontrou só as passagens de ida, da Gol e as de volta, minha e do Roi.
Voltei ao restaurante. Estava desnorteada. Comecei a fazer as contas do prejuízo que iria ter:
1. Dificilmente haveria quatro lugares disponíveis no mesmo vôo que o nosso, portanto um de nós teria de perder a passagem para viajar com os meninos. Seriam cinco bilhetes comprados de véspera, muito mais caros.
2.  Passagens para 2ª feira? Rá! Sem chance. Então, além de tudo, teria de arcar com pelo menos mais cinco diárias.
Sem contar o desgaste de ter de resolver uma encrenca dessas àquelas alturas. Véspera do Iron. Era hora de ter de me preocupar com isso? Definitivamente, não.
Lembrei da viagem pro mundial de 70.3, em Clearwater, quando perdi os documentos no aeroporto, passaporte inclusive.
O pior era a sensação de que eu devia estar com a cabeça avariada. Ou a TAM estava fazendo uma grande besteira.
Nilma sugeriu que eu entrasse no site do Fidelidade TAM e verificasse meu extrato. Ela se levantou pra buscar o seu netbook, quando, acabou a energia. Pronto. Ficamos no escuro, e eu não iria conseguir checar.. Que remédio? Acabei de engolir minha refeição. Nilma e  Neto tentavam me acalmar “Liga de novo na TAM... às vezes é o atendente que não sabe procurar...”
O pessoal em volta percebeu que eu não estava pra brincadeiras. Minha cara deveria estar péssima. Ninguém fez gracinha.
A energia voltou e, como o netbook não estava encontrando a rede wi-fi fui até a salinha de computadores mais uma vez. Sim, as milhas tinham sido debitadas da minha conta. Onde diabos então estavam as passagens???
Tanto naveguei pelo site que acabei chegando numa página com uns códigos estranhos. Cliquei no primeiro. Mais uma vez, era minha passagem. Clique no segundo... achei a passagem do Theo! Nem tudo estava perdido. Já era um bilhete a menos pra pagar. Uma diária a menos também. Cliquei no terceiro código. Achei!!! As três passagens estavam lá. No mesmo vôo que eu!
Anotei os números e liguei, espumando, pra TAM. Desta vez, foi a Jennifer quem me atendeu. Contei toda a novela e passei os códigos. Claro que ela encontrou. Reclamei a respeito do coleguinha que não tinha encontrado com os nomes e sobrenomes. Sabem o que ela me respondeu? “Ah é porque ele precisa checar a lista toda de passageiros!” Nossa. Que difícil. Mais fácil dizer que “não consta”. Dá pra acreditar?
Solicitei que ela me enviasse os bilhetes eletrônicos e não desliguei a ligação enquanto eles não apareceram na minha caixa postal.
Respirei aliviada e voltei a sorrir. Mas, definitivamente, não precisava ter passado por essa.


terça-feira, 31 de maio de 2011

Ironman II — Algumas histórias — Olho de gato

Depois da novela do taquinho, finalmente fui dar uma volta com a bike. Eis que descubro que o Cateye (minicomputador de bordo que dá a velocidade, velocidade média, velocidade máxima, tempo decorrido, hora, distância e RPM) não está funcionando.
Cato a magrela e vou direto à oficina falar com o Manuel. Detalhe o Manuel - irmão do famoso (ao menos no mundo das bikes ele é famoso) Johnny Lin é o primeiro descendente de japonês que eu conheço com este nome. Pode ser preconceito meu, mas não combina. Mas isso não tem nada a ver coma história e o cara é o maior gente fina. Ele, o Edu e mais outro mecânico cujo nome não cheguei a saber, trabalharam incansavelmente das 9 às 19, sempre disponíveis e bem humorados.
Edu girou a roda pra lá, virou cateye pra cá... e nada de funcionar. Só marcava o RPM (giro). Até que ele pegou o sensor de outra roda – e o sem-vergonha funcionou. O sensor é um pequeno imã, de cerca de 5 milímetros de diâmetro que fica preso a um dos raios da roda.
Depois da confusão com o taquinho, parecia um problema simples de ser resolvido. Engano meu. Eles não tinham imãs sobressalentes. Lá ia eu de novo até a feirinha ver se achava alguém que vendesse. Já sabendo que precisaria de sorte párea encontrar sensores avulsos à venda. E comprar um novo conjunto de cateye completo estava fora de cogitação.
Chegando lá, fui direto ao stand do Max. Ele já tinha me salvado uma vez... quem sabe não me salvaria mais uma. Vi-o por ali, mas fiquei com vergonha de abordá-lo – “aquela maluca de novo” ele poderia pensar. Então encostei no balcão fiquei buscando com os olhos alguém que me atendesse.
Um cara parou bem na minha frente, do outro lado do balcão. Ele não tinha crachá de expositor. Sei lá porque, olhei pra ele e pergunte “você tem sensor de Cateye?”
Ele me olhou incrédulo e, em vez de responder, enfiou a mão no bolso e começou a procurar alguma coisa. Fiquei olhando pra ele e aguardei. Meio hesitante, ele me disse
“Tenho um a mais, aqui no meu bolso”
“Você não trabalha na loja?”, perguntei
“Não. Eu vim aqui pra comprar um tênis”, ele respondeu e me mostrou o saco plástico que segurava na outra mão.

O imã sensor, preso ao raio

Aí fui eu quem ficou de queixo caído.
“Ma-mas você não é da loja? E tem um sensor sobrando?”
“Pois é”, disse ele
“E você vai me emprestar?”
Ele, conformado, respondeu “Vou, né... acho que eu trouxe ele pra você!”
Tirou do bolso e me deu.
“Você é um anjo que caiu do céu!”
“Não, vim de Tocantins mesmo...”
Perguntei seu nome, trocamos os celulares e prometi devolver depois da prova. Não nos encontramos, mas acabei de mandar um torpedo pra ele pedindo o endereço pra enviar pelo correio.

Obrigada, Walter, de Tocantins!




Ironman II – algumas histórias Operação troca taco

Bike nova, sapatilha nem tanto
A 35 dias da prova tomei uma decisão bastante ousada e quase imprudente. Trocar de bicicleta. Não só porque teria pouco tempo pra me habituar a ela, mas, principalmente, porque estaria me endividando por, ao menos, cinco meses. O que eu não poderia imaginar é que a maior dor de cabeça que teria com essa mudança seria por conta do taquinho.
Quando fui montar a bike nova, os “especialistas” torceram o nariz: “hummmmm... este seu taquinho está muito fino. Vai quebrar. Precisar trocar.” “Ok”, respondi, “troque-se o taco”. Mas já era tarde. Eu queria pedalar no dia seguinte que era feriado e, como não tenho outra sapatilha, deixei pra fazer isso no sábado.
Para quem não é do ramo, esclareço que o taquinho é uma peça que fica embaixo da sapatilha e encaixa no pedal. A posição do taquinho é decisiva na geometria da pedalada. Taquinho torto, pedalada torta, desconfortável e, dependendo da distância, passível até de causar uma lesão.
Vai e vem
No sábado deixei a bike e a sapatilha. Na segunda, a bike estava pronta, mas a sapatilha... “Os parafusos oxidaram, está muito difícil de tirar. Precisa deixar de molho no WD40”. De novo, tinha treino no dia seguinte e não podia deixar a sapatilha. Levei pra casa, enchi de WD40.
Depois do treino deixei a sapatilha lá de novo. Na quarta, fui buscar. Não estava pronta.
“Não conseguimos. Não quer comprar uma nova?"
“Não. Esta está amaciada. Molinha. No jeito. Não quero usar outra
“Vai precisar serrar por dentro. Você usa palmilha?”
“Uso”
“Então deixa aí que nós vamos serrar.”
“Não deixo. Amanhã tem treino. Deixo depois do treino”.
Deixei depois do treino. Telefono pra saber. Tem treino no dia seguinte. “Já já fica pronta e eu te ligo. Meia hora”. Não ligou. Corro atrás de uma sapatilha emprestada. Minha amiga Kelly, me salva. Vou até a casa dela, quase nove da noite. Ela me espera de pijama na porta do prédio. Temos treino logo cedo.
Acho que foi só na 5ª vez, quando fiquei lá esperando, que a troca de taco foi feita. Agora precisava retornar ao Igor, do bike fit, pra fazer os ajustes. Chego no Igor, de taquinho novo, mas ele não consegue abrir os parafusos! Estão espanados.
Volto pra loja, troco os parafusos e o taquinho é ajustado. Mas não fica bom. Meus joelhos estão virados pra dentro. Só que é dia 24 de maio. Embarco no dia seguinte. Ligo pro Igor, mas não consigo falar. Não dá mais tempo. Agora é rezar pra encontrar algum santo que me ajude.

Em Flops
Chegando em Flops vou direto à oficina do hotel. O Manuel, irmão do Johnny Lin, me explica que arrumar o taquinho não está na programação deles. Nem têm os materiais necessários. Vou ter de arranjar esquadro, transferidor e um rolo! Rolo é um suporte onde se coloca a bike para pedalar com ela estacionada e também para fazer os ajustes do taquinho, selim, guidão etc.

Meu anjo salvador e eu

Está fácil... mando um torpedo pro pessoal, perguntando quem tem um rolo - sempre tem algum maluco que leva – mas, os que me respondem, não só não tem, como acham que estou maluca e ainda tiram uma da minha cara. A engraçadinha da Kelly responde “tenho rolo de macarrão, serve?”. O tempo urge e ruge. Fazer um novo fit, agooora????
E lá vamos eu, bike, sapatilha e seu marido, o taquinho, rumo à feirinha. Alguém há de me salvar. Vou passando ao lado das oficinas, meio perdida. Um careca grandão se posta ao meu lado e pergunta
“Posso te ajudar em alguma coisa?”

“Siimmmm! Pode me salvar!!!”

Então explico a situação pra ele. Ele coloca a bike no rolo e começa o seu serviço. Além do taquinho, ele alinha meu banco que está empinado pra cima, e abaixa ele um pouquinho. É simpático, firme e seguro. Quando pergunto seu nome, se apresenta, humilde “Sou o Max”. Quase caio das pernas (ou melhor, do rolo). É o Max, da Kona Bikes. Mega atencioso. Fica 15 minutos comigo e ajusta o taquinho. Não me cobra nada. Apenas que faça uma boa prova.

Obrigada Max, de Curitiba!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Longão na estrada

Ronaldo, Serginho, Diogo, Kaká, eu, Wagner e Roi. Missão cumprida.


Pico
Domingo, dia 1º de maio, rolou o treino de bike. É aquele tal, de 180 kms,  para o atleta ganhar confiança, saber que dá conta do recado, que segura as pontas (as costas, as pernas, os quadris). Nessa mesma semana rola também o famoso mais longo de corrida que, para alguns ultrapassa os 30 kms mas, a maioria faz até esta marca. É o pico do treinamento. E a sensação é essa mesmo. Vamos subindo, subindo e a cada semana a trilha fica mais íngreme, mais cansativa.


Temores
O Wagner, meu querido técnico, decidiu organizar um treino na estrada: Ayrton Senna/Carvalho Pinto. Relutei muito em ir. Muito mesmo. Tenho um medo lascado de morrer na estrada. Sou cautelosa, não solto o freio e vou a 60 por hora nas descidas, ando o máximo possível à direita, presto a maior atenção nas entradas e saídas da rodovia mas... Não depende apenas de mim. Um carro desgovernado, um caminhão distraído, um buraco no acostamento... A chance de um incidente transformar-se em acidente e em uma tragédia, existem e não são remotas. Além disso, não gosto de retardar o grupo quando sei que a maioria pedala mais forte que eu. E ficar sozinha na estrada, não dá.
Depois de muito ponderar, discutir com o Wagner todos estes medos e saber que: 1. teríamos dois carros de apoio, 2. ele pedalaria uma boa parte com os mais lentinhos, 3. que meu maridão iria me escoltando, acabei topando.
Amanhecer
Chegamos no posto BR da Ayrton Senna com o dia clareando. O grupo era: Kaká, Ronaldo e Diogo - mais fortes e Serginho e eu - cafés com leite - e o Roi, meu marido, que não é café com leite, mas foi um doce e nos acompanhou. Wagner saiu pedalando junto e ficou - até decidir ir pro apoio - na rabeira. Karlinha, namorada do Kaká, e Dani, esposa do Wagner, deram o apoio, cada uma em um carro.

Primeiros quilômetros
No início, não escondi de ninguém que estava absolutamente tensa. Agarrava o guidão como se ele pudesse tentar escapar. Não parava de me perguntar "porque diabos entrei nesta enrascada? 180 quilômetros! Não vai acabar nunca!"
Chegamos ao primeiro pedágio e foi uma piada, pois passamos por uma cancela do Sem Parar, sem parar, o que fez com que um alarme disparasse e uma das cobradoras viesse correndo atrás da gente. Fizemos de surdos e seguimos em frente.

Relaxing
Depois da entrada para Mogi, o movimento diminui um pouco e comecei a me acalmar. O Wagner, que não é tatu, ficou do meu lado um bom tempo batendo papo, me dando uns toques sobre mudança de marcha e outros temas técnicos, falando da vida...cuidando de mim, me pageando sem me constranger.
A Dani parecia estar escoltando uma prova, não um treino. Torcia, vibrava, fotograva (todas as deste post são dela), gritava "Vaaaaaai Irooooooon!" "Vaaai Chrissie Wellingtoooon!". Era ótimo. Eu dava risada e lembrava porque estava ali.
Lá pelas tantas o Wagner ficou atrás com o Serginho e o Roi cuidou de mim, me ajudando em todos os trecho em que havia bifurcações, saídas e entradas de outras rodovias. Eu imaginava que ele devia estar louco pra ir com os caras que dispararam na frente, mas ele se controlou bem.

Túneis
Uma das partes mais desagradáveis é passar pelos túneis. São três, não são muito extensos, mas a combinação de barulho com escuridão é apavorante. Quando calha de passar um caminhão, o ruído é ensurdecedor.  A única vantagem é que dentro deles o acostamento tem o dobro do tamanho.
No Iron, também passamos por um túnel, mas sem o trânsito de carros, então, não há o barulho. Em compensação, não sei porque, é o lugar em que muitos atletas decidem descer de suas bikes e marcar território. Dá pra imaginar o cheiro.

Agua e gatorade
O xerife, esperando eu passar.
Normalmente, quando treino na USP, na ciclovia ou outros lugares, costumo dar uma paradinha para reabastecer as caramanholas de agua e gatorade, já que, diferente da prova, não tem ninguém pra me entregar enquanto pedalo. E, confesso, acho ótimo. Essas paradinhas são providenciais,  pois o treino é longo, estou exausta e é uma desculpa legítima pra parar por um minutinho que seja.
Mas não quando você vai treinar com seu técnico e ele decide que não tem paradinha, não. Ele mesmo vai dar uma de voluntário e entregar a água e o gatorade enquanto você passa por ele. É mole?! 180 km e nenhum refresco?! Só faltou ele me dizer "minha filha, é pro seu bem! você ainda vai me agradecer isso um dia..."


A volta e o pneu
Então o retorno foi feito já pertinho de Taubaté, sem nenhuma paradinha no Frango Assado. (E olha que eu adoro entrar no banheiro feminino, de sapatilha e capacete, toda desgrenhada, enquanto a mulherada do Cometão, tão desgrenhadas quanto eu, após 36 horas de viagem, me olham com aquela cara de "de que planeta ela veio?)".
E a volta é mais dura. Não só porque vc já está com 90 kms em cada perna mas porque a gente sai de 800 metros de altitude e chega a 300. Na ida não parece que tem mais descidas. Mas na volta COM CERTEZA tem muito mais subida.
Lá pelas tantas, Dani e Karlinha emparelharam o carro (o Wagner estava no outro, traidor,  não pedalou na volta) e eu implorei: dá uma caroninha??? Só uns 10 kms... eu não conto nada pro Wagner... depois eu te recompenso... você não vai se arrepender!" Não teve jeito. Ela não cedeu.
A coisa estava tão feia que comecei a pensar "fura pneu! fura pneu! assim vou poder esticar as pernas um pouquito!"
Um anjo passou, fez amém na mesma hora. Entre o primeiro e o segundo túnel,  furou não uma, mas duas vezes! Nunca fiquei tão feliz em ter um pneu furado! O Roi ficou comigo quase todo o tempo, e estava ali àquelas alturas. (Obrigada, amor!) Embora eu tenha feito boa parte da operação sozinha, tem um pedaço que as minhas mão femininas não dão conta: terminar de colocar o pneu na roda. É muito duro!!!
Subida na ida...

...subida na volta!

Chegada
Karla, eu e Dani - mais que apoio, torcida!
Custou mas acabamos chegando. No início de um retão, Karlinha cantou a bola "é logo ali!". Só que não era. Era lááá, não ali.  Não chegava nunca. Minhas costas, ombro e quadris estavam imprestáveis.
Finalmente chegou. Paramos no posto no sentido SP. Lá Karlinha, Dani, Roi e eu aguardamos Wagner para fazer o transporte para o outro lado. Fomos de carro já que parece que o retorno perto do posto onde deixamos os carros é perigoso. Enquanto esperávamos, Roi foi se trocar e eu e as meninas levamos aquele papo feminino, que cria intimidade em cinco minutos. As duas - Karla e Dani - já moram no meu coração!
Lá  chegando revelei a surpresa que havia preparado para todos: pão de ló recheado de doce de leite (leite moça cozido) - praticamente um bem-casado, só que sem o açúcar por cima. Delícia! Foi devorado com muito prazer por todos.
No final, gostei de ter ido. Sim, Wagner, nem vai demorar o dia pra eu dizer "você tinha razão". Independente do resultado da prova, sei que já sou  uma atleta melhor do que era antes de treinar com você - e você é sim o maior responsável por isso. Obrigada.
Repartindo o bolo. Hummmmmm.

domingo, 24 de abril de 2011

Um segundo

 Dedico este post aos leitores como Bru Andriello e Richard Antunes que sempre me escrevem na hora que estou quase desistindo de continuar postando.

Faltam apenas 35 dias e, diferente do que possa parecer (pelo fato de eu não estar postando muito sobre o tema), sim, estou, novamente, entregue aos treinos, sonhando com a prova, imaginando como vai ser o grande dia.
Ano passado escrevi um texto comparando o Iron com o casamento, o parto, batismo. Vou voltar a comparar.

Segundo casamento
Muita gente termina um primeiro casamento afirmando: “nunca mais caio nessa!, agora só aventuras light!”. Para dali um ano, dois ou menos, ou tão logo a oportunidade apareça, insistir no risco. Muita gente diz o mesmo sobre o Iron:”é só uma vez pra ver como é... depois fico nas provas mais curtas!” Mas é só a inscrição abrir... e lá estamos de novo!

Cenas do meu segundo casamento
 O segundo Iron, assim como o segundo casamento, tem algumas vantagens. Já temos mais ou menos uma noção de como é a vida a dois, mais experiências, menos ilusões. Assim como já conhecemos o percurso, as pedras do caminho do segundo Iron.
Esforçamos-nos para entender onde pecamos no primeiro casamento e não cometer os mesmos erros, para minimizar nossas neuras de modo a não estragar nossa nova relação. Assim, no Iron, também analisamos nossas falhas da primeira vez para tentarmos evitá-las.
Mas, se vida fosse assim tão fácil, não teria graça. O segundo casamento também não será um mar de rosas (se você ainda acredita nisso, lamento tê-lo desiludido). São outros desafios (eufemismo para problemas) e temos que estar atentos para não deixar todo aquele amor, toda aquela paixão, escoarem pelo ralo (entupido, motivo da briga besta). E assim o cuidado com o segundo Iron deve ser justamente achar que, pelo fato de saber como é a prova, já ter as favas como contadas e deixar de prestar atenção nos detalhes, dar aquela esculhambadinha básica... e esquecer que cada largada é uma largada e que shit happens particularmente quando a gente não toma as precauões necessárias.
Não é todo mundo que celebra o segundo casamento com a mesma festa que o primeiro. Eu, particularmente, acho que devemos festejar mais ainda! Casar pela segunda vez significa continuar botando fé na relação amorosa. Assim como fazer um segundo Iron continuamos apostando na nossa capacidade de enfrentar uma parada duríssima, termos foco, disciplina etc etc. É transformar o episódico – um Iron – em uma escolha por um modo de vida. A linha de chegada continua então sendo merecedora de muita festa, risos, lágrimas e abraços!

Segundo filho
O primeiro filho é aquele que nos faz mães (ou pais), o primeiro Iron é o que nos torna Ironman (Ironwoman, Ironperson, whatever!). Mas nem por isso é menos impactante, emocionante e gratificante o segundo parto e o segundo filho.

Nascimento do segundo filho
 Talvez uma das coisas mais legais de esperar o segundo filho é que sabemos como é emocionante ver o filho pela primeira vez — seremos tomados por um misto de alívio por tudo ter dado certo e uma felicidade cheia de lágrimas. Assim é também com o segundo Iron: temos uma idéia das emoções que nos aguardam na linha de chegada – e, claro, há também o temor de não conseguirmos terminar. A sombra de um DND (Did Not Finish) existe sempre, por mais experiente que a pessoa seja.
Cada filho é um filho, cada Iron é um Iron. Com suas características, suas surpresas, alegrias e mazelas. Que graça teria se o segundo fosse idêntico ao primeiro (filho ou Iron)?
Estou na expectativa desse segundo Iron, como noiva em segundas núpcias, como mãe esperando segundo filho.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

GP Extreme



Da esquerda pra direita:  Ana Oliva, eu, Kelly, Thelma e Nilma antes da largada.  Um pouco de frio!
  Jus ao nome
Confesso que não prestei atenção ao nome da prova. Não me perguntei a que extremo o título se referia e me inscrevi acreditando que coincidiria com minha periodização. 1 km de natação, 100 km de pedal e 10 km de corrida? Ora, seria um ótimo treino de transição.
Antes de me inscrever fui pedir a benção ao Wagner, meu técnico. Ele torceu o nariz: “para quê uma prova a essas alturas do campeonato?” Insisti: “é uma prova nova, num lugar legal, as distâncias são boas pra encarar como treino.” Ele não se convenceu muito, mas cedeu.
Não me ocupei nem me pré-ocupei com a prova praticamente até chegar em São Carlos.
Saímos no sábado à tarde, Thelma e eu, nossas bikes, gatorades, caramanholas, bisnaguinhas e outros apetrechos. Pensei em levar um dos meus filhos, mas como não conhecia o lugar, não sabia se ele teria o que fazer durante a prova e acabei mudando de idéia. Fiz bem
Chegamos, depois de uma viagem sem intercorrências – mas com vários pit stops por conta de da hidratação contínua – largamos as tralhas no hotel e rumamos pro Damha para pegar os kits e participar do simpósio técnico.
Minha preocupação apareceu no momento em que começamos a descer uma ladeira interminável que dava no local da largada. Ô-oou. Será que vamos ter de subir isso aqui? Aos poucos fui me dando conta de que tinha me enfiado numa encrenca.
Encontramos a Nilma, o Sarhan, a Ana Oliva e mais algumas figurinhas carimbadas. Analisando o perfil da platéia que ouvia a explanação do organizador, dava pra perceber que não era uma prova para iniciantes.
Quem estava por ali também era a Daniella Cicarelli, causando furor entre os fãs. Eu já tinha cruzado com ela várias vezes nos treinos da MPR e em provas nas quais elas acompanhou seu namorado. Devo confessar que não nutria nenhuma simpatia por ela, não. Mas também não posso negar que era certa inveja, um incômodo de ver os queixos caindo por onde ela passava. E tive de dobrar minha língua.

Ciao, Bello!
Dali saímos direto pra cantina Ciao Bello, indicação de meu amigo Guilherme Gobatto, que é de lá, junto com o Cesinha e a Kelly. Ótimo negócio. Chegamos cedo, só havia uma mesa ocupada. Logo depois de nos acomodarmos entrou uma legião de triatletas com seus familiares e ocuparam uma mesa de uns 20 lugares. Olhamos uns para os outros e combinamos: vamos fazer o pedido rápido, pois se os pedidos dessa mesa entrarem antes do nosso, estamos roubados. Ótima estratégia. A Nilma, que chegou mais tarde, acabou esperando quase uma hora pela chegada de seu prato.
Comida boa e barata. Thelma e eu, nutricionalmente bem comportadas, mandamos um agnolotti recheado de ricota e espinafre mas a Kelly e o Cesinha dividiram um belo medalhão de filé com batata frita e tudo! Ele não ia mesmo fazer a prova, mas ela, sim. Quando me espantei com seu pedido, ela deu de ombros e respondeu: já comi macarrão hoje. Voltou-se pro seu filezão, que traçou junto com as batatinhas sem medo de ser feliz.

Noite
Voltamos pro hotel e começamos nossos preparativos pro dia seguinte. É um tal de preparar suplemento, cortar papel alumínio pra embrulhar bisnaguinha, ajeitar o pneu (eu SEMPRE esqueço de providenciar um suporte decente e ele vai preso numa gambiarra meia mussarela, meia calabresa, que ocupa o lugar de uma caramanhola), separar a roupa, carregar o relógio... Uma série de pequenas operações que acaba levando mais de uma hora. Só a Julinha consegue chegar, dormir em primeiro, acordar por último e estar pronta pra prova junto com todo mundo no dia seguinte. Thelma e eu debatemos este tópico mais uma vez: qual será o segredo da Juju? Será que ela tem uns duendes tipo aqueles do Papai Noel que deixam tudo preparado durante a noite?
Caí na cama quase onze. Cansada. Mas quem disse que conseguia dormir? A semana foi pesada, um dos meus gêmeos se acidentou, teve de passar por cirurgia e tudo, o outro gêmeo anda com crises de saudades, o trabalho também não está na melhor das fases... E por aí foi passeando a cabeça em vez de dar um shut off. Quando adormeci o sonho foi o clássico tenho de chegar à prova e não consigo. No caso, eu iria fazer DUAS provas. Uma de corrida e depois o GP. Lógico que acordei cansada.
Acordamos cedo, descemos pro café já com as bikes – o elevador era mínimo e imaginamos que todo mundo iria descer na mesma hora e seria aquela confusão. Boa estratégia. Tomamos café sossegadas, subimos para os ajustes finais e descemos de escada, sem estresse e sem bicicletas.

 
Poucas mulheres (Foto: Cesinha)
 Check in, Cecilia e largada
Viajar com a Thelma é tudo de bom porque nos entendemos super bem: nós duas gostamos de chegar cedo, vamos resolvendo uma coisa por vez... é tudo fácil, descomplicado e sem frescura.
Colocamos as bikes com folga no suporte da transição e, como bem descreveu o técnico Fabio Rosa, arrumamos nossas penteadeiras: toalha, bisnaguinhas, protetor solar, tênis, sapatilhas, escova de cabelo, batom, brincos, etc.
O tempo estava nublado e, logo que a elite começou a largar (era uma largada esquisita, tipo contra-relógio, um por vez) começou uma chuvinha. Droga, comentamos, vai molhar todas as coisas que estão na penteadeira. Então vi de longe duas meninas gêmeas e, em seguida, identifiquei a mãe – Cecilia Musselman – com seus dois braços engessados.
Abre parênteses para fazer uma homenagem. Cecilia chegou, via este blog, ao meu perfil no facebook. Adicionamos-nos e desde então, trocamos mensagens. Ela é é triatleta, da minha faixa etária, também mãe de gemelares, além de ser pediatra e trabalhar pra caramba. Mas tem sempre tempo pra escrever mensagens atenciosas e carinhosas para seus amigos. Sofreu um tremendo acidente há algumas semanas – por isso está com os dois braços engessados – e não ficou se lamentando. Está, de cabeça erguida, enfrentando um tsunami ortopédico que vem assolando a ela e seus familiares de uns 3 anos pra cá. Nosso encontro foi rápido, um pouco antes da largada. Ela estava tensa, pois seu marido, Max, ciclista profissional e corredor amador, está se recuperando de algumas lesões e estreava em provas de triathlon. Despedimos-nos ali, mas, durante a prova, passei por ela algumas vezes que, mesmo com os braços imobilizados, festejava minha passagem com uma torcida animadíssima.
Os homens largaram primeiro. Foi aí que percebemos quão poucas éramos nós. Vinte e uma. E eu, como já pude conferir, era a veterana.

Na água
Saindo da água e brigando com o Garmin (Foto: Cesinha)
Barrenta, rasa, longa e fácil. A mulherada saiu desatinada. Fui um pouco mais tranquila e, no final, dei uma apertadinha. Logo depois da primeira bóia deu certa aflição porque a água estava totalmente escura. Não se enxergava nada.
O Garmin se atrapalhou todo e eu me atrapalhei com ele. Coloquei no modo multidesporto mas alguma besteira eu fiz, porque ele não funcionou como tinha funcionado no Internacional. Saco. Perdi um tempinho tentando entender o que estava acontecendo, mas acabei desistindo.
 Corri pra bike, fiz quase tudo direito. Esqueci de colocar duas bisnaguinhas no bolso. A comida estava quase todas na bento-box, mas as bisnaguinhas não couberam. Quando me dei conta, já era tarde. Falta de concentração e mentalização da prova no dia anterior.


Pedal, subidas e Daniella
Depois de uns 2 kms planinhos chegava-se ao percurso da bike. E aí, dá-lhe ladeira. Logo no começo, fui ultrapassada por uma das minhas concorrentes da categoria – a Rita. Deixa quieto, pensei. Lembrei do Wagner “é sua semana regenerativa e encare como treino”. Não sei o que teria acontecido se eu quisesse alcançá-la. Provavelmente não teria feito diferença. E ela foi embora.
A subida não acabava nunca. Praticamente só na hora do retorno. Em alguns trechos amenizava um pouco, mas logo recomeçava. Não sei como é que alguém poderia tomar penalidade por vácuo. Ou era subida, ou era descida. O único trecho plano era chegando ao retorno. Mas era muito curtinho.
A primeira volta foi tensa. Caiu uma garoinha então, na hora da descida, sem conhecer o percurso, o medo de tomar um chão era grande.

Início da volta (Foto: Cesinha)
Na segunda volta, a garoa parou, e deu menos paura no retorno. Mas no início da interminável subida eu me perguntava em voz alta “Como foi mesmo que eu vim parar aqui? Onde eu estava com a cabeça?” Não fiz nenhum treino de subida este ano. Nada. Então, tive de ter muita calma e dosar a força pra aguentar até o fim e depois ainda ter pernas pra correr. Na subida.
Quando estava terminando o primeiro trecho de ladeira da terceira volta, passei pelo Fabio Rosa e pedi, de brincadeira, “Dá pra dar um empurrãozinho aí?” Ele levou a sério e com as mãos nas minhas costas, deu um certo impulso. A Cicarelli que vinha logo atrás de mim, ganhou um também. Logo em seguida, uma moto da arbitragem se aproximou e deu uma dura nela e depois em mim. Com muita educação “Não deixa ele fazer isso de novo, se não você será penalizada”.
Daniella me alcançou e comentou “Puxa, quase levamos um cartão!. A partir daí engatamos numa conversa que durou a terceira volta todinha. E vou ter que ser honesta: ela foi muito simpática. Brinquei com ela “não vem, não! Você já tem muita coisa, já leva muita vantagem sobre mim, não vale, além de tudo, ganhar no triathlon”. Ela riu e disse “não se preocupe, não vou ganhar”. Lá pelas tantas, quase tomamos outro cartão por estarmos lado a lado. “Vácuo lateral também não pode!” disse o fiscal. Vácuo lateral?!
Fui  na frente, mas no meio da quarta volta, ela me ultrapassou, pela direita e, mais uma vez, tomou dura do fiscal. E fomos assim, quase até o fim. O duro de ir perto dela era que TODO MUNDO batia palmas e torcia por ela. Os staffs se estapeavam pra ver quem ia entregar a água pra ela! Reclamei "tá vendo?! Assim não vale! A torcida é toda sua!" Mas tive o apoio e a torcida animadíssima do Cesinha, que valeu por uma multidão e da Cecília, é claro.

A simpática Dani, e eu.

Minha concorrente, a Rita, também me dava um alô sempre que cruzava comigo “Força, Claudia!”. A Kelly também, que estava um pouco atrás, também sempre festejava nossos encontros. Flavio - colega de MPR-  passou por mim e gritou "pô, um treino de 160km na Dom Pedro é mais fácil!" Coisas do triathlon.
Iniciei a última volta soltando uma série de impropérios impublicáveis que me ajudaram a ter forças pra ir até o fim e ainda ultrapassar a Daniella, a Nilma, mais uma que não sei o nome e encostar na Patrícia Bertolucci – minha outra adversária.
Cheguei à transição e xinguei mais um pouco, só de farra.

Corrida, ladeiras e tapinhas
Desconcentrada, mais uma vez, esqueci de pegar o accelerade que me esperava. Mas os géis eu levei. Ufa.
Vi a Patrícia saindo da transição e pensei “vou buscar”. As pernas estavam duras. Ainda bem que o primeiro quilômetro não era, ainda subida forte. Deu pra soltar as pernas e engatar o ritmo do primeiro pro segundo. No segundo, já no início da subida, passei minha amiga, que pediu pra eu puxá-la por uma cordinha. Brinquei: “ah, você não me puxou na bike, agora não te levo, não”.
Corrida, minha praia! (Foto: Cesinha)
E dá-lhe subida. Gente com cãibra, gente andando, resfolegando. Ah, mas eu gosto de correr. Cheguei até o topo, no retorno no 2,5km, e não tinha água. Pecado mortal.
Pra baixo, o santo ajuda. E como. Cheguei no retorno de baixo. Forte. Aí eu já estava feliz. Só mais 5km.
Sobe sobe sobe. Aí desce. Tapinha na bunda do Caio, do Rychard, do Fabio. Quebrados. O Rychard, maluco, tinha feito o short na véspera. Fiz um ritmo abaixo de 5m/km. Cruzei o Mauricio, amigo de blog, que foi a simpatia de sempre, e o Flavio de novo, já  indo embora,  quando eu estava chegando e ele vibrou com a minha corrida. Foi muito legal.
Na linha de chegada, catei a faixa, levantei e gritei “tem que ser fêmea pra caralho pra terminar essa porra! Não é macho, não! É FÊMEA, com F maiúsculo!”. Os staffs e quem tinha sobrado ali, riu e aplaudiu. 4h40m, segunda da categoria – palmas pra Rita que mandou muito bem.

Comentários, críticas e sugestões
O lugar é lindo, os retornos e curvas estavam bem sinalizados, a arbitragem, de modo geral, foi gentil. Um pouco “burra”, quero dizer, em alguns momentos faltava bom senso. Por exemplo, por que não deixar sair pelo outro lado da transição? Era só deixar alguém ali, de olho. Muita gente saiu assim mesmo.
Deveria ter mais um abastecimento no retorno de cima do pedal, não só com água mas com isotônico, frutas e outras coisas. R$ 380 de inscrição, é grana.
Não pode faltar água. Não fez calor. Se tivesse feito, ia ser um strike. R$ 380 é grana.
A largada, às 9h é muito tarde. Por que a elite largou um a um? Ninguém entendeu. Se a elite largar às 8h, os amadores podem largar 8h15 e a prova não termina tão tarde e nem a premiação. Começar a premiação às 16h??? Não dá. É um longo caminho pra São Paulo e adjacências.
Uma camiseta de finisher ia bem. Numa prova como esta, dá gosto usar. E, por R$ 380, tem de dar, né?

Acho que é só. Parabéns a todos que terminaram a prova. Foi casca. Talvez tenha sido a prova de triathlon mais difícil que fiz na vida. Nem no Iron sofri assim.
Quando liguei pro Wagner pra comentar como tinha sido duro, ele respondeu de bate pronto: "Bem feito". E foi mesmo. Bem feita.

sábado, 19 de março de 2011

Treinos

Nada, nada já estou entrando no auge da temporada de treinos para o Iron. Falta pouco mais de dois meses. Agora o corpo já sente o cansaço acumulado e, ainda assim, o volume de treinos vai aumentar.

Segundo Iron
Não me senti muito estimulada a escrever sobre os meus treinos deste ano. Para ser bem honesta, fugi o mais que pude do tema que é a razão de ser deste blog. Por um lado, tive medo de me repetir – relatar fatos muito semelhantes aos que narrei ano passado, por outro, há cada vez mais gente na web escrevendo sobre seus treinos, gente que treina mais e tem mais experiência – de novo, temi chover no molhado.
Mas, pensando bem, tenho algumas coisas pra contar. Treinar para fazer um segundo Iron é diferente de treinar para a estréia.
Quando a gente se inscreve para o segundo, sabe exatamente onde está se metendo. O medo de não conseguir completar a prova ainda existe, mas é uma sombra muito mais tênue.
No ano passado, meu objetivo – principalmente nos treinos longos – era conseguir completar o volume. Isso era coerente com minha meta central: completar o Iron. Em quanto tempo? No que fosse possível. Eu tinha alguma idéia. Mas nenhum compromisso.
Hoje é diferente. Tenho um tempo a ser superado – o meu mesmo, do ano passado. E isso tem implicações diretas em cada treino.

Natação e ciclismo
Na piscina, tenho prestado atenção para não deixar o ritmo ficar muito mole. Não é que me mate. Mas também não é pra sair da água como se nada (nado??) tivesse acontecido.
O pedal é onde tenho me aplicado mais. Durante a semana, nos treinos da USP, tento acompanhar o pessoal mais forte, ficando na roda. E, quando estou sozinha, mesmo cansada, luto para manter a velocidade acima dos 30km/h. O Wagner, meu técnico, me disse algo que pode soar óbvio, mas não é: “Se você treinar com média de 28km/h não vai fazer 32/h na prova. Vai fazer 27-29, mas não 32!” Então, nos longos, tenho feito 80% do tempo com a cara no vento e me esforço, mas me esforço mesmo, pra fazer a média acima dos 30km/h o que, para mim, não é fácil.
No ano passado sempre anunciava meus treinos para conseguir companhia. Agora, se alguém me pergunta ou oferece companhia, ótimo. Mas estou muito concentrada em fazer meu pedal como manda o figurino, buscando o ritmo certo para mim.

Na corrida
Como relação à corrida, também estou em busca de mais qualidade. Foi o que fiz melhor na prova passada, mas sei que dá pra ir além. Mantive treinos com média de 5m30/km e fiz a maratona para 5m35/km. Agora tenho treinado em 5m/km ou menos! Além disso, o ano passado, eu completava o volume indo até o parque correndo ou correndo pelas ruas perto de casa. Isso faz com o ritmo não seja tão constante, porque você tem de parar nos cruzamentos, tomar cuidado com as calçadas, desviar de obstáculos... Agora treino direto no parque ou, quando o volume é menor, faço esteira.

No geral
Também tive algumas mudanças globais – o dia de treino longo de corrida tem sido às 4ªs feiras, pra não ficar próximo do longo de pedal. Tenho tido mais volume de pedal e natação do que ano passado e um pouco menos de quilometragem semanal de corrida. O ciclo mensal: leve, moderado, forte, regenerativo – tem sido muito mais marcado que ano passado. Termino a semana forte realmente precisando me regenerar.
Fora uma dorzinha ali (piriforme é a mais recente) e outra ali (dos fibulares, é das mais antigas) tenho gostado e me sentindo bem. Tem momentos de extremo cansaço. Semana passada, depois de pedalar 140km sozinha na ciclovia tudo que eu queria era alguém para carregar minha bike passarela acima/abaixo! Cheguei a pensar em oferecer dinheiro. Mas todo mundo já tinha sua própria bike pra carregar. Depois de um banho, uma hora jogada imprestável no sofá e um prato de macarrão, ainda tive disposição de levantar e fazer brownies para os meninos.