terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Família-ê Família-a Família!

Logo que voltei de férias, mandei a seguinte mensagem para toda a minha família:

Olá bem-amados
O ano está começando e vai ser muito especial pra mim. Pelo menos, neste primeiro semestre. Como alguns já sabem, mas a maioria acho que não, estou inscrita no Ironman de Florianópolis que acontecerá no próximo dia 30 de maio. O Ironman é uma prova de triathlon com as seguintes distâncias: 3,8 km de natação + 180 km de bike + 42 km de corrida. Para dar conta desse desafio vou ter de treinar muito, me alimentar como uma espartana, dormir cedo. Nada que eu já não faça. Mas vai ser mais radical ainda. Gostaria então de contar com o apoio, a torcida e a compreensão de vocês. Peço, de antemão, que me perdoem se eu não comparecer às festas, jantares, aniversários e outras comemorações. Para quem quiser me acompanhar tenho escrito um blog sobre o tema – http://ironmanumainsanidade.blogspot.com/ e já tenho vários seguidores, inclusive da nossa tribo.

Claro, a coisa mais legal do mundo seria ter vocês lá no dia, naquela torcida!

Muito bem. Qual não foi minha surpresa quando, alguns dias depois, eu soube que meu pai e meu marido estavam organizando a excursão para Floripa. Já estão de passagens compradas e hotel reservado! Meu pai, minha mãe, meu sogro, minha sogra, meu marido e meus quatro filhos estarão Jurerê no dia 30 de maio. Eu não poderia ter estímulo maior do que esse para me dedicar aos treinos.

O que mais me deixa feliz é que, embora eles tenham apenas uma vaga idéia do que seja uma prova como Iron, eles perceberam como isso é importante pra mim.

Cada um deles tem um jeito acompanhar essas minha aventuras.

Meu pai
Gosta de esportes, sempre gostou e incentivou todos os filhos a praticá-los. Na infância e na adolescência era nosso parceiro de volei, volei de praia, taco, basquete, ping pong... o que fosse! Desde que comecei a participar de provas ele se interessa em ouvir meus relatos e saber meus resultados. Conta para minha avó, meus tios e para seus amigos sobre as minhas façanhas. Sinto que ele realmente se orgulha de mim!  E eu a-do-ro que ele acompanhe.

Minha mãe
Nunca gostou de competir, ficava fora desses nossos jogos, mas gosta de assistir. Embora eu perceba que ela, como boa parte dos Rosenbergs (sou Rosenberg Aratangy), fique intrigada com este meu lado esportivo, e ainda não entenda completamente do que se trata, também me apóia, pois percebe que é algo maior que uma simples atividade física. Ela sacou que existe uma experiência emocional intensa nessa brincadeira.


Meus sogros
Esta é uma boa dupla de torcedores. Também, do jeito deles, sem ainda compreender totalmente essa maluquice, eles se empolgam e torcem. Acompanharam minha prova em Clearwater pela internet, na maior atenção. Meu sogro já foi até fotografar treino nosso na estrada! Tenho certeza de que a torcida deles em Floripa vai ser barulhenta e vibrante!




Meu marido
Depois de passar um ano inteiro azucrinando por causa dos meus treinos de triathlon - " Cinco horas de manhã! Isso é hora de treinar? Você está ficando maluca!", de desprezar a speed "MTB é muito mais legal", de desdenhar a corrida "não sei como você aguenta! Muito chato, esse negócio de correr!" enfim, ele percebeu que era pura inveja e começou a treinar também.  Por um lado foi bom, porque finalmente ele entendeu. Por outro... combinar os treinos e não prejudicar o convívio com os filhos, ficou mais complexo.
Mas este ano ele prometeu me apoiar nos treinos para o Iron (e, mais do que isso, não reclamar!). Até agora, cumpriu a promessa e, tenho certeza de que sem a compreensão e a ajuda dele eu não vou conseguir fazer tudo que tem de ser feito para chegar lá.

Filhos
Os quatro têm orgulho da mãe triatleta. Não posso voltar de uma prova sem troféu, que eles ficam decepcionados e pedem explicações! (É relativamente fácil ganhar troféu na minha categoria, sabem... dificilmente tem mais de 6 competidoras!).Todos já assistiram provas e até participaram de algumas corridas. Sabem que o treino é parte da minha rotina e estão acostumados. Expliquei que este ano vai ser um pouco diferente e que eles vão me ver menos aos finais de semana. Em compensação, estarão lá, para (oxalá!) cruzarem a linha de chegada comigo.

Amigas
Além dessa trupe tenho três amigas que trabalham comigo - que estão a milhas de distância de qualquer esporte competitivo - mas se animaram a ir. Fiquei muito contente e tenho certeza de que elas irão se surpreender.

Isso sem falar na Gra, mais do que uma amiga e torcida, minha escudeira, que deverá fazer o apoio logístico durante a prova. Imprescindível!

Não sei quanto a vocês mas, para mim, saber que essas pessoas queridas estarão lá compartilhando uma experiência tão importante como essa, não só me deixa com um tremendo senso de responsabilidade mas, principalmente, me enche de alegria. Acho que nossos laços se estreitarão ainda mais. É aquela história: inscrição para o Iron - U$ 500, passagem aérea R$ 250, ter a sua família na linha de chegada: não tem preço!



segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A regra do jogo

 Triathlon, comparado a outros esportes olímpicos, é um nenê que ainda não saiu das fraldas. Isso é bom? Nem bom, nem ruim. É diferente. Compare ao futebol. Sempre dura 90 minutos. Sempre é num campo de grama, tem linha de meio de campo, círculo central, gols com a mesma dimensão, 11 jogadores em campo, apenas um deles pode pegar na bola. E o triathlon? Hummm. Pode variar as distâncias de 5 km na corrida até uma maratona inteira. Permite vácuo/não permite vácuo. Pode ser individual, pode ser revezamento. Segue a mesma ordem: natação/ciclismo/corrida, mas pode ser feito em três parcelas, ou baterias: natação/ciclismo/corrida + natação/ciclismo/corrida + natação/ciclismo/corrida - como acontece no mundialito. Ou seja, mesmo que a distância olímpica tenha sido estabelecida, isso não impede que aconteçam provas de outras distâncias com a mesma - ou até maior - frequência dos que a de distância oficial. Isso sem falar na popularidade. No planeta triathlon, o que é mais pop: um mundial de triathlon (distância olímpica) ou o mundial de Ironman no Havaí? Aliás... Você sabe onde foi o mundial em 2009? Pois então. Mas aposto que você sabe quem venceu em outubro, em Kona. (BTW o mundial foi na Austrália). E aposto também que não vai demorar pro Iron virar modalidade olímpica.

Mas, voltando às regras. Elas não apenas permitem que os esportes existam, elas é que os tornam desafiantes. Pense bem... Que graça teria o futebol se todos os jogadores pudessem segurar a bola com as mãos? Ou o basquete, se fosse possível caminhar com a bola mais do que os dois passos da bandeja? Se, por um lado, as regras criam limites, por outro, estes próprios limites é que obrigam os praticantes da modalidade a ser criativos e hábeis para conduzir a bola com os pés – no caso do futebol – ou simplesmente voar – no caso do basquete. O triathlon também tem regras interessantes. Por exemplo: nos primórdios das provas (anteontem, mais ou menos) discutiu-se se o cronômetro não deveria ficar parado durante as transições. Já pensou? Que graça teria? Ninguém iria se confundir, se jogar no chão pra ter a roupa de borracha arrancada, colocar o capacete ao contrário... E ainda ia ter gente que ia sentar, enxugar dedinho por dedinho do pé antes de colocar a sapatilha, dar uma passadinha na toilete, tomar uma água de côco...

Outra regra: não ter ajudar externa. Do mesmo modo que o tênis, o atleta do triathlon, no dia do jogo tem de encarar a parada sozinho. Aí não é uma questão de diversão, mas é uma das coisas que tornam o triatleta um ser forte não só fisicamente. Durante as competições temos de tomar as decisões por nossa própria conta e risco. Ninguém fica na beira do campo gritando pra gente: “agora sobre a marcha! Não! Não! Eu disse sobe, p...! Ó o cara da sua faixa etária ta chegando! Aperta! Aperta!” Com exceção da entrada e saída da transição, estamos sós. Claro, ao longo dos treinos e em toda a preparação para uma prova o triathlon é um esporte de equipe: o que seria de nós sem o técnico, sem os parceiros de treino, sem a nutricionista ou sem a fisioterapeuta, pra citar alguns? Mas ali, na hora do “vamô-vê” esta regra torna a prova um desafio maior, mais interessante.

Como todo o esporte e, ainda mais, como todo o esporte com poucos anos de vida, é bem provável que as regras do triathlon sofram modificações. A tecnologia, o crescimento do esporte no mundo inteiro, o desenvolvimento de novos materiais, tudo isso pode fazer com haja mudanças. A princípio, não vejo mal nisso. Espero apenas que, como poucos esportes, os triatletas amadores continuem correndo junto com elite. Coisa impossível de acontecer no futebol (alguém aí já bateu uma bola com o Ronaldo, Robinho ou Kaká?) ou no basquete.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Super 12 horas de Ciclismo - não faltam críticas

Embora no meu post anterior eu tenha feito um relato light sobre a prova, acho importante deixar registrados os inúmeros problemas que ocorreram:
1. Falta de iluminação - os holofotes, poucos, eram mais do que inúteis - atrapalhavam. E não venha dizer que estavam todos de farol. O melhor deles ilumina a 3 metros de distância, no MÁXIMO. Ciclista precisa enxergar mais longe ou não tem tempo de se desviar.
2. Falta de sinalização - os cones não brilhavam. Muita gente trombou com eles.
3. Falta de staff - não tinha quase ninguém ao longo do percurso.
4. Falta de segurança - a polícia só apareceu depois que aconteceram alguns incidentes e, mesmo assim, era pouco efetivo.
5. Informações desencontradas - a respeito da classificação, das regras, dos tempos. Ze Eduardo e Faustolo estavam na frente da dupla que ficou em terceiro e eles não foram classificados nem em primeiro nem em segundo!
6. Vários trechos perigosos, com asfalto mole, buracos, materiais cortantes ou perfurantes ao lado da pista.

Eu vi a ambulância sair pelo menos cinco vezes. Muita gente se machucou. Alguém poderia ter morrido. Foi uma irresponsabilidade fazer uma prova num lugar como aquele. Nós fomos devagar, pedalamos sozinhas e tomamos o máximo de cuidado possível. Mesmo assim, poderíamos ter sofrido algum acidente. Foi sorte.
Pergunta: como é que a Federação de Ciclismo autorizou esta prova??

domingo, 31 de janeiro de 2010

Super 12 horas - ou "vamos pular de mãos dadas?"

The Superpower Girls: Cris, Gra, eu e Dani

Foi uma noite e tanto. Conforme Josélia Pegorim  e eu havíamos previsto, a chuva parou e Perigeu pode dar as caras.
Chegar ao local da prova já era o início da aventura. Saindo da Anchieta, passando por motéis que ofereciam suas acomodações por apenas R$ 15,00 - incluindo camarão, entrávamos numa estradinha de lama, areia e cimento, entrando nas obras do Rodoanel, cruzando as pistas de um lado a outro, por entre máquinas, homens e viadutos, até que se avistasse uma aglomeração de carros, tendas e pessoas.
Felizmente, o Zé Edu, atleta MPR que havia entrado em contato comigo uns dias antes para falar sobre a prova, já estava por ali, perto da área de largada, montando a sua tenda presidencial.  Como a Dani e o Celso - que estavam incumbidos de trazer a nossa tenda - não haviam chegado, decidi queficaríamos por ali mesmo. Bom para todos: Zé Eduardo e sua dupla - Faustolo, teriam sempre gente para olhar as coisas nos momentos de "passar o bastão" e nós estaríamos confortáveis, próximos da saída e, claro, em boa companhia.
Logo chegaram Graciela e o inseparável marido, Junior seu marido, Cris e sua trupe - Robert, o marido,e os filhos Thomas e Nicholas. Eles trouxeram uma também barraca presidencial que seria nosso vestiário e local para descanso. Ela foi montada num ponto estratégico, meio dentro da tenda. Ficamos muito bem estruturados: dois coolers, mesa, poltronas, colchonetes, sleeping bags, canivete suíço, comida e bebida suficientes para passar um mes. Faltou só uma toalhinha bordada pra colocar na mesa. Duas casas pra baixo, meu marido, Marcos e sua equipe, instalaram sua humilde morada. Como bons vizinhos, emprestamos xícaras de açucar e canivete suíço sempre que eles pediram.
Mas havia gente com mais recursos do que nós. Ônibus e motorhomes, com banheiro privativo e até mesmo um jardinzinho!
Aos poucos, uma estranha cidade foi se configurando em cima daquele viaduto. Tendas acompladas a carros, barracas de camping, cadeiras de praia, mesas cheias de frutas, isotônicos, barrinhas, energéticos. E bicicletas. Para onde quer que se olhasse. Bicicletas penduradas, sentadas e deitadas, de todas as cores e marcas.
Dani, nosso quarto elemento, e Celso, seu noivo e ciclista prof, chegaram em cima da hora. Mas não tivemos problemas. Às 20 horas estava tudo pronto para a largada.
A primeira atleta fui eu. Fiz as voltas 1, 5 e 9. Eram 26,6 km num percurso em H, com alguns aclives e declives não muito íngremes, algumas curvas abertas, terreno de cimento na maior parte do tempo, asfalto em alguns trechos (os melhores) e outros de "elemento X" ( que diabo era aquilo?).
O grande problema era a escuridão. Na primeira volta a lua ainda não havia nascido e estava um breu. Sou míope, tenho astigmatismo e, pra não usar um termo mais forte e mais feio, sou medrosa. Ou prudente. Deixei o pelotão sair e fui sozinha, adivinhando o caminho. Não deu pra ir na roda de ninguém. Os faroletes iluminavam, mas não a ponto de me deixar segura. Em lugares onde havia máquinas, estreitamento de pista e nos retornos, havia enormes holofotes que ofuscavam completamente a visão de quem ia ao encontro deles. A salvação era tentar focar nas silhuetas dos cones que marcavam o trajeto. Quando eles estavam nas costas, era ótimo.
Dani e Celso, Zé Edu e eu

Foi um alívio terminar a primeira volta.
Nas primeiras voltas, o clima no acampamento era animado. Parecia uma festa. Um woodstock sem hippies e sem maconha.  O povo da favela ao lado se interessou pelo evento. Famílias, casais, turmas de meninos e adolescentes, passeavam entre as tendas, cervejinha na mão, admirados. Nos olhavam como quem olha um animal num zoológico.
Gente caiu e se machucou, circulou um boato de que um pessoal estaria jogando pedras nos ciclistas e isso deixou o ambiente tenso por um tempo.
Mas aí, ela, a lua, deu o ar da graça, a polícia entrou em ação e a segunda rodada de voltas foi mais gostosa pra todo mundo.
Recebemos a visita da Thelma, com Mônica e Cururu - duas amigas da Sumaré Sports- e, como eu estava no meu período de descanso, fiquei tomando um banho de lua, falando bobagens e bebendo energético. Demos boas risadas.
A esposa do Zé Edu, com uma amiga e uma de suas filhas, também apareceu a uma da manhã com sanduíches fresquinhos. Que corajosa! Embrenhar-se por aqueles buracos,, naquela hora.
Na madrugada, a temperatura foi caindo e os ânimos esfriando. Um orvalho úmido e gelado se depositou nos bancos das bikes expostas.
Uns se enfiaram dentro do carro para dormir um pouco, outros encolhiam-se como podiam em suas tendas. 
Na terceira rodada de voltas, estavamos todas cansadas. Somos seres diurnos. Passar a noite em claro é um esforço supremo. As conversas diminuíram, o tom de voz abaixou. Só não havia silêncio pois alguns insistiam em compartilhar seu som com todos da cidadela, colocando num volume desagradável.
Entrei para meu último trecho as 4 da matina. Mais escuro. A lua estava encoberta, não havia sinal do amanhecer e eu já estava vesga de cansaço, principalmente por não ter pregado o olho nem por um minuto. Obviamente, foi meu pior tempo. Cada um de nós que se dirigia à area de largada em seu último trecho, ia quase a contragosto. Não dei a sorte de pedalar à luz do dia, mas aqueles que o fizeram, disseram que foi muito mais gostoso, apesar do cansaço.
Às 8 horas da manhã, a prova começou seu término. Cris, nossa atleta 4, terminou sua terceira volta fechando 12 horas e 15 minutos de prova para as Superpower Girls.
Havia apenas um outro quarteto feminino. Meninas bem mais jovens e mais forte do que nós - incluindo a minha querida fisioterapeuta, Cacau. Portanto, estávamos totalmente conformadas com a idéia de ficar em 2º (e último) lugar. Ao longo da prova, elas foram abrindo uma distância respeitável. Qual não foi nossa surpresa ao sermos chamadas para o primeiro lugar! Uma delas teve um problema com o pedivela e o carro teve de resgatá-la. A organização da prova ( ou seja, o Célio)  decidiu desclassificá-las. Mas, como ele meio maluco, desclassificou, mas deu o segundo lugar. Vai entender... Elas estavam até reticentes em receber os troféus.
Eu e Gra subimos no pódio e comemoramos. Afinal, pra vencer, às vezes é preciso um pouquinho de sorte também. Dani já havia ido embora e Cris estava recebendo uma massagem (deliciosa) que havíamos contratado.


Mais tarde, largada ao lado de uma piscina, tentando me recuperar da falta de sono, escutei uma menina propor às suas amigas: "Vamos pular na água de mãos dadas?". Todas  toparam, todas entraram juntas. Eram quatro.
Lembrei de como gostava disso quando era criança e, de repente, me dei conta de que, nesta noite, havíamos acabado de fazer.
Nos jogamos, as quatro juntas, dentro de uma aventura. Nos lançamos na escuridão, com apoio recíproco umas das outras. Nos momentos em que tivemos vontade de pular fora, o compromisso firmado entre nós, falou mais alto. Nenhuma ficou pra trás, nenhuma brecou o mergulho, nenhuma foi forçada. Entramos, como aquelas quatro meninas na piscina: mãos dadas, apertadas, friozinho na barriga, mas confiança naquela união. Valeu, meninas!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Desafio12 horas - Ciclismo no Rodoanel

Alguns estão dizendo que vai ser a roubada do século: "que idéia de jerico! Virar a noite acordado, debaixo de chuva, meio acampado, pedalar no breu, lá naquele fim-de-mundo que é o Rodoanel!". Entretanto, nós, as polianas, estamos achando tudo divertido.
É uma prova de doze horas, revezamento ou solo, no trecho sul do Rodoanel que ainda não foi inaugurado. A largada é às 20 horas e o término às 8. Quem pedalar mais quilômetros neste tempo, ganha. A volta tem 20 km e cada equipe define sua estratégia: se cada um vai pedalar direto por 2 horas ou se troca a cada volta, por exemplo. O percurso não é iluminado. O uso de lanternas ou faróis é obrigatório. O vácuo é permitido. Há várias categorias, incluindo MTB.
Montamos uma quarteto feminino (éramos as únicas até ontem) - Gra, Cris, Dani e eu, e já transformamos a prova em festa. Nosso plano é passarmos a noite batendo papo e, de vez em quando, dar uma pedalada de uma meia hora, quarenta minutos. A conversa não será regada a vinho nem cerveja, mas a Gatorade, água e Red Bull. Não vai ter salgadinho nem pizza, vamos nos contentar com gel, bananinhas, sanduíches naturebas. Não vai ter cocaína nem maconha - só adrenalina e endorfina. Comprimidos de ecstasy, tampouco - apenas cápsulas de BCAA. Aposto que a chuva vai parar e nós pedalaremos sob um luar que irá ofuscar nossas lanternas num asfaltinho novo e liso como um tapete. De quebra, terminada a prova, levaremos medalhas e troféus pra casa. Acho que vai ser legal.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Temporada em Ironland

Não vou aborrecer vocês contando detalhes de meus treinos na terra do Ironman. Vou escolher apenas alguns momentos significativos dessas duas semanas.

Natação
A praia do Santinho tem 2 km. Lá, nadei no mar apenas uma vez, ida e volta, de wetsuit e nadadeira. Sem acessórios, no way. É um mar gelado, grosso, ondulado, com vários lugares em que vc fica empacado. Eu só saia do lugar porque estava de nadadeira. Olhava pra praia e lá estava ela: a bandeirinha vermelha, indicando local perigoso. Fui num horario de movimento. Nadar solitariamente no mar, nunca mais. Depois da experiência com as caravelas, aprendi. O bom é que a volta foi muito mais fácil do que a ida.

Natação gostosa mesmo foi na praia do Jurerê. Yes! Morram de inveja. Nadei lá, no ironmar, com o pessoal da Ironmind. Mar calmo e quente. E com uma esteirinha pra seguir...não poderia ter sido melhor.

Pedal
Puxa. Achei que seria fácil pedalar por ali. Não é, não. Fiz foi muito rolo e bike indoor. Mais uma vez, foi o pessoal da Ironmind que me salvou. Nos dois sábados que estive por lá fui acolhida por essa turma. Foram ótimos, me deixaram à vontade: Rafael Pina, Rodrigo Zerlotti, Luque, Caio, Suzana, Valéria e outros cujos nomes não aprendi. Isso sem falar no Roberto Lemos, técnico, que também foi muito acolhedor.  Com eles consegui fazer um pedal decente. Agora é temporada, as estradas estão cheias, tem baladas e muita gente imprudente zanzando logo cedo. Há lugares sem acostamento e outros em que este é tão estreito que mal cabe uma bike. Alguns trechos, confesso, foram bem tensos. Outros, em compensação, um grande prazer.  E claro, passar pelas marquinhas do i-dot é uma emoção pra uma novata como eu.

Corrida
Ah, que delícia! Esta parte foi legal, mas teve um episódio engraçado.  Saí um dia pra correr de manhã pela rua 12k. Eu respirava e sentia um cheiro horrível, podre. Depois de algum tempo, percebi que TODO MUNDO tinha colocado o lixo pra fora de casa. O ar estava empesteado. Provavelmente o caminhão delixo iria passar em breve. Tentei fugir pra um lugar menos habitado, com menos lixo. Fui me embrenhando pra cá, pra lá... Achando que iria conseguir escapar do cheiro e depois cortar caminho pra voltar. Só que fui dar numas dunas e não tinha atalho. Resultado? Fiz 18k em vez de 12!

Foram 15 dias em que pude me dedicar aos meus meninos, aos treinos, à leitura. Comi sem censura, bebi um tiquinho (descobri um cocktail delicioso, com espumante e morango hummmm), desliguei completamente dos problemas do trabalho e não tive que me preocupar com aquela rotina doméstica que também me enche o saco. Os dias passavam tão rápido! Eu me perguntava: como é que cabe TRABALHO na rotina?
O fato de ter ido lá no Jurerê, visto as marcas da chegada, concretizou a idéia de que estou mesmo me preparando pra um Iron. Agora, é de verdade.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Férias!!!

Finalmente, agora que todo mundo está voltando, estou indo. De férias! E como não poderia deixar de ser, no ano do meu primeiro Iron, passarei férias num lugar que tem tudo a ver com isso: praia do Santinho, na Ilha do Desterro, mais conhecida por FLORIANÓPOLIS.


Vou com a tropa toda: marido, meus quatro meninos e, como não poderia deixar de ser, levaremos as magrelas. Passaremos duas semanas e pretendo treinar muito. Nadar no mar, correr na praia, pedalar, fazer musculação, alongamento e todas as aulas de body isso, body aquilo, step, hidroginástica... Só não vai rolar “axé-aeróbica” que daí eu vomito.

Diferente de boa parte da população, a minha idéia de férias não é ficar de papo pro ar sem fazer nada. Pelo contrário. Uma rotina bem cheia, acordando cedo e não dormindo muito tarde. Claro que também pretendo comer de tudo, beber um pouco, ler bastante nos horários vagos, namorar o marido e curtir os filhos. Uma tacinha de prosecco ao entardecer é obrigatória. Relaxar logo depois do almoço, em algum pufe ou espreguiçadeira, na companhia de um bom livro, faz bem pra cabeça. Ai que delícia. Não vejo a hora.

Tenho certeza de que esta temporada vai me fazer muito bem, que vai ser um ótimo início de preparação.

E aproveitando a ocasião, consulto vocês, meus queridos leitores e seguidores: quem tem boas dicas sobre treinos de pedal em Floripa? Onde, quando e com quem podemos pedalar –, lembrando que estaremos na parte norte da ilha?

Agradeço se vocês puderem me ajudar.